Histórias de vida inspiram jovens na construção de seus projetos pessoais

Exemplos e referências também fazem parte da estratégia do programa Competências para a Vida que apoia jovens em situação de vulnerabilidade social a fim de que possam conquistar seus sonhos, apesar das dificuldades.  

O segundo módulo do novo ciclo de jovens participantes do programa Competências para a Vida reforça a importância de exemplos e referências na formação das juventudes.

No encontro de uma das turmas desse módulo, na sala virtual, além do educador que faz a mediação da sessão de formação, estavam os jovens de Uarini, no Amazonas, juntos e com máscaras. Na cidadezinha onde vivem, a 565 quilômetros de Manaus, não tem sinal de internet. Por isso, foi preciso reuni-los em um único lugar, nas dependências da Fundação Amazonas Sustentável, parceira do programa. Mas as dificuldades não param por aí: muitos jovens da região levam horas para chegar à ONG, porque precisam usar barcos, fazer longas caminhadas até o ponto de encontro. Porém, é perceptível o interesse que demonstram nas reuniões e o entendimento claro de que essa oportunidade de formação não pode ser desperdiçada. Por isso, não medem esforços para participar das formações.

Duas convidadas do programa também estavam presentes: Hellen Moura e Patricia Lima. Hellen é educadora social em Cabo de Santo Agostinho, PE. Ela começou a conversa dizendo que sempre teve muito medo de falar em público, mas contou isso com tanta fluidez que era difícil imaginar. A jovem de 25 anos compartilhou sua trajetória de vida: para conseguir estudar e realizar seus sonhos, trabalhou em uma padaria, mesmo não gostando. Hoje ela sabe que precisou fazer o que não queria para conquistar, mais à frente, o que realmente importava. E toda vez que se deparava com o desafio de falar em público, ela recuava. 

Entrou, com muito esforço e dedicação, na faculdade. Quando teve de fazer o primeiro seminário, deu pânico. Ela “fugiu” das aulas e trancou a matrícula. Foi quando Hellen ingressou em um projeto social e recebeu mentoria de uma pessoa que mostrou para ela a importância de encarar esse medo, afinal, saber se comunicar é uma habilidade essencial. Hellen seguiu os conselhos do mentor, cursou a faculdade de Oratória e acabou apaixonada pelo curso, especializando-se em Comunicação. Hoje ela é professora e ajuda os jovens a vencerem suas dificuldades, especialmente a de falar publicamente e se colocar nas situações. Hellen transformou um obstáculo em potencial. “Vocês precisam se conhecer, saber quais são suas habilidades e seus desafios para entender como trabalhar tudo isso. Pode ser que alguma coisa que vocês achem que não sabem fazer se torne, na verdade, uma habilidade a ser desenvolvida”, reforçou Hellen para os jovens do Amazonas.

Nada é definitivo e tudo pode mudar o tempo todo

Patricia tem 31 anos, é engenheira e mora em São Paulo. Atualmente, trabalha na empresa O-I, parceira do programa Competências para a Vida. Sua participação na conversa foi voluntária, como também é a atuação dos mentores dos jovens no programa. Todos são colaboradores das empresas que apoiam a iniciativa.

“Quando alguém pergunta ‘quem é você? O que você faz’, tendemos a responder a profissão da gente. Mas somos muito mais do que isso. Somos as habilidades e as vivências que acumulamos”. Essa foi a fala inicial de Patricia, que contou sobre como chegou aonde está hoje. Desde pequena, queria ser veterinária e teve todos os bichos possíveis em casa. Mas saber que precisaria lidar com o sofrimento dos animais a afastou da profissão e, por eliminação, acabou fazendo Engenharia Química. Só que não se encontrou no curso, transferindo-se para a Engenharia de Produção. Ela contou que sofreu muita discriminação, porque, no ambiente de trabalho, predominantemente masculino, as mulheres eram vistas como incapazes e intrusas. 

Hoje ela atua na área de Recursos Humanos da O-I, depois de ter ficado um tempo na produção. Seus superiores perceberam o interesse de Patricia em ajudar as pessoas, identificando-se com ações que garantem a equidade de gênero e a diversidade na empresa. A habilidade de organizar projetos, adquirida na engenharia, uniu-se ao aprendizado que vivenciou quando era rejeitada pelos colegas por ser mulher. Ela usou a resiliência para construir sua carreira e aceitou o convite para ingressar na equipe de RH. Mas… e o amor pelos animais? Patricia não o abandonou e atualmente ajuda a gerir uma ONG que cuida de gatos abandonados. “Nada do que decidimos precisa ser definitivo, as escolhas têm rotas. Você pode começar por um lugar e descobrir que não é o que você quer. Tudo bem, porque essa bagagem vai te ajudar a seguir em frente na sua busca. E se você não tem certeza de nada, fazer um trabalho voluntário pode te ajudar a experimentar e sentir o que te faz feliz”, ressaltou a engenheira.

Do outro lado, lá em Uarini, logo após a fala de Patricia, uma jovem levantou a mão. Era Adrielen: “Nada é fácil. Nada vem de bandeja, principalmente para nós mulheres. Me tocou muito a história da Patricia, porque é dolorido sentir esse preconceito. Mas eu não vou desistir do que eu quero. Meus pais sempre trabalharam fazendo farinha e me deixavam na escola. Eu me inspiro nas pessoas como vocês e me inspirava nas minhas professoras. Eu quero ser professora. Ainda não tive a oportunidade de fazer uma faculdade, mas vou fazer e, também, quero compartilhar minha história com meus alunos.”

O depoimento da jovem amazonense encerra esta matéria e reforça a importância indiscutível de exemplos e referências para apoiar as juventudes nas suas escolhas, especialmente em um cenário tão difícil como o que vivemos hoje: atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 gostaria de trabalhar, mas não consegue, por isso, desistiu de procurar por uma colocação. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas (Atlas das Juventudes).  É preciso garantir o acesso das juventudes às oportunidades para que não percamos o boom demográfico histórico que vivenciamos. O programa Competências para a Vida, da United Way Brasil, tem esse papel e o seu apoio e o da sua empresa são essenciais para que as oportunidades se multipliquem e possamos atender mais jovens como Adrielen, ajudando-os a se realizarem plenamente, como a Hellen e a Patricia. Pense nisto!

Coalizão de movimentos sociais, liderados por empresários, lança estudo de boas práticas para a inclusão produtiva das juventudes

Evento realizado no último dia 20 de julho reuniu CEOs e executivos de grandes corporações engajados na promoção da empregabilidade e formação de jovens-potência, o grupo de brasileiros que mais perdeu emprego e renda durante a pandemia. 

A live “Inclusão produtiva jovem: o papel das empresas para transformar uma geração” marcou a história do ecossistema corporativo brasileiro. Realizado pela coalizão GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil, o evento reuniu em um só dia as lideranças das maiores corporações do País com o objetivo de lançar o estudo “Empresas potentes: boas práticas na inclusão de jovens-potência”, que analisa os processos de recrutamento, seleção e manutenção de jovens nos quadros de colaboradores de empresas-potência, compartilhando orientações, recomendações e pontos de atenção para qualquer corporação que queira implementar ou revistar suas políticas de inclusão de jovens nas suas equipes.

O estudo, que tem sido pauta dos grandes veículos de comunicação, é um guia de boas práticas produzido pela parceria GOYN SP e Accenture Brasil, que recebeu o apoio e as contribuições das instituições representadas no lançamento.

Apresentado no evento por Fagner Lima, Designer de Serviços da Fjord/Accenture Brasil, o estudo ouviu, de um lado, as “dores” dos Recursos Humanos (RHs) na hora de contratar jovens-potência para os postos de entrada nas corporações. Do outro lado, escutou as expectativas e necessidades das juventudes antes e depois da contratação.

O estudo se aprofundou na literatura sobre o tema, especialmente no conhecimento já construído pelo GOYN SP, utilizou entrevistas e grupos focais com equipes de RHs, com gestores que atuam com os jovens nas empresas e com os próprios jovens. O conteúdo foi analisado e validado pelas organizações que compõem a rede GOYN SP.

“Vimos que o melhor jeito de compartilhar as boas práticas e os aprendizados é por meio de uma jornada, que apresente o percurso, sem ser uma receita pronta. Ela é orientadora e inspiradora, trazendo ações e indicações quem pode ajudar na sua implementação”, explicou Fagner.

O estudo reúne, também, cases de corporações que assumiram o compromisso de incluir, formar e promover a ascensão dos jovens, com exemplos concretos para cada etapa da jornada das juventudes nas empresas: PwC, Coca Cola Brasil, Funcional Health Tech, Itaú e Magalu.

Além disso, para as companhias que não se veem em condições de fazer um processo mais amplo para a inclusão produtiva jovem, o estudo propõe ações mínimas e viáveis que podem ser adotadas por quaisquer empresas.

“O maior aprendizado trazido pelo estudo é que a inclusão dos jovens é uma atividade coletiva e não individual da companhia. Uma ação que deve se somar às ações que já existem no terceiro setor, no poder público, potencializando o alcance e a efetividade da corporação. Compartilhar essas práticas é uma maneira de inspirar novas ações, efetivar parcerias e fomentar esse ecossistema”, concluiu Fagner.

Muito além de marcas e negócios

A coalizão de diferentes movimentos voltados à inclusão produtiva das juventudes, que contam com a participação ativa dos C-levels das corporações, é um exemplo claro de como a urgência dessa pauta precisa de ações coletivas e colaborativas para avançar na velocidade necessária. 

Como bem pontuou a mediadora da live, Isabelle Christina, jovem negra da periferia, que superou diferentes desafios para conquistar seu espaço na Oracle, o papel das empresas é crucial para reverter o atual e desolador cenário: “Atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 jovens gostaria de trabalhar, mas não consegue, deixando de procurar uma colocação, segundo o Atlas das Juventudes. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas”, pontuou a jovem-potência. Isabelle também ressaltou: “Ao mesmo tempo em que vivemos essa realidade, temos agora a maior chance de revertê-la. Se a gente olhar para nações como Japão e Coreia do Sul, que também viveram o boom demográfico… Nessa fase eles incentivaram os jovens a produzir tecnologia, inovação e assim chegaram aonde estão hoje. O Brasil está perdendo a oportunidade de ser uma grande potência.”

Para Juliana Azevedo, Presidente da P&G Brasil e do Conselho Deliberativo da United Way Brasil, “quando falamos da inclusão produtiva dos jovens, estamos falando de formação, de uma agenda digital de educação e profissional, que precisa ser reciclada, de condições de emprego e de empreendedorismo. E a gente pode atuar mais rápido se alavancar o que já está sendo feito pela empresa A ou B. O desafio é grande, a urgência é enorme, mas juntos podemos mudar essa realidade. Podemos fortalecer a potência desses jovens maravilhosos que estão aí para ajudar a construir o nosso país.”

“Nós não precisamos dar o valor, porque o jovem já tem o seu valor. Nós temos de gerar e fomentar oportunidades. E é através da oportunidade gerada pelo gestor, pelo líder que vamos inspirar nossos times. Se não diversificarmos o pensamento, nós não inovamos, não transformamos. Precisamos ter essa consciência de que juntos vamos mais longe”, reforçou Rachel Maia, Founder e Ceo @RM Consulting e Presidente do Conselho Consultivo do Unicef.

Julio Campos, Presidente da Unilever Marketplace América Latina e fundador do Movimento Jovens do Brasil, lembrou que as lideranças precisam usar suas influências para fazer a diferença. “As pessoas que estão aqui transcendem suas posições nos negócios. São brasileiros que querem transformar a realidade. Somos como plantadores de tâmara, que precisa de 80 anos para dar frutos. Talvez a gente não veja tudo realizado, mas, definitivamente, estamos atuando para que nossos filhos e netos possam ter um mundo melhor para viver.”

O papel das corporações vai muito além de contratar os jovens, segundo Pedro Massa, VP, General Manager Coca Cola Brasil e Conselheiro do Instituto Coca Cola Brasil: “Precisamos vencer barreiras de entrada, muitas oportunidades não chegam à população com menor renda e há ainda muita discriminação de grupos sociais em processos de seleção. O papel da liderança é crucial nesse sentido. Além de abrir portas, são necessárias ações de engajamento da força de trabalho atual, para que o ambiente profissional e de educação não seja hostil e possa acolher, de fato, o jovem.”

No evento, a coalização também lançou a Comunidade de Práticas, apresentada por Thiago Reis, diretor de criação no Zuma. A comunidade é um espaço aberto no Linkedin para trocas, reflexões e experiências bem-sucedidas sobre a inclusão produtiva das juventudes para que jovens, empresas, organizações e pessoas interessadas no tema possam ter acesso, também, a estudos, pesquisas e documentos inspiradores. Clique aqui, navegue e faça parte dessa comunidade, que já conta com 90 corporações participantes. 

Confira, na íntegra, o evento de lançamento do estudo e da comunidade de práticas: https://www.youtube.com/watch?v=oyEEGQ9PqVg 

O GOYN SP é uma coalizão que tem o propósito de incluir produtivamente 100 mil jovens de São Paulo até 2030 e impactar a vida dos mais de 700 mil jovens-potência da cidade. Conta com as seguintes organizações parceiras: Accenture, The Aspen Institute, Catholic Relief Services, GDI – Global Development Incubator, Prudential, United Way Brasil​, Youth Build, Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Em Movimento, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Coca-Cola Brasil, Itaú Educação e Trabalho, FIESP, Vocação.

United Way Brasil e Goyn promovem ações para a inclusão produtiva jovem

As coalizões GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil se uniram com o mesmo objetivo para lançar duas iniciativas em prol das juventudes.

Em 20 de julho realizam o evento conjunto “Inclusão produtiva dos jovens: o papel das empresas para transformar uma geração”, que lança o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” e uma comunidade no LinkedIn para troca de experiências entre empresas sobre o tema. As duas iniciativas protagonizadas pelas organizações parceiras pretendem oferecer insumos para que empresas possam compartilhar suas experiências e aprendizados na inclusão produtiva de jovens, estimulando novas empresas a aderirem à prática.

Acompanhe o evento a partir das 9h30
LinkedIn – https://www.linkedin.com/events/liveinclus-oprodutivajovem6820381232300404739/
Facebook – https://www.facebook.com/events/178927277549501/
YouTube – https://youtu.be/oyEEGQ9PqVg

Lançamento do estudo

Com o objetivo de sensibilizar e apoiar as empresas na inclusão produtiva de jovens, o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” sistematiza e apresenta os principais aprendizados e recomendações para empresas que queiram investir nos jovens. A iniciativa acontece em um momento onde 27,1% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão desempregados, de acordo com dados divulgados pelo Atlas das Juventudes e Instituto Veredas.

Essa é a maior geração de jovens da história brasileira e a tendência é que nos próximos 40 anos ela se reduza à metade, portanto, promover oportunidades de educação de qualidade, formação profissional, inclusão digital e acesso ao mundo do trabalho é urgente para essa geração e não é um ato altruísta, é um investimento de médio e longo prazo no desenvolvimento do país. O Atlas das Juventudes também confirma que a inclusão dos jovens na educação ou no mercado de trabalho pode evitar prejuízos de até 1,5% do PIB dos países.

A organização do estudo é da Accenture e do GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), programa global articulado pela United Way Brasil com foco na geração de oportunidades de trabalhos decentes para as juventudes, e que tem em sua rede mais de 80 organizações. O programa GOYN teve início em São Paulo em 2020 e tem o objetivo de melhorar o patamar de renda de 100 mil jovens até 2030.

O estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” se apresenta como um guia prático no desenho da Jornada da Inclusão Produtiva em uma empresa, por meio de 4 fases: formação (capacitação do jovem), planejamento (definição de estratégia e fomento), recrutamento (ações de recrutamento) e trabalho (vivência profissional). Cada momento é dividido em 3 etapas descritas em: o que pode ser feito, quem pode ajudar, recomendações e pontos de atenção.

“Esse documento é apenas o começo. Uma empresa que deseja empregar jovens deve, como primeiro passo, entender esse ecossistema e formar parcerias que fortaleçam sua iniciativa. Talvez o maior aprendizado deste estudo esteja em pensar a inclusão produtiva não como uma atividade isolada do empregador e sim como uma ação conjunta que se fortalece com as atividades existentes do terceiro setor e poder público e a partir disso gera as oportunidades de trabalho”, diz Gabriella Bighetti, diretora executiva da United Way Brasil, entidade articuladora do GOYN SP.

Cases de sucesso podem ser replicados em empresas

O documento apresenta também 5 práticas de destaques de programas realizados nas empresas Itaú, Coca-Cola Brasil, Funcional Health Tech, PwC e Magazine Luiza. As práticas selecionadas são exemplos de como executar algumas das recomendações presentes na Jornada.

O Banco Itaú vai além das cotas obrigatórias e promove inclusão de jovens através de programas de jovens aprendizes, estágio, trainee e vagas de perfil júnior. O programa de jovens aprendizes tem registro desde 2012 e alcançou a marca de 17 mil jovens impactados, com um média de 1.500 jovens ao ano. O número de aprendizes efetivados é de 4.490 jovens encarreirados. O programa de estágio começou em 2000 e já impactou 45.618 jovens, dos quais foram efetivados 24.824. Nos últimos 3 anos a média de estagiário por ano é de 4.738 jovens. A taxa de efetivação é de 40% para o programa de jovem aprendiz e 65% para o programa de estágio.

A PwC faz inclusão de jovens por meio do programa de jovens aprendizes desde 2006. Em 2016 o programa passou por uma reestruturação que teve como objetivo final o impacto social e inclusão de jovens em contexto de vulnerabilidade, totalizando 570 jovens no período de 2016 a 2021. Em 2020, 81% dos aprendizes foram efetivados.

A Coca-Cola Brasil possui um programa de jovens aprendizes e estágios, criados em 2016, com 60 jovens impactados em 2021. Todos estes jovens provêm do programa Coletivo Jovem, iniciativa de empregabilidade do Instituto Coca-Cola Brasil que oferece formação, apoia na candidatura às vagas e, durante o recrutamento, oferece a infraestrutura para quem precisa.

Para a empresa de tecnologia Funcional Health Tech, investir na parceria com instituições de ensino do terceiro setor foi a oportunidade de reforçar os valores e a cultura organizacional e, consequentemente, contratar profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho. Este é o primeiro ano do programa, que conta com a contratação de 10 jovens para os cargos de entrada e previsão de mais 7 vagas até o final de 2021.

O Magazine Luiza conta com uma cultura empresarial inclusiva que estimula os estudos com bolsa auxílio e um programa de aprendizagem com taxa de efetivação de 72% nas áreas corporativas. A empresa faz inclusão de jovens através do programa de jovens aprendizes, estágio e trainee. O programa de Jovem Aprendiz atualmente conta com aproximadamente 1670 jovens. No último ano, 450 jovens que tiveram seus contratos encerrados no período foram efetivados e mais 370 foram admitidos no programa.

Outro programa do Magalu com foco em jovens talentos é o Programa Trainee, que gera oportunidade para jovens recém formados em universidades ou às vésperas da formatura. Em 2021, o programa teve 100% de suas vagas dedicadas a contratação de jovens negros. Ao término do programa todos têm oportunidade de assumirem posições em áreas estratégicas da companhia com cargo inicial de Analista Sênior e com forte projeção de carreira para posições de liderança.
União de movimentos pela inclusão

“Os jovens, hoje, mais do que nunca, são o ponto focal da nossa atuação. É buscando criar oportunidades e reduzir barreiras de acesso ao mercado de trabalho que criamos o movimento Pacto Coletivo Pelos Jovens, com o objetivo de convocar empresas e organizações para atuar em conjunto com foco na expansão de vagas de emprego para jovens, em oferecer mais oportunidades de desenvolvimento profissional e em estabelecer processos seletivos mais inclusivos”, conta Daniela Redondo, diretora executiva do Instituto Coca-Cola Brasil. “A trajetória rumo à inclusão produtiva de jovens-potências deve ser um esforço coletivo e intencional, em que todos nós precisamos refletir e estar atentos a vieses e estereótipos a fim de facilitar a criação de espaços para essas pessoas possam prosperar e que ciclos de pobreza sejam interrompidos”.

Além do estudo, será lançado no mesmo dia a Comunidade de Práticas, um espaço na rede social LinkedIn aberto para todas as empresas e profissionais interessados em trocar experiências, boas práticas e desafios sobre a inclusão produtiva jovem. “As empresas estão em níveis diferentes de maturidade na inclusão dos jovens e a troca entre elas é fundamental para potencializar essa agenda, visando não apenas a importância de ampliar o número de vagas para as juventudes, sobretudo os mais afetados pela falta de oportunidades, mas o olhar para a retirada de vieses nos processos seletivos, para o acolhimento, mentoria e desenvolvimento de carreira e o apoio nos casos de violências e violação de direitos”, destaca Gustavo Heidrich, oficial do UNICEF no Brasil para iniciativa Um Milhão de Oportunidades.

A Comunidade já nasce com a força de mais de 90 empresas que fazem parte da rede das iniciativas GOYN, 1MiO, Pacto Coletivos pelos Jovens e Jovens do Brasil e contará com fóruns, conteúdos formativos, apresentação de cases, artigos e histórias de vida.

“A chave para mudar a realidade das juventudes brasileiras e destravar o potencial dessa geração é a oportunidade. E isso não se resume a criação de vagas, vai muito além. Começa na criação de um programa que seja genuinamente inclusivo desde a seleção até a capacitação e progressão de carreira. Precisa ter uma preocupação real em valorizar o que novo esses jovens podem trazer para as organizações e não em enquadrá-los no perfil padrão das atuais referências pouco diversas que povoam grande parte das empresas. Esse é o favor que vemos na troca e evolução contínua de uma comunidade de boas práticas”, finaliza Fernanda Liveri, Coordenadora Geral do Movimento Jovens do Brasil.

Programa Competências para a Vida promove letramento racial para jovens e mentores

Iniciativa da United Way Brasil, em parceria com empresas associadas e parceiras, o programa tem como objetivo promover o desenvolvimento de jovens negros e negras em situação de vulnerabilidade para que construam seus projetos de vida e possam ocupar espaços na sociedade e no mundo do trabalho.

O racismo estrutural é um desafio que precisa ser enfrentado para que possamos avançar como sociedade e combater as desigualdades. No mundo do trabalho, o problema tem se tornado pauta das políticas das corporações, para incluir negros e negras nas equipes, mas ainda é preciso fazer muito mais.

Diante do boom demográfico, em que os jovens ainda são maioria – e a pirâmide etária começa a se inverter, com progressivo envelhecimento da população brasileira –, outro desafio se une ao primeiro e vencê-los é prioridade se quisermos construir uma nova história, que passa pela inclusão da juventude negra no ecossistema produtivo.

No entanto, um cenário, que já era crítico, foi agravado a partir de 2020, com a pandemia gerada pela Covi-19, afetando a oferta de trabalho. Os índices de desemprego entre os grupos de 14 a 17 anos e de 18 a 24 anos, de 42,8% e 29,7%, respectivamente, foram os maiores dentre as demais faixas da população (IBGE, 2020). No contexto geral, a taxa de desemprego entre os brancos ficou em 9,8%, bem abaixo das pessoas pardas (14%) e pretas (15,2%). Os motivos que levam a esse desnível, além da crise, são a baixa escolaridade, a falta de conectividade e o preconceito, obstáculos enfrentados pelas camadas mais pobres que, por sua vez, são formadas por uma maioria negra.

Portanto, para que jovens negros e negras possam ocupar seus espaços, são necessárias políticas públicas que garantam educação e trabalho de qualidade. Também é essencial que o setor privado assuma o seu compromisso com essa causa e, por meio de seus Recurso Humanos (RHs) e comitês de diversidade, promova a entrada e permanência das juventudes negras em suas corporações. O papel do programa Competências para a Vida é justamente apoiar essa inclusão, preparando, de um lado, os jovens para as demandas das empresas aliadas aos seus sonhos e propósitos. Do outro, estimulando os colaboradores das companhias para que sejam mentores voluntários desses novos talentos, apoiando-os na sua caminhada pessoal e profissional, um passo importante na busca pela diversidade nas corporações. 

Letramento racial, a formação necessária

Com os crescentes movimentos sociais para combater o racismo estrutural, a United Way Brasil assumiu o compromisso de realizar ações intencionais com o objetivo de debater, enfrentar e desenhar soluções para a inclusão de jovens negros e negras no mercado de trabalho. O Competências para a Vida é uma delas. Por isso, em 2021, tem realizado parcerias com organizações, consultores e especialistas que são referência no tema. Uma delas é a jornalista e consultora em gênero e raça, Kelly Quirino, que atualmente é professora da disciplina Comunicação e Diversidade e Epistemologias Negras, na Universidade de Brasília, que está apoiando nas formações dos atores envolvidos no Competências para a Vida.

O programa conta com uma coordenação, um grupo de facilitadores e os mentores que se encontram virtualmente com os jovens durante o período de capacitação. “Começamos pelos colaboradores das empresas, que se voluntariaram para serem mentores dos jovens, e os formadores do programa. Falamos sobre uma questão que, às vezes, é confusa para os brancos. Muitos não querem opinar sobre racismo porque acham que esse lugar de fala não lhes pertence. Mas não é assim. Todos e todas precisam debater o tema. Ficar em silêncio, porque é branco, mantém a estrutura do jeito que está, ou seja, excludente. É importante falar e, também, ouvir, considerar e privilegiar a voz dos negros e negras nesse diálogo, porque eles sentem na pele o preconceito”, explica Kelly. Ela gostou da conversa que teve com os mentores porque pode conhecer as diferentes ações das corporações onde trabalham, relacionadas ao enfrentamento do racismo estrutural. “O que percebemos é a importância de oferecer aos funcionários oportunidades de letramento sobre racismo para que entendam o que é, já que muitas coisas estão enraizadas e naturalizadas”, reforçou.

Mulher com vestido colorido

Descrição gerada automaticamenteKelly Quirino é doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Comunicação Midiática e Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Fez doutorado-sanduíche na Tulane University (EUA) como pesquisadora visitante financiada pela Capes. Na área de Educação, atuou como tutora do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Gênero e Raça na Faculdade de Educação da UnB.

O Competências para a Vida, com o apoio da consultora, criou um acervo virtual com indicações de leitura e de filmes sobre a temática para orientar mentores e formadores no entendimento de como o preconceito afeta a vida pessoal e produtiva das juventudes negras. “Na conversa com os mentores, ressaltei que eles têm total condição de dar aos jovens negros e negras exemplos pessoais de como vencer obstáculos, no entanto, é importante que ampliem seus olhares, considerando realidades como pobreza, racismo e violência”, ressaltou Kelly. Ela lembra que essa juventude já passou por muita coisa e se chegou até o Competências para a Vida é porque venceu inúmeras dificuldades. Por isso, é essencial mostrar a esse jovem que seu sonho é possível e que ele possui meios para conquistar seus objetivos. “Não existe meritocracia para essas juventudes. A lógica aqui é outra”, defendeu Kelly. Para ela também cabe aos mentores ajudarem os jovens a acessar informações e oportunidades, afinal, a grande maioria vive em condições de vulnerabilidade. A conectividade e o uso qualificado da tecnologia são realidades distantes. 

A consciência de ser negro e negra nesse contexto 

A formação com a temática começou este ano, no segundo semestre, para um grupo de 320 jovens. “Temos trabalhado o que é o racismo, porque, muitos deles, não têm essa consciência. Então, partimos das suas experiências e aí as situações vão aparecendo. O objetivo é instrumentalizá-los para que possam entender e enfrentar o preconceito que sofrem”, explicou Kelly. “Daí vale usar a charge, o texto, um podcast ou um filme para a partir do exemplo, ajudar o jovem a entender o conceito e a teoria”, complementa. 

Parte da capacitação realizada com mentores.

Vários estudos indicam o impacto negativo do preconceito racial na identidade e na autoestima dos jovens. O Competências para a Vida tem a proposta de fortalecer esses dois aspectos, apoiando os participantes do programa no desenvolvimento de competências socioemocionais e no acesso a ferramentas que os ajudem a ocupar espaços dos quais, historicamente, os negros foram sempre excluídos. “Os jovens do programa precisam entender que a questão do racismo é coletiva e que precisa ser enfrentada como tal. Que construir uma carreira, conquistar um bom emprego é um direito”, reforçou a consultora.

Com a proposta de trazer o racismo estrutural como tema de formação dos colaboradores e dos jovens, o programa Competências para a Vida pretende intervir positivamente na vida desses atores e, também, fomentar a diversidade nas empresas, a partir de um processo colaborativo que une diferentes pontas para promover a inclusão produtiva das juventudes. Por isso, se sua empresa ainda não vestiu a camisa da diversidade e do combate ao preconceito racial, a hora é agora! Começar pelos jovens é uma maneira de plantar mudanças estruturais no presente e futuro de nossa sociedade. 

Clique no link e saiba mais sobre o programa Competências para a Vida: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/ 

GOYN SP debate inclusão produtiva no Festival Atlas das Juventudes

O Atlas das Juventudes sistematiza e dissemina diferentes dados para pautar ações e políticas públicas que otimizem e promovam o potencial dos jovens na construção de um futuro mais inclusivo e próspero para a sociedade. O GOYN SP é parceiro da iniciativa, contribuiu com dados sobre juventudes na cidade de São Paulo e marcou presença no festival de lançamento.

De 9 a 12 de junho aconteceu o Festival Atlas das Juventudes, uma realização das organizações Em Movimento e Pacto das Juventudes pelos ODS, com o apoio do GOYN SP, movimento articulado pela United Way Brasil em São Paulo, e diferentes organizações sociais voltadas à causa.

O evento contou com debates, oficinas e atrações culturais e artísticas protagonizados por jovens de gêneros, raças e territórios distintos, ressaltando a diversidade das juventudes brasileiras.

A iniciativa marcou o lançamento do Atlas, disponibilizado para todos e todas que trabalham questões relacionadas às juventudes no Brasil.

No dia 11, o Núcleo Jovem do GOYN SP coordenou a oficina “Trabalho e habilidades socioemocionais” para apresentar aos participantes uma ferramenta de apoio aos jovens nos processos de recrutamento profissional.

Na introdução da oficina, Jonathan Carvalho, Carla Francischette e Gabriel Gonçalves, do Núcleo Jovem, apontaram as principais dificuldades enfrentadas pelos mais de 700 jovens-potência das periferias de São Paulo, na busca por postos dignos de trabalho. Os desafios estão relacionados a questões ligadas ao racismo estrutural, à evasão escolar, à crise laboral e à lacuna digital (saiba mais, acessando o painel “Desafios e oportunidades para a inclusão produtiva dos jovens-potência da cidade de São Paulo”).

Também destacaram como um grande obstáculo os processos de recrutamento das corporações: “Dentre as 500 maiores empresas do Brasil, apenas 35% diversificam a forma de contratação”, ressaltou Gabriel.

Para ele, e demais participantes da oficina, os tradicionais métodos usados pelas áreas de Recursos Humanos (RHs) não contemplam a realidade dos jovens periféricos, suas habilidades e seus potenciais. “Os currículos não dizem quem somos e acabamos em desvantagem quando comparados com jovens que fizeram faculdade X, curso Y, intercâmbio…”. Pâmela Regina, recém-chegada ao GOYN SP, concorda: “Os currículos tradicionais muitas vezes nos colocam como se não fôssemos capazes de nada!”

Na segunda parte da oficina, os jovens apresentaram o Card Jovem, elaborado pelo Núcleo Jovem, com base em um ou mais indicadores, disponíveis on-line, como o MBTI, um teste baseado nas competências socioemocionais do indivíduo. A partir de um questionário, o programa define com qual perfil a pessoa se identifica. “É um método que não leva em consideração as competências técnicas, mas, sim, quem você é de verdade”, reforça Gabriel.

A ideia é que os jovens utilizem os cards para se apresentarem às empresas, evidenciando seus valores, propósitos, motivações e vivências.  Os participantes da oficina tiveram acesso ao link para montá-los e aprovaram a ideia como uma nova maneira de as empresas ampliarem o foco sobre as contribuições das juventudes para o desenvolvimento de suas equipes.

Inclusão produtiva em debate

Na noite do dia 11, o Global Opportunity Youth Network de São Paulo (GOYN SP) participou da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes”, ao lado de representantes da Fundação Arymax, do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds) e do Corporativos para Pretos, mediados pela jovem Yasmim Vieira.

A conversa trouxe importantes reflexões sobre o que significa promover a inclusão produtiva das juventudes, especialmente no atual contexto da realidade brasileira, fortemente marcada pelos impactos da pandemia.

Matheus Magalhães (Fundação Arymax), definiu a inclusão produtiva como “a inserção da população pobre ou em situação de vulnerabilidade para a geração de trabalho e renda de maneira mais estável e relativamente duradoura, a fim de superar as situações crônicas de exclusão social de determinada época”. Ou seja, a inclusão produtiva responde a um contexto social e vai se modificando a partir da realidade.

No entanto, para que os jovens sejam inseridos no ecossistema produtivo outros fatores merecem atenção, porque são determinantes para que a inclusão aconteça com qualidade. “Não adianta falar: ‘empresa, crie vagas e empregue os jovens que estão fora do mercado’. A gente precisa pensar em políticas públicas de outras áreas como educação, mobilidade, garantia de acesso ao primeiro emprego, apoio aos jovens que querem empreender e maneiras de ajudá-los a desenvolver suas competências e habilidades. A questão é como a gente aproxima poder público, setor privado, organizações da sociedade civil e, principalmente, as juventudes para buscar soluções a essas situações”, pondera Rafael Biazão (do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável – Cieds).

A educação é, com certeza, uma questão crítica que precisa ser resolvida no contexto da inclusão produtiva. Para Wel Alves (GOYN SP), os dados traduzem o problema: “Cada jovem evadido da escola, no Brasil, custa 372 mil de reais por ano à sociedade. Só em São Paulo, onde o GOYN atua, temos mais de 700 mil jovens em situação vulnerável. Se incluirmos produtivamente essa população, podemos somar até 0,3% do PIB da cidade. Temos de pensar qual é de fato o desperdício financeiro se não trabalharmos políticas intersetoriais e sistêmicas.”

Nathália Arruda (Corporativo para Pretos) ressalta a importância das empresas nesse contexto: “Jovens estão sendo excluídos por conta de requisitos e vagas irreais. A gente está excluindo pensares plurais, de realidades diferentes. É importante que o setor privado entenda que não é apenas uma questão de políticas públicas, mas de analisar como está excluindo os jovens e o que pode fazer, junto aos agentes locais, com soluções. Pensar que os jovens não vêm de um mesmo lugar, por isso, não podem ser avaliados da mesma forma.”

O olhar focado nas periferias foi outro ponto importante, levantado pelo Wel (GOYN SP): “A maior parte das juventudes é formada por negros, negras e mulheres, que vivem nas bordas das cidades e dos centros urbanos. Então, já que a gente sabe que inclusão produtiva não ocorre somente por meio do emprego, e estamos num país que vive em crise, a questão é como potencializar iniciativas empreendedoras da periferia para a periferia. Tem todo um ecossistema de sustentação da periferia que precisa ser estimulado. Políticas que vão nesse sentido são super importantes, inclusive ações de investimento na infraestrutura e na conectividade. Além disso, também é importante impulsionar o acesso digital e utilizar dados para pensar em como pautar soluções que sejam mais sistêmicas e mais certeiras na inclusão dos jovens desses territórios.”

Confira o debate da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes” na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=Rqc-sBL9ze8

Um ciclo se fecha e muitas portas se abrem

As primeiras turmas de 2021 do programa Competências para a Vida encerraram o ciclo do programa com evento on-line para os jovens participantes traçarem os próximos passos rumo ao futuro. Criar uma rede de apoio é um deles.

Entre reuniões formativas e mentorias com os colaboradores voluntários das empresas parceiras do programa, foram 12 encontros no total, todos virtuais. Os 60 jovens, de São Paulo (Francisco Morato) e Pernambuco (Jaboatão dos Guararapes), trilharam uma jornada de autoconhecimento e desenvolvimento de competências socioemocionais para elaborar um projeto de vida em sintonia com seus sonhos, preparando-os para um futuro promissor a partir de ações e decisões intencionais que favoreçam o seu sucesso como cidadãos e profissionais. 

Os desafios que já enfrentam, e que se ampliaram no contexto da pandemia, não são mais obstáculos para perseguir seus propósitos. Os jovens sabem que não estão sozinhos e essa certeza os fortalece. O entusiasmo e a determinação parecem ser as características comuns que carregam consigo na bagagem que construíram durante o programa. 

Na reunião que encerrou o ciclo do Competências para a Vida, o clima de mútua ajuda e cooperação esteve presente nas falas e dinâmicas que realizaram durante o encontro, norteado por três temas-chave: os hábitos do dia a dia como aliados para conquistar objetivos; a rede de apoio que criaram durante essa jornada e que continuará depois dela; e a celebração do processo de aprendizagem que empreenderam juntos e que abrirá portas para novas oportunidades.

Os mini-hábitos e a rede de apoio para alcançar objetivos

O programa Competências para a Vida oferece aos jovens uma formação pautada na prática cotidiana, que faça sentido às suas realidades. Um dos temas desse processo é a questão dos hábitos e de como usá-los para vencer barreiras e alcançar objetivos. Nada de traçar metas que não serão cumpridas, gerando frustração. O lema é começar com um pouco e avançar a cada dia. “Utilizei os mini-hábitos para construir o hábito da leitura. A maior dificuldade é começar, mas depois que você dá o primeiro passo, é fácil continuar”, revela Gabriel Pereira Mendonça, de Jaboatão dos Guararapes (PE).

Depois que os bons hábitos estão incorporados à rotina, é importante mantê-los e, para isso, nada melhor do que uma rede de apoio. Com o objetivo de mostrar a potência dessa rede, no evento de encerramento os jovens foram convidados a compartilhar o que estão dispostos a oferecer como colaboração para fortalecer as relações que estabeleceram nos três meses de programa. Não faltaram habilidades: “posso dar aulas de inglês”; “eu dou aulas de música”, “ensino a fazer atividades físicas”, “eu sou muito motivada e possa ajudar quem está desanimado”, “eu gosto de ouvir, então, podem contar comigo”, “posso ajudar a manter a saúde boa”, “ajudo na preparação para o Enem”, “vamos praticar empatia”… Com base nessa corrente de boas práticas coletivas, os jovens vão concretizar a rede em uma página no Linkedin para, também, ter contato com o mundo do trabalho, transitando em espaços profissionais que sejam portas de oportunidades para suas vidas.

Diagrama

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

Celebração dos melhores momentos

Na última parte do encontro virtual, os jovens contaram sobre o que mais gostaram das vivências que tiveram do programa.

“As mentorias são excelentes e mostraram que todos agora estão bem resolvidos. As nossas conversas eram incríveis e parecia que já nos conhecíamos muito bem”, comentou Matheus Henrique, jovem de Jaboatão dos Guararapes.

Acqueline Barbosa, da mesma cidade, declarou: “O plano de ação foi o que mais me tocou. Eu já tinha algumas metas, mas não sabia qual delas era a principal. Quando a defini, as outras ficaram mais claras e possíveis”.

Muitos jovens se disseram impressionados com o DISC, teste que avalia o comportamento das pessoas, criado pelo psicólogo William Moulton Marston, tema de alguns encontros formativos. “O DISC me ‘assustou’ (risos)! Cada coisa que eu via ali, me ‘assustava’. Porque tudo era eu mesmo. Eu sou assim. Vi pontos que posso melhorar e as mentorias ajudaram nisso”, conta Matheus Henrique.

Para Sabrina Custódio, de Francisco Morato, “tudo que a gente vivenciou a gente aplicou em cada momento, aprendendo a nos conhecer para passar por novas experiências”. Emilly, de Jaboatão do Guararapes, passou por um recente processo seletivo e foi aprovada: “Na seleção, lembrava o tempo todo das mentorias. Parecia que eu ouvia os mentores falando no meu ouvido. O programa vale muito a pena. Tem de continuar, porque é um programa que acredita nos jovens”.

Uma pesquisa feita com os facilitadores do Competências para a Vida confirmou os depoimentos dos jovens e suas descobertas. Segundo os respondentes, os participantes estavam 100% engajados na proposta. Para os mentores, o envolvimento dos jovens foi bom e excelente, assim como sua motivação ao final do processo.

O programa Competências para a Vida é uma realização da United Way Brasil e das empresas associadas e parceiras. Saiba mais: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/  

Dia Viva Unido Juventude reúne voluntários e jovens para dialogar sobre diversidade

O voluntariado corporativo é um dos pilares de atuação da United Way Brasil. A organização promove um amplo espaço de participação para que as corporações exerçam o seu papel social e estimulem a postura solidária de seus colaboradores. 

O Dia Viva Unido é a materialização desse trabalho que potencializa as ações realizadas pelos programas sociais da United Way Brasil cujo objetivo é fortalecer as novas gerações de brasileiros.

De 19 a 22 de abril, foi a vez de atuar pelos jovens. O Dia Viva Unido Juventude reuniu 28 colaboradores voluntários de um lado da tela, das empresas Lilly, Morgan Stanley e PwC, e, do outro, 54 jovens participantes do programa Competências para a Vida. Por duas horas, todos puderam falar e ouvir opiniões sobre dois temas escolhidos pelos próprios jovens: diversidade e responsabilidade social das empresas. Também foi a oportunidade de conhecer as diferentes profissões do escopo de cada corporação, bem como saber sobre a vida profissional dos voluntários, a primeira oportunidade de trabalho que tiveram e como definiram suas carreiras.

O diálogo ajudou os jovens a dimensionarem o quanto as duas temáticas centrais do encontro podem ser orientadoras na hora de procurarem seus espaços no mercado de trabalho. Como a diversidade e a atuação responsável das empresas são parâmetros no momento da escolha profissional para que a trajetória do jovem seja construída em uma ambiência de equidade, especialmente entre grupos normalmente excluídos dos processos de seleção, como negros e negras, mulheres, LGBTI+ e pessoas com deficiência.

Uma conversa que abre caminhos

O dia de trocas, em que os colaboradores puderam falar de suas trajetórias profissionais e as políticas de RH das empresas, foi muito bem avaliado. Em uma escala de 1 a 5, 41 dos jovens participantes deram notas 5 e 4 à experiência. “Queria que tivéssemos mais tempo com os voluntários para fazer mais perguntas. Eles são tão incríveis e a conversa flui tão bem que o tempo passou muitíssimo rápido”, revelou um deles. Uma das jovens ressaltou a importância dos colaboradores: “Gostei muito dos voluntários. Fiquei admirada com as histórias de vida, os conhecimentos que eles nos trouxeram… foi muito bom, especialmente sobre persistir sempre.” 

Tela de computador com foto de pessoas

Descrição gerada automaticamente com confiança média

A maioria dos colaboradores (27) deu nota 5 ao Dia Viva Unido e 26 deles revelaram querer participar da edição de 2022. “Iniciativa incrível com pessoas incríveis. É um privilégio poder fazer parte disso”, comentou um dos voluntários na avaliação. 

Para todos, a conexão entre colaboradores e os jovens foi um sucesso: “Os jovens estavam bem à vontade, perguntando acima da média das outras edições”, revelou outro colaborador. 

Mais preparados para o mundo do trabalho, por meio das vivências experimentadas no Programa Competências para a Vida e pela oportunidade de participar do Dia Viva Unido Juventude, os jovens podem construir projetos de vida que os ajudem a enfrentar os desafios que se apresentam, especialmente nesta fase crítica. Antes mesmo da chegada da Covid-19, o cenário não era favorável à empregabilidade das juventudes. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos ficou em 27,1% no primeiro trimestre de 2020, bem acima da média geral de 12,2% do País no mesmo período.

Não podemos mais desperdiçar nosso capital humano. Por isso, é preciso ampliar a atuação coletiva e colaborativa entre as empresas e as organizações sociais. O programa Competências para a Vida é um exemplo concreto de como transformar realidades e garantir aos jovens em situação de vulnerabilidade espaços dignos de trabalho e participação social ativa na construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

Interface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamente

Para saber mais sobre o Dia Viva Unido, acesse: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/voluntariado/

Conheça e faça parte do Programa Competências para a Vida:  https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/

Conheça os 12 projetos das quebradas selecionados pelo Micro Fundo para Jovens Inovadores do GOYN

Lançado em março, o edital vai apoiar projetos de coletivos e de jovens inovadores das periferias com microcrédito, formação e mentoria para implementar ou ampliar suas iniciativas.  

O Micro Fundo para Jovens Inovadores do movimento internacional Global Opportunity Youth Network (GOYN), cujo foco é a inclusão produtiva das juventudes, foi um sucesso, com a inscrição de quase 50 iniciativas voltadas a soluções para enfrentar as desigualdades socioespaciais nas periferias urbanas da cidade, a promoção dos direitos, com recorte nas questões de raça e gênero, com especial foco nos grupos LGBTQIA+, e ações que criem ou discutam meios de subsistência para as juventudes periféricas.

A maioria dos projetos inscritos (54%) é liderado por jovens mulheres de territórios nas zonas Sul 2 (46%) e Leste 2 (31%), regiões onde está a maior concentração de jovens-potência da cidade (71%).

Os jovens e as jovens participantes do edital vivem, em sua maioria, dois contextos: muitos são empreendedores e engajados com causas sociais e iniciativas nos seus territórios e outra parte é formada por aqueles que trabalham informalmente, com pouco tempo disponível, justamente porque precisam realizar mais de uma atividade que garanta seu sustento e, muitas vezes, o de suas famílias.

Os participantes declararam, na inscrição, que desejam mudar a realidade de suas comunidades, definidas como territórios em que há muita violência, falta de oportunidades culturais e de equipamentos públicos de assistência à população local.

Dos 46 projetos inscritos, 13 abordam as questões de raça e gênero, sendo que todos estão relacionados aos entraves sociais e econômicos causados pelo racismo estrutural. Também pretendem promover geração de renda e empoderamento cultural e social às juventudes, especialmente às mulheres, negros e LGBTQIA+.

Porcentagem de projetos inscritos por eixo temáticoGráfico, Gráfico de pizza

Descrição gerada automaticamente

12 projetos para transformar realidades

Conheça o escopo de cada projeto selecionado pelo edital. Todos receberão apoio do GOYN, por meio do GOYN SP, e recursos de até R$ 5.500.

BrechouLoja colaborativa que faz parceria com coletivos, educadores, artistas e empreendedores locais para estimular o consumo consciente, a educação ambiental, valorizar a produção local e impulsionar a economia circularZona Sul
Capão UniversitárioPromoção do acesso ao vestibular a jovens da rede pública da região, por meio de financiamento das taxas de inscrição, mentorias gratuitas e informações sobre vestibular e realidade universitáriaZona Sul
DespertaFonte alternativa de renda local, por meio da coleta retornável em que os jovens reciclam o lixo residencial, separando o comum dos recicláveis, com recebimento de cashbackZona Sul
Flores da PeriferiaRevitalização de espaços comuns no território por meio do grafite realizado pelas artistas locais, além do estímulo a outras formas de expressão, como o rap, oficinas e saraus de poesias voltadas para as mulheres a fim de estimular uma rede de apoio e de segurança para todasZona Oeste 
Projeto PertencerGravação de videoclipe para a faixa “Pertencer” do artista RAVIH com a participação de artistas LGBTQIA+ e realização de podcast reunindo entrevistas com atletas LGBTQIA+ para ampliar as discussões sobre o preconceito enfrentado por essa comunidade na área esportivaZona Sul
TRANSforming The WorldDiminuir a barreira social entre educação e pessoas transexuais, de forma a promover o ensino de Inglês gratuito para esse grupo profissionalizar seus perfis e ocupar seus espaços no mundo globalizado e no mercado de trabalhoToda cidade
Elas Produção Áudio & VisualCompartilhar conceitos e práticas para jovens, negras, indígenas e pessoas trans sobre produção nas diferentes linguagens da comunicação (áudio, vídeo, foto e arte gráfica), envolvendo duas ou mais mídias, como Instagram e streamings audiovisuaisZona Leste 
GrajauventudeRealizar atividades articuladas em torno da produção de uma Cypher, um fonograma de rap, com a contribuição de diferentes artistas para servir como multiplicador no território, desenvolvendo potencialidades latentes, mas limitadas pela falta de incentivo e de oportunidadesZona Sul
Jornal Embarque no DiretoTraduzir os direitos sociais e civis – e como acessá-los – para uma linguagem acessível à população de baixa renda e com baixo nível escolarZona Sul
Laje DuCorreRealiza rodas de conversa para debater pautas sobre LGBTQIA+, juventude e negritude, via plataforma digital, e gravar podcast com o resumo dos diálogos e temáticas discutidasZona Sul
Sessão FavelaRessignificar as formas de ver e vivenciar a experiência cinematográfica nos bairros Santa Inês e Jardim Verônia. Exibições semanais de filmes nas lajes abertas para as janelas das quebradas, que dialoguem com a realidade dos territórios, feitos por produtores periféricosZona Leste
Vestibular SolidárioPreparar jovens para a trajetória acadêmica por meio do envio de conteúdos diários para estudo (curadoria das melhores apostilas encontradas na internet), acompanhamento de alunos, correção de redações e disponibilização de pasta no Google Drive com filmes e documentários para criar repertório sociocultural que embase a escrita das redações Zonas Norte, Leste e Sul

GOYN SP participa de Fórum Internacional e reforça a importância de dados no enfrentamento das injustiças estruturais

Realizado anualmente, o Fórum do Impacto Coletivo é uma iniciativa do Aspen Institute e FSG, com o objetivo de fortalecer a atuação de diferentes organizações espalhadas pelo mundo. O GOYN SP participou do evento, dando a sua contribuição ao fortalecimento dessa grande rede mundial de transformações sociais.

Pessoas e instituições de diversos setores, mas com ideias semelhantes sobre as mudanças que precisamos empreender para construir um mundo mais justo, estiveram reunidas na edição de 2021 do Collective Impact Forum (Fórum do Impacto Coletivo), de 27 a 29 de abril.

O encontro é uma ampla oportunidade de troca de experiências e conhecimentos para acelerar a eficácia de estratégias das organizações para que promovam o impacto coletivo nas diferentes comunidades.

O GOYN SP, articulado em São Paulo pela United Way Brasil, foi representado por sua gerente, Daniela Saraiva, e por Juliana Silva de Oliveira, membro do Núcleo Jovem, para dialogar com outros participantes internacionais o tema “Compreendendo e enfrentando a injustiça estrutural em um ambiente global: uma conversa com jovens GOYN e líderes comunitários”.

No mesmo grupo de debate estavam presentes: Amina Mahmood, membro do Núcleo Jovem do GOYN de Mombasa, no Quênia; Mahmood Noor, Diretor Executivo da Swahilipot Hub Foundation e do GOYN de Mombasa; e Nokonwaba Nathi Fono, coordenadora de projeto na YouthBuild South Africa, apoiando os jovens do GOYN de eThekwini. 

Durante a conversa, mediada por Petula Nash, Diretora Técnica Global para a Programação Juvenil da Catholic Relief Services, parceira global da Global Opportunity Youth (GOYN), os painelistas enfatizaram a injustiça estrutural como cerne da visão e da teoria de mudança do GOYN, em todo o mundo. Para o GOYN, as injustiças estruturais são aquelas replicadas por um sistema de regras que enfraquece grupos sociais específicos e se manifestam de maneiras diferentes nas comunidades. Tais desafios se apresentam como oportunidades para os jovens desempenharem seu papel de líderes locais e enfrentar essas questões de forma coletiva e colaborativa.

O tema é mais do que oportuno, como apontou Petula: “Temos falado sobre injustiça estrutural por muitos anos, mas agora esta questão está na vanguarda. A Covid-19 ampliou essas injustiças – global e localmente -, bem como exacerbou muitas desigualdades. Por outro lado, existem movimentos globais e nacionais trabalhando ativamente para combatê-las. Vale ressaltar que não estamos apenas falando sobre injustiça racial, mas pensando mais amplamente nas que estão enraizadas no ecossistema e relacionadas a gênero, casta, tribo, orientação sexual, religião ou outros fatores que impedem os jovens-potência de acessarem e garantir oportunidades econômicas viáveis”.

Jovens com a palavra

Juliana, membro do Núcleo Jovem do GOYN SP, e uma das fundadoras do Comitê de Equidade do movimento, deu o seu depoimento sobre a importância do Comitê para o enfrentamento das injustiças estruturais. “Em São Paulo, a equidade caminha a passos de formiga, porque existe muito preconceito com a juventude das periferias, especialmente de gênero e raça. O comitê ajudou a quebrar bolhas. É um espaço onde nós, jovens periféricos, falamos de nossas dificuldades e expectativas para pessoas que estão nas instituições e que podem nos ajudar. Um lugar onde somos reconhecidos como atores ativos e com habilidades para enfrentar as desigualdades e as injustiças estruturais. Porque, o que mais mata, é o silêncio. Poucas vezes temos a oportunidade de falar o que sentimos. Não tem nada pior do que não ter a sua voz ouvida e o comitê é crucial nesse sentido. É uma forma de os jovens atuarem pelo impacto coletivo, colaborando no desenvolvimento de seus territórios”. Outro grande diferencial do Comitê de Equidade do GOYN SP, segundo Juliana, é a possibilidade de uma construção conjunta e democrática de regras, objetivos e ações a partir da perspectiva do jovem-potência. 

As injustiças estruturais em países da África, por exemplo, também englobam preconceitos tribais e religiosos, segundo Amina, a jovem-potência do Quênia. Para enfrentá-las, o Núcleo Jovem do GOYN de Mombasa realiza formações para discutir essas questões. “Apoiamos os jovens do território para que acessem as políticas públicas. Atualmente, temos discutido muito sobre as eleições em 2022, para que votem em candidatos que tenham a real intenção de mudar o sistema e combater essas injustiças”, explicou.

A importância dos dados para mapear vulnerabilidades

Daniela Saraiva apresentou a pesquisa “Desafios e Oportunidades para a Inclusão Produtiva de Jovens-Potência na cidade de São Paulo”, realizada pelo GOYN SP em parceria com a Accenture Brasil, para mostrar como os dados têm sido utilizados na construção de soluções aos problemas que geram as injustiças estruturais na maior cidade do País. “Um dos pilares do trabalho do GOYN é entender a realidade a partir de dados concretos que indiquem as oportunidades e como trabalhá-las em cooperação. Por isso, além de coletá-los, convidamos 18 jovens para atuarem diretamente nessa pesquisa. Eles foram buscar informações com outros jovens nas periferias. Isso nos deu um escopo maior do mapeamento”, explicou.

Depois dessa ampla coleta, mais de 60 organizações da rede analisaram os dados e identificaram desafios e oportunidades de inclusão produtiva. Toda a pesquisa está contida em uma publicação de cerca de 400 páginas, sistematizada em um documento acessível a todos e todas que têm interesse e trabalham com o tema (leia matéria sobre a pesquisa). O estudo indica quatro grandes áreas a serem trabalhados pela rede GOYN SP: racismo estrutural, evasão escolar, lacuna digital e crise laboral, também identificadas pelos demais participantes da conversa como oportunidades nos seus territórios.

Durante o diálogo, ficou evidente que o uso de dados é essencial para apontar caminhos. “Dados estão no cerne de tudo o que estamos discutindo aqui. Por meio deles também pudemos identificar territórios onde as populações vivem com menos de 1 dólar, não possuem escolas ou as escolas são ruins, as pessoas vivem em favelas sem qualquer estrutura. Os jovens desses lugares não recebem formação adequada e não têm acesso a oportunidades. Os dados mostram onde devemos atuar”, complementa Mahmood Noor, de Mombasa.

“A falta de dados atualizados, especialmente durante a pandemia, em que as injustiças se ampliaram, é um grande problema para nosso país. A suspensão do Censo, previsto para o ano que vem, vai nos impedir de acessar informações cruciais, o que pode impactar negativamente o futuro dos jovens”, alerta Daniela Saraiva na sua exposição.  Por isso, o trabalho em rede do GOYN SP será essencial nessa jornada de gerar oportunidades para garantir a inclusão produtiva aos mais de 700 mil jovens-potência da cidade de São Paulo.

Acesse aqui a pesquisa apresentada pelo GOYN SP no Fórum: https://www.goynsp.org/jovempotencia/ 

Café Goyn lança publicação sobre desafios e oportunidades para a inclusão produtiva de jovens

Evento realizado em 23 de abril reuniu especialistas para comentar os achados da pesquisa “Desafios e Oportunidades para a Inclusão Produtiva de Jovens-Potência na cidade de São Paulo”, realizada pelo GOYN SP em parceria com a Accenture.

Racismo estrutural, evasão escolar, crise laboral e lacuna digital, os quatro temas que permearam o diálogo da segunda edição do Café GOYN SP, são os eixos-chave trazidos pela publicação, lançada no Café, para mapear os desafios enfrentados pelas juventudes das periferias, e, também, olhar para as oportunidades que eles geram a fim de superar o déficit da inclusão produtiva dos mais de 700 mil jovens-potência da maior cidade do País. Os dados e a apresentação da pesquisa, na abertura do evento, foram complementados pelas reflexões trazidas por especialistas.

Para dialogar sobre racismo estrutural, foram convidados Kelly Quirino, Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília, professora da disciplina Comunicação e Diversidade e Epistemologias Negras no bacharelado de Comunicação Organizacional da UNB e consultora em gênero e raça, e Hugo Sabino, membro do Centro de Promoção da Saúde (Cedaps) e líder do Programa Jovens Construtores pelo Brasil. 

Kelly apontou a importância de as instituições investirem no letramento racial porque “maximiza as potencialidades dos jovens e gera valor agregado junto ao mercado produtivo. O Brasil perde muitos talentos não olhando para isso”.  Segundo Hugo, é preciso focar “no que não é evidente, porque o racismo explícito a gente conhece. Por isso, é importante pautar esse olhar para enfrentar o racismo estrutural nas coisas que a gente já naturalizou”.

Monica Pinto, Gerente de Desenvolvimento Institucional da Fundação Roberto Marinho, Mestre em Educação pela PUC-RJ, com MBA pela COPPE/UFRJ, e membro do Conselho de Governança do GIFE, levantou importantes reflexões sobre o tema evasão escolar. Para ela, “antes de falar em evasão, precisamos olhar para a distorção entre idade e série. Se a gente abrir os microdados, os estudantes que abandonam a escola e ficam para trás são, em sua maioria, autodeclarados pardos e negros. A educação reproduz o racismo estrutural do País. É preciso criar políticas públicas intersetoriais, porque a educação é uma questão de toda a comunidade”.

Para falar sobre crise laboral, o terceiro eixo trazido pela pesquisa, o GOYN SP convidou Diogo Jamra Tsukumo, Gerente de Articulação do Itaú Educação e Trabalho, da superintendência da Fundação Itaú para Educação e Cultura, que atua há mais de 15 anos na articulação, concepção e implementação de políticas públicas de redução das desigualdades sociais. O diálogo contou com a participação de Henrique Medeiros, o Riqueza, jovem artista, da região do Grajaú, que integra o Núcleo Jovem do GOYN SP e o coletivo Vilani-se. Para Diogo, “é preciso pensar qual trabalho existirá no futuro. O que se sabe, é que os profissionais precisarão ser mais criativos, possuir habilidades de gestão e saber tomar decisões. O trabalho repetitivo está sendo automatizado e é o que hoje tem inserido mais jovens. Precisamos ter na pauta quatro tendências que vão impulsionar o mercado produtivo: inovação tecnológica, revisão das relações de trabalho, processo de globalização e mudanças demográficas”. Henrique usou o próprio exemplo para ilustrar a crise laboral na vida dos jovens: “Com toda essa situação, não consigo fazer a minha arte. Outro dia fui fazer um ‘bico’ que, segundo a pessoa que me chamou, era para terminar às 17h. Sai de lá às 22h depois de passar o dia descarregando caminhão. Sem benefícios, sem vínculo”, lamentou, explicitando o que o inquieta: “Me preocupa muito o futuro do trabalho para o jovem”.

Coube à Mariana Zuppolini, líder de Cidadania Corporativa para a América Latina na Accenture, cuja função é levar inovação ao setor social para transformar as comunidades, levantar reflexões sobre o último tema da pesquisa: lacuna digital. “O desafio-chave para inserir os jovens é garantir o mínimo de estrutura: internet e acesso às ferramentas tecnológicas que possam apoiá-los a também encontrar vagas de trabalho. Enquanto não se investir na tecnologia das periferias, a distância entre os jovens e o mercado de trabalho permanecerá muito grande”, afirmou.

Na plenária, insigths importantes

Depois das apresentações e falas dos especialistas, os participantes da segunda edição do Café GOYN SP foram convidados a escolher uma das quatro salas (uma para cada tema mapeado pelo estudo) para discutir ideias e soluções que contribuam à inclusão produtiva dos jovens-potência da cidade de São Paulo.

Na plenária, pontos trazidos pelos participantes resumiram as conversas. Na sala do tema racismo estrutural, o letramento racial foi evidenciado como um caminho necessário ao enfrentamento do preconceito e dos vieses inconscientes presentes das instituições. Com relação à evasão escolar, promover a educação integral e integrada e as políticas públicas intersetoriais é ponto de partida para gerar as mudanças necessárias. Sobre a crise laboral, os participantes trouxeram a importância de se investir em arranjos produtivos e na cadeia produtiva dos territórios para atender as necessidades das periferias. No que diz respeito à lacuna digital, a sala discutiu o quanto têm sido levadas para as experiências digitais as mesmas práticas excludentes da realidade offline.

Com o lançamento da pesquisa, o GOYN SP reforça a importância do trabalho colaborativo e coletivo para responder aos desafios que ainda excluem milhares de jovens-potência de postos dignos de trabalho. Por isso, conhecer esse mapeamento é essencial para que alcancemos o objetivo de, em 10 anos, incluir 100 mil jovens-potência no mercado produtivo da cidade e, consequentemente, diminuir a lacuna de desigualdades do país. 

Acesse a pesquisa, leia e compartilhe: https://www.goynsp.org/jovempotencia/

Saiba mais sobre o GOYN SP: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/goyn/ 

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