Dia Internacional da Juventude: como garantir aos jovens um presente e futuro melhores?

O dia 12 de agosto marca o papel essencial da juventude no desenvolvimento sustentável do planeta. No entanto, no Brasil, os jovens têm sido impactados negativamente pelas desigualdades sociais e por adversidades, como a pandemia. 

Embora seja óbvio que a juventude de hoje vai formar as próximas gerações de adultos, de pais e mães e de trabalhadores de nosso país, dados de pesquisas têm mostrado que as chances para que os jovens se tornem pessoas reconhecidas e realizadas são ainda muito escassas em nosso País, especialmente para aqueles que vivem em situação vulnerável, cercados por ambientes de risco social, com baixa escolaridade e poucas oportunidades dignas de trabalho. 

Na maior metrópole do País, por exemplo, de uma população de mais de 3 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social, estão 812.916 jovens, sendo que 160 mil são responsáveis pelo domicílio onde vivem. Cerca de 484 mil estão sem emprego e sem oportunidade de estudo. O rendimento médio de um homem negro com 18 anos ou mais é de R$ 1.300. A mulher negra recebe a média de R$ 982,00 (menos de um salário mínimo). Ambos estão distantes do rendimento médio do homem branco (R$ 3.268) e da mulher branca (R$ 2.168). 

Dados como estes são reflexos da desigualdade social que atinge todo o País, mas que também está fortemente presente na cidade – e quem tem aumentado com a pandemia. Também refletem a trajetória educacional da juventude local: 26% não têm instrução, 24% possuem o Ensino Fundamental completo ou o Ensino Médio incompleto e apenas 13% terminaram o Ensino Superior.

Estas informações, colhidas em 2020, antes da Covid-19, estão contidas na pesquisa realizada pela Accenture Development Partnership para a United Way Brasil e traçam um cenário de oportunidades. Isto mesmo: do total da população de jovens em situação de vulnerabilidade (mais de 812 mil), cerca de 765 mil são potenciais cidadãos para conquistar trabalho e estudo de qualidade, já que pouco mais de 47 mil desse grupo vulnerável possuem superior completo e emprego formal.

Trabalho colaborativo em rede

A pesquisa da Accenture é um dos pilares das evidências que vão orientar as ações do programa “O Futuro é Jovem” (adaptação em português para Global Opportunity Youth Network – GOYN). A iniciativa do Aspen Institute, implementada em seis cidades no mundo, tem como objetivo fazer a inserção produtiva de jovens (15-29 anos) em situação de vulnerabilidade social por meio da educação, do trabalho digno e do empreendedorismo, em consonância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, com destaque ao objetivo 8: “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”. O polo de São Paulo é o último que se juntou a essa comunidade global e quer otimizar as diferentes possibilidades que a cidade oferece para atender a juventude das periferias e das regiões menos favorecidas.

Na cidade, a iniciativa é articulada pela United Way Brasil que está catalisando atores importantes dos três setores para o desenho das intervenções sistêmicas. A ideia é criar uma ampla rede colaborativa que possa contribuir ao propósito do programa, com base em dados sobre o perfil do jovem que se quer atingir e o ecossistema em que ele está inserido e que pode apoiá-lo. Todo esse mapeamento vem sendo realizado há seis meses. 

Jovens protagonistas

O programa abriu um edital para convidar jovens que desejassem participar da iniciativa. Os que foram selecionados têm recebido formação para entender a proposta e, nessa fase, atuar ativamente na construção e concretização das ações. 

Isto porque o programa quer trazer o jovem como um agente co-construtor e direcionador não apenas das estratégias, mas de como elas serão implementadas, sendo percebido como protagonista muito mais do que como beneficiário. 

As escolhas das estratégias foram realizadas por um grupo de mais de 45 organizações que participaram de um processo colaborativo. A próxima etapa vai envolver um trabalho em mesas que, ainda este ano, irá desenhar e viabilizar a implementação de protótipos.  Em 2021, será a fase de implementação inicial dos projetos, fornecendo os subsídios necessários às ações de 2022, quando as intervenções que se mostrarem sustentáveis e sistêmicas serão aceleradas e escaladas para beneficiar o maior número possível de jovens em situação vulnerável, na cidade de São Paulo. 

Para obter mais informações sobre o programa O Futuro É Jovem e a rede colaborativa que o fará acontecer, entre em contato com: daniela@unitedwaybrasil.org.br ou ofuturojovem@gmail.com

Competências para a Vida: programa é reconhecido como oportunidade na pandemia

Jovens e mentores do programa da United Way Brasil avaliaram a iniciativa e afirmaram que a experiência realizada no primeiro semestre trouxe perspectivas e confiança sobre o futuro, apesar da Covid-19

A juventude foi amplamente impactada pela pandemia, especialmente os grupos das periferias. Mesmo antes da Covid-19, essa população enfrentava diferentes desafios: escolas nem sempre acessíveis ou com ensino de qualidade, dificuldade de transitar pela cidade, devido às distâncias e a escassez de recursos, falta de oportunidades de emprego digno… Todas essas questões foram ampliadas durante o isolamento social. Além disso, muitos jovens não contam com um ambiente familiar saudável. 

Vivenciar o isolamento social, e todas as suas consequências, em uma fase da vida em que sonhos, planos e esperanças movem o indivíduo, é experimentar, para muitos, um “banho de água fria” nas expectativas de presente e futuro. 

Consciente dessa realidade, o Programa Competências para a Vida (para jovens de 16 a 25 anos), da United Way Brasil, passou de um modelo de intervenção híbrido (reuniões formativas presenciais e a distância) para o formato digital. Nessa configuração, os conteúdos, pensados especialmente para a juventude, são discutidos por meio de encontros on-line com mentores e educadores.

O foco das ações é apoiar o jovem neste momento complexo para que, no lugar de se sentir isolado e sem perspectivas, possa repensar seus propósitos e estabelecer caminhos para um plano de vida. Isso significa dar sentido ao isolamento social a fim de que se torne uma oportunidade de fortalecimento e não um tempo de insegurança e ansiedade. Essa forma de encarar a pandemia, intenção do programa, foi reconhecida pelos participantes em uma avaliação feita com os jovens.

Já para os mentores, profissionais das empresas parceiras da United Way Brasil, que dedicam tempo e conhecimento à causa de forma voluntária, a experiência trouxe vários aprendizados. Segundo eles, poder rever suas trajetórias, a maioria semelhante às dos jovens, e valorizar as conquistas obtidas até então, fez toda diferença. Esse autorreconhecimento não só fortalece a autoestima dos profissionais, como é uma referência positiva para os jovens mentorados, que percebem a importância da resiliência e da paciência para avançar na conquista de seus objetivos. 

Principais resultados da avaliação

A turma que participou do Programa Competências para a Vida, no primeiro semestre de 2020, é formada por 46 jovens, na faixa de 17 a 24 anos, atendidos pelos programas sociais da Associação União da Juta (Sapopemba, em São Paulo) e Fraternidade Santo Agostinho (Jundiapeba, em Mogi das Cruzes). 

Dos participantes, 68% são do sexo feminino (25% são mães), 66% declararam-se negros, 27% estão estudando, 73% não trabalham, 55% estão sem trabalho e não estudam.

Da totalidade dos jovens, 70% vivem em famílias com renda familiar de até dois salários mínimos.

Quando a mentoria foi iniciada, 44% dos jovens queriam arrumar um emprego só para pagar as contas. Ao final do processo, essa porcentagem caiu para 29%. Trabalhar em uma atividade de que goste era o objetivo de 21% dos participantes, antes de iniciar as mentorias. Após a experiência, essa porcentagem aumentou para 32%, indicando que a autorrealização passou a ter maior peso nos seus planos de vida.

Sobre a experiência nesses meses de mentoria, os 100% dos jovens disseram que saíram dela fortalecidos, com uma melhor autoestima, mais confiantes sobre suas capacidades. Também foram unânimes em afirmar que o programa os ajudou a pensar no futuro e em metas, para além da pandemia. Já 97% afirmaram ter adquirido novos conhecimentos e que participar do programa irá ajudá-los a conseguir emprego. “O programa me ajudou muito a pensar no futuro novamente, coisa que eu havia parado de pensar. Me fez sonhar outra vez, e desejar ser alguém na vida outra vez”, revelou um dos jovens, na pesquisa.

Os mentores, colaboradores das empresas Lilly, PwC e Morgan, também responderam a uma pesquisa: 96% deles disseram que não só indicariam o Programa Competências para a Vida a um amigo como também participariam dele novamente. A maioria, 88%, acredita que esse trabalho voluntário com os jovens ampliou sua consciência social e a reflexão de como contribuir para minimizar as desigualdades.

Ouvir os jovens e fazer as atividades propostas levou muitos mentores a revisitar suas vidas, suas trajetórias e repensar o posicionamento no trabalho.

Para o segundo semestre, o programa vai avançar, atendendo 100 jovens da Associação Pró-Morato (SP), dos coletivos Vila Rica e Cabo, em Recife (PE), e de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, que contarão com sessões de mentoria com 65 profissionais voluntários de empresas parceiras.

Campanha quer engajar pessoas e empresas nas causas da primeira infância e juventude

A United Way Brasil lança o Relatório de Atividades do primeiro semestre com campanha para ampliar a abrangência de sua atuação junto a crianças e jovens.

O Relatório 2020 – Jan-Jun traz as realizações coletivas empreendidas pela United Way Brasil e seus parceiros, no primeiro semestre.

O destaque são as ações emergenciais de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica para o enfrentamento da Covid-19 e a realização da primeira live internacional “Desigualdades e pandemia”, com a participação de Graça Machel, uma das maiores ativistas negras do mundo, e o apresentador, empreendedor e filantropo Luciano Huck.

O documento traz, também, os primeiros resultados do ano dos programas Crescer Aprendendo (focado na primeira infância) e Competências para a Vida (voltado aos jovens), que migraram para o formato digital, respondendo às demandas do distanciamento social, causado pela pandemia. Participantes das iniciativas compartilham, nas páginas do relatório, depoimentos sobre essa nova experiência e os impactos em suas vidas.

Juntos podemos mais

A publicação marca o início de uma campanha de captação de recursos para ampliar o atendimento às famílias e aos jovens nesta fase de ampla crise. Até o final do ano, a expectativa é atender 5 mil famílias com crianças de 0 a 6 anos, por meio do Crescer Aprendendo, e mil jovens que necessitam de apoio para construir seus projetos de vida (Programa Competências para a Vida). 

A campanha, que conta com a parceria de empresas, envolve todo o ecossistema das corporações, com diferentes etapas de sensibilização e conscientização sobre a importância das causas para o enfrentamento das desigualdades sociais.

Peças de comunicação especialmente pensadas para a ação convidam desde os executivos e os colaboradores até a população em geral a participarem da campanha. As peças são disseminadas pelas ferramentas de comunicação interna e externa das corporações e pelas páginas da United Way Brasil nas redes sociais.

Esse amplo movimento tem como objetivo mitigar os efeitos da pandemia nas populações mais suscetíveis. Além da solidariedade, a campanha quer apontar saídas eficazes e competentes para quebrar ciclos de pobreza e formar gerações mais preparadas aos desafios do século 21.

Conheça os avanços alcançados pelas parcerias da United Way Brasil no primeiro semestre, clicando no link do Relatório de Atividades: link

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O combate à violência sexual contra crianças e jovens passa pelas empresas

Para muitos, o tema é indigesto. No entanto, é extremamente importante, porque atinge a base de nossa sociedade, comprometendo – e muito – o presente e o futuro de todos nós.

A United Way Brasil tem como foco de suas ações duas fases primordiais da existência humana: primeira infância e juventude. Uma das questões a qual se dedica para apoiar o desenvolvimento integral de crianças e jovens é a garantia de direitos, o que engloba o urgente combate à violência, seja ela física, psicológica ou sexual.

Com relação a esta última, que envolve o abuso e a exploração, ainda existe uma grande resistência da sociedade em olhar para o problema e encará-lo de frente. Precisamos mudar isto. Não podemos aceitar o fato de o Brasil ocupar o segundo lugar no ranking de países com maiores números de exploração sexual infantil (sexo em troca de dinheiro ou de algum benefício).

Dados recentes, pré-pandemia, apontavam que, a cada hora, três crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual (estupro e comportamentos abusivos dos adultos) no país, no entanto, acredita-se que só um em cada dez casos é reportado, ou seja, os índices são bem maiores.

Com o evento da Covid-19, esses números tendem a crescer. Sem ter a quem recorrer, muitas crianças e muitos jovens acabam convivendo todos os dias, por 24 horas, com os abusadores. Outro aspecto é o maior tempo plugado na internet, que oportuniza a pornografia infantil e a exposição às ameaças de quem está do outro lado da tela.

A falta de empregos e o agravamento da crise econômica impacta em cheio famílias que já sofriam com a escassez de recursos, antes da pandemia. Provavelmente, os casos de exploração sexual vão aumentar – 320 crianças e jovens já eram explorados sexualmente a cada 24 horas, antes do isolamento social. 

A preocupação tem razão de ser. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Serra Leoa, na África, a epidemia do Ebola, entre 2014 e 2106, elevou sensivelmente os índices de diferentes violações, como o trabalho infantil, o abuso sexual e casamento infantil. 

O papel do empresariado 

Não olhar para o tema elevará o custo social que todos já pagamos por conta da omissão. Os problemas de saúde física e mental causados pela violência, tratados pelo sistema público, inflam os gastos públicos; a violência em todos os níveis só tende a aumentar, já que os abusados, muitas vezes, buscam no álcool e nas drogas algum “conforto” ou são levados a consumi-los pelos abusadores. Outro problema é que meninas e meninos nessa situação acabam por abandonar a escola. Garotas ficam grávidas e muitas vivem sozinhas e precisam sustentar seus filhos. Outra parte delas se junta a um parceiro violento e outra, ainda, entrega a criança para o sistema, que nem sempre consegue cuidar da criança da maneira que ela precisa para se desenvolver plenamente, mesmo investindo uma quantia razoável de recursos públicos para sustentá-la. 

“Costumo dizer que a violência sexual contra a criança e o adolescente é uma ‘epidemia’.  Acabar com ela ainda não é uma demanda social, infelizmente. Sem essa demanda, sem a pressão que a sociedade exerce, as políticas públicas não acontecem. A sociedade precisa entender que abuso e exploração sexual de crianças e jovens perpetua o ciclo da pobreza, afetando a todos, direta ou indiretamente. Acredito que o empresariado é um pilar da sociedade essencial no combate à violência. Existem 2 mil pontos mapeados, nas estradas federais brasileiras, em que a prática da exploração sexual acontece. Quantas empresas têm suas plantas à margem dessas rodovias?”, ressalta Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta

Os focos de exploração sexual são vários, como hotéis, resorts, empreendimentos de construtoras, portos e empresas de transportes. Por isso, a importância de as empresas investirem em recursos e ações para mitigar a violência no entorno de suas sedes e nas comunidades onde atua. “O empresário tem de entender que ele precisa estar lá, porque ele e toda a sociedade pagam essa conta”, reforça Luciana.

Mas como fazer isso? “Por meio da educação, da conscientização. Temos de mudar a cultura permissiva que vê nesse tipo de exploração algo natural, que faz parte. Não é à toa que somos a quarta nação com maiores números de casamento infantil, em pleno século 21”, completa Luciana. 

Para ela, programas e campanhas que apostam na formação das famílias, na educação sexual nas escolas, que empoderam meninas, as principais vítimas, que tratam o tema com a população em geral tendem a ser eficientes. “Precisamos vencer preconceitos e acabar com o silêncio da sociedade diante de tamanho absurdo. As empresas podem investir na formação de seus colaboradores, da comunidade do entorno onde crianças e jovens vivem”, finaliza Luciana.

A United Way Brasil acredita no impacto coletivo, ou seja, que várias mentes e mãos se unam para combater um problema social com soluções inovadoras e eficientes a cada público a que se destinam. Por meio dos programas Crescer Aprendendo (primeira infância) e Competências para a Vida (juventude) essa atuação conjunta tem acontecido, mas o desafio de vencer a violência sexual é enorme e precisamos de mais aliados. E se a gente se unir?

Mentorias: estratégia que prepara os jovens para os desafios do século 21

Iniciativa que ajuda os jovens a organizar o presente e projetar seus sonhos de futuro, a mentoria é um recurso utilizado no Programa Competências para a Vida. Confira o que pensam mentor e mentorados sobre essa experiência.

Antes da pandemia revolucionar nosso cotidiano, os jovens do Programa Competências para a Vida participavam de formações presenciais e mentorias a distância, para construírem novas visões sobre si, sobre o outro e seus projetos de vida pessoal e profissional.  O isolamento social demandou novas estratégias para que essas práticas pudessem ter continuidade, mesmo que a distância. Por isso, a mentoria on-line foi adotada como meio único de propiciar momentos de formação tão essenciais a esse público.

Nas sessões, os jovens mentorados foram convidados a definir objetivos para si. Depois, com o apoio do mentor, elaboraram um plano de ação com iniciativas que pudessem levá-los a conquistar tais objetivos. Por fim, cada um escreveu uma carta ao futuro, deixando uma mensagem de como quer se ver daqui a cinco anos.

Esse trabalho conjunto, entre jovens e mentores, traz descobertas para ambos os lados. Compartilhar incertezas e perceber que, apesar de tudo, é possível chegar aonde se quer, traz um novo “gás” aos jovens que têm muito a contribuir para mudar realidades. Do outro lado, os mentores, profissionais voluntários das empresas parceiras do programa, são levados a rever sua história e se dar conta do quanto avançaram. Além disso, por servirem a uma causa, identificam-se com a garra e a força dos mentorados, fortalecendo a esperança em tempos melhores.

Respeitar o tempo para chegar aonde se quer

Antônio Donizete Evangelista de Souza trabalha na Lilly e é mentor voluntário do Programa Competências para a Vida há três anos. Ele participou da formatação original do programa, com sessões presenciais e on-line, e agora atua na versão a distância.  

Nas conversas, ele parte de sua história pessoal e profissional para integrar o grupo. Para Donizete, mostrar aos mentorados semelhanças nas trajetórias de suas vidas favorece o vínculo entre eles. “Um dos assuntos que reforço muito é a importância de não largar a escola e aproveitar o conhecimento para escalar desafios simples da vida, como dominar elementos de comunicação e oralidade. São estas competências que os ajudarão a interagir com outras pessoas”, acrescenta. 

Homem posando para foto em frente a água</p>
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Antônio Donizete: “Buscamos ajudar 

os jovens a não cometerem os mesmos

 erros que nos assombraram em momentos

 de vulnerabilidade”

Ele também conta que vivenciou um momento especial na mentoria: “Recebi uma carta do futuro, por e-mail, de uma jovem escolhida pelo programa aleatoriamente. Ela dizia que, em cinco anos, ia trabalhar para não ter a dor como sua companheira. Essa carta me emocionou muito, porque revisitei minha história e meus medos no passado. Por isso, na mentoria, buscamos ajudar os jovens a não cometerem os mesmos erros que nos assombraram em momentos de vulnerabilidade”, conclui.

Suelen Bento de Souza, 21 anos, de Sapopemba (SP), é mãe de Pietro Moisés, de 1 ano e 6 meses, e faz parte do grupo de jovens que participou das formações on-line.

“A mentoria ajudou a me conhecer mais, a ter uma nova visão sobre o futuro e a acreditar em mim. Quero me tornar uma liderança na minha comunidade e apoiar outros jovens para que tenham um trabalho, estudem e realizem seus projetos de vida”, conta a jovem. 

Suelen, 21 anos: “Na mentoria aprendi 

a respeitar o próprio tempo”

Para Suelen, a ansiedade característica do jovem muitas vezes acaba por gerar inseguranças sobre as próprias capacidades. Diante de dificuldades, essa incerteza tende a sabotar projetos. “Na mentoria aprendi a respeitar o próprio tempo. Com um filho pequeno, e agora mãe solo, não tenho como frequentar a faculdade. Então, vou fazer um curso técnico em química e, no momento certo, cursar a faculdade de Engenharia Química, que é meu sonho. Os mentores também passaram por muitas dificuldades e estão onde estão hoje. Então, eu também posso chegar aonde quero.”

A jovem mãe sabe que terá um caminho de lutas pela frente, mas não vai desistir: “O maior desafio a ser vencido na busca por um emprego é o preconceito. Se é mulher, não pode. Se é mãe, não pode. Se é negra, não pode. Se mora na periferia, não pode. Porque eu sei que consigo estudar, ter os diplomas e os recursos para me tornar uma boa profissional, mas meu perfil não condiz com o que as empresas procuram. A carta do futuro me ajudou a organizar as coisas. A separar o que é sonho e o que é fantasia”, define Suelen.

Wallerson Bassôto Rodrigues, 18 anos, de Mogi das Cruzes (SP), não acreditava em formações a distância. Para ele, era perda de tempo: “Como estava em casa sem fazer nada, decidi participar. Minha opinião mudou muito desde então. Com as pessoas certas é possível, sim, apender”.  Ele acredita que as sessões caíram como uma luva: “Acabei o Ensino Médio e estou na fase de escolher qual faculdade fazer, de ter de trabalhar. Sentia-me inseguro, perdido. Mas percebi que o que estou vivendo é a realidade de muitos e conversar com outros jovens e com o mentor ajudou a entender como lidar com essas questões”.  

Com a pandemia, Wallerson estava sem perspectivas, sem saber o que fazer com o tempo em casa, até ingressar no programa: “Foquei nas atividades propostas, como a carta do futuro. No curto prazo vou procurar trabalho. No médio prazo, quero cursar faculdade de Farmácia, para ter bastante conhecimento sobre química e, mais para frente, cursar a faculdade de Biologia, já com essa bagagem”, explica.

Wallerson, 18 anos: “Os mentores 

são inspirações para nós”

Outra desconfiança, quando participou da primeira sessão, foi saber que os mentores eram jovens. O que teriam a ensinar com pouco tempo de trajetória profissional? “Novamente me enganei”, confessa e complementa: “Eles não só tinham muita experiência para compartilhar como também sabiam conversar com a gente e entendiam nossas questões, porque passaram recentemente pelo que estamos passando. Os mentores são inspirações para nós”.

Programa “O Futuro é Jovem” chega a São Paulo

Iniciativa reúne diferentes atores para tornar São Paulo uma cidade onde os jovens tenham oportunidades de trabalho e renda dignas.

“O Futuro é Jovem” (adaptação em português para Global Opportunity Youth Network – GOYN) é uma iniciativa do Aspen Institute, implementada em seis cidades no mundo, com o objetivo de fazer a inserção produtiva de jovens (15-29 anos) em situação de vulnerabilidade social por meio do trabalho digno e do empreendedorismo. Esse processo de impacto coletivo procura responder aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, com destaque ao objetivo 8: “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.”

Na cidade de São Paulo, a iniciativa é articulada pela United Way Brasil que está catalisando atores importantes dos três setores para o desenho das intervenções sistêmicas. Todo o trabalho tem como alicerce a participação ativa dos jovens e se baseia em evidências, levantadas pela Accenture Development Partnership. As organizações Accenture, Instituto Coca-Cola, JP Morgan, Fundação Arymax, Fundação Telefônica e Em Movimento formam o Comitê Gestor, que apoia a tomada de decisões para a execução do projeto.

“O Futuro é Jovem” na prática

O primeiro passo para a implementação do programa, em 2020, envolve mapear o ecossistema e desenhar um plano de trabalho para os próximos cinco anos, com ações de intervenção pensadas para 2021.

O segundo passo, também em 2021, foca a elaboração de protótipos de projetos, que serão analisados e ajustados para fornecer conhecimentos e experiências ao último passo, em 2022, quando as intervenções que se mostrarem sustentáveis e sistêmicas serão aceleradas e escaladas. Importante ressaltar que, em todas as etapas, os jovens selecionados estarão ativamente envolvidos, participando da construção e da tomada de decisões, com o apoio do Comitê.

Os jovens serão selecionados por meio de critérios de diversidade: gênero, território, orientação sexual, experiências, condições e vivências de trabalho e estudo. Esse grupo passará por uma formação nos próximos dois meses, unindo-se aos demais atores do projeto a partir de julho-agosto.

Nesta primeira etapa, a United Way Brasil convida empresas, organizações da sociedade civil e governo a fazerem parte desse ecossistema, contribuindo e participando das decisões que irão impactar a vida presente e futura de jovens, até então, sem perspectivas.

Uma ação que também irá ajudar a enfrentar diferentes desafios, responsáveis por profundas desigualdades que geram problemas como violência, pobreza, falta de mão de obra especializada, dentre outros componentes que definem a qualidade do capital humano de um país.

Então, vamos juntos? Entre em contato para saber mais: daniela@unitedwaybrasil.org.br

Mentoria on-line é oportunidade para formação de jovens na pandemia

O programa Competências para a Vida passou por adequações com o objetivo de atender jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica no cenário do isolamento social a fim de que continuem motivados e focados em seus projetos de vida e em um futuro melhor.

A realidade imposta pela pandemia tem afetado todos nós. Os jovens, cheios de planos de futuro, também são vítimas desse momento complexo e sentem que seus projetos de vida estão ameaçados. Essa sensação aflige, especialmente, a juventude das regiões socioeconômicas mais vulneráveis. Embora essa população já enfrente muitos obstáculos, como a falta de acesso a bens públicos e a direitos que deveriam ser para todos, a escassez de oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional se configura como um desafio ainda maior nestes tempos de crise.

O programa Competências para a Vida, realizado pela United Way Brasil em parceria com empresas e organizações, sempre pautou suas ações para apoiar o jovem na descoberta de habilidades, desenvolvimento de competências e construção de um projeto de vida que contemple sua realização pessoal e profissional. Para isso, lança mão de encontros presenciais e mentorias a distância como espaços de formação. Mas chegou o coronavírus e, com ele, a necessidade de migrar todas as ações do programa para a versão digital.

Jovens plugados no presente para escrever o futuro

Com o advento da Covid-19, a United Way Brasil (UWB) redesenhou o programa Competências para a Vida com o objetivo de amenizar os impactos da pandemia na vida dos jovens, mantendo a motivação, o foco nos estudos e no desenvolvimento dos seus planos de vida. Para isso, estruturou formações por meio de mentorias virtuais, mediadas por psicólogos, educadores, especialistas em juventude, em comunicação e em tecnologias digitais, além de mentores, que são profissionais voluntários das empresas parceiras da UWB.

Os encontros, realizados on-line, têm como propósitos dialogar sobre dificuldades pessoais, colocar os jovens em contato com o mundo corporativo e do trabalho, com ferramentas que auxiliam a planejar suas vidas e inspirá-los por meio das experiências profissionais dos mentores.

Em 2020, o programa quer envolver mil jovens e disponibilizar meios para que possam participar dos encontros virtuais (computadores e 4G). Neste primeiro momento, as reuniões estão acontecendo com 50 jovens e 41 mentores voluntários das empresas Lilly, Morgan Stanley e PwC.

Para fazer parte da iniciativa, os mentores passam por uma formação ministrada pela United Way Brasil e a Learn to Fly e são acompanhados durante todo o processo a fim de sanar dúvidas em tempo real. Também recebem um kit para orientá-los na condução das conversas.

Os jovens selecionados frequentam os coletivos da parceria United Way Brasil e Instituto Coca-Cola, localizados na Grande São Paulo (Jundiapeba, em Mogi das Cruzes, e Sapopemba, em São Paulo).

Diante do atual cenário, o programa se torna essencial e a pandemia não deve ser vista como um obstáculo, mas, sim, como fator de mobilização e de novas articulações em favor da causa, porque o futuro dos jovens não pode esperar.

Empresas e primeira infância: tudo a ver

A United Way Brasil (UWB) tem se dedicado, cada vez mais, a envolver diferentes atores para encontrarem, juntos, soluções efetivas e sustentáveis aos problemas que afetam o desenvolvimento infantil, especialmente na fase da primeira infância (0 a 6 anos). Essa mobilização está diretamente relacionada ao conceito de impacto coletivo – diferentes setores sociais atuam por uma mesma causa relevante a fim de alcançar objetivos comuns -, o modus operandi da United Way no mundo todo.

Um dos atores desse ecossistema são as empresas, que representam o que chamamos de segundo setor (o primeiro é o poder público e o terceiro são as organizações da sociedade civil, como a UWB). Sua relevância à causa é indiscutível e por isso se tornou foco de iniciativas da United Way.

No Brasil, em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a UWB e a Rede América Latina realizaram, em 2017, o Estudo Empresarial sobre Investimento Social em Desenvolvimento da Primeira Infância, com participação de 136 empresas de 6 países. Em 2018, junto à Great Place to Work, a UWB e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal criaram uma cartilha com orientações de como pensar em políticas corporativas, voltadas à primeira infância, como as licenças-maternidade e paternidade estendidas, e o que essas ações trazem de retorno para os envolvidos (como motivação da equipe e o consequente aumento de produtividade). Em 2019, essa mesma parceria criou uma categoria no prêmio Melhores Empresas para Trabalhar com o objetivo de reconhecer as corporações que adotam iniciativas nesse sentido.

Um guia de indicadores de primeira infância

Com o objetivo de mobilizar outras empresas, independentemente do tamanho que possuam, a United Way Brasil e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal estão elaborando um guia, alocado em uma plataforma on-line. Nele estarão disponibilizados indicadores de primeira infância para as corporações identificarem iniciativas que contribuam ao pleno desenvolvimento das crianças nos primeiros anos de vida.

Ainda em construção, a plataforma prevê ações organizadas em temas centrais, como: licenças, auxílio financeiro, orientação parental, apoio a instituições que tratam do tema, aleitamento materno etc.

Cada corporação poderá optar por temas, e respectivas iniciativas, que estejam conectados à realidade de mães, pais e demais familiares de crianças pequenas – os colaboradores da empresa.

Uma empresa de tecnologia e outra do ramo de alimentação para pets aceitaram o convite para realizar um projeto-piloto, acrescentando ao que já fazem algumas iniciativas do documento. Dessa forma, será possível monitorar e avaliar os avanços que as ações podem trazer não só para o público a que se destinam (especialmente gestantes, mães e pais), mas também à comunidade do entorno e à própria empresa, que irá reter novos valores a sua marca, como credibilidade, responsabilidade social, reconhecimento pela equipe e pela comunidade ao redor, dentre outras.

A plataforma será lançada em breve. Até lá, acompanhe as páginas da United Way Brasil nas redes sociais e as notícias que compartilhamos por aqui.

Empresas e jovens profissionais: é preciso melhorar esse diálogo

A antiga crise econômica, ampliada pela pandemia, não é a única responsável pela difícil inserção dos mais jovens no mercado de trabalho. Há muito tempo a juventude das periferias enfrenta essa exclusão, mas por outros motivos.

Baixa escolaridade, fragilidade da formação educacional, longas distâncias entre periferia e centros urbanos, falta de recursos econômicos e preconceitos. Estes são os principais problemas enfrentados pela juventude brasileira que mora no entorno dos grandes centros econômicos.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2011), o percentual de jovens entre 15 e 24 que fazem parte do mercado de trabalho, diminuiu de 57,7% em 2001 para 53,6% em 2011, diferentemente da taxa de atividade da população em geral, que permaneceu relativamente estável nesse período.

O contingente de jovens é o maior que o Brasil já teve, somando 47,3 milhões de brasileiros com 15 a 29 anos. É justamente entre eles que as desigualdades de renda aumentaram nos últimos cinco anos (Pnad-2019).

Em grande parte dos casos de inserção precoce no mercado, os jovens acabam alocados em postos precários em que as chances de crescimento profissional quase inexistem.

A escola, que deveria melhor prepará-los para uma vida profissional ativa, está ainda distante disso, embora tenha obtido alguns avanços nos últimos anos, no Ensino Médio. Segundo a pesquisa Juventude, Educação e Projeto de Vida (Plano CDE e Fundação Roberto Marinho), questões como desorganização, falta de infraestrutura, existência de bullying, violência e preconceito, aulas monótonas, materiais didáticos ruins são alguns dos empecilhos que os jovens apontam para não se sentirem estimulados a estudar. Obstáculos que acabam prejudicando não só a formação para o mundo do trabalho como a permanência do jovem na escola.

Como país, ainda estamos longe de inserir a mão de obra jovem no mercado de trabalho. Políticas públicas se mostram pouco eficientes nesse sentido diante da urgente demanda. Por isso, o papel das organizações da sociedade civil, que fazem a ponte entre a juventude das periferias e as empresas, buscando essa inserção, tem se tornado essencial para mudar o cenário.

Desafios para garantir o primeiro emprego

Muitas empresas se mostram interessadas em abrir espaços para os jovens nos seus quadros de colaboradores. No entanto, ainda existe um descompasso entre o que elas querem e o que os jovens têm a oferecer.

O primeiro obstáculo, que acaba barrando uma boa parte dos candidatos, é o conhecido ‘CEP’: “A distância da casa do jovem até a empresa parece ser intransponível para aqueles que contratam”, explica Elaine Souza, assistente social e coordenadora geral de projetos no Brasil da organização social Viração, parceria da United Way Brasil. Para ela, é preciso entender que a conjuntura estrutural da cidade foi concebida com base em um processo social que excluiu as periferias do dia a dia dos grandes centros. “O CEP coloca os jovens nesse lugar, no lado de fora”, complementa.

Para ela, outras questões antigas, que ainda influenciam muito a escolha dos profissionais para uma vaga, são a cor da pele e o gênero. “Mulheres jovens, negras, da periferia são as que encontram maior dificuldade de inserção”, afirma Elaine.

Um aspecto alegado nas seleções de diferentes RHs para não contratar jovens é a falta de experiência anterior. “Acho que é preciso melhorar esse diálogo entre a empresa e o jovem para entender quais habilidades ele possui. O que vejo nas periferias, especialmente onde o Viração atua, no Grajaú (SP), é um lado empreendedor bastante ativo dos jovens do território. Eles acabam empreendendo porque percebem o quanto é difícil entrar no tradicional mercado de trabalho”, explica Elaine.

Para Benigna Alves Siqueira, Coordenadora Pedagógica da Associação Pró-Morato, em Francisco Morato (SP), parceira da United Way Brasil, existem faixas etárias na juventude que sofrem ainda mais com o desemprego. “A realidade do jovem da periferia é muito diferente, por exemplo, da do jovem da classe média. Aos 15 anos, ele sofre a pressão da família para colaborar com as finanças da casa. Essa faixa de idade é a que menos consegue emprego nas empresas, que buscam por jovens mais velhos”. E complementa: “Aos 18 anos, muitos deles já moram sozinhos ou são pais e têm de dar conta de demandas de adultos”.

Benigna também acredita que, em algumas situações, existe uma desconexão entre empresa e o jovem da periferia. “Já encaminhamos dezenas de jovens para uma vaga. Nenhum foi aceito e eu sei que naquele grupo existiam ótimos candidatos, com grandes potenciais. As empresas poderiam considerar que o jovem que mora longe dos grandes centros vive uma realidade diferente por uma série de circunstâncias. Muitos deles têm dificuldades para falar o português corretamente, têm vícios de linguagem, de postura… questões contornáveis, que a empresa pode trabalhar e mudar, porque esse jovem traz diferenciais que muitos não têm: vontade de fazer parte, desejo de superação, resiliência… São pessoas que lutam todos os dias para vencer desafios”, afirma a pedagoga.

Para ela, é preciso que as empresas revejam a abordagem, incluam a exclusão econômica no campo das diversidades e possam, a partir daí, adequar as seleções de RH para que façam sentido ao jovem. “As corporações têm muito a ganhar. Esses jovens são os mais motivados, porque desejam virar o jogo da realidade difícil de suas famílias”, conclui.

Investir em treinamentos, em mentorias, em vivências cotidianas com outros profissionais para compartilhar experiências, também são maneiras de preparar esse jovem para os desafios do trabalho.

A United Way Brasil, com seus parceiros, realiza o programa Competências para a Vida, cujo objetivo é justamente apoiar os jovens no seu projeto de vida e na carreira profissional. Isto porque acredita que a juventude é um dos pilares essenciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento do país, assim como representa uma das forças mais ativas e criativas no combate às desigualdades.

Covid-19: cuidar dos jovens para que cuidem da sociedade

Os números de contaminação por coronavírus no Brasil, compartilhados pelos boletins oficiais diários, mostram que as populações menos afetadas pela pandemia são as crianças e os jovens. Mas será que a despreocupação da juventude com a doença pode ser um problema para as demais faixas etárias?

No mundo, em países que os picos da contaminação já foram vivenciados ou estão acontecendo agora, o quadro é menos otimista: segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca dos 20% de infectados que precisam de internação têm entre 20 a 44 anos, sendo que 12% desse grupo precisou de UTI. Pensando em números absolutos, a quantidade de jovens que correm risco não é pequena. Para aqueles que ainda apresentam doenças pré-existentes, como diabetes, patologias do sistema respiratório, problemas cardíacos e obesidade, a realidade é mais preocupante.

Na França, um outro exemplo, dos quase 14 mil casos confirmados em 20 de março, 30,6% tinham entre 15 e 44 anos, sendo que, de uma amostra de 362 pessoas internadas na UTI, 8% eram dessa faixa etária e mais da metade não tinha fator de risco conhecido.

Portanto, é preciso que a sociedade brasileira também se preocupe com a geração jovem e ajude a conter a contaminação, especialmente porque boa parte das pessoas nessa etapa da vida não apresenta os sintomas, mas pode transmitir a doença para os grupos de risco.

Momento de exercer a cidadania

O fato de a comunicação sobre a pandemia reforçar todos os dias que a doença atinge, em sua maioria, indivíduos com mais de 60 anos pode favorecer a despreocupação de uma parte dos jovens com relação à orientação do isolamento social.

No entanto, este é o momento de mostrar à juventude que ela tem um papel essencial no controle da contaminação. Ou seja, ficar em casa previne que transmita o vírus a quem não pode ser contaminado de jeito nenhum (avós, pais, tios…). Este é um ponto.

Outro ponto é manter-se isolado também para a autopreservação mas, se for sair, que respeite as regras de autocuidado (uso de máscaras, luvas, higienização das mãos, distanciamento etc.) e utilize esse momento para ajudar aqueles que não têm como sair de casa (idosos e pessoas com doenças pré-existentes).

As redes sociais e matérias veiculadas pela imprensa têm mostrado atitudes empáticas de jovens que se oferecem para fazer compras, ir à farmácia, levar ou buscar alguma encomenda para os que compõem os grupos de risco. Essa maneira de usar certa imunidade ao desenvolvimento da doença pode promover a postura cidadã e comprometida com o coletivo, preparando esses jovens para outras situações em que seu papel ativo também seja importante, tanto quanto é na pandemia.

A United Way Brasil atua com a juventude, por meio do programa Competências para a Vida, porque acredita ser essencial fortalecer valores e ajudar os jovens a construírem um projeto de vida em que o olhar para a coletividade esteja contemplado e faça parte do dia a dia de cada um.

Portanto, conversar com os jovens, passar informações fundamentadas sobre o Covid-19, é uma maneira de contribuir para que uma expressiva parcela da população, essencial à sustentabilidade presente e futura do país, possa não só ser preservada como também ajudar a fortalecer o bem mais preciso de uma nação: o seu capital humano.