Empresas: precisamos falar sobre formação de jovens-potência!

Muitas corporações não empregam jovens da periferia porque acreditam que a falta de experiência e de qualidade da educação formal recebida podem ser um fator negativo. Outras ainda esbarram em questões de CEP (distâncias geográficas), raciais e de gênero, aspectos excludentes, injustos e retrógrados, aliás.

A questão é que jovens-potência são quase a maioria em grande parte do país. Só em São Paulo, temos 700 mil que estão sem trabalho e sem oportunidades para estudar. Não é difícil deduzir qual será o futuro dessa população se nada for feito para prepará-los e incluí-los produtivamente – e o impacto dessa negligência no desenvolvimento socioeconômico.

Jovens-potência têm de 15 a 29 anos, possuem capacidade para se desenvolver, vontade de transformar suas vidas e seu entorno. Enfrentam um contexto de desigualdades e racismo sistêmico, que dificulta o acesso às oportunidades formais de trabalho e de estudo, colocando-os em situação de vulnerabilidade social.

Felizmente, uma parte das empresas resolveu assumir a causa da inclusão produtiva das juventudes periféricas. No lugar de não selecionar e não contratar jovens das quebradas, elas criaram estratégias para apoiar sua formação. Esse é o pulo do gato para quem tem visão de futuro e reconhece a potência daquelas e daqueles que vivem nos arredores dos grandes centros, com muita vontade de aprender e com habilidades essenciais para a vida profissional, como resiliência, criatividade, motivação, dentre tantas outras.


A sua empresa contrata jovens-potência?

A formação de jovens é o ponto de partida para garantir que se tornem profissionais competentes em todos os níveis (do técnico ao relacional). Logo, criar oportunidades para oferecer conhecimento e aprendizado às juventudes é meio caminho andado nesse sentido.

Mas não é preciso começar do zero. A empresa pode buscar o apoio de instituições de ensino e organizações sociais que atuam com juventudes em situação de vulnerabilidade. Mas é bom ficar atento para saber se os conteúdos dos cursos oferecidos por essas instituições respondem às demandas e à realidade do mercado. Lembre-se que cada território tem sua vocação econômica, por isto, a formação precisa ser contextualizada.

Outra dica é a corporação criar oportunidades de formação para jovens-potência do seu entorno, o que diminui barreiras de deslocamento e contribui ao desenvolvimento local. Escolas públicas são uma ótima opção para isso.

Aderir ao programa Jovem Aprendiz é outra possibilidade, assim como apoiar modelos acessíveis de ensino técnico e profissionalizante para aumentar a preparação das juventudes para o mercado de trabalho.

E quando os jovens estiverem em formação, garantir uma bolsa-auxílio é fundamental, evitando abandonos por conta da necessidade de trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias. Também é bom lembrar que jovens-potência muitas vezes não têm acesso à internet ou, se têm, ele é precário. Por isso, oferecer essa estrutura para frequentar cursos a distância se torna essencial aos avanços desses jovens.

Formar jovens-potência para o mundo do trabalho não só é possível como necessário. Na crise pós-pandemia, fica cada vez mais clara essa urgência. A taxa de desemprego entre jovens brasileiros é de quase 30%. Em São Paulo, ela chega a 35%.

O GOYN SP tem atuado para reverter esse quadro, por isso reúne mais de 70 jovens, organizações e empresas para criar e implementar soluções que promovam a inclusão produtiva das juventudes das periferias. Sua empresa pode fazer parte dessa rede. É só entrar em contato conosco: ofuturoejovem@unitedwaybrasil.org.br

No 1º Café GOYN SP de 2022, engajamento é a palavra-chave!

Cerca de 45 pessoas de 24 organizações marcaram presença no 1º Café GOYN SP de 2022, quando foi apresentado o plano estratégico para o ano. O objetivo, além de compartilhar as ações pensadas para promover a inclusão produtiva de 100 mil jovens-potência da cidade de São Paulo, até 2030, foi engajar novas instituições e ampliar o impacto das iniciativas.


Mas, antes de começar os diálogos, os participantes expressaram, por meio de uma palavra, o que esse momento, do Café GOYN, tem a celebrar:

Evolução, conexões, vida, felicidade, saúde, resiliência, trocas, esperança, presença, potência, consciência, colaboração, apoio, resistência, inspiração, recomeço, oportunidade, empatia, juventudes, aprendizado, mudança, educação, parceria, compartilhamento, fazer junto.

Diante de uma realidade complexa desenhada pela pandemia e pelo momento histórico do país, tais palavras refletem o propósito compartilhado de gerar mudanças sistêmicas e sustentáveis para que as juventudes periféricas conquistem seus espaços sociais e profissionais.


PLANO ESTRATÉGICO PARA 2022

A atuação do GOYN SP para gerar inclusão produtiva de 10 mil jovens, a cada ano (100 mil até 2030), está pautada nas oportunidades reais de profissões de futuro, ou seja, aquelas cuja demanda tende a crescer e que estão relacionadas à vocação e às aspirações das juventudes periféricas, nas áreas das economias digital, criativa e verde. As duas últimas terão especial atenção da rede colaborativa do GOYN SP, em 2022, com realização de estudos e pesquisas para entender essas frentes e criar soluções que possam contemplá-las.

Além disso, as iniciativas de inclusão em 2022 irão priorizar jovens mulheres e jovens negres, que representam 70% das (os) jovens-potência da maior metrópole do país.

As estratégias estão pautadas sob três escopos, considerando desafios a serem superados para garantir que as juventudes periféricas ocupem seus espaços no ecossistema produtivo: estratégia GOYN no território (por meio de edital, investir em soluções que aproximem os jovens de profissões de futuro; acompanhar e apoiar 18 coletivos de jovens por meio do Micro Fundo para Jovens Inovadores), estratégia GOYN no mercado (atuação junto às empresas para gerar 3 mil oportunidades de empregabilidade e desenhar práticas mais inclusivas ao perfil de jovens-potência; criação de uma agenda de influência por meio da mobilização de C-Levels e entidades de classe) e intervenções “meio” (Ampliar modelo de plataforma de empregabilidade do Digitalis, removendo barreiras na intermediação entre empresas e juventudes), além de atividades transversais para avançar com os pilares do impacto coletivo (formação de lideranças juvenis sobre a temática da inclusão produtiva; realização de estudos, pesquisas e evidências).


ENGAJAMENTO E AMPLIAÇÃO DA REDE

No terceiro momento do Café GOYN SP, os representantes das diferentes instituições participantes se dividiram em salas para dialogar sobre as ações de cada escopo (território, mercado e “meio”), levantando dúvidas, além de colocarem suas expectativas, suas “dores” e compartilhar o que suas organizações têm a oferecer para que as estratégias sejam implementadas de forma coletiva e colaborativa.

Para formalizar a cooperação mútua, todos preencheram um formulário especificando seus interesses e formas de participação na rede GOYN SP. Tal engajamento é um grande passo para a realização de objetivos comuns pela inclusão produtiva das juventudes em um contexto pós pandemia, repleto de obstáculos, mas, ao mesmo tempo, recheado de oportunidades e soluções concretas que se tornarão possíveis a partir de uma atuação embasada na metodologia do impacto coletivo.

O 1º Café GOYN SP foi o ponto de partida para avanços e ações que farão a diferença no ecossistema produtivo da cidade de São Paulo, tornando-o mais inclusivo e amigável às juventudes periféricas.


Sua organização também pode aderir a este movimento. Venha para o GOYN SP e faça a diferença!

Juventudes fecham 2021 com planos concretos para o futuro

O programa Competências para a Vida, da United Way Brasil, encerra o ano com resultados que ampliam o otimismo e a esperança das novas gerações. Durante 2021, foram 582 jovens impactados pela formação oferecida pelo programa, que envolve diálogos com especialistas e sessões de mentorias, realizadas por colaboradores voluntários das empresas parceiras.

O Competências para a Vida ampliou a abrangência, chegando a 12 cidades de três estados: São Paulo (Campinas, Francisco Morato, Mogi das Cruzes, Monte Mor, São Paulo, Sumaré, Suzano e Valinhos); Pernambuco (Jaboatão dos Guararapes e Recife), Amazonas (Manaus) e Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).

“O Competências para a Vida foi muito importante para mim. Consegui me sentir à vontade com os educadores. O curso nos ajuda a manter a calma e acreditar que tudo vai dar certo”

Jovem participante

Cada jovem recebeu cerca de 20 horas de formação. Só no último dos três ciclos realizados em 2021 (encerrado em dezembro), 256 jovens frequentaram as atividades propostas e puderam trabalhar as competências socioemocionais, tendo mais subsídios para desenhar seus projetos de vida, com foco na carreira profissional que querem traçar para si, nos próximos anos. 

Além dos momentos de formação, jovens participantes, em situação mais vulnerável, receberam bolsa digital para acompanhar as conversas e ter acesso a todas as propostas de interação e capacitação, que aconteceram em plataformas virtuais. Outros jovens também puderam contar com cartões-alimentação para mitigar os impactos negativos da pandemia na situação financeira de suas famílias, como Gabriel Barros (foto), jovem de Francisco Morato (SP).


Espaço de acolhimento, aprendizagem e desenvolvimento

A avaliação realizada junto às juventudes que compuseram o ciclo 3 do programa trouxe vários depoimentos que denotam a importância de iniciativas que deem aos jovens possibilidades e caminhos para encontrarem seus lugares na sociedade e no ecossistema produtivo, especialmente nessa fase da pandemia, em que as incertezas ainda prevalecem. Mais do que isso, o programa Competências para a Vida conduz as juventudes, a partir de suas realidades, ao autoconhecimento, estimulando o desenvolvimento das habilidades socioemocionais.

“Ver pessoas contando suas histórias, seus medos e sonhos, como vão fazer para alcançar o que querem da vida, que vamos enfrentar desafios, mas vamos chegar ao nosso objetivo… Foram meses de aprendizado que nunca mais vou esquecer.”

Jovem participante

Ao colocá-los em contato com as experiências dos colaboradores voluntários, por meio das mentorias, os jovens percebem que essas pessoas, que hoje estão em postos de trabalho condizentes com seus sonhos e objetivos, também começaram a carreira profissional em cargos iniciais, tiveram de superar obstáculos e aproveitaram as oportunidades que encontraram pelo caminho para se desenvolverem. 

Essas trocas e identificações mútuas, sobre processos, escolhas, desejos e sonhos, é o grande legado que o programa deixa em cada jovem impactado, para que construa um projeto de vida com bases sólidas e conectadas às suas expectativas de presente e futuro.

“Eu aprendi muitas coisas sobre o mundo do trabalho e melhorei minha comunicação e timidez. Graças ao Competências, já tenho uma ideia do que quero para meu futuro.”

Jovem participante

Conheça o programa Competências para a Vida.


A importância do voluntariado… e do LinkedIn

A sessão extra de mentoria, em novembro, para jovens do programa Competências para a Vida foi uma sugestão da Renata Altenfelder, diretora executiva global de Branding da Motorola Mobility, empresa parceira da United Way Brasil. Renata é mentora voluntária e nos encontros com as juventudes percebeu a curiosidade e o interesse dos grupos sobre como usar o LinkedIn. Conhecedora da plataforma, propôs a reunião virtual, ideia aceita pela equipe gestora do programa e que ganhou ampla adesão dos jovens participantes.

Na sala do Google Meet, cerca de 45 jovens, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Francisco Morato, de Valinhos e do Recife, estavam atentos às informações e dicas trazidas por Renata. “O LinkedIn é uma ferramenta virtual que une profissionais e empresas. Saber usá-la faz toda a diferença. Eu mesma consegui um emprego por meio dela, aqui na Motorola”, explicou a mentora voluntária.

Antes, porém, de focar nas questões práticas, Renata trouxe a história dessa plataforma e compartilhou dados sobre ela: “Fundada em 2002, na Califórnia (EUA), tem como objetivo conectar pessoas do mundo todo. Mas não só isso: quer, também, formar profissionais, construir cases de sucesso para que colaboradores e empresas possam crescer. Por isso, oferece cursos de todos os temas e tipos para diferentes áreas do mercado”, explicou.

706 milhões de membros em todo o mundo, entre eles, 40 milhões de brasileiros

50 milhões de empresas estão presentes na rede social

Fonte: Linkedin

Do perfil à postura no ambiente virtual 

Renata mostrou, na tela, o passo a passo para definir o perfil na página, que tipo de foto e informações utilizar, como interagir, de que maneira comentar posts de terceiros, a importância de desenvolver conteúdos – e certificar-se de que estão corretamente escritos e com base em fontes confiáveis –, compartilhar posts de outros, seguir pessoas e empresas de interesse… “O perfil é o seu cartão de visitas. Coloquem informações objetivas sobre vocês. E se não têm experiência profissional ainda, não tem problema. Falem de suas habilidades, de hobbies, do trabalho voluntário que realizam. As empresas querem saber quem vocês são, em 30 segundos”, reforçou.

“Não se esqueçam de que é uma plataforma de trabalho, logo, não usem as mesmas fotos que estão no Instagram ou Facebook. Post uma que te mostre como profissional. Não precisam estar sérios, mas precisam transmitir seriedade. É importante ter foto, porque as chances de as empresas e pessoas te verem é nove vezes maior do que perfis sem foto”, comentou.

A cada dica, perguntas pipocavam na tela e no chat, especialmente sobre como os jovens podem se conectar com colaboradores das empresas em que sonham trabalhar para saber como é o ambiente, as políticas e afins. Renata respondeu a todas, pacientemente, com didática e entusiasmo. 

A rede é dinâmica, por isso, manter o perfil atualizado e com novidades é sempre um diferencial. “Vale também pedir e dar recomendações”, explicou, navegando na plataforma e indicando, na prática, como se faz cada ação de engajamento e interação. Renata também mostrou como chegar aos anúncios de vagas de emprego, seguindo páginas de empresas de recrutamento e as próprias companhias de interesse. 

“Usem e abusem do Learning, a área de cursos do LinkedIn. São formações gratuitas, rápidas e fazem a diferença no currículo”, aconselhou Renata.


“Tenho interesse em curso sobre engenharia”, comentou um dos jovens participantes. Renata entrou na área de cursos relacionada a essa carreira e várias subáreas foram surgindo: engenharia de produção, ambiental, civil, eletrônica… Os comentários ao fundo indicavam a surpresa dos jovens: “Nossa! Quanta coisa!”; “Puxa, eu não sabia que era assim”; “Caramba! Que interessante!”

Mais do que aprender sobre uma ferramenta tão ampla e cheia de possibilidades como esta, os participantes do programa também puderam perceber o valor da dedicação de Renata. Ela quis compartilhar o que sabia, afinal, ela mesma usufruiu da plataforma e está onde está hoje graças às conversas que travou com um profissional do RH da empresa, a partir de uma vaga que viu anunciada no LK. 

Trocas, dedicação, motivação… Habilidades da mentora voluntária que os jovens também podem desenvolver e que farão toda a diferença em suas carreiras, sobretudo, em suas vidas pessoais. 

A sua empresa também pode apoiar o programa e mobilizar seus colaboradores para que sejam mentores voluntários e apoiem a construção de projetos de vida das novas gerações do País. Vem com a gente!

Os próximos anos do GOYN SP: a urgência da agenda da inclusão produtiva

Na última parte dos painéis, Daniela Saraiva, Líder do GOYN SP, compartilhou os principais objetivos e metas do movimento para os próximos dois anos. “A gente vai seguir fortalecendo o território. Isso foi o que começamos a fazer e tivemos muitos impeditivos para estar presencialmente nos territórios. Então o GOYN SP vai fomentar editais de apoio, não só o Micro Fundo, mas apoio a organizações que estão nos territórios para continuar dando a melhor formação ao jovem, uma formação que esteja próxima ao mercado”, contou. 

O trabalho junto às empresas também será enfatizado, para que elas entendam que não são apenas a porta de entrada das juventudes no mercado produtivo, mas, também, possuem o importante papel de trabalhar a diversidade, a equidade e a inclusão por meio dessa agenda. 

Fortalecer a liderança dos jovens é outro propósito do movimento. “O jovem tem demandado isso e vimos os dados da participação pública e política. Então a gente precisa fortalecer essa voz, garantir esse espaço para que eles sejam protagonistas da agenda da inclusão produtiva”, reforçou.

Para cumprir estes e outros propósitos, é preciso multiplicar, ampliar a rede de parceiros do GOYN SP. Na mensagem final, Daniela Redondo, do Instituto Coca-Cola, empresa que compõe o comitê gestor do GOYN SP, convidou outras empresas e instituições a entrarem para o movimento.


“Quando a gente, como empresa, coloca esse olhar intencional na contratação das juventudes, a gente muda a realidade, a gente ajuda o jovem. Não é tão difícil assim, é só dar o primeiro passo. Há ideias articuladas que trouxeram iniciativas incríveis por meio do GOYN SP: diálogos com setor público, com os jovens, protótipos feitos pelos jovens para os jovens. Tudo isso é um arcabouço que fortalece o ecossistema.

Mas a iniciativa privada tem um papel fundamental nesse desafio. Então meu convite é que todos se unam a nós. Uma pauta muito atual é a da diversidade, de raça e gênero. Essa é uma temática importante para a sua empresa. E não tem como falar dela sem falar de jovens. Porque mais de 70% dos jovens-potência são negros e mulheres. As agendas são convergentes e não excludentes. Então fica o meu convite: dê o primeiro passo e junte-se ao movimento!”


O 2º Evento Anual do GOYN SP foi encerrado com a performance do Slam das Minas SP, que lançou, pela primeira vez, a Carta de Princípios e Compromissos do GOYN SP por meio de uma “disputa” poética, emocionando todos os presentes. A carta foi uma construção conjunta do grupo colaborativo.

Clique na imagem abaixo para fazer o download!

Assista à apresentação do Slam das Minas SP:

Lançamento do Guia para Apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência

A conversa sobre a sistematização dos desafios, das oportunidades e das aprendizagens colhidas na implementação dos protótipos pensados coletivamente pelo grupo colaborativo do GOYN SP, foi mediada por Simone André, sócia-fundadora da Transverso Assessoria – que organizou o guia. 

Para trazer esses aspectos, um representante de cada protótipo compartilhou as experiências vivenciadas pelas equipes que se debruçaram no desenho e na implementação de cada iniciativa. André Luiz, do Capão Redondo, bairro de São Paulo, membro da organização Base Colaborativa, parceira do GOYN SP, contou os desafios e as aprendizagens trazidos pela experiência com o Perifa Digital.


“A primeira vivência, o primeiro aprendizado dessa iniciativa é que, quando você vai construir algo para um jovem, você precisa ter o jovem executando, tem que ser de jovem para jovem. O educador que estava levando a cultura digital era um jovem que também vivenciava os contextos periféricos.

Um dos desafios foi a conectividade. Quando fomos para a prática, muitos jovens não conseguiram participar por não ter acesso à internet (…). A molecada pensava em robô, carro voador, mas a cultura digital está presente em tudo na nossa vida. Foi uma experiência muito legal que ainda está no começo e espero que o GOYN SP leve a iniciativa para frente ano que vem”, concluiu.


“A gente se viu revisitando as nossas práticas, introduzindo mais fortemente o digital no desenvolvimento das competências para vida, no desenvolvimento de estratégias formativas com os nossos públicos. Adotamos uma estratégia de apoio psicológico aos jovens a partir de voluntários especialistas nesse campo, formando uma grande rede.

Outro grande ponto foi a questão da diversidade. Quando falamos de narrativa e de conhecimento, precisamos perceber essa pluralidade dos jovens. Isso tem que estar não somente numa estratégia de comunicação, mas, também, quando a gente cria dinâmicas, processos e ambiências, para que eles se percebam representados”, explicou Rosane Santiago, do Cieds, parceira do GOYN SP, sobre o protótipo Trilhando, focado no desenvolvimento de competências para o trabalho e para a vida das juventudes.

Para Lucas Gregório, assistente de projetos no GOYN SP e líder do Micro Fundo para Jovens Inovadores, uma ação que forma líderes e aporta recursos em projetos de jovens da periferia, um desafio é a falta de preparo para o exercício da liderança desses projetos comunitários e dessas ações de incentivos sociais.

“A gente precisa desmistificar algumas coisas para ajudar os jovens a trazer essa aprovação que, primeiro, faça sentido para eles e tem esse lugar dentro do foco territorial, porque não adianta a gente trazer coisas de fora, dos Estados Unidos. A gente precisa falar ali no território sobre o que o jovem pode fazer”, reforçou.

Com relação aos desafios e aprendizagens trazidos pelo protótipo Digitalis, uma plataforma focada em treinar jovens-potência para que eles sejam capacitados e interligados ao mercado de trabalho, Renata S. Oliveira, especialista em cidadania corporativa da empresa Accenture, trouxe a seguinte contribuição: “O processo de construção foi muito rico, porque a gente, além das empresas, tinha acesso a institutos sociais, representantes do poder público, jovens. Isso é muito importante para a gente conseguir construir várias perspectivas diferentes por um bem comum”, ressaltou. 


Foi interessante também porque tivemos a oportunidade de construir o projeto do início ao fim, de pensar desde o público-alvo até o conteúdo que vamos oferecer. Foi uma experiência completa, porque às vezes a gente fica só naquele nosso mundinho de empresa e não abrimos as perspectivas para outros atores, outros stakeholders


“O principal aprendizado que tivemos no protótipo Rede de Empresas foi que, para gerar engajamento e ter aprendizagem efetiva, nós precisamos efetivamente conectar o trabalho às oportunidades de formação que nós oferecemos. Nós percebemos isso porque interagimos muito com as empresas e nesse processo de integração vimos que muitos empregadores ainda têm barreiras para contratação de jovens.

Outro trabalho nosso foi a criação da comunidade de práticas do LinkedIn, justamente para oferecer a possibilidade de troca de experiências e compartilhamento de boas práticas que dizem respeito à inclusão produtiva dos jovens”, explicou Helena Schweinberger, da IOS.


Para acessar o guia que sistematiza todos os desafios, oportunidades e aprendizagens dos protótipos, clique na imagem abaixo:


As ações do setor privado e público e os avanços que temos de alcançar para a inclusão produtiva de jovens

Mediado pelo jornalista Luiz Pacete, da revista Forbes, o segundo painel reuniu representantes dos três setores:  Luísa Brazuna, líder América Latina da área de Diversidade & Inclusão da Ernest Young (EY), Aline Cardoso, Secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, e Ronaldo Matos, jornalista, colunista do UOL e educador do Jardim Ângela (SP).

Durante o diálogo, cada participante compartilhou as experiências de suas instituições para promover formação e inclusão produtiva das juventudes, ressaltando a importância de uma atuação coletiva para que as mudanças sejam mais sistêmicas e em escala. Também foi apontada a necessidade de repensar maneiras de olhar e conversar com esses jovens para que as oportunidades tragam, de fato, as mudanças necessárias para que as juventudes ingressem, permaneçam e avancem nos seus projetos de vida.

“O papel das empresas é promover ações afirmativas. A gente tem muita vaga em tecnologia. Estamos precisando de gente assim, as empresas querem esses jovens-potência. Por isso, elas têm que se desafiar e parar com aquela coisa de faculdade de primeira linha. Tem que se abrir e fazer parcerias com outras universidades, valorizar o jovem do ProUni e do FIES, repensar as políticas de recrutamento, fazer parcerias com coletivos e associações. Tudo isso de uma forma que chegue às pessoas”, afirmou Luísa. 


Para a secretária Aline, o papel do poder público é unir as pontas, promover sinergias e gerar escala: “Estamos trazendo um olhar horizontal e, com isso, criamos um repertório de oferta e de demanda e conseguimos juntar tudo. Eu tenho gente com projetos e eu tenho empresa com dinheiro. Eu consigo juntar e consigo chegar no jovem”, ressaltou.


Mas qualquer iniciativa voltada às juventudes periféricas precisa partir de uma escuta para não cair na mesmice de trazer soluções que não dialoguem com a realidade desses jovens.

“Meu grande objetivo é fomentar e construir a indústria da comunicação do futuro a partir das periferias e favelas. Para isso, todo tipo de organização, o poder público, a empresa que chega na periferia ou na favela, que dialoga com a gente, a primeira coisa é entender nossa visão de futuro e a nossa visão empresarial. Então hoje o que eu diria quando chega alguém para investir: aprenda com a gente para investir melhor e para investir com mais impacto”, reforçou Ronaldo.


Saiba como foi a apresentação do relatório Juventudes e a Pandemia – edição cidade de São Paulo

O primeiro painel reuniu Claudia Carletto, Secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Cidade de São Paulo, Marcus Barão, Presidente do Conselho Nacional da Juventude do Brasil (Conjuve), e Ramirez Augusto Tosta, coordenador de Políticas para Juventude da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. O objetivo era compartilhar e refletir sobre os achados do relatório idealizado pelo Conjuve e seus parceiros, que contaram com a Rede de Conhecimento Social, o GOYN SP e a Coordenação de Políticas para Juventude para sistematizar o recorte de dados relacionados às juventudes do município. A pesquisa contou, ainda, com apoio e mobilização de jovens e muitas organizações locais. Para o recorte de São Paulo a amostragem contou com 3.500 jovens-potência da cidade. 

“A gente sabe que os desafios são muitos, a gente sabe que os jovens vivem nesse momento pós pandemia com muita cautela e preocupação. Então, é responsabilidade de todos os atores sociais buscar soluções e garantir que nossos jovens tenham emprego, renda, educação e futuro”

afirmou a secretária Cláudia Carletto,

abrindo a conversa.

Dentre os diferentes aspectos trazidos pela pesquisa, a saúde mental ganhou um importante espaço de análise, já que o tema aparece como um fator preponderante e uma grande preocupação dos entrevistados: 70% dos respondentes apontaram a exaustão, o cansaço, o uso excessivo das redes sociais como aspectos que prejudicaram seu bem-estar mental durante e no pós-pandemia.

A análise desses dados, por exemplo, levou à conclusão de que o acesso às atividades voltadas aos cuidados com a saúde é, para os jovens, restrito, especialmente o atendimento psicológico. A socialização e retorno à rotina presencial foram destacados pelos entrevistados: 61% deles querem o retorno das aulas presenciais para que as atividades ajudem a equilibrar suas emoções; 50% desejam que seja implementado atendimento psicológico especializado e 31% pleiteiam que haja acompanhamento psicológico nas escolas.

“Isso traz para nós, da Prefeitura de São Paulo, uma missão muito importante: olhar para políticas que estão sendo executadas até o momento, afiná-las e ampliar o atendimento para que jovens tenham espaços para o autocuidado, diminuindo os índices relacionados aos prejuízos que a pandemia causou à saúde mental”, concluiu Ramirez (à esquerda)

Educação e Trabalho também foram temas de estudo da pesquisa e mostraram porque as juventudes têm desistido da escola e da busca por um emprego, diante de um cenário desolador, desenhado pela crise. Por outro lado, um dado positivo que a pesquisa aponta é sobre a participação política das juventudes. Os jovens paulistanos consideram que o cenário de pandemia os levou a ficar mais atentos.

“Eles querem participar mais da vida pública e das decisões que os afetam. Isso é fundamental quando a gente está às vésperas de 2022, um ano gigante para nossa democracia”, ressaltou Marcos Barão, do Conjuve (à direita na imagem)


Confira estes e outros achados acessando a pesquisa na íntegra

Dados, aprendizados e planos para o futuro: o 2º Evento Anual do GOYN SP foi um sucesso!

No dia 23 de novembro, cerca de 420 pessoas se “reuniram” na sala virtual, no YouTube, para participar de uma hora e meia de trocas e diálogos com representantes dos diferentes setores que compõem a rede colaborativa do GOYN SP

Depois de quase dois anos realizando ações remotamente, o 2º Evento Anual do GOYN SP aconteceu no modelo híbrido, com a presença de diferentes atores, no palco montado em um espaço, no Anhembi (SP), cedido pela Prefeitura de São Paulo, parceira da iniciativa.

Os objetivos do evento foram compartilhar dados e evidências (lançamento da pesquisa “Juventudes e a Pandemia – Edição Cidade de São Paulo”), práticas e ideias colaborativas (painel com empresa, poder público e organização da sociedade civil), aprendizados dos dois anos do programa (lançamento do “Guia para Apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência”, sistematizando as experiências trazidas pelos protótipos do GOYN SP) e os planos para o futuro (objetivos para os próximos dois anos), além de convidar novos atores a comporem a rede para que a inclusão produtiva das juventudes periféricas possa avançar, afinal, “Somos muitos. Precisamos ser +100 mil jovens-potência!”

Os jovens das quebradas, Mel Duarte e Marcelo Rocha, conduziram uma agenda cheia de conteúdos e diálogos. No primeiro bloco do evento, após as boas-vindas, o grupo do colaborativo do GOYN SP deu o seu recado por meio de um vídeo manifesto:


Clique nas imagens para saber mais sobre cada painel








Assista ao evento, na íntegra