Os próximos anos do GOYN SP: a urgência da agenda da inclusão produtiva

Na última parte dos painéis, Daniela Saraiva, Líder do GOYN SP, compartilhou os principais objetivos e metas do movimento para os próximos dois anos. “A gente vai seguir fortalecendo o território. Isso foi o que começamos a fazer e tivemos muitos impeditivos para estar presencialmente nos territórios. Então o GOYN SP vai fomentar editais de apoio, não só o Micro Fundo, mas apoio a organizações que estão nos territórios para continuar dando a melhor formação ao jovem, uma formação que esteja próxima ao mercado”, contou. 

O trabalho junto às empresas também será enfatizado, para que elas entendam que não são apenas a porta de entrada das juventudes no mercado produtivo, mas, também, possuem o importante papel de trabalhar a diversidade, a equidade e a inclusão por meio dessa agenda. 

Fortalecer a liderança dos jovens é outro propósito do movimento. “O jovem tem demandado isso e vimos os dados da participação pública e política. Então a gente precisa fortalecer essa voz, garantir esse espaço para que eles sejam protagonistas da agenda da inclusão produtiva”, reforçou.

Para cumprir estes e outros propósitos, é preciso multiplicar, ampliar a rede de parceiros do GOYN SP. Na mensagem final, Daniela Redondo, do Instituto Coca-Cola, empresa que compõe o comitê gestor do GOYN SP, convidou outras empresas e instituições a entrarem para o movimento.


“Quando a gente, como empresa, coloca esse olhar intencional na contratação das juventudes, a gente muda a realidade, a gente ajuda o jovem. Não é tão difícil assim, é só dar o primeiro passo. Há ideias articuladas que trouxeram iniciativas incríveis por meio do GOYN SP: diálogos com setor público, com os jovens, protótipos feitos pelos jovens para os jovens. Tudo isso é um arcabouço que fortalece o ecossistema.

Mas a iniciativa privada tem um papel fundamental nesse desafio. Então meu convite é que todos se unam a nós. Uma pauta muito atual é a da diversidade, de raça e gênero. Essa é uma temática importante para a sua empresa. E não tem como falar dela sem falar de jovens. Porque mais de 70% dos jovens-potência são negros e mulheres. As agendas são convergentes e não excludentes. Então fica o meu convite: dê o primeiro passo e junte-se ao movimento!”


O 2º Evento Anual do GOYN SP foi encerrado com a performance do Slam das Minas SP, que lançou, pela primeira vez, a Carta de Princípios e Compromissos do GOYN SP por meio de uma “disputa” poética, emocionando todos os presentes. A carta foi uma construção conjunta do grupo colaborativo.

Clique na imagem abaixo para fazer o download!

Assista à apresentação do Slam das Minas SP:

Lançamento do Guia para Apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência

A conversa sobre a sistematização dos desafios, das oportunidades e das aprendizagens colhidas na implementação dos protótipos pensados coletivamente pelo grupo colaborativo do GOYN SP, foi mediada por Simone André, sócia-fundadora da Transverso Assessoria – que organizou o guia. 

Para trazer esses aspectos, um representante de cada protótipo compartilhou as experiências vivenciadas pelas equipes que se debruçaram no desenho e na implementação de cada iniciativa. André Luiz, do Capão Redondo, bairro de São Paulo, membro da organização Base Colaborativa, parceira do GOYN SP, contou os desafios e as aprendizagens trazidos pela experiência com o Perifa Digital.


“A primeira vivência, o primeiro aprendizado dessa iniciativa é que, quando você vai construir algo para um jovem, você precisa ter o jovem executando, tem que ser de jovem para jovem. O educador que estava levando a cultura digital era um jovem que também vivenciava os contextos periféricos.

Um dos desafios foi a conectividade. Quando fomos para a prática, muitos jovens não conseguiram participar por não ter acesso à internet (…). A molecada pensava em robô, carro voador, mas a cultura digital está presente em tudo na nossa vida. Foi uma experiência muito legal que ainda está no começo e espero que o GOYN SP leve a iniciativa para frente ano que vem”, concluiu.


“A gente se viu revisitando as nossas práticas, introduzindo mais fortemente o digital no desenvolvimento das competências para vida, no desenvolvimento de estratégias formativas com os nossos públicos. Adotamos uma estratégia de apoio psicológico aos jovens a partir de voluntários especialistas nesse campo, formando uma grande rede.

Outro grande ponto foi a questão da diversidade. Quando falamos de narrativa e de conhecimento, precisamos perceber essa pluralidade dos jovens. Isso tem que estar não somente numa estratégia de comunicação, mas, também, quando a gente cria dinâmicas, processos e ambiências, para que eles se percebam representados”, explicou Rosane Santiago, do Cieds, parceira do GOYN SP, sobre o protótipo Trilhando, focado no desenvolvimento de competências para o trabalho e para a vida das juventudes.

Para Lucas Gregório, assistente de projetos no GOYN SP e líder do Micro Fundo para Jovens Inovadores, uma ação que forma líderes e aporta recursos em projetos de jovens da periferia, um desafio é a falta de preparo para o exercício da liderança desses projetos comunitários e dessas ações de incentivos sociais.

“A gente precisa desmistificar algumas coisas para ajudar os jovens a trazer essa aprovação que, primeiro, faça sentido para eles e tem esse lugar dentro do foco territorial, porque não adianta a gente trazer coisas de fora, dos Estados Unidos. A gente precisa falar ali no território sobre o que o jovem pode fazer”, reforçou.

Com relação aos desafios e aprendizagens trazidos pelo protótipo Digitalis, uma plataforma focada em treinar jovens-potência para que eles sejam capacitados e interligados ao mercado de trabalho, Renata S. Oliveira, especialista em cidadania corporativa da empresa Accenture, trouxe a seguinte contribuição: “O processo de construção foi muito rico, porque a gente, além das empresas, tinha acesso a institutos sociais, representantes do poder público, jovens. Isso é muito importante para a gente conseguir construir várias perspectivas diferentes por um bem comum”, ressaltou. 


Foi interessante também porque tivemos a oportunidade de construir o projeto do início ao fim, de pensar desde o público-alvo até o conteúdo que vamos oferecer. Foi uma experiência completa, porque às vezes a gente fica só naquele nosso mundinho de empresa e não abrimos as perspectivas para outros atores, outros stakeholders


“O principal aprendizado que tivemos no protótipo Rede de Empresas foi que, para gerar engajamento e ter aprendizagem efetiva, nós precisamos efetivamente conectar o trabalho às oportunidades de formação que nós oferecemos. Nós percebemos isso porque interagimos muito com as empresas e nesse processo de integração vimos que muitos empregadores ainda têm barreiras para contratação de jovens.

Outro trabalho nosso foi a criação da comunidade de práticas do LinkedIn, justamente para oferecer a possibilidade de troca de experiências e compartilhamento de boas práticas que dizem respeito à inclusão produtiva dos jovens”, explicou Helena Schweinberger, da IOS.


Para acessar o guia que sistematiza todos os desafios, oportunidades e aprendizagens dos protótipos, clique na imagem abaixo:


As ações do setor privado e público e os avanços que temos de alcançar para a inclusão produtiva de jovens

Mediado pelo jornalista Luiz Pacete, da revista Forbes, o segundo painel reuniu representantes dos três setores:  Luísa Brazuna, líder América Latina da área de Diversidade & Inclusão da Ernest Young (EY), Aline Cardoso, Secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, e Ronaldo Matos, jornalista, colunista do UOL e educador do Jardim Ângela (SP).

Durante o diálogo, cada participante compartilhou as experiências de suas instituições para promover formação e inclusão produtiva das juventudes, ressaltando a importância de uma atuação coletiva para que as mudanças sejam mais sistêmicas e em escala. Também foi apontada a necessidade de repensar maneiras de olhar e conversar com esses jovens para que as oportunidades tragam, de fato, as mudanças necessárias para que as juventudes ingressem, permaneçam e avancem nos seus projetos de vida.

“O papel das empresas é promover ações afirmativas. A gente tem muita vaga em tecnologia. Estamos precisando de gente assim, as empresas querem esses jovens-potência. Por isso, elas têm que se desafiar e parar com aquela coisa de faculdade de primeira linha. Tem que se abrir e fazer parcerias com outras universidades, valorizar o jovem do ProUni e do FIES, repensar as políticas de recrutamento, fazer parcerias com coletivos e associações. Tudo isso de uma forma que chegue às pessoas”, afirmou Luísa. 


Para a secretária Aline, o papel do poder público é unir as pontas, promover sinergias e gerar escala: “Estamos trazendo um olhar horizontal e, com isso, criamos um repertório de oferta e de demanda e conseguimos juntar tudo. Eu tenho gente com projetos e eu tenho empresa com dinheiro. Eu consigo juntar e consigo chegar no jovem”, ressaltou.


Mas qualquer iniciativa voltada às juventudes periféricas precisa partir de uma escuta para não cair na mesmice de trazer soluções que não dialoguem com a realidade desses jovens.

“Meu grande objetivo é fomentar e construir a indústria da comunicação do futuro a partir das periferias e favelas. Para isso, todo tipo de organização, o poder público, a empresa que chega na periferia ou na favela, que dialoga com a gente, a primeira coisa é entender nossa visão de futuro e a nossa visão empresarial. Então hoje o que eu diria quando chega alguém para investir: aprenda com a gente para investir melhor e para investir com mais impacto”, reforçou Ronaldo.


Saiba como foi a apresentação do relatório Juventudes e a Pandemia – edição cidade de São Paulo

O primeiro painel reuniu Claudia Carletto, Secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Cidade de São Paulo, Marcus Barão, Presidente do Conselho Nacional da Juventude do Brasil (Conjuve), e Ramirez Augusto Tosta, coordenador de Políticas para Juventude da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania. O objetivo era compartilhar e refletir sobre os achados do relatório idealizado pelo Conjuve e seus parceiros, que contaram com a Rede de Conhecimento Social, o GOYN SP e a Coordenação de Políticas para Juventude para sistematizar o recorte de dados relacionados às juventudes do município. A pesquisa contou, ainda, com apoio e mobilização de jovens e muitas organizações locais. Para o recorte de São Paulo a amostragem contou com 3.500 jovens-potência da cidade. 

“A gente sabe que os desafios são muitos, a gente sabe que os jovens vivem nesse momento pós pandemia com muita cautela e preocupação. Então, é responsabilidade de todos os atores sociais buscar soluções e garantir que nossos jovens tenham emprego, renda, educação e futuro”

afirmou a secretária Cláudia Carletto,

abrindo a conversa.

Dentre os diferentes aspectos trazidos pela pesquisa, a saúde mental ganhou um importante espaço de análise, já que o tema aparece como um fator preponderante e uma grande preocupação dos entrevistados: 70% dos respondentes apontaram a exaustão, o cansaço, o uso excessivo das redes sociais como aspectos que prejudicaram seu bem-estar mental durante e no pós-pandemia.

A análise desses dados, por exemplo, levou à conclusão de que o acesso às atividades voltadas aos cuidados com a saúde é, para os jovens, restrito, especialmente o atendimento psicológico. A socialização e retorno à rotina presencial foram destacados pelos entrevistados: 61% deles querem o retorno das aulas presenciais para que as atividades ajudem a equilibrar suas emoções; 50% desejam que seja implementado atendimento psicológico especializado e 31% pleiteiam que haja acompanhamento psicológico nas escolas.

“Isso traz para nós, da Prefeitura de São Paulo, uma missão muito importante: olhar para políticas que estão sendo executadas até o momento, afiná-las e ampliar o atendimento para que jovens tenham espaços para o autocuidado, diminuindo os índices relacionados aos prejuízos que a pandemia causou à saúde mental”, concluiu Ramirez (à esquerda)

Educação e Trabalho também foram temas de estudo da pesquisa e mostraram porque as juventudes têm desistido da escola e da busca por um emprego, diante de um cenário desolador, desenhado pela crise. Por outro lado, um dado positivo que a pesquisa aponta é sobre a participação política das juventudes. Os jovens paulistanos consideram que o cenário de pandemia os levou a ficar mais atentos.

“Eles querem participar mais da vida pública e das decisões que os afetam. Isso é fundamental quando a gente está às vésperas de 2022, um ano gigante para nossa democracia”, ressaltou Marcos Barão, do Conjuve (à direita na imagem)


Confira estes e outros achados acessando a pesquisa na íntegra

Dados, aprendizados e planos para o futuro: o 2º Evento Anual do GOYN SP foi um sucesso!

No dia 23 de novembro, cerca de 420 pessoas se “reuniram” na sala virtual, no YouTube, para participar de uma hora e meia de trocas e diálogos com representantes dos diferentes setores que compõem a rede colaborativa do GOYN SP

Depois de quase dois anos realizando ações remotamente, o 2º Evento Anual do GOYN SP aconteceu no modelo híbrido, com a presença de diferentes atores, no palco montado em um espaço, no Anhembi (SP), cedido pela Prefeitura de São Paulo, parceira da iniciativa.

Os objetivos do evento foram compartilhar dados e evidências (lançamento da pesquisa “Juventudes e a Pandemia – Edição Cidade de São Paulo”), práticas e ideias colaborativas (painel com empresa, poder público e organização da sociedade civil), aprendizados dos dois anos do programa (lançamento do “Guia para Apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência”, sistematizando as experiências trazidas pelos protótipos do GOYN SP) e os planos para o futuro (objetivos para os próximos dois anos), além de convidar novos atores a comporem a rede para que a inclusão produtiva das juventudes periféricas possa avançar, afinal, “Somos muitos. Precisamos ser +100 mil jovens-potência!”

Os jovens das quebradas, Mel Duarte e Marcelo Rocha, conduziram uma agenda cheia de conteúdos e diálogos. No primeiro bloco do evento, após as boas-vindas, o grupo do colaborativo do GOYN SP deu o seu recado por meio de um vídeo manifesto:


Clique nas imagens para saber mais sobre cada painel








Assista ao evento, na íntegra

Guia para apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência

Conforme visto em primeira mão no Evento Anual do Global Opportunity Youth Network SP, está disponível para download a íntegra do Guia para apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem Potência.

O documento é voltado para pessoas e organizações que desejarem conhecer e se inspirar nessas aprendizagens encontradas pelo GOYN SP, ou ainda, usá-las como critérios de qualidade a serem alcançados para trabalhar em favor de juventudes-potências.

Juventudes e a pandemia do coronavírus | Relatório Especial: cidade de São Paulo | Novembro de 2021

Conforme visto em primeira mão no Evento Anual do Global Opportunity Youth Network SP, está disponível para download a íntegra do Relatório Juventudes e Pandemia, edição especial Cidade de São Paulo. A versão nacional do relatório foi idealizada pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve). Na edição de São Paulo, a promoção foi pela Rede de Conhecimento Social, GOYN SP e Coordenação de Políticas para Juventude, da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do município.

Viva Unido Juventude: inclusão e diversidade como pontos de partida

Imagine-se jovem, no pós-pandemia, com 16, 18, 20 anos… Querendo definir caminhos pessoais e profissionais para ter um presente e um futuro de sucesso, apesar da crise. Imagine-se, ainda, como um participante do programa Competências para a Vida que, ao longo de três meses, vem recebendo formação a distância, por meio de conversas com educadores e com outros jovens, além de sessões de mentoria ministradas por profissionais de grandes empresas, que se voluntariam para apoiar as juventudes em situação de vulnerabilidade.

Esse é o universo de pessoas que, além de tudo isso, também participam do Viva Unido Juventude, uma ampla ação de voluntariado corporativo, realizada anualmente pela United Way Brasil. A iniciativa reúne públicos diferentes (empresas, colaboradores e jovens) para conversarem sobre temas como empregabilidade, oportunidades, diversidade e responsabilidade social, essenciais à promoção de um ecossistema produtivo mais equitativo e sustentável. A ideia é proporcionar para ambos os lados (juventudes e colaboradores voluntários das corporações) um espaço qualificado de mútua aprendizagem e trocas. Mas o objetivo central é oferecer aos jovens escuta e acolhimento a fim de inspirá-los na construção de seus projetos de vida.

“Antes eu tinha medo de entrar na faculdade. Pensava que não ia conseguir, porque ninguém da minha família tinha entrado antes. Batalhei muito para perder esse medo. Perguntei para o meu avô se ele achava que eu daria conta. Ele respondeu: ‘Se você não acha que é capaz, não posso ser capaz por você’. Hoje curso faculdade de arquitetura.”

Genifer, jovem do Competências para a Vida

O Viva Unido Juventude 2021 aconteceu em outubro, marcado por uma semana intensa de encontros virtuais animados, cheios de histórias de vida e de boas perspectivas de futuro e de sucesso para esses jovens cheios de garra e motivação.

Nesta edição, nas 20 horas de encontros virtuais, 208 jovens de 16 a 25 anos, de São Paulo, Francisco Morato, Campinas, Valinhos, Suzano, Jaboatão dos Guararapes/PE, Manaus e Rio de Janeiro, contaram com 76 colaboradores voluntários das empresas que aceitaram o convite para participar da iniciativa:

Johnson Controls, Lenovo, Lilly, P&G, O-I, 3M e Covestro (a ser realizado em novembro).


Todos juntos pela mesma causa: o futuro das juventudes

Na sala virtual, com mais de 35 pessoas, aconteceu uma das 10 sessões da semana Viva Unido Juventude. Câmeras abertas, gente diferente se olhando e, de repente, um senhor simpático e comunicativo faz a primeira intervenção e apresenta a empresa e alguns colaboradores voluntários, que também participaram da conversa. Ele nada mais é do que Waldemar Scudeller Jr, presidente, no Brasil, da Johnson Controls. Imagine a sensação dos jovens ao saberem que um representante do topo da hierarquia, da multinacional especializada em sistemas de segurança e inteligência artificial, decidiu ser voluntário e está ali, para conversar com eles e elas… 

Esse foi só o começo, porque, em seguida, gestores de outras áreas da empresa também se apresentaram. Depois de um bate-papo mais geral, em que os jovens fizeram perguntas sobre políticas de contratação e a área de atuação da Johnson Controls, voluntários e participantes do programa Competências para a Vida foram para diferentes salas virtuais, onde teve de tudo: dicas práticas (links para fazer cursos gratuitos, maneiras de manter o LinkedIn atualizado, opções de carreiras, o que é importante falar na entrevista, como pensar o currículo, quais apoios buscar etc.) e emocionais (de que forma enfrentar os medos, não desistir e não desanimar etc.). 

“Na entrevista, não tenham vergonha de falar se seus desafios, do que consideram que precisam melhorar. O que os recrutadores querem saber é o que vocês estão fazendo para superar suas dificuldades.”

Voluntária Juliana Tomassani, Lilly

Inclusão na prática

Thais Farias trabalha na Lilly, uma das empresas parceiras do Competências para a Vida no Viva Unido Juventude. Aos 16 anos, ela conseguiu seu primeiro emprego no telemarketing. O detalhe é que Thais possui deficiência auditiva e falar ao telefone, além de ser intimidador, era um desafio.

Mas a então jovem não desanimou e conseguiu cumprir o seu trabalho, passou por outras empresas, onde adquiriu mais experiência, e está há três anos na Lilly, como assistente de uma equipe ligada à área jurídica.

A diversidade, um dos temas da edição do Viva Unido Juventude, foi pano de fundo dessa conversa, que levou aos jovens participantes uma visão mais contemporânea das corporações que assumem sua responsabilidade social.

Para os diferentes colaboradores das empresas participantes do Viva Unido Juventude, as coisas estão mudando e a preocupação em promover a equidade, contratar jovens, mulheres, priorizar negros e negras, pessoas com deficiência, LGBTI+ têm sido uma realidade crescente no mundo corporativo, um alento para as juventudes que, embora tenham pouca experiência técnica, possuem uma bagagem de competências socioemocionais de dar “inveja” a muitos profissionais com anos de carreira.

“Não tenham medo de perguntar. Sejam curiosos. É sempre bom entender o que estão fazendo. Dúvidas vão surgir, medos também. Quando eu fui jovem aprendiz, também tive muito medo, mas fui aprendendo com o tempo. Perguntar ajudou muito a alavancar a minha carreira.”

Voluntário Gabriel, Johnson Controls

Nesse sentido, comitês de inclusão e diversidade nas corporações foram citados pelos voluntários como espaço para diálogos e construção de soluções que contemplem e valorizem as diversidades. Bom para as equipes, que ganham novos olhares, bom para as empresas, que fortalecem suas marcas e seus negócios. 

Um conselho que muitos deram aos jovens foi para que conheçam o posicionamento social das empresas onde pretendem trabalhar. Os propósitos das companhias precisam condizer com os valores e planos de vida e de carreira das juventudes para que façam sentido.

Depois das conversas em grupos, no retorno ao plenário, eram visíveis os sorrisos e a sensação de que o Viva Unido Juventude, mais uma vez, cumpriu seu papel, oferecendo novas possibilidades aos jovens para que reflitam sobre suas carreiras.

“O encontro de hoje me deu esperança. Parabéns por fazerem uma abordagem muito humanizada. Agradeço muito, porque eu estava bem triste e desanimado.”

Gabriel, jovem do competências para a vida

Para os voluntários, as conversas os levaram ao passado, quando estavam nessa mesma situação, em busca do primeiro emprego. Puderam sentir os desafios e as vitórias ao compartilharem suas trajetórias, sabendo que esses aprendizados são importantes legados. Uma contribuição incrível para o sucesso das novas gerações do País.

Em 2022, a próxima edição do Viva Unido Juventude quer contar com mais empresas parceiras e seus colaboradores para ampliar a abrangência e o impacto positivo na vida das juventudes. Afinal, no pós-pandemia, mais do que nunca as juventudes precisam de nosso apoio para avançar e contribuir à construção de uma sociedade mais digna e próspera para todas e todos. 

Mentoria de mulher para mulheres: no Competências para a Vida tem!

“O que estamos fazendo para que nossos sonhos pessoais e profissionais comecem a se realizar?”

Foi com esta pergunta que Carla Lima, secretária-executiva da presidência, na Morgan Stanley, e mentora voluntária do programa Competências para a Vida, abriu a sessão on-line. As quatro jovens presentes se intercalaram nas falas, compartilhando as reflexões feitas desde a última sessão. O grupo, só de garotas, mentorado por uma profissional, sente-se à vontade para apontar seus anseios e suas dúvidas. A identificação entre elas é perceptível, por exemplo, sobre a questão da jornada dupla ou tripla de trabalho. Uma das jovens é casada e acaba assumindo muitos afazeres. Carla se solidariza, afinal, também vive essa realidade.

É nessa troca que as competências socioemocionais ganham força: empatia para entender o outro, resiliência para transformar desafios em alavanca às conquistas, autoestima e autoconfiança – abaladas durante a pandemia… Habilidades essenciais para conquistar espaços profissionais e ter sucesso na vida.

Suzana Evelyn estava confusa sobre o que fazer profissionalmente. Ela tem 17 anos e vive em Francisco Morato (SP) com seu marido. Na sessão, contou que as coisas ficaram mais claras com as mentorias e agora ela decidiu que vai ter a própria empresa de roupas, que ela mesma irá desenhar. “Já arrumei minha máquina de costura, tenho assistido a vídeos na internet e vou começar a confeccionar máscaras”, compartilha animada. No médio prazo, ela pretende cursar faculdade de Administração, porque acredita que irá ajudá-la a prosperar no seu empreendimento.

Ana Silva foi buscar apoio de uma tia psicóloga e juntou o aprendizado nas sessões do programa com a experiência da sua parente. Ana tinha muitas dúvidas sobre sua carreira e queria entrar na faculdade, mas agora entende que o melhor é frequentar um curso técnico de Fisiologia, em 2022, para começar a traçar seu caminho à universidade, na área Biomédica. 

Danielly Santos gosta de muitas coisas e quando entrou no programa Competências para a Vida, as ideias eram ainda confusas. Não sabia se queria fazer Biologia, Matemática… Pelas trocas e encaminhamentos na mentoria, começou a pesquisar mais sobre as profissões e se identificou muito com Engenharia Ambiental, escolhendo esse foco para seus próximos passos.

“Tô bem confiante no que eu quero fazer, mas se eu mudar de ideia, tudo bem. O importante é seguir o que eu gosto”

Danielly santos, 17, francisco morato (SP)

Ela admite que não pensava assim. A pressão sobre as juventudes, para que se definam, é grande. As jovens do grupo sentiam as cobranças na pele, mas ao ouvirem Carla, que fez tanta coisa antes de se tornar uma secretária bem-sucedida, elas entenderam que podem mudar de opinião. O que não podem é desistir ou fazer o que os outros querem que façam. “Eu pensava em ser professora de inglês. Comecei a ir por aí e detestei! Já meus pais sonhavam que eu fosse advogada. Fiz dois anos de faculdade de Direito e não curti. Eu tinha 23, 24 anos e não estava me achando. Então, fui juntando o que gostava e acabei trabalhando como recepcionista. Recebi o estímulo de quem me contratou, que me disse que eu tinha potencial. A partir daí, construí a minha carreira e cheguei aonde estou”, revela Carla, para uma plateia atenta.

Cristiane Alves, a outra jovem do grupo, é cantora e quer ser atriz, biomédica, psicóloga… Ainda não se definiu, mas revela que, até entrar no Competências para a Vida, não acreditava que podia ser alguma coisa, que podia sonhar alto. Hoje ela sabe que as opções são muitas, basta escolher. “Saber que posso querer é muito importante para mim. Agora eu não vou desistir. Vou atrás do que eu gosto”, diz entusiasmada.


Nunca tive um mentor

Carla Lima é mentora voluntária do Competências para a Vida na fase da pandemia. Quando soube do programa, decidiu participar e se identificou de cara com a primeira turma, formada por rapazes e garotas, que viviam no mesmo território onde ela cresceu, em Francisco Morato. “Vi minha juventude ali, de novo. Eu também tinha de pegar trem, ônibus para estudar, trabalhar. Não havia faculdade, tudo era mais complicado… As mesmas dificuldades que essa turma vivenciava”, conta.

O segundo grupo foi de Jaboatão de Guararapes (PE), que lhe proporcionou o contato com outras realidades. E agora ela assumiu a mentoria do grupo de garotas, novamente voltando ao seu território (Francisco Morato). “Pesquisei muito sobre a realidade das mulheres negras e, também, sobre a Síndrome da Impostora, que fala da autossabotagem. Procurei apoiá-las nas suas decisões e aprendi bastante com essas jovens”. Para Carla, o grupo começou a mentoria com muitas dúvidas. “Mas agora elas estão bem centradas. Entenderam que podem ser o que quiserem. Que vão ter de batalhar muito para realizar sonhos, mas que têm o que precisam para isso e, o que não têm, vão conquistar”, ressalta.

Carla nunca viveu essa experiência, de receber orientações na juventude sobre suas escolhas. “Na verdade, convivi com muitas pessoas negativas. Precisei vencer essa barreira, me impor e perseguir meus sonhos”, conta. Agora ela apoia jovens para que façam o mesmo.


A dor e a delícia de ser jovem e mulher

Empoderar as jovens para que conquistem seus espaços, apesar de todas as pressões que enfrentam e que revelam a desigualdade de gênero e de raça no mundo do trabalho, é um dos papéis da mentoria do Competências para a Vida. Elas sabem que terão de lutar contra o preconceito.

“As pessoas subestimam muito as mulheres. Geralmente para nós sobram os cargos de entrada nas empresas, com salários inferiores aos dos homens. Mas a gente sabe que tem a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Tanto que nossas vidas são diferentes das dos homens. Ter uma mentora mulher me ajudou a acreditar que posso conseguir construir uma carreira profissional com sucesso”, conclui Suzana Evelyn.

Para Danielly, “ser mulher é ter de provar todo dia que se é capaz. Ter a mentoria da Carla reforça a representatividade de gênero no mercado de trabalho. Ela é uma referência de garra, de que vamos conseguir chegar aonde queremos, sim, e ser tão boas quanto os homens. O programa me ajudou a me priorizar, a investir em mim, a cuidar da minha saúde mental, a me conhecer melhor e aprender antes de sair correndo atrás de qualquer emprego. Sinto-me bem mais preparada para essa caminhada pessoal e profissional, como jovem e mulher”.