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O papel do setor privado no desenvolvimento da primeira infância

Evento realizado pela United Way, Unicef, Eearly Childhood Development Action Network (ECDAN) e Open Society Foundations trouxe soluções e ideias de como o setor empresarial pode apoiar o desenvolvimento infantil, especialmente em situações complexas como a da pandemia mundial gerada pela Covid-19. 

O evento “Setor Privado e o Investimento na Primeira Infância”, realizado no dia 13 de agosto, reuniu mais de 100 pessoas de diferentes países para refletir sobre as demandas atuais e emergenciais que possam atender crianças de 0 a 6 anos e suas famílias em situação de vulnerabilidade social. Sobretudo, os painelistas pontuaram ações concretas que o setor privado vem realizando, assumindo a corresponsabilidade pelo desenvolvimento infantil integral. 

A realidade, especialmente na América Latina, é que, embora seja perceptível a crescente importância dada à primeira infância, a demanda por recursos adequados para atender gestantes e crianças de 0 a 6 anos nem sempre tem sido atendida pelo setor público. Por isso, fica cada vez mais evidente o papel do setor privado como financiador dos investimentos necessários ao bem-estar da primeira infância, assim como seu papel fundamental na gestão e criação de iniciativas que promovam boas práticas nas comunidades, famílias e corporações.

Eduardo Queiroz, Diretor Regional da United Way na América Latina, ressaltou a prática desenvolvida há mais de 130 anos pela organização mundial em trabalhar com o setor privado. Tal prática, segundo Eduardo, tem trazido ótimos resultados nos países latino-americanos, possibilitando que as famílias, especialmente em situação vulnerável, recebam formação e benefícios para favorecer o desenvolvimento pleno de suas crianças.

Yanning Dussart, coordenador do escritório do Unicef para o Caribe e América Latina, reforçou que empresas e indústrias podem apoiar o Estado e também impactar positivamente a primeira infância atuando com seus colaboradores, por meio de políticas internas; com as comunidades onde estão inseridos; com fornecedores e clientes, ou seja, influenciando todo o seu ecossistema.

Elizabeth Lule, da ECDAN, lembrou que em momentos de crise, a parceria entre o setor público e privado sempre favorece o enfrentamento dos grandes desafios, portanto, potencializá-la, no que diz respeito à primeira infância, é um caminho possível, com bons resultados.

O que dizem as empresas

Eva Fernandez, Gerente de Primeira Infância da Fundação FEMSA, braço social da empresa FEMSA, no México, acredita que investir na primeira infância é a melhor estratégia para uma empresa, porque gera valor econômico e social simultaneamente. Ela parte do pressuposto que as corporações só são bem-sucedidas quando se vinculam à sua comunidade e aos seus colaboradores, sendo a causa da infância um dos aspectos mais importantes na vida desses públicos. 

A gerente compartilhou três frentes de atuação da Fundação para contribuir com a primeira infância: comunidades resilientes (apoio a famílias para o desenvolvimento socioemocional de adultos e crianças); espaços públicos seguros e com foco na infância, realizados em parceria com organizações aceleradoras e start up, tendo a inovação e a escalabilidade como fatores principais; e famílias de apego, com ações voltadas às regiões em conflito para fortalecer vínculos dessas populações com suas crianças. Além disso, a Fundação realiza seminários para capacitar o funcionalismo público sobre o tema da primeira infância e tem atuado para a construção de uma agenda regional e de país, em articulação com outras instituições privadas e públicas.

Já na Colômbia, Cristina Gutierrez, Diretora Executiva da United Way local, explicou que o trabalho em parceria com empresas e setor público tem foco na diminuição da defasagem escolar, desde a primeira infância, e na melhoraria dos serviços oferecidos às crianças nessa etapa da vida. A metodologia para gerar resultados amplos e sustentáveis é a do impacto coletivo, com ações sistêmicas e acordadas entre os envolvidos, sempre pensadas com base em evidências. Para que o sucesso seja alcançado, Cristina indica cinco tópicos a serem perseguidos conjuntamente pelos parceiros: agenda comum; compartilhamento de ferramentas; ações de apoio mútuo com aprendizagem contínua; comunicação efetiva e permanente; e a definição de um comitê gestor para administrar a ação. 

Grácia Fragalá, Vice Presidente do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), falou sobre o trabalho que sua área realiza para que as empresas associadas à Fiesp integrem as questões sociais na gestão dos negócios, com base na Agenda 2030 da ONU. No que diz respeito à primeira infância, promove workshops com as lideranças, que formam o grupo de embaixadores e investidores da causa. Também ressaltou a criação de um guia, realizado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e United Way Brasil, voltado ao empresariado, que será transformado em uma plataforma digital aberta e gratuita. Nela estarão várias experiências de diferentes corporações voltadas ao desenvolvimento infantil, para seus públicos interno e externo, que podem ser adotadas e customizadas por empresas de diferentes portes. Para ela, as empresas e as indústrias têm papel fundamental no enfrentamento das desigualdades sociais, que já começam na primeira infância.

Carolina Crosta, Coordenadora de Negócios da Telefônica Movistar, na Argentina, trouxe várias contribuições sobre o papel das empresas no desenvolvimento da primeira infância, com base na experiência da corporação, cujo foco é implementar políticas e práticas internas que viabilizem que pais e mães colaboradores possam conciliar suas vidas pessoal, familiar e profissional, sem prejuízo à convivência e aos vínculos que devem estabelecer com seus filhos. 

Para ela, levar a corporação a se configurar como um benchmark de atuação pela primeira infância é uma estratégia para ampliar os esforços e a motivação de se dedicar à causa e fortalecer a marca.

Como colaboração ao público interno, Carolina reforça a importância de as empresas terem claras as agendas sociais locais, suas demandas, definindo o que fazer e que recursos aportar para respondê-las.

O encontro virtual foi articulado conjuntamente pelo Unicef, Eearly Childhood Development Action Network (ECDAN), Open Society Foundations e United Way.

Dia Internacional da Juventude: como garantir aos jovens um presente e futuro melhores?

O dia 12 de agosto marca o papel essencial da juventude no desenvolvimento sustentável do planeta. No entanto, no Brasil, os jovens têm sido impactados negativamente pelas desigualdades sociais e por adversidades, como a pandemia. 

Embora seja óbvio que a juventude de hoje vai formar as próximas gerações de adultos, de pais e mães e de trabalhadores de nosso país, dados de pesquisas têm mostrado que as chances para que os jovens se tornem pessoas reconhecidas e realizadas são ainda muito escassas em nosso País, especialmente para aqueles que vivem em situação vulnerável, cercados por ambientes de risco social, com baixa escolaridade e poucas oportunidades dignas de trabalho. 

Na maior metrópole do País, por exemplo, de uma população de mais de 3 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social, estão 812.916 jovens, sendo que 160 mil são responsáveis pelo domicílio onde vivem. Cerca de 484 mil estão sem emprego e sem oportunidade de estudo. O rendimento médio de um homem negro com 18 anos ou mais é de R$ 1.300. A mulher negra recebe a média de R$ 982,00 (menos de um salário mínimo). Ambos estão distantes do rendimento médio do homem branco (R$ 3.268) e da mulher branca (R$ 2.168). 

Dados como estes são reflexos da desigualdade social que atinge todo o País, mas que também está fortemente presente na cidade – e quem tem aumentado com a pandemia. Também refletem a trajetória educacional da juventude local: 26% não têm instrução, 24% possuem o Ensino Fundamental completo ou o Ensino Médio incompleto e apenas 13% terminaram o Ensino Superior.

Estas informações, colhidas em 2020, antes da Covid-19, estão contidas na pesquisa realizada pela Accenture Development Partnership para a United Way Brasil e traçam um cenário de oportunidades. Isto mesmo: do total da população de jovens em situação de vulnerabilidade (mais de 812 mil), cerca de 765 mil são potenciais cidadãos para conquistar trabalho e estudo de qualidade, já que pouco mais de 47 mil desse grupo vulnerável possuem superior completo e emprego formal.

Trabalho colaborativo em rede

A pesquisa da Accenture é um dos pilares das evidências que vão orientar as ações do programa “O Futuro é Jovem” (adaptação em português para Global Opportunity Youth Network – GOYN). A iniciativa do Aspen Institute, implementada em seis cidades no mundo, tem como objetivo fazer a inserção produtiva de jovens (15-29 anos) em situação de vulnerabilidade social por meio da educação, do trabalho digno e do empreendedorismo, em consonância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, com destaque ao objetivo 8: “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”. O polo de São Paulo é o último que se juntou a essa comunidade global e quer otimizar as diferentes possibilidades que a cidade oferece para atender a juventude das periferias e das regiões menos favorecidas.

Na cidade, a iniciativa é articulada pela United Way Brasil que está catalisando atores importantes dos três setores para o desenho das intervenções sistêmicas. A ideia é criar uma ampla rede colaborativa que possa contribuir ao propósito do programa, com base em dados sobre o perfil do jovem que se quer atingir e o ecossistema em que ele está inserido e que pode apoiá-lo. Todo esse mapeamento vem sendo realizado há seis meses. 

Jovens protagonistas

O programa abriu um edital para convidar jovens que desejassem participar da iniciativa. Os que foram selecionados têm recebido formação para entender a proposta e, nessa fase, atuar ativamente na construção e concretização das ações. 

Isto porque o programa quer trazer o jovem como um agente co-construtor e direcionador não apenas das estratégias, mas de como elas serão implementadas, sendo percebido como protagonista muito mais do que como beneficiário. 

As escolhas das estratégias foram realizadas por um grupo de mais de 45 organizações que participaram de um processo colaborativo. A próxima etapa vai envolver um trabalho em mesas que, ainda este ano, irá desenhar e viabilizar a implementação de protótipos.  Em 2021, será a fase de implementação inicial dos projetos, fornecendo os subsídios necessários às ações de 2022, quando as intervenções que se mostrarem sustentáveis e sistêmicas serão aceleradas e escaladas para beneficiar o maior número possível de jovens em situação vulnerável, na cidade de São Paulo. 

Para obter mais informações sobre o programa O Futuro É Jovem e a rede colaborativa que o fará acontecer, entre em contato com: daniela@unitedwaybrasil.org.br ou ofuturojovem@gmail.com

A atuação nos territórios vulneráveis e seus resultados sociais

Um dos pilares do trabalho da United Way Brasil (UWB) é a intervenção territorial para oferecer melhores oportunidades de desenvolvimento e bem-estar ao público alvo.

As intervenções nos territórios, propostas pela UWB, acontecem presencialmente, em realidades previamente mapeadas, onde crianças e jovens não têm as oportunidades de que precisam para se desenvolver integralmente.

Em 2019, na área da primeira infância, por meio do programa Crescer Aprendendo, a organização atuou em 12 creches e 1 escola de educação infantil, na região de Campo Limpo, SP. Ofereceu oficinas aos pais, cuidadores e professores, trabalhando temas relacionados aos primeiros anos de vida: a importância do brincar, os direitos da criança, o papel da família, a alimentação saudável, o comportamento e saúde das crianças.

No final do ano, o programa realizou uma pesquisa para saber quais mudanças o Crescer Aprendendo gerou na visão e no comportamento das famílias com relação às crianças, naquele território.

Os resultados apurados nas famílias foram bastante animadores. Um deles mostrou o aumento significativo do acesso a informações qualificadas sobre primeira infância, como contou o membro de uma família do CEI São Luiz II: “Antes eu achava que do meu jeito estava bom. Daí comecei a acessar os conhecimentos e melhorei.”

Outro avanço perceptível, segundo a avaliação, foi a melhora do diálogo dos cuidadores com as crianças e da qualidade do tempo que passam com elas. A família da CEI Cid Franco confirma essa mudança: “A gente se reúne pelo menos uma vez na semana para brincar: eu, minhas filhas e meu marido. Antes a gente não fazia isso.”

Os itens sobre mais qualidade na alimentação que oferecem e mais paciência para se dedicar às crianças também obtiveram várias respostas positivas, denotando como as famílias estão atentas às necessidades e à escuta dos pequenos.

A parceria com a escola, promovida pelo programa, foi outro aspecto analisado pelas famílias, que a considerou essencial para o desenvolvimento da criança acontecer plenamente, sendo as oficinas reconhecidas como um importante apoio para propiciar o fortalecimento dessa relação, como conta a gestão do CEI Cid Franco: “Os pais mudam, eles se tornam mais próximos, eles passam a nos buscar mais quando surgem dúvidas em relação à criança. Porque quando você aproxima os pais, quando você esclarece, eles se tornam mais próximos, como se fossem um parceiro.”

Educadores e professores também aprovaram as capacitações que receberam, por meio de oficinas. “Foram muito boas as atividades que eu participei. Forneceram um outro olhar sobre a nossa prática, porque muitas vezes vamos fazendo as coisas e esquecemos de refletir. Quando tem essas reflexões, de que a gente precisa do outro, fica melhor o trabalho, mais prazeroso”, reforça a educadora do CEI Umarizal.

A avaliação confirmou que atuar em territórios vulneráveis, respeitando características e necessidades próprias, é uma estratégia eficaz de transformação, porque qualifica relações, visões e comportamentos dos que estão envolvidos com o público alvo das intervenções.

Competências para a Vida: programa é reconhecido como oportunidade na pandemia

Jovens e mentores do programa da United Way Brasil avaliaram a iniciativa e afirmaram que a experiência realizada no primeiro semestre trouxe perspectivas e confiança sobre o futuro, apesar da Covid-19

A juventude foi amplamente impactada pela pandemia, especialmente os grupos das periferias. Mesmo antes da Covid-19, essa população enfrentava diferentes desafios: escolas nem sempre acessíveis ou com ensino de qualidade, dificuldade de transitar pela cidade, devido às distâncias e a escassez de recursos, falta de oportunidades de emprego digno… Todas essas questões foram ampliadas durante o isolamento social. Além disso, muitos jovens não contam com um ambiente familiar saudável. 

Vivenciar o isolamento social, e todas as suas consequências, em uma fase da vida em que sonhos, planos e esperanças movem o indivíduo, é experimentar, para muitos, um “banho de água fria” nas expectativas de presente e futuro. 

Consciente dessa realidade, o Programa Competências para a Vida (para jovens de 16 a 25 anos), da United Way Brasil, passou de um modelo de intervenção híbrido (reuniões formativas presenciais e a distância) para o formato digital. Nessa configuração, os conteúdos, pensados especialmente para a juventude, são discutidos por meio de encontros on-line com mentores e educadores.

O foco das ações é apoiar o jovem neste momento complexo para que, no lugar de se sentir isolado e sem perspectivas, possa repensar seus propósitos e estabelecer caminhos para um plano de vida. Isso significa dar sentido ao isolamento social a fim de que se torne uma oportunidade de fortalecimento e não um tempo de insegurança e ansiedade. Essa forma de encarar a pandemia, intenção do programa, foi reconhecida pelos participantes em uma avaliação feita com os jovens.

Já para os mentores, profissionais das empresas parceiras da United Way Brasil, que dedicam tempo e conhecimento à causa de forma voluntária, a experiência trouxe vários aprendizados. Segundo eles, poder rever suas trajetórias, a maioria semelhante às dos jovens, e valorizar as conquistas obtidas até então, fez toda diferença. Esse autorreconhecimento não só fortalece a autoestima dos profissionais, como é uma referência positiva para os jovens mentorados, que percebem a importância da resiliência e da paciência para avançar na conquista de seus objetivos. 

Principais resultados da avaliação

A turma que participou do Programa Competências para a Vida, no primeiro semestre de 2020, é formada por 46 jovens, na faixa de 17 a 24 anos, atendidos pelos programas sociais da Associação União da Juta (Sapopemba, em São Paulo) e Fraternidade Santo Agostinho (Jundiapeba, em Mogi das Cruzes). 

Dos participantes, 68% são do sexo feminino (25% são mães), 66% declararam-se negros, 27% estão estudando, 73% não trabalham, 55% estão sem trabalho e não estudam.

Da totalidade dos jovens, 70% vivem em famílias com renda familiar de até dois salários mínimos.

Quando a mentoria foi iniciada, 44% dos jovens queriam arrumar um emprego só para pagar as contas. Ao final do processo, essa porcentagem caiu para 29%. Trabalhar em uma atividade de que goste era o objetivo de 21% dos participantes, antes de iniciar as mentorias. Após a experiência, essa porcentagem aumentou para 32%, indicando que a autorrealização passou a ter maior peso nos seus planos de vida.

Sobre a experiência nesses meses de mentoria, os 100% dos jovens disseram que saíram dela fortalecidos, com uma melhor autoestima, mais confiantes sobre suas capacidades. Também foram unânimes em afirmar que o programa os ajudou a pensar no futuro e em metas, para além da pandemia. Já 97% afirmaram ter adquirido novos conhecimentos e que participar do programa irá ajudá-los a conseguir emprego. “O programa me ajudou muito a pensar no futuro novamente, coisa que eu havia parado de pensar. Me fez sonhar outra vez, e desejar ser alguém na vida outra vez”, revelou um dos jovens, na pesquisa.

Os mentores, colaboradores das empresas Lilly, PwC e Morgan, também responderam a uma pesquisa: 96% deles disseram que não só indicariam o Programa Competências para a Vida a um amigo como também participariam dele novamente. A maioria, 88%, acredita que esse trabalho voluntário com os jovens ampliou sua consciência social e a reflexão de como contribuir para minimizar as desigualdades.

Ouvir os jovens e fazer as atividades propostas levou muitos mentores a revisitar suas vidas, suas trajetórias e repensar o posicionamento no trabalho.

Para o segundo semestre, o programa vai avançar, atendendo 100 jovens da Associação Pró-Morato (SP), dos coletivos Vila Rica e Cabo, em Recife (PE), e de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, que contarão com sessões de mentoria com 65 profissionais voluntários de empresas parceiras.

Campanha quer engajar pessoas e empresas nas causas da primeira infância e juventude

A United Way Brasil lança o Relatório de Atividades do primeiro semestre com campanha para ampliar a abrangência de sua atuação junto a crianças e jovens.

O Relatório 2020 – Jan-Jun traz as realizações coletivas empreendidas pela United Way Brasil e seus parceiros, no primeiro semestre.

O destaque são as ações emergenciais de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica para o enfrentamento da Covid-19 e a realização da primeira live internacional “Desigualdades e pandemia”, com a participação de Graça Machel, uma das maiores ativistas negras do mundo, e o apresentador, empreendedor e filantropo Luciano Huck.

O documento traz, também, os primeiros resultados do ano dos programas Crescer Aprendendo (focado na primeira infância) e Competências para a Vida (voltado aos jovens), que migraram para o formato digital, respondendo às demandas do distanciamento social, causado pela pandemia. Participantes das iniciativas compartilham, nas páginas do relatório, depoimentos sobre essa nova experiência e os impactos em suas vidas.

Juntos podemos mais

A publicação marca o início de uma campanha de captação de recursos para ampliar o atendimento às famílias e aos jovens nesta fase de ampla crise. Até o final do ano, a expectativa é atender 5 mil famílias com crianças de 0 a 6 anos, por meio do Crescer Aprendendo, e mil jovens que necessitam de apoio para construir seus projetos de vida (Programa Competências para a Vida). 

A campanha, que conta com a parceria de empresas, envolve todo o ecossistema das corporações, com diferentes etapas de sensibilização e conscientização sobre a importância das causas para o enfrentamento das desigualdades sociais.

Peças de comunicação especialmente pensadas para a ação convidam desde os executivos e os colaboradores até a população em geral a participarem da campanha. As peças são disseminadas pelas ferramentas de comunicação interna e externa das corporações e pelas páginas da United Way Brasil nas redes sociais.

Esse amplo movimento tem como objetivo mitigar os efeitos da pandemia nas populações mais suscetíveis. Além da solidariedade, a campanha quer apontar saídas eficazes e competentes para quebrar ciclos de pobreza e formar gerações mais preparadas aos desafios do século 21.

Conheça os avanços alcançados pelas parcerias da United Way Brasil no primeiro semestre, clicando no link do Relatório de Atividades: link

Participe e compartilhe a campanha. Acompanhe nossas redes sociais. Clique e contribua com a nossa meta! Juntos podemos fazer muito mais.

Educação e trabalho voluntário são estratégias fundamentais #Depoimento

Cristiane Pereira da Conceição participou do programa de juventude da United Way Brasil quando tinha 19 anos. Sua motivação para frequentar as aulas era a maneira como os profissionais transmitiam os conteúdos. “Eles também queriam aprender com nossas experiências”, recorda-se a jovem, de Francisco Morato, SP. Outro ponto importante foi o local onde o curso acontecia, dentro de uma empresa, o que propiciou a boa sensação de estar em um ambiente profissional, adquirindo conhecimentos e vivenciando a rotina corporativa.

Cristiane decidiu fazer faculdade de pedagogia e a dedicação dos voluntários do programa foi um dos incentivos que teve para optar pela carreira. “A experiência revelou o meu desejo em ajudar o próximo e a entender o papel da educação na vida das pessoas”. Hoje, aos 25 anos, embora não exerça a profissão em que se formou, Cristiane trabalha em e-commerce e gosta do que faz, mas tem outros sonhos: “Quero atuar em escolas e ajudar no processo de letramento e alfabetização para apoiar os indivíduos a exercerem sua cidadania”, conta. “Educação e trabalho voluntário, que vi no programa, são estratégias fundamentais. Podem não mudar o mundo, mas transformam as pessoas”, conclui Cristiane. 

O combate à violência sexual contra crianças e jovens passa pelas empresas

Para muitos, o tema é indigesto. No entanto, é extremamente importante, porque atinge a base de nossa sociedade, comprometendo – e muito – o presente e o futuro de todos nós.

A United Way Brasil tem como foco de suas ações duas fases primordiais da existência humana: primeira infância e juventude. Uma das questões a qual se dedica para apoiar o desenvolvimento integral de crianças e jovens é a garantia de direitos, o que engloba o urgente combate à violência, seja ela física, psicológica ou sexual.

Com relação a esta última, que envolve o abuso e a exploração, ainda existe uma grande resistência da sociedade em olhar para o problema e encará-lo de frente. Precisamos mudar isto. Não podemos aceitar o fato de o Brasil ocupar o segundo lugar no ranking de países com maiores números de exploração sexual infantil (sexo em troca de dinheiro ou de algum benefício).

Dados recentes, pré-pandemia, apontavam que, a cada hora, três crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual (estupro e comportamentos abusivos dos adultos) no país, no entanto, acredita-se que só um em cada dez casos é reportado, ou seja, os índices são bem maiores.

Com o evento da Covid-19, esses números tendem a crescer. Sem ter a quem recorrer, muitas crianças e muitos jovens acabam convivendo todos os dias, por 24 horas, com os abusadores. Outro aspecto é o maior tempo plugado na internet, que oportuniza a pornografia infantil e a exposição às ameaças de quem está do outro lado da tela.

A falta de empregos e o agravamento da crise econômica impacta em cheio famílias que já sofriam com a escassez de recursos, antes da pandemia. Provavelmente, os casos de exploração sexual vão aumentar – 320 crianças e jovens já eram explorados sexualmente a cada 24 horas, antes do isolamento social. 

A preocupação tem razão de ser. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Serra Leoa, na África, a epidemia do Ebola, entre 2014 e 2106, elevou sensivelmente os índices de diferentes violações, como o trabalho infantil, o abuso sexual e casamento infantil. 

O papel do empresariado 

Não olhar para o tema elevará o custo social que todos já pagamos por conta da omissão. Os problemas de saúde física e mental causados pela violência, tratados pelo sistema público, inflam os gastos públicos; a violência em todos os níveis só tende a aumentar, já que os abusados, muitas vezes, buscam no álcool e nas drogas algum “conforto” ou são levados a consumi-los pelos abusadores. Outro problema é que meninas e meninos nessa situação acabam por abandonar a escola. Garotas ficam grávidas e muitas vivem sozinhas e precisam sustentar seus filhos. Outra parte delas se junta a um parceiro violento e outra, ainda, entrega a criança para o sistema, que nem sempre consegue cuidar da criança da maneira que ela precisa para se desenvolver plenamente, mesmo investindo uma quantia razoável de recursos públicos para sustentá-la. 

“Costumo dizer que a violência sexual contra a criança e o adolescente é uma ‘epidemia’.  Acabar com ela ainda não é uma demanda social, infelizmente. Sem essa demanda, sem a pressão que a sociedade exerce, as políticas públicas não acontecem. A sociedade precisa entender que abuso e exploração sexual de crianças e jovens perpetua o ciclo da pobreza, afetando a todos, direta ou indiretamente. Acredito que o empresariado é um pilar da sociedade essencial no combate à violência. Existem 2 mil pontos mapeados, nas estradas federais brasileiras, em que a prática da exploração sexual acontece. Quantas empresas têm suas plantas à margem dessas rodovias?”, ressalta Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta

Os focos de exploração sexual são vários, como hotéis, resorts, empreendimentos de construtoras, portos e empresas de transportes. Por isso, a importância de as empresas investirem em recursos e ações para mitigar a violência no entorno de suas sedes e nas comunidades onde atua. “O empresário tem de entender que ele precisa estar lá, porque ele e toda a sociedade pagam essa conta”, reforça Luciana.

Mas como fazer isso? “Por meio da educação, da conscientização. Temos de mudar a cultura permissiva que vê nesse tipo de exploração algo natural, que faz parte. Não é à toa que somos a quarta nação com maiores números de casamento infantil, em pleno século 21”, completa Luciana. 

Para ela, programas e campanhas que apostam na formação das famílias, na educação sexual nas escolas, que empoderam meninas, as principais vítimas, que tratam o tema com a população em geral tendem a ser eficientes. “Precisamos vencer preconceitos e acabar com o silêncio da sociedade diante de tamanho absurdo. As empresas podem investir na formação de seus colaboradores, da comunidade do entorno onde crianças e jovens vivem”, finaliza Luciana.

A United Way Brasil acredita no impacto coletivo, ou seja, que várias mentes e mãos se unam para combater um problema social com soluções inovadoras e eficientes a cada público a que se destinam. Por meio dos programas Crescer Aprendendo (primeira infância) e Competências para a Vida (juventude) essa atuação conjunta tem acontecido, mas o desafio de vencer a violência sexual é enorme e precisamos de mais aliados. E se a gente se unir?

Novas ações unem organizações e empresas para enfrentar a Covid-19

Iniciativas emergenciais ao enfrentamento do coronavírus, especialmente focadas em famílias em situação de vulnerabilidade social, ganharam fôlego com a adesão de novas empresas, mas é preciso fazer mais.

Desde março, a United Way Brasil (UWB) tem articulado a sua rede de apoiadores para arrecadar recursos destinados a cestas básicas e de produtos de higiene, essenciais à saúde das populações vulneráveis que vivenciam a falta de trabalho (muitas até mesmo antes da pandemia) e o isolamento social. 

Essa mobilização possibilitou a ampliação de beneficiados, atendendo cerca de 10 mil pessoas de 8 estados (SP, RJ, MG, SC, PE, BA, PA, PR). Até junho, 15 empresas, entre associadas e não associadas da UWB, aderiram à campanha: BIC, Dow Brasil, Ecolab, Edwards Lifesciences, Everis, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, General Mills, Lear Corporation, Lilly, Morgan Stanley, O-I, Phoenix Tower, PwC, P&G, Shure Brasil.

Até final 8 de junho, foram confirmados mais de R$ 975 mil arrecadados em recursos. Uma parte desse valor (R$ R$ 301.948 ) vai compor o Fundo Emergencial de Saúde Coronavírus Brasil, organizado pelo Idis, Movimento Bem Maior e BSocial, com o objetivo de fortalecer o sistema público de saúde e as pesquisas para deter o vírus.

O recurso restante está sendo repassado a 22 organizações e movimentos, responsáveis por fazer chegar às famílias as cestas e kits. Existem diferentes formas de participar dessa onda de compromisso social. Cabem às empresas e à United Way Brasil pensarem juntas o formato do apoio emergencial: doação de produtos, de recursos, de serviços, editais etc. As possibilidades são muitas e a UWB se propõe a customizá-las de acordo com o perfil e as demandas de cada corporação.

Com relação aos editais, um exemplo recente foi a iniciativa regional da 3M, no qual a United Way Brasil se inscreveu, com apoio do escritório regional da United Way, sendo contemplada. Por meio dele, até novembro de 2020, 1.600 famílias brasileiras, com crianças de 0 a 6 anos, de 12 municípios de São Paulo, serão beneficiadas com cestas básicas e formação oferecida pelo programa Crescer Aprendendo.

A partir dessa parceria, pais e responsáveis por crianças pequenas receberão, através do WhatsApp, conteúdos diários sobre a importância dos cuidados nos primeiros anos de vida para contribuir ao desenvolvimento integral de seus filhos e filhas, especialmente em tempos de pandemia. 

Sobre a contribuição por meio de produtos, dois exemplos são as doações da P&G e BIC, que somam 261 mil itens. 

A parceria com movimentos, como a @UniãoBrasil (Instagram: @uniaobrorg), que envolve @UniãoSP e @UniãoRJ, e a plataforma aberta Família Apoia Família, iniciada em março, continua e é, também, uma oportunidade de participação da população em geral.

Até o momento, as iniciativas de todas as parcerias formalizadas beneficiaram aproximadamente 10 mil pessoas, considerando cinco pessoas por família apoiada, ao longo de três meses. Mas é preciso avançar.

Mesmo com mudanças previstas nas regras do isolamento social, em muitas cidades, a crise gerada pelo Covid-19 não será vencida no curto prazo, infelizmente, o que exige novas mobilizações. Por isso, empresas que queiram colaborar, podem fazê-lo a qualquer momento. Basta entrar em contato com a equipe da United Way Brasil para que, a quatro mãos, elaborem uma estratégia emergencial para minimizar os impactos históricos que este ano causará, especialmente, às famílias em situação de vulnerabilidade social. Vamos juntos?  Escreva para: anaflavia@unitedwaybrasil.org.br

Podcast com Graça Machel convoca a sociedade a rever seu olhar sobre as desigualdades

Graça Machel, uma das maiores ativistas negras do mundo, expõe sua visão do que precisa ser feito para amenizar as desigualdades sociais, mais agravadas pela pandemia.

Graça Machel conectou-se ao Brasil para falar sobre a atual crise, gerada pelo coronavírus, que ampliou as desigualdades, atingindo, especialmente, mulheres e crianças em situação de vulnerabilidade social. Graça é fundadora das organizações The Graça Machel Trust e Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade e uma das protagonistas da luta pela libertação de Moçambique, em 1975, junto ao seu então companheiro, Samora Machel. Foi ministra da Educação e da Cultura no primeiro governo moçambicano, por cerca de 14 anos. Durante sua militância, Graça conheceu Nelson Mandela e com ele protagonizou a luta contra o Apartheid.

Na sua fala, Graça ressalta a importância de olharmos para as desigualdades como uma situação desconfortável e não como algo que está posto e não se pode mudar, fazendo parte do cotidiano: “Como cidadãos organizados, temos de olhar para a nossa consciência e dizer: ‘esta maneira de ser – e digo a maneira de ser indiferente -, de estar indiferente ao sofrimento do outro (…) é contra o reconhecimento de que todas as pessoas nascem iguais e têm os mesmos direitos, nem mais e nem menos direitos”.

Graça usa exemplos de Moçambique que cabem à realidade brasileira, onde crianças e mulheres são mais sensíveis aos efeitos sociais da pandemia. Mas ela também indica caminhos que podem gerar mudanças profundas, como reconstruir a sociedade pós-Covid-19 a partir de políticas públicas centradas nesses dois públicos: “Ao fazer isso, resolveremos problemas estruturais com os quais temos convivido”, reforça.

Também chamou a atenção para a necessária e urgente participação cidadã ativa: “Temos de confrontar os centros de decisão (…). Usar a força de nosso voto para dizer que não pode continuar assim. Não pode porque não deve. E não deve porque não tem justificação legal, moral para que as coisas continuem como estão.”

Em tempos de pandemia, a fala de Graça Machel convoca todos a olharem para os desafios que estão sendo traçados no presente e precisam de soluções eficientes no cenário pós-pandemia. Essa equação só terá saídas eficazes se for solucionada a partir de um trabalho coletivo, que envolva os diferentes setores, para que a sociedade se torne mais justa, acolhendo todas e todos.

Ouça e compartilhe o podcast com Graça Machel e aproveite para curtir a nossa página no YouTube, acompanhando outras ações que realizaremos este ano.

https://youtu.be/ITICtjCjbdQ

*A fala de Graça Machel faz parte da live “Desigualdades e Pandemia”, realizada em 23 de junho, que, por problemas técnicos, não foi concluída.

Mentorias: estratégia que prepara os jovens para os desafios do século 21

Iniciativa que ajuda os jovens a organizar o presente e projetar seus sonhos de futuro, a mentoria é um recurso utilizado no Programa Competências para a Vida. Confira o que pensam mentor e mentorados sobre essa experiência.

Antes da pandemia revolucionar nosso cotidiano, os jovens do Programa Competências para a Vida participavam de formações presenciais e mentorias a distância, para construírem novas visões sobre si, sobre o outro e seus projetos de vida pessoal e profissional.  O isolamento social demandou novas estratégias para que essas práticas pudessem ter continuidade, mesmo que a distância. Por isso, a mentoria on-line foi adotada como meio único de propiciar momentos de formação tão essenciais a esse público.

Nas sessões, os jovens mentorados foram convidados a definir objetivos para si. Depois, com o apoio do mentor, elaboraram um plano de ação com iniciativas que pudessem levá-los a conquistar tais objetivos. Por fim, cada um escreveu uma carta ao futuro, deixando uma mensagem de como quer se ver daqui a cinco anos.

Esse trabalho conjunto, entre jovens e mentores, traz descobertas para ambos os lados. Compartilhar incertezas e perceber que, apesar de tudo, é possível chegar aonde se quer, traz um novo “gás” aos jovens que têm muito a contribuir para mudar realidades. Do outro lado, os mentores, profissionais voluntários das empresas parceiras do programa, são levados a rever sua história e se dar conta do quanto avançaram. Além disso, por servirem a uma causa, identificam-se com a garra e a força dos mentorados, fortalecendo a esperança em tempos melhores.

Respeitar o tempo para chegar aonde se quer

Antônio Donizete Evangelista de Souza trabalha na Lilly e é mentor voluntário do Programa Competências para a Vida há três anos. Ele participou da formatação original do programa, com sessões presenciais e on-line, e agora atua na versão a distância.  

Nas conversas, ele parte de sua história pessoal e profissional para integrar o grupo. Para Donizete, mostrar aos mentorados semelhanças nas trajetórias de suas vidas favorece o vínculo entre eles. “Um dos assuntos que reforço muito é a importância de não largar a escola e aproveitar o conhecimento para escalar desafios simples da vida, como dominar elementos de comunicação e oralidade. São estas competências que os ajudarão a interagir com outras pessoas”, acrescenta. 

Homem posando para foto em frente a água</p>
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Antônio Donizete: “Buscamos ajudar 

os jovens a não cometerem os mesmos

 erros que nos assombraram em momentos

 de vulnerabilidade”

Ele também conta que vivenciou um momento especial na mentoria: “Recebi uma carta do futuro, por e-mail, de uma jovem escolhida pelo programa aleatoriamente. Ela dizia que, em cinco anos, ia trabalhar para não ter a dor como sua companheira. Essa carta me emocionou muito, porque revisitei minha história e meus medos no passado. Por isso, na mentoria, buscamos ajudar os jovens a não cometerem os mesmos erros que nos assombraram em momentos de vulnerabilidade”, conclui.

Suelen Bento de Souza, 21 anos, de Sapopemba (SP), é mãe de Pietro Moisés, de 1 ano e 6 meses, e faz parte do grupo de jovens que participou das formações on-line.

“A mentoria ajudou a me conhecer mais, a ter uma nova visão sobre o futuro e a acreditar em mim. Quero me tornar uma liderança na minha comunidade e apoiar outros jovens para que tenham um trabalho, estudem e realizem seus projetos de vida”, conta a jovem. 

Suelen, 21 anos: “Na mentoria aprendi 

a respeitar o próprio tempo”

Para Suelen, a ansiedade característica do jovem muitas vezes acaba por gerar inseguranças sobre as próprias capacidades. Diante de dificuldades, essa incerteza tende a sabotar projetos. “Na mentoria aprendi a respeitar o próprio tempo. Com um filho pequeno, e agora mãe solo, não tenho como frequentar a faculdade. Então, vou fazer um curso técnico em química e, no momento certo, cursar a faculdade de Engenharia Química, que é meu sonho. Os mentores também passaram por muitas dificuldades e estão onde estão hoje. Então, eu também posso chegar aonde quero.”

A jovem mãe sabe que terá um caminho de lutas pela frente, mas não vai desistir: “O maior desafio a ser vencido na busca por um emprego é o preconceito. Se é mulher, não pode. Se é mãe, não pode. Se é negra, não pode. Se mora na periferia, não pode. Porque eu sei que consigo estudar, ter os diplomas e os recursos para me tornar uma boa profissional, mas meu perfil não condiz com o que as empresas procuram. A carta do futuro me ajudou a organizar as coisas. A separar o que é sonho e o que é fantasia”, define Suelen.

Wallerson Bassôto Rodrigues, 18 anos, de Mogi das Cruzes (SP), não acreditava em formações a distância. Para ele, era perda de tempo: “Como estava em casa sem fazer nada, decidi participar. Minha opinião mudou muito desde então. Com as pessoas certas é possível, sim, apender”.  Ele acredita que as sessões caíram como uma luva: “Acabei o Ensino Médio e estou na fase de escolher qual faculdade fazer, de ter de trabalhar. Sentia-me inseguro, perdido. Mas percebi que o que estou vivendo é a realidade de muitos e conversar com outros jovens e com o mentor ajudou a entender como lidar com essas questões”.  

Com a pandemia, Wallerson estava sem perspectivas, sem saber o que fazer com o tempo em casa, até ingressar no programa: “Foquei nas atividades propostas, como a carta do futuro. No curto prazo vou procurar trabalho. No médio prazo, quero cursar faculdade de Farmácia, para ter bastante conhecimento sobre química e, mais para frente, cursar a faculdade de Biologia, já com essa bagagem”, explica.

Wallerson, 18 anos: “Os mentores 

são inspirações para nós”

Outra desconfiança, quando participou da primeira sessão, foi saber que os mentores eram jovens. O que teriam a ensinar com pouco tempo de trajetória profissional? “Novamente me enganei”, confessa e complementa: “Eles não só tinham muita experiência para compartilhar como também sabiam conversar com a gente e entendiam nossas questões, porque passaram recentemente pelo que estamos passando. Os mentores são inspirações para nós”.