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Voluntariado: estratégia para enfrentar as desigualdades sociais

“Como cidadãos organizados, temos de olhar para a nossa consciência e dizer: esta maneira de ser – e digo a maneira de ser indiferente –, de estar indiferente ao sofrimento do outro (…) é contra o reconhecimento de que todas as pessoas nascem iguais e têm os mesmos direitos, nem mais e nem menos direitos.”

Graça Machel, moçambicana, ativista negra e protagonista da independência de Moçambique e do Apartheid, em live realizada pela parceria United Way Brasil, P&G e Lear Corporation

O atípico momento, revelado pela pandemia e suas consequências, tem exigido mudanças estruturais na nossa forma de ver e estar no mundo, se quisermos sair disso tudo melhores, como uma sociedade mais saudável e humana.

Interessante pensar no caráter “democrático” da Covid-19: atinge todos e todas. Por outro lado, o mais inquietante é perceber que, por conta da desigualdade absurda em que estamos inseridos, os efeitos do vírus não seguem essa equidade. Os mais pobres e vulneráveis economicamente são os que têm suas chances de sobrevivência reduzidas quando são confrontados pelos efeitos do coronavírus e do isolamento social. Ou seja, além da maior probabilidade de se contaminarem, ainda sofrem com a falta de recursos para manter suas necessidades básicas. Porém, os impasses não param por aí. Temos que nos perguntar: o que fazer para apoiar quem está na base da pirâmide social e minimizar os efeitos nefastos da pandemia em suas vidas?

Voluntariado em tempos de isolamento 

Uma das vertentes do trabalho mundial da United Way é o voluntariado, especialmente com as empresas que nos apoiam e que direcionam recursos aos nossos programas sociais de primeira infância e juventude.

A pandemia nos colocou diante de um desafio: migrar as ações presenciais para o formato on-line. Fizemos essa mudança estratégica com os programas e, também, com o voluntariado. A situação acabou se transformando em oportunidade para ampliar o alcance de nossas iniciativas, via meios digitais. 

No que diz respeito ao voluntariado, criamos uma ampla estratégia para envolver os colaboradores das empresas nos nossos programas. 

As crianças do Crescer Aprendendo (voltado à primeira infância) serão impactadas por diferentes ações que começaram a ser planejadas em setembro. Desenhamos atividades que vão proporcionar aos pequenos momentos lúdicos, de brincadeiras, convívio familiar, criatividade e faz-de-conta, temas essenciais ao desenvolvimento saudável de toda criança, prejudicados pelos desafios que as famílias enfrentam atualmente.

Nossa equipe está capacitando os voluntários para contarem histórias, elaborar vídeos e participar de um dia especial, em rede, com centenas de crianças e suas famílias. 

Para a juventude, por meio do programa Competências para a Vida, o voluntariado acontece no formato de mentorias, que têm alcançado bons resultados tanto para os mentorados como para os mentores. O objetivo é dar aos jovens oportunidades de repensarem suas vidas pessoais e profissionais para além da pandemia, com suporte de quem já viveu essa fase da vida e, também, teve de vencer tantos desafios. Boa parte dos jovens desanimou e não vê como tocar seus projetos de vida e as mentorias apoiam nesta importante retomada.

Toda essa experiência e a nossa capacidade de articulação vêm mostrando que o voluntariado digital se configura não só como uma medida de urgência, mas como uma estratégia que veio para ficar, por ser segura, eficaz e escalável. As possibilidades de as pessoas colaborarem virtualmente junto às organizações sociais são amplas e incontáveis e abarcam qualquer cidadão que queira colaborar.

Voltando à indignação de Graça Machel, expressa no texto que abre este artigo, é muito importante não naturalizar ou se conformar com desigualdades sociais, porque são elas que agravam – e muito – os efeitos da pandemia.

Por isso, estamos abertos para discutir formatos e maneiras de atuar, especialmente na área de voluntariado digital. Vamos juntos? 

Live reúne empresas e jovens para dialogar sobre inclusão produtiva

Realizada pela Global Opportunity Youth Network (GOYN) do Brasil, no último dia 6, o encontro deu voz a diferentes atores do ecossistema produtivo, tendo como pano de fundo dados e evidências sobre a realidade das juventudes e as oportunidades de inclusão da cidade de São Paulo, além de propor uma ampla estratégia para unir as pontas de forma sistêmica e sustentável.

Gabriela Bighetti, diretora-executiva da United Way Brasil, abriu o evento, apresentando o Global Opportunity Youth Network (GOYN/O Futuro é Jovem, no País), sua missão, visão e os objetivos em São Paulo, uma das seis cidades dos cinco países onde o programa acontece (Colômbia, África do Sul, Quênia, Índia e Brasil).

O movimento atua pela inclusão produtiva das diferentes juventudes para que o desenvolvimento global, em todos os seus âmbitos, possa ser sustentável. Mas por que São Paulo? “De um lado, a cidade possui quase 800 mil jovens, com 15 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica que estão sem trabalho e/ou sem estudos. Do outro, temos uma infinidade de projetos de fundações familiares e empresariais, políticas públicas, startups e corporações que focam essa inclusão, mas nem sempre chegam aos que mais precisam de oportunidades. O papel do GOYN é reunir todos esses atores, que têm perspectivas diferentes sobre as juventudes, ou do lado da demanda ou do lado da oferta, para uma atuação colaborativa e coletiva, a fim de provocar uma mudança sistêmica e sustentável que responda ao desafio da inserir os jovens nesse ecossistema”, explanou Gabriella.

Em cada país, o GOYN seleciona uma organização-âncora para organizar sua atuação. No Brasil, a United Way é responsável por articular os diferentes atores, com o apoio do grupo gestor e parceria com empresas e organizações. “Trabalhamos juntos desde janeiro e, até agora, articulamos 60 instituições voltadas à educação formal, empreendedorismo, rede de formação técnica e de competências socioemocionais, organizações de pesquisa, advocacy e startups. Neste momento estamos na etapa do desenho de soluções. Nosso objetivo é incluir 100 mil jovens para que a iniciativa se torne sistêmica e escalável”, complementou Gabriella.

Para Vivianne Naigerborin, Superintendente da Fundação Arymax, que compõe o grupo gestor do GOYN no Brasil, o conceito de Inclusão produtiva ganha ainda mais relevância no atual contexto e abarca a inserção por meio do empreendedorismo urbano e rural e da empregabilidade, levando em conta os mercados mais promissores e as novas relações profissionais. “Um amplo estudo que a Fundação realizou no ano passado, em parceria com o Instituto Veredas, mostrou que temos hoje a maior força jovem disponível na história do País e que é preciso apoiar o jovem antes, durante e após a inserção, o que inclui métodos adequados de seleção e recrutamento, formação conectada à realidade das juventudes e detecção de talentos”.

Vagas que sobram versus alta do desemprego: dicotomia das desigualdades

Leonardo Framil, CEO da Accenture da América Latina, que também integra o grupo gestor, reforçou a importância dos dados e evidências para a tomada de decisões sobre o tema. Ampla pesquisa realizada pela Accenture detectou informações importantes que têm embasado as estratégias da ação em São Paulo. A cidade possui 2.7 milhões de jovens na faixa de 15 a 29 anos, com cerca de 810 mil em situação vulnerável, sendo que pouco mais de 47 mil estão empregados e têm nível superior completo. Pouco menos de 800 mil jovens estão sem trabalho e/ou sem estudo, sendo 70% deles moradores de bairros nos extremos leste e sul da cidade e 20% responsáveis pelos seus domicílios.

“Quando verificamos o perfil do primeiro emprego, temos uma preocupação adicional: grande parte desses jovens inicia a carreira em vagas impactadas pela automação. Esse dado é mais um fator que reforça o senso de urgência em atuar pela inserção desses jovens. Em contrapartida, as carreiras que mais aumentaram as demandas estão focadas na tecnologia, especialmente no pós-pandemia, mas não são as mais acessadas pelos jovens. Temos vagas que sobram, enquanto o desemprego permanece, porque não existe mão de obra especializada para preenchê-las. Essa dicotomia vai aumentar e se potencializar caso não ajamos coletivamente”, reforça Framil.

Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil, trouxe dados da iniciativa mundial, lançada pela ONU, em 2018, Generation Unlimited  (Um Milhão de Oportunidades, no Brasil), para corroborar a importância de se investir em ações coletivas que promovam uma mudança sistêmica de inclusão e permanência do jovem no mundo produtivo. Para ela, crianças e jovens são vítimas ocultas da pandemia e irão sofrer consequências de curto, médio e longo prazo por causa, por exemplo, do fechamento das escolas, que amplia o risco da evasão, assim como a falta de acesso à internet para manter os estudos a distância.

“É o momento-chave para garantir oportunidades de formação, educação formal, trabalho, inclusão digital. Por isso, o movimento Um Milhão de Oportunidades criará uma plataforma virtual para reunir, no mesmo espaço, quem busca a oportunidade e quem a oferece”, explica Florence.

Unir pontas para trabalharem juntas

Na última parte, o evento promoveu o diálogo entre as pontas do ecossistema produtivo. Ana Inez Eurico (28 anos) e Henrique Medeiros (20 anos), participantes do Núcleo Jovem do GOYN, compartilharam suas experiências e desafios. “A primeira questão é a do transporte, as distâncias. Sendo mãe, negra e da periferia, o recorte ainda é maior, como mostram as estatísticas. Como mãe, preciso acordar mais cedo, organizar a rotina dos meus filhos, além de pensar na volta do trabalho e na logística com as crianças. Outro aspecto são os estereótipos e o preconceito, como o de que a mulher negra da periferia é barraqueira, se veste mal, não tem postura. Na entrevista de emprego – aconteceu comigo – a gente se coloca de uma forma que quebra esses paradigmas e as pessoas se chocam. Isso é muito ruim em vários sentidos. Hoje vejo a inserção produtiva a partir de várias perspectivas, tanto como aluna de projetos e educadora social como participante da construção e viabilização de iniciativas de inserção”, comenta Ana.

Henrique ressaltou a potência dos coletivos e de como os territórios podem atender várias demandas das empresas. “Dados da Aliança Bike que mostram que 75% dos entregadores de aplicativos em São Paulo tem até 27 anos e 40% destes só cursaram o ensino fundamental, questões estruturais importantes para nos atentarmos. Os coletivos têm um grande papel nesse contexto, porque são espaços que nos ajudam a sonhar e viabilizar projetos. Com todo o avanço digital, o jovem não precisa mais perder duas horas para chegar ao trabalho. Temos nas periferias coletivos de educação, de comunicação, de designer, por exemplo. Podemos suprir muitas demandas das empresas com qualidade”, reforça.

Juliana, CEO da P&G no Brasil, acredita que este momento é um divisor de águas e, embora a crise sanitária e econômica traga uma pressão maior para a juventude em situação de vulnerabilidade, pode, também, gerar oportunidades, porque, segundo ela, a pandemia sensibilizou a sociedade e as empresas como nunca aconteceu antes.  “Na P&G, por exemplo, reconhecemos que ainda não temos a diversidade racial necessária em nossos escritórios. Grande parte das pessoas negras e pardas mora nas periferias, mas a tecnologia tem ajudado muito a aproximá-las. Os processos de recrutamento presencial eram uma primeira barreira para esses jovens. Durante a pandemia, mais do que dobramos a presença desses jovens nas seleções virtuais. Vimos que o inglês e outras questões estavam atrapalhando a inserção dos jovens. Criamos o programa P&G pra Você, que oferece curso de inglês e mentoria. Os resultados são excelentes e trazem benefícios a longo prazo para os jovens e para a empresa. É um exemplo simples que traduz uma parte do trabalho do GOYN, em garantir diversidade e equidade na inserção produtiva, o que é muito estratégico para nós. Esforços como esse podem me dar as pontes de contato e me fazer conhecer barreiras que eu não sabia que existiam para encontrar saídas que garantam a inserção produtiva dos jovens”, concluiu Juliana.

O GOYN no Brasil (O Futuro é Jovem) é gerido pelas seguintes instituições: Accenture, Em Movimento, Fundação Arymax, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Coca-Cola Brasil, J.P. Morgan e United Way Brasil (parceiro-âncora).

Confira a live completa no link: https://www.youtube.com/watch?v=zMAWasdzTos&t=22s
Faça parte do GOYN: daniela@unitedwaybrasil.org.br
Saiba mais: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/goyn/

Famílias interagem com especialistas em live sobre pandemia e comportamento da criança

No dia 24 de setembro, a convite do programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, Alexandre Coimbra, Daniel Becker e Maria Beatriz Linhares dialogaram sobre como os pais podem apoiar seus filhos neste momento da pandemia, sem perder de vista os limites, o uso moderado das telas e a calma com os comportamentos adversos das crianças.  

“Cuidar das crianças em tempo de pandemia: o papel da família” foi a primeira de uma série de lives que serão realizadas pelo programa Crescer Aprendendo, de primeira infância, da United Way Brasil.

A inciativa faz parte da estratégia de formação de quase 3 mil famílias em situação vulnerável de 12 cidades, em 4 estados, que recebem conteúdos diários sobre desenvolvimento infantil, por meio de grupos no WhatsApp.

Durante o evento, temas como a flexibilização com relação a limites e rotinas no isolamento social, eventos de birra e irritabilidade, briga entre irmãos, a forma como regular as emoções das crianças e dos adultos permearam a discussão. 

O estresse e cansaço dos pais e cuidadores também foram abordados com dicas de como não perder a paciência quando a criança tem um comportamento inadequado: sair de cena, respirar fundo, pensar um pouco e voltar mais calmo, chamando ao diálogo.

“As crianças podem não ter sido impactadas pela doença do vírus, mas foram impactadas em cheio no lado emocional. Elas estão sofrendo. Elas precisam brincar ao ar livre, perderam o contato com os amigos, com a escola. A gente pode falar com outro adulto para compartilhar nossas angústias. As crianças, não. Elas não conseguem se expressar. E aí regridem, voltam a fazer xixi na cuequinha ou calcinha, comem demais, ou não querem comer, sentem cansaço, fazem birra… Comportamentos que expressam o medo que está dentro delas. Primeira coisa é acolher essa criança. Ela pode e tem direito de sentir raiva, porque, no fundo, essa raiva é a angústia que ela sente. Brigar com ela não adianta. Nós somos os adultos. Nós podemos nos controlar, mesmo com raiva também. A melhor maneira de curar tudo isso é brincar e, se possível, ao ar livre”, explica o pediatra Daniel Becker.

Sobre a agressividade, especialmente entre irmãos, Beatriz Linhares explica: “Se a criança tem dois anos e está ali disputando um brinquedo, isso se chama agressividade instrumental. Os adultos têm um papel importante para ensinar a criança a compartilhar, a ser cooperativo. Mas a criança maior pode ter uma agressividade mais hostil, de querer agredir para machucar. De novo, os pais também têm um papel importante nesse momento, porque é hora de ensinar a se relacionar, mediando esse processo que a criança está exercitando. Aprender a se colocar no lugar do outro”.

Não rotule a criança

Uma das questões trazidas pelo público foi sobre a inquietação das crianças, que nesta fase estão mais agitadas e não param nunca, deixando os pais sem saber o que fazer. A agitação pode estar ligada à angústia que a criança sente com toda a situação atual. Alexandre Coimbra reforça que “muitas vezes queremos entender as angústias da criança e dar conta delas. É muito difícil que a gente entenda, o que gera angústia na gente. Por isso, não devemos guardar as nossas angústias. É importante buscar pessoas perto de você que você acha que podem te ajudar a entender seu filho, a não julgar seu filho, a não colocar um rótulo no seu filho, porque, na hora que a gente resolve uma angústia  com um rótulo – ‘ele é danado’, ‘ele é preguiçoso’ –, quando a gente coloca esses rótulos, a gente deixa de escutar a criança, a gente perde a curiosidade de entender que pessoa é aquela e o que está acontecendo com ela”. 

Durante uma hora, os especialistas puderam levar às famílias do programa e demais internautas informações importantes para qualificar a relação familiar, dentro de um contexto tão complexo imposto pela pandemia.

A interação do público com perguntas e comentários, tanto na página da United Way Brasil no Facebook como na do YouTube, mostrou não só o interesse pelo tema, mas como essas famílias precisam e querem apoio para zelar pelo desenvolvimento de seus filhos. Também denotou que elas se sentiram contempladas pelo evento, foram escutadas e puderam falar de suas dores, justamente porque os especialistas esmiuçaram questões cruciais de suas relações com seus filhos e filhas.

Durante a transmissão, 550 pessoas assistiram a live, sendo que, no Facebook, mais de 3.700 pessoas foram alcançadas, com 941 visualizações e 426 comentários. No YouTube, a live teve 2.500 visualizações.

O evento contou com o apoio das empresas parceiras do programa Crescer Aprendendo, Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower e 3M.

Para assistir ou rever a live, é só clicar em um dos links:

Facebook: https://www.facebook.com/unitedway.brasil/videos/2387819868180610

YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=yXt8Jtd8QO0&t=28s

Parceria convida jovens a se tornarem empreendedores sociais

A Fundação Telefônica Vivo, o Instituto Coca Cola e a United Way Brasil se uniram para apoiar jovens da periferia na elaboração de projetos de vida, com ênfase no empreendedorismo. 

Um celular: esta é a principal ferramenta para entrar em uma aventura diferente, que dialoga com as expectativas de futuro e de trabalho da juventude. Pense Grande é um aplicativo gratuito, da Fundação Telefônica Vivo, para qualquer jovem, a partir dos 15 anos, baixar e participar. 

Focado nas juventudes das diferentes periferias, o projeto começa fazendo um convite inusitado: escalar o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil.

A partir daí, os participantes têm contato com desafios e temas ligados ao empreendedorismo, à tecnologia e comunidade, em um universo lúdico que reúne conteúdos dinâmicos para ajudá-los a desvendar toda a complexidade da construção de um negócio de impacto social.

Percurso formativo gamificado 

O percurso formativo conta com elementos e recursos gamificados para ser percorrido em até 80 horas. O objetivo é conduzir os participantes por 12 etapas que compõem o desenvolvimento de um negócio, encarando desafios que os levarão a conquistar o topo do Pico da Neblina. Os jovens também contam com apoio de mediadores quando precisam discutir algum tópico mais complexo. 

O mediador “social media” estimula a interação e o engajamento dos participantes. Para isso, posta comentários e constrói estratégias de interação. Já o mediador curador tem uma função pedagógico-formativa, dando feedbacks para aprimorar o olhar dos jovens sobre as atividades. Também esclarece dúvidas conceituais e monitora o desempenho dos participantes.

Empreendedorismo que gere mudanças

A matéria-prima para essa escalada é o reconhecimento das histórias pessoais dos jovens e, a partir da reflexão sobre emoções, paixões e prazeres, a relação delas com seus sonhos e necessidades, traçando objetivos claros para suas vidas. A proposta é ir além da compreensão sobre empreendedorismo social, impactando toda a comunidade onde estão inseridos.

O Pense Grande Digital quer desenvolver as competências necessárias para um futuro empreendedor mapear cenários, propor soluções a problemas, divulgar seus projetos e, o mais importante, aprender como engajar pessoas na sua ideia.

Os 1.200 jovens dos coletivos que fazem parte das ações da parceria entre United Way Brasil e Instituto Coca Cola foram convidados a baixar o aplicativo e embarcar nessa viagem. Victor Souza Lopes, de 21 anos, morador de Ermelino Matarazzo (SP), conta que aprendeu muito com a experiência e se aplicou ao máximo para concluir todas as etapas. Tanto que foi o primeiro a finalizar a jornada, antes do tempo previsto, sendo destaque no grupo: “Eu sempre pensava em ter o próprio negócio. Agora sei que posso realizar esse sonho. Quero fazer um curso de administração. O Pense Grande também me fez perceber que é preciso um trabalho em equipe para que as coisas deem certo. Sempre fui tímido e agora me sinto mais confiante. Entendi que preciso de força de vontade, de dedicação e muita paciência para chegar aonde quero. Não é fácil, mas vou conseguir”, afirma o rapaz.

Ao final da formação, cada participante grava um pitch. Os três pitchs/vídeos mais votados, dentro do ambiente do app, serão reconhecidos e destacados em uma matéria exclusiva para o site do Pense Grande, com divulgação nas redes da Fundação Telefônica Vivo. Também receberão um selo virtual de reconhecimento do Pense Grande Digital para compartilharem em suas redes.

O aplicativo está aberto para qualquer jovem começar a sua expedição pelo empreendedorismo voltado ao negócio social. Basta baixá-lo e se aventurar: http://pensegrande.org.br/pensegrandedigital-app

Evento discutirá o papel das empresas na inclusão produtiva dos jovens das periferias

Você está convidado a participar, no dia 6 de outubro, do encontro a ser realizado pela United Way Brasil, articuladora do Global Opportunity Youth Network, em São Paulo, para conhecer os resultados do mapeamento sobre jovens e oportunidades na cidade, os principais desafios, como a desigualdade racial e questões de gênero, e políticas de RH que promovem a inclusão. Evento imperdível para empresas e instituições que acreditam no potencial e na força empreendedora dos jovens. 

A cidade de São Paulo carrega a tradição de ser um lugar de oportunidades, mas, na verdade, essa máxima não condiz com a realidade de uma boa parte dos jovens que moram na metrópole, especialmente os que residem nas regiões periféricas. Problemas como distâncias, falta de recursos, preconceito racial e de gênero são alguns dos muitos obstáculos que enfrentam.

Segundo dados reunidos em uma ampla pesquisa realizada pela Accenture Brasil, existem 2.571.297 jovens (15 a 29 anos) na capital do Estado, sendo que cerca de 812 mil estão em situação de vulnerabilidade social. Destes, pouco mais de 47 mil possuem formação superior e um emprego formal. Ou seja, existem 765,5 mil jovens sem trabalho e/ou sem seguir os estudos, por falta de boas oportunidades (IBGE –Censo Demográfico 2010 e Estimativa 2019).

Também já se sabe que em 2020 o País passa pelo fenômeno da inversão da pirâmide etária, ou seja, até 2060 teremos a maioria da população formada por idosos (pessoas com mais de 60 anos). Isso significa que a juventude brasileira de hoje, criativa e empreendedora, pode não se desenvolver e se tornar uma população adulta bem-sucedida por conta das desigualdades de oportunidades, especialmente no que diz respeito à inserção produtiva. 

Estes impasses e as soluções para resolvê-los vão direcionar o evento “Inclusão produtiva dos jovens nas empresas: uma relação ganha-ganha” que o Goyn SP irá realizar no dia 6 de outubro, por meio da United Way Brasil, articuladora da ação no País, e as empresas que compõem o grupo gestor. O movimento, que já existe em outras cidades do mundo, tem como objetivo, especificamente em São Paulo, incluir produtivamente 100 mil jovens em postos de trabalho ou em ações empreendedoras, até 2030.

Na programação estão previstas a apresentação do Goyn SP, seus objetivos e estratégias, dados do mapeamento sobre as juventudes da cidade e as oportunidades de inserção, os desafios que os jovens das periferias enfrentam e as soluções adotadas por corporações para garantir processos de recrutamento e seleção mais justos e inclusivos (confira a programação). 

Em uma realidade difícil, agravada pelos impactos trazidos pela pandemia, discutir como incluir cada vez mais as diferentes juventudes na cadeia produtiva da sociedade e no ecossistema das empresas não só se faz necessário como urgente. 

Por isso, a sua participação nessa conversa é essencial para que possamos avançar e mitigar os efeitos nefastos das desigualdades, ampliadas pela Covid-19, no presente e futuro dos jovens, que influenciarão a sustentabilidade e o desenvolvimento de nosso País. 

Faça já a sua inscrição gratuita: www.bit.ly/GOYN_inscricao

“INCLUSÃO PRODUTIVA DOS JOVENS NAS EMPRESAS: UMA RELAÇÃO GANHA-GANHA”
6 de outubro de 2020, das 9 às 10h30 

ProgramaçãoO que é o Goyn SP e sua agenda – Gabriella Bighetti, Diretora-Executiva United Way Brasil (organização articuladora do Goyn SP, no Brasil)  

A inclusão produtiva dos jovens e o papel das empresas – Vivianne Naigeborin, Superintendente da Fundação Arymax (membro do grupo gestor do Goyn SP) 

Dados do mapeamento de oportunidades e de juventudes de São Paulo –Leonardo Framil, Presidente da Accenture América Latina(empresa responsável pelo mapeamento e membro do grupo gestor do Goyn SP)  

Os efeitos da pandemia para os jovens e a urgência em gerar oportunidades para todos – Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil (convidado para contribuir com o tema e com soluções)  

DIÁLOGO: OS JOVENS E AS EMPRESAS
Juliana Azevedo, CEO da P&G Brasil (empresa que inclui os jovens na sua equipe)
Ana Inez Eurico e Henrique Medeiros (jovens-potência que atuam com o grupo gestor do Goyn SP) 

Realização: Global Opportunity Youth Network São Paulo, United Way Brasil, Accenture, Em Movimento, Fundação Arymax, Instituto Coca-Cola Brasil

Webinar discute práticas para fortalecer a primeira infância na pandemia

Realizado pela GPTW em parceria com a United Way Brasil e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o evento contou com a IBM e a Special Dog Company para compartilhar suas políticas de RH focadas na promoção da primeira infância.

No último dia 22, André Bersano (GPTW) abriu a webinar com um provérbio africano que pautou todo o diálogo desse encontro: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, referindo-se ao papel que as empresas também exercem para a garantia do pleno desenvolvimento de filhos, netos e crianças de seus colaboradores e das comunidades.

Diante do cenário da pandemia, as empresas reviram o seu modus operandi, adotando iniciativas que mantivessem o fornecimento de produtos e serviços e preservassem a saúde das equipes.

Ao mesmo tempo, com a permanência em casa, uma boa parte dos funcionários passou a conviver com suas crianças em tempo integral, o que exigiu de todos (famílias e empresas) uma flexibilização de posturas e rotinas. Exigiu, também, um olhar apurado para garantir a saúde mental e física de pais e crianças na primeira infância.

Pesquisa realizada pela GPTW, em 2019, indicou que 31% das corporações tidas como melhores para se trabalhar possuíam salas exclusivas para lactação; 11% ofereciam creches ou berçários no local ou próximas a ele; 69% concediam licenças para cuidar de crianças ou familiares doentes. Ou seja, cuidar do outro, e da criança, está cada vez mais na pauta das políticas de RH.

Paula Creen, da United Way Brasil, referiu-se ao mapeamento realizado em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal que reuniu cerca de 600 iniciativas focadas na primeira infância, de empresas de diferentes áreas e portes, que irão compor uma plataforma a ser disponibilizada às corporações que queiram adotar iniciativas ou ampliar as que já realizam em favor dos primeiros anos de vida. A IBM e a Special Dog Company, com a assessoria da United Way Brasil, revisitaram suas políticas e, com base no mapeamento, ampliaram as ações de suas políticas.

A experiência da IBM

Ana Paula Mendes, da IBM, uma das corporações que figuram seguidamente no ranking do prêmio da GPTW, reforçou que 60% dos funcionários engajados estão em empresas que oferecem diferentes benefícios para promover o bem-estar (Gallup).  Quando se fala em primeira infância, a sensação de fazer parte de uma instituição que preza e apoia a família só tende a favorecer o envolvimento, a produtividade, a permanência, a saúde mental e física dos colaboradores. 

Por isso, a IBM investe em ações como o dia da família na empresa e programas que atuam nas escolas para falar de diversidade, gênero e combate ao bullying, por exemplo. Também estimula a formação de “tribos” com funcionários voluntários que se unem por temas de interesse. Um deles dedica-se a pensar em estratégias para fomentar entre os colaboradores a importância da primeira infância, como a criação de uma página no site da empresa para compartilhar informações e conteúdos sobre desenvolvimento infantil e os benefícios oferecidos pela IBM para pais e familiares de crianças pequenas.

Durante a pandemia, cuidar do bem-estar mental e emocional das famílias, isoladas em casa, foi foco das ações. Aulas de ioga, cafés da manhã, contação de histórias, construção de brinquedos com sucata reuniram adultos e crianças. A empresa reforçou canais que já existiam, voltados à assessoria jurídica, contábil, coach, sessões com psicólogo, nutricionista, dentre outros. Deram suporte aos gerentes e lideranças das equipes para que mantivessem contato com seus subordinados e suas famílias, apoiando-os da melhor maneira.

“Convidamos homens ‘improváveis’, da alta liderança da companhia, para falar de suas rotinas aos colaboradores homens, mostrando que o papel do pai não é ajudar, mas dividir e assumir a responsabilidade do cuidado com os filhos. Pessoas que todos imaginavam que não tinham tempo para se dedicar à família. Eles reforçaram que é possível ser profissional, pai e ainda cuidar de si”, revela Ana.

A política da Special Dog Company

Outra empresa que sempre está no ranking da GPTW, a Special Dog Company em 2015, reviu sua atuação social, dedicando-se ao desenvolvimento sustentável para cocriar projetos de diferentes atores dos setores público e privado, com foco na primeira infância. Ações pensados para dentro da empresa e além dela, desde a formação de pais sobre os temas relacionados ao desenvolvimento infantil até o apoio à criação do Plano Municipal de Primeira Infância da cidade onde a fábrica tem sede. 

Durante a pandemia, realizou iniciativas para garantir saúde e prevenção aos colaboradores e seus familiares com distribuição de máscaras, álcool em gel, aplicação de vacinas, disponibilização de um psicólogo etc. Para a sociedade, doou testes Covid-19 e respiradores para hospitais.

“O contato com a United Way Brasil foi fundamental para revisitar e avaliar nossas práticas focadas na primeira infância. Nos engajamos e criamos um comitê interno com diferentes áreas para intensificar esse cuidado que a nossa política quer expressar concretamente. Elaboramos um programa que vai apoiar os pais desde a gestação até os seis anos de vida da criança”, conta João Paulo Figueira, da Special Dog. 

Para Paula, “embora a IBM e Special Dog sejam grandes empresas, é possível realizar ações de primeira infância em corporações menores, sem grandes custos, como o day off para o funcionário passar o dia do aniversário com os filhos, por exemplo. O importante é começar com uma ação e ampliar conforme a adesão e o engajamento”, explica

Quando as empresas estimulam a parentalidade positiva, elas ajudam a promover o desenvolvimento pessoal e profissional de seus colaboradores. Porque, ao cuidar da criança, o adulto “qualifica a comunicação e a leitura de ambientes e situações, descobre e fortalece habilidades, aprende a gerir conflitos, adquiri uma postura mais empática, sabe ser flexível diante de situações de impasse e consegue ser criativo na hora de resolver problemas”, conclui André.

Os participantes reforçaram um aspecto importante quando se fala em criar ações para promover a primeira infância no ambiente de trabalho e fora dela: é essencial ouvir os colaboradores, convidá-los a pensar em iniciativas, saber de suas demandas e expectativas para a tomada de decisões. Dessa forma, qualquer política que tenha o aval das equipes será bem-sucedida e alcançará seus objetivos, ou seja, favorecer o pleno desenvolvimento infantil.

Para assistir ao webinar na íntegra, acesse: encurtador.com.br/nrBN0

As violências contra a criança: precisamos falar sobre isto!

O confinamento causado pela pandemia tende a aumentar os índices de violência contra os pequenos. É preciso enfrentar o problema – e agora!

Segundo os resultados de uma pesquisa realizada na China, que avaliou cerca de 300 crianças e adolescentes, o distanciamento social pode causar ou ampliar aspectos funcionais e comportamentais nesse público, como dependência excessiva dos pais, preocupação, ansiedade e desatenção.  

Já o estudo Repercussões da Pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil, elaborado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), mostrou que o bem-estar integral da criança está diretamente relacionado à qualidade de interação e vínculos que os adultos, especialmente pais e cuidadores, estabelecem com ela.

Ou seja, é preciso que os pequenos vivam em ambientes saudáveis, o que requer diálogo, paciência, brincadeiras, leitura, certa rotina e a presença afetiva desses cuidadores para amenizar momentos de tensão, causados pelo isolamento.  

Mas, infelizmente, muitas crianças estão expostas a problemas que já vivenciavam antes mesmo da chegada da Covid-19, como a pobreza e a violência, ambas ampliadas nestes tempos.

A violência e suas marcas para toda a vida

Quando falamos em violência contra a criança, estamos abordando um amplo espectro que envolve a violência física, sexual, negligências e outras violações de direitos, como o direito ao brincar no lugar de trabalhar.

Segundo o Unicef, escolas fechadas e pobreza acentuada estão levando crianças ao trabalho para que ajudem suas famílias, o que é um equívoco, já que sacrificá-las não vai resolver o problema e, ao contrário, ajudará a acentuar questões como doenças, analfabetismo e demais indicadores que só tendem a ampliar as desigualdades que impedem o País de se desenvolver em todos os níveis.  

A Constituição Federal proíbe o trabalho de menores de 16 anos (exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos), mas em 2018 apenas 435.956 jovens estavam registrados como aprendizes no País e mais de 1,7 milhão de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos permanecia fora da escola.

O trabalho infantil também é porta de entrada para outra violação: a exploração sexual, entendida como a prática do sexo entre crianças ou adolescentes com adultos, em troca de benefícios, presentes ou dinheiro. Com o isolamento social, o abuso sexual também tende a aumentar. Ou seja, crianças têm sido sistematicamente violadas por um adulto que mora com ela ou frequenta a casa da família.

O relatório da organização World Vision (maio de 2020) estima que até 85 milhões de crianças e adolescentes (2 a 17 anos) no mundo poderão ser vítimas de violência física, emocional e sexual nos meses da pandemia, o que significa um aumento de até 32% da média anual das estatísticas oficiais.

No Brasil, os dados vão na contramão dessa lógica. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (agosto de 2020), as notificações do Disque Denúncia caíram na fase da pandemia. Eram 29.965 entre março e junho de 2019. Até agosto de 2020 foram 26.416 casos identificados. As razões dessa queda são claras: quem denuncia não está mais em contato com a criança, como professores e funcionários de escolas, profissionais da saúde, amigos e parentes mais distantes, além de outros agentes de proteção. A subnotificação era uma realidade antes da Covid-19, já que, segundo o próprio Ministério, só 10% das violências chegavam às autoridades públicas. Essa porcentagem tende a ser bem maior com o isolamento

O foco na família

O que podemos fazer para amenizar os efeitos negativos da pandemia e mitigar os desafios que as crianças já enfrentavam antes mesmo do isolamento social?

É essencial que o poder público se mobilize não só no cumprimento de leis para punir quem causa a violência, mas, também, estruturar e fazer chegar às famílias meios para que se percebam como essenciais à manutenção do bem-estar integral de seus filhos. 

Como organizações sociais, coletivos e demais instituições temos de defender a causa (advocacy), convocar e mobilizar parceiros e implementar programas e ações sociais para que a formação de pais e cuidadores seja uma prioridade. 

A United Way Brasil acredita nesse caminho e por isso, em 2020, diante do cenário da pandemia, adotou medidas para expandir o programa Crescer Aprendendo e atender o maior número possível de crianças na fase da primeira infância (0 a 6 anos). Atualmente, o programa tem beneficiado 1.600 famílias das cidades de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP), Sumaré (SP), Louveira (SP), Suzano (SP), Goiana (PE), Betim (MG), Joinville e Navegantes (SC). 

As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos diários por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais nos temas relacionados aos primeiros anos de vida: comportamento da criança, papel da família, direitos da criança, importância do brincar, saúde física e mental, higiene, nutrição, cultura da paz etc., com orientações para o enfrentamento da Covid-19.

A manutenção e expansão do programa só foi possível porque contamos com a parceria das empresas Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower e 3M que investiram na causa e acreditam que apoiar as famílias pode mudar realidades.

Que tal também fazer parte dessa e de outras iniciativas? Siga-nos nas redes e acompanhe nossas ações: 

United Way Brasil e 3M se unem para ampliar programa de primeira infância

No total, 12 municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Pernambuco serão beneficiados, por meio da articulação entre a multinacional e a United Way.

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo original a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, o programa levou todas as suas ações, que antes eram presenciais e digitais, totalmente para o formato on-line, o que viabilizou sua ampliação. As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos diários por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais nos temas relacionados aos primeiros anos de vida: comportamento da criança, papel da família, direitos da criança, importância do brincar, saúde física e mental, higiene, nutrição etc, com orientações para o enfrentamento da Covid-19.

O sucesso da metodologia do programa foi reconhecido pela 3M que, por meio de edital próprio, selecionou o Crescer Aprendendo como estratégia para apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A multinacional, que possui cinco fábricas instaladas no Estado de São Paulo, compondo a 3M do Brasil, além da empresa 3M Manaus (AM), doou o valor de R$ 1,21 milhão à United Way Brasil, tornando-se a maior parceria do programa em 2020. 

Os recursos também irão amenizar o impacto da pandemia no desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos por meio da segurança alimentar, com a distribuição  de cartões-alimentação a cada uma das 1.600 famílias das cidades de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP), Sumaré (SP), Louveira (SP), Suzano (SP), Goiana (PE), Betim (MG), Joinville e Navegantes (SC). 

“A responsabilidade social é um dos nossos pilares estratégicos e faz parte de nossas prioridades apoiar as famílias que neste momento estão passando por grandes dificuldades. Também estamos apoiando o hospital público de Sumaré, onde fica nossa matriz no País. Essas doações estão alinhadas aos valores da 3M e ao nosso compromisso social neste cenário crítico em função da Covid-19”, comenta Marcelo Oromendia, presidente da 3M Brasil. 

“Atuar coletivamente por uma causa é a principal premissa da United Way em todo o mundo. Com o advento da Covid-19, a união de esforços nunca foi tão imprescindível, especialmente para apoiar as populações que, até mesmo antes dessa crise sem precedentes, viviam realidades vulneráveis. A participação da 3M neste contexto, com a doação ao programa Crescer Aprendendo, tem sido valiosa não só para a manutenção da iniciativa como para a sua ampliação, porque podemos apoiar mais famílias com recursos materiais e emocionais a fim de que se fortaleçam e enfrentem os desafios imposto pela pandemia”, ressalta Gabriella Bighetti, Diretora Executiva da United Way Brasil.

As empresas Lear e Ecolab, que já são parceiras da United Way Brasil, também estão apoiando a expansão do programa para os 12 municípios, direcionando recursos para suas ações. 

Para as famílias, a ação tem trazido o apoio de que precisam, como relata uma das mães que integram o programa: “Eu brinco mais com meu pequeno, a convivência ficou diferente. A gente passa a conhecer mais o próprio filho de uma forma especial e muito importante. É uma oportunidade única.”

Formato digital do Crescer Aprendendo é bem avaliado pelas famílias

No fechamento do primeiro semestre, as famílias participantes do Crescer Aprendendo responderam a uma pesquisa cujos resultados fortalecem o novo formato do programa. O sucesso levou à ampliação da iniciativa para outros territórios.

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo original a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, que limitou eventos presenciais, o programa acontece por meio de plataforma digital. As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais.

Os temas são discutidos com base no que é essencial ao bem-estar pleno da criança, mostrando aos pais o que podem fazer para exercer essa parentalidade positiva, a partir de seus contextos e, especialmente, na crise gerada pela Covid-19.

Resultados da pesquisa

Para avaliar os avanços e os desafios do programa, a equipe do Crescer Aprendendo aplicou uma pesquisa junto às famílias participantes da nova versão, no formato digital.

Das 264 famílias que responderam ao questionário on-line, 93,3% se dizem satisfeitas com o programa. Sobre os conteúdos compartilhados nos grupos, 92,5% dos respondentes afirmaram que trouxeram conhecimentos novos, especialmente relacionados à alimentação saudável, higienização dos alimentos, às orientações de como elaborar um prato colorido e saudável para as crianças, como interagir melhor com os filhos, a importância da brincadeira, dentre outros.

Já 82,2% revelaram que o grupo no WhatsApp ajudou a qualificar a relação com as crianças, especialmente a convivência, a interação, em como lidar com comportamentos mais rebeldes, a aceitação da criança a alimentos novos, a ler e brincar mais com os filhos e a incentivar a autonomia dos pequenos.

Alguns depoimentos de respondentes da pesquisa
“Estou entrando no momento de introdução alimentar e tudo que mandam sobre o assunto eu simplesmente amo. O que mais me marcou foi a forma de lidar com uma criança que não come. Estou afiadíssima sobre o assunto aqui. Minhas filhas vão comer de tudo.”
“Eu brinco mais com meu pequeno, a convivência ficou diferente. A gente passa a conhecer mais o seu próprio filho de uma forma especial e muito importante. É uma oportunidade única.”
“É muito importante esse grupo porque sabemos que não estamos passando por esse momento sozinhos. O grupo tem me ajudado muito.”

Ampliação da atuação do programa

O sucesso da metodologia para atender as necessidades das famílias com crianças de 0 a 6 anos, especialmente na pandemia, foi reconhecido por  empresas parceiras e associadas da United Way Brasil, que apoiam o programa.  

Por isso, a partir de agosto, o Programa Crescer Aprendendo  será ampliado para cerca de 2.000 famílias de 12 cidades de quatro estados: São Paulo, São Bernardo do Campo, Caçapava, Suzano, Louveira, Sumaré, Campinas (SP); Betim e Camanducaia (MG); Joinville e Navegantes (SC); e Goiana (PE). 

Além do trabalho de formação de pais e cuidadores, a United Way Brasil garantiu mais cuidados às crianças, promovendo segurança alimentar. As parcerias com as empresas vão oportunizar, também, a distribuição de cartões-alimentação para as famílias.

Para operacionalizar a implementação e monitoramento do programa nas diferentes cidades, a United Way Brasil lançou, em julho, um edital a fim de selecionar organizações não governamentais, que tenham um trabalho voltado a crianças na primeira infância e/ou suas famílias, para serem parceiras nessa expansão. O resultado do edital, com as organizações escolhidas, foi publicado no início de agosto e as instituições selecionadas estão passando por capacitações sobre o programa e seu papel nessa expansão, , que contará contando com o acompanhamento permanente da equipe técnica da United Way. 

Até o final de 2020, o programa Crescer Aprendendo quer atender 5 mil famílias de regiões onde as adversidades não são exceção, mas regras. 

Parentalidade: é preciso formar os pais para que apoiem seus filhos

A família, por natureza, compõe o primeiro espaço de socialização da criança. Logo, sua importância é indiscutível. Por isso, investir na formação de pais ou cuidadores é garantir uma parentalidade positiva capaz de apoiar e estimular o desenvolvimento infantil integral.

O termo parentalidade ainda é pouco conhecido, mas vem ganhando força, especialmente para pontuar o conjunto de ações que objetivam assegurar o cuidado e o desenvolvimento da criança. Não é só a família que exerce esse papel: professores, educadores, profissionais da saúde e da assistência social, dentre outros, são agentes importantes no ecossistema de proteção e cuidado. No entanto, a família, nas suas diferentes configurações, permanece como o núcleo fundamental desse processo.

No contexto da parentalidade positiva de pais ou cuidadores, estão a prática do apego e das relações saudáveis entre eles e as crianças, provisão de recursos materiais de proteção e segurança dos filhos, acesso ao atendimento à saúde, valores e regras para a convivência em sociedade, educação intelectual e preparação para crescente autonomia dos pequenos.

Quando olhamos para o cenário de vulnerabilidade social em que muitas famílias estão inseridas, com escassez de recursos, falta de acesso a serviços públicos e presença dos diferentes tipos de violência, a parentalidade positiva é um desafio. Portanto, para fortalecer essas famílias, são necessárias políticas públicas que as apoiem material e emocionalmente.

Programas sociais e a parentalidade positiva

Para que deem certos, programas focados na formação de pais e responsáveis precisam ter como premissa que a parentalidade é uma habilidade que se aprende e pode ser fortalecida. Ninguém nasce sabendo. Ao mesmo tempo, devem reforçar que as famílias possuem recursos para cuidar de seus filhos, dentro de suas realidades. Quando os pais ou responsáveis são empoderados para mobilizar tais recursos, e entendem o seu papel no desenvolvimento infantil, tendem a participar ativamente das iniciativas, e os resultados aparecem. Trabalhar a autoconfiança dos adultos, os vínculos afetivos como aliados desse cuidar são pontos-chave de qualquer ação nesse sentido.

Da mesma forma, a parentalidade se torna positiva para crianças sem lares, que vivem em abrigos, quando os cuidadores têm clareza de sua importância no desenvolvimento delas, dando-lhes a segurança de que necessitam para se sentirem confiantes, mesmo desprovidas de um núcleo familiar estruturado, porque contam com adultos de referência que têm um olhar dedicado às suas necessidades físicas e emocionais.

Ao mesmo tempo, impor regras ou procedimentos, sem ouvir os pais, não respeitando suas raízes e características, tende a levar qualquer iniciativa bem intencionada ao fracasso. A diversidade dos adultos que cuidam da criança é outro aspecto que agrega aprendizado ao programa ou ação. Portanto, necessidades, expectativas e demandas mais urgentes de pais e cuidadores devem estar no centro da elaboração de um programa que procure estimular a parentalidade positiva.

No caso de famílias em situação de vulnerabilidade social, um dos pontos a se trabalhar é a resiliência que elas possuem para que acreditem na sua capacidade de, mesmo diante das adversidades, oferecer aos filhos aquilo de que precisam para se desenvolverem. 

O que se busca com programas voltados a esse tema é prevenir e combater negligências, maus tratos, abusos e violências distintas que, muitas vezes, são parte do cotidiano de famílias por gerações. É, também, sensibilizá-las sobre o quão importantes são para o desenvolvimento infantil e como o tempo que dedicam aos seus filhos faz diferença na saúde física e mental dos pequenos e nas suas vidas, já que é uma fase única e a essencial à formação do ser humano. Quanto mais essa interação for de qualidade, melhor para todos, especialmente, para a criança.

Crescer Aprendendo e a formação de famílias

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, que limitou eventos presenciais, o programa acontece por meio do WhatsApp. As famílias, divididas em grupos, recebem conteúdos por meio de textos, links, vídeos e interagem com perguntas e opiniões, tendo uma mediadora para respondê-las ou comentá-las.

Os temas são discutidos com base no que é essencial ao bem-estar pleno da criança, mostrando aos pais o que podem fazer para exercer essa parentalidade positiva, a partir de seus contextos e, especialmente na crise gerada pela Covid-19, orientações e práticas de como lidar com o isolamento social.

Os conteúdos estão distribuídos em temas-chave: alimentação saudável, saúde física e mental da criança, comportamento da criança, direitos da criança, papel da família e importância do brincar. Os conteúdos ampliam as reflexões e dão aos pais suporte para que avaliem o que podem realizar, sem impor-lhes regras ou dar “lições” do que é certo ou errado. 

As famílias são estimuladas a elaborar atividades com seus filhos e a compartilhar fotos e vídeos desses momentos. A troca entre famílias cria uma rede de práticas que fortalece a parentalidade positiva, constituindo uma comunidade digital que pretende cuidar das crianças, mas, também, das famílias.  

Até o final de 2020, o programa Crescer Aprendendo quer atender 5 mil famílias em territórios onde as adversidades não são exceção, mas regras. E se a gente se unir para isso? Sua empresa também pode fazer parte dessa rede de cuidado e proteção de crianças. Entre em contato conosco e saiba como.