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Guia para apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem-Potência

Conforme visto em primeira mão no Evento Anual do Global Opportunity Youth Network SP, está disponível para download a íntegra do Guia para apoiar a Inclusão Produtiva do Jovem Potência.

O documento é voltado para pessoas e organizações que desejarem conhecer e se inspirar nessas aprendizagens encontradas pelo GOYN SP, ou ainda, usá-las como critérios de qualidade a serem alcançados para trabalhar em favor de juventudes-potências.

Juventudes e a pandemia do coronavírus | Relatório Especial: cidade de São Paulo | Novembro de 2021

Conforme visto em primeira mão no Evento Anual do Global Opportunity Youth Network SP, está disponível para download a íntegra do Relatório Juventudes e Pandemia, edição especial Cidade de São Paulo. A versão nacional do relatório foi idealizada pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve). Na edição de São Paulo, a promoção foi pela Rede de Conhecimento Social, GOYN SP e Coordenação de Políticas para Juventude, da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania do município.

Publicação sistematiza workshop sobre plataformas digitais voltadas à primeira infância

A United Way Brasil e a Minderoo Foundation, instituição com sede na Austrália e atuação global, uniram-se para realizar, em setembro, o workshop “Plataformas Digitais para a Primeira Infância”, com apoio técnico do Instituto Tellus. A ação teve como objetivo fomentar o ecossistema de iniciativas digitais voltadas à primeira infância, criadas e/ou potencializadas com a chegada da Covid-19, que exigiu ações inovadoras para a continuidade do trabalho junto aos públicos beneficiados pelos programas sociais. O evento promoveu a troca de conhecimento e aprendizado entre organizações do sistema público e da sociedade civil. Nos diálogos, os representantes das instituições identificaram desafios, sinergias e possibilidades de colaboração.

Dentre os temas debatidos, os participantes discutiram as oportunidades e os obstáculos da implementação das plataformas; estratégias de engajamento das famílias e de profissionais de primeira infância à ferramenta; sustentabilidade da tecnologia; e o cumprimento do objetivo de levar aos adultos os conteúdos de que precisam para exercer a parentalidade positiva. 

A desigualdade tecnológica e a falta de letramento digital, obstáculos para a democratização do conhecimento, foram outros aspectos trazido pelas instituições, assim como a necessária intersetorialidade para a promoção de um desenvolvimento infantil integral e integrado, que passa, por exemplo, pelo diálogo entre o terceiro setor e o poder público sobre o uso de plataformas digitais na disseminação do tema e de conteúdos sobre primeira infância.

O workshop viabilizou a formação de parcerias, como a da Minderoo Foundation, que trabalha pela causa para fortalecer as relações parentais e o desenvolvimento infantil. Também convidou para esse diálogo diferentes instituições que perseguem os mesmos objetivos.

Veja a lista abaixo!

SISTEMATIZAÇÃO PARA INSPIRAR E FORTALECER AÇÕES DIGITAIS 

A United Way Brasil, com o apoio da Tellus, sistematizou os diálogos e resultados das conversas realizadas durante o workshop para compartilhar subsídios àqueles que trabalham ou pretendem trabalhar com plataformas digitais com o objetivo de informar e formar seus públicos, também tendo como realidade um “novo normal”, que se configura no pós-pandemia, abrindo espaço para atuações híbridas (presenciais e a distância).

As reflexões compartilhadas no workshop, trazidas para o documento, partiram de quatro áreas de discussão: tecnologias; famílias; profissionais; intersetorialidade e políticas públicas. A partir de questões norteadoras, os participantes deram suas contribuições com base nas vivências do uso das plataformas como estratégia de atuação de suas instituições.  

A sistematização relata, por exemplo, os benefícios que as plataformas tendem a trazer aos profissionais de primeira infância para registrar dados, fazer monitoramento e avaliação dos programas. No caso das famílias, as ferramentas digitais possibilitam que tenham acesso a sites dos serviços públicos e de conteúdos relacionados ao desenvolvimento infantil. Também viabilizam a criação de uma rede de apoio porque promovem interação entre pais, mães e cuidadores, fortalecendo relações e comunidades na missão de garantir o desenvolvimento da primeira infância. Ao mesmo tempo, o documento também levanta os desafios dessa estratégia, por exemplo, de acolher e atender a diversidade cultural e de interesses do público-alvo e a falta de acesso às tecnologias por grande parte das famílias em situação de vulnerabilidade.

“Por mais que o uso de ferramentas digitais seja tema complexo e polêmico, muitas iniciativas tecnológicas inovadoras foram desenvolvidas e fortalecidas no campo da primeira infância no Brasil, na pandemia. No entanto, o contexto emergencial em que tais inovações foram criadas e a atual flexibilização das restrições sanitárias faz com que seja importante refletir sobre:

como podemos garantir que os avanços obtidos em termos de digitalização fiquem de legado para a primeira infância? Como as organizações estão se estruturando para manter os avanços em termos de digitalização em suas iniciativas? Como podemos ampliar o debate sobre o que queremos das ferramentas digitais para primeira infância?

O documento também reflete sobre o uso da tecnologia para gerar a intersetorialidade e o quanto esse propósito é difícil, porque pressupõe alguns pré-requisitos, como a manutenção permanente de dados atualizados sobre a criança, o sujeito dos cuidados. 

Por fim, a publicação elenca algumas orientações e sugestões para otimizar o uso das plataformas em favor do desenvolvimento integral das crianças brasileiras, por meio de estratégias voltadas às famílias, aos cuidadores, aos profissionais e gestores públicos.

Encontro com famílias marca o Dia Viva Unido Primeira Infância

Às 17 horas em ponto, do dia 12 de novembro, a sala virtual para celebrar o Viva Unido Primeira Infância 2021 começou a ser tomada pelas famílias atendidas pelo programa Crescer Aprendendo. O evento marcou a ação de voluntariado corporativo realizada anualmente pela United Way Brasil com empresas associadas e parceiras e seus colaboradores.

Cerca de 200 famílias acompanharam uma hora de trocas e diálogos com a psicóloga do programa. O tema “Comer e Brincar é só Começar”, da edição 2021 do Viva Unido, norteou a conversa, com informações sobre amamentação, introdução alimentar, cuidados com o que oferecer à criança, o perigo da obesidade e da subnutrição, como driblar o “não quero” e “não gosto” dos pequenos, na hora das refeições, dentre outros assuntos trazidos no chat pela plateia animada e participativa.

No que diz respeito ao brincar, a conversa reforçou a importância da brincadeira para o pleno desenvolvimento infantil, ressaltando que é por meio dela que a criança aprende mais sobre si, sobre o outro e seu entorno. Também é pelo brincar que se pode dialogar com a criança, ensinar limites, contornar momentos de estresse, tanto para ela como para quem cuida dela, além de ser uma maneira incrível de estabelecer e fortalecer vínculos de afeto.





“O meu menino acabou de fazer aniversário e me surpreendeu com o pedido de presente: pediu pra brincar com ele no parquinho. Passei a tarde com ele brincando de correr, de pique-esconde e outras brincadeiras. No final ganhei um abraço e um ‘obrigado, mamãe’.”

Relato de mãe presente ao evento 

Voluntários soltam a voz e os talentos

Durante o bate-papo interativo entre a psicóloga e as famílias, os vídeos dos voluntários do Viva Unido Primeira Infância animaram os participantes. Com as crianças frente às telas de computadores e celulares, pais e responsáveis, além de professores e gestores de creches e escolas parceiras do programa, divertiram-se com o Coral P&G, com as músicas cantadas pelas colaboradoras Rafaela Dionizio, da P&G, Simone Martins, da Johnson Control e a dança de Juliana Zerey, da Lilly. Também curtiram o Nenê do Zap (da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal), que desafiou a criançada com um divertido trava-língua.

Ao final das apresentações e conversas, que tiraram dúvidas dos adultos sobre alimentação e brincar nos primeiros anos de vida, 8 famílias, presentes ao evento, foram contempladas com uma carga do cartão-alimentação, de 80 reais cada.

Além dos vídeos apresentados durante o encontro com as famílias, crianças do programa vão receber, por meio do WhatsApp, contação de histórias e oficinas de diferentes temas, realizadas pelos voluntários das 10 instituições participantes desta edição: Covestro, Ecolab, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Instituto 3M, Johnson Controls, Lear, Lilly, O-I, P&G e Pitney Bowes.

Uma parte dos colaboradores voluntários também dedicou a manhã do dia 12 para montar cantinhos lúdicos, que vão contemplar 13 creches e escolas, com o objetivo de viabilizar um espaço de brincar qualificado para os pequenos que frequentam esses locais de formação e socialização.

Outra parte das empresas realizou campanha interna para arrecadar recursos que foram transformados em recargas de cartão-alimentação.

No total, o Viva Unido Primeira Infância reuniu 121 voluntários de diferentes partes do País que apoiaram o bem-estar de cerca de 2 mil famílias atendidas pelo Programa Crescer Aprendendo, de 20 cidades em 7 estados (AM, CE, BA, PE, SC, SP e MG).

A todos e todas que se envolveram nessa ação, o muito obrigada da equipe da United Way Brasil.

“O Viva Unido traz esperança nestes tempos de pós-pandemia, em que as incertezas, especialmente para as populações mais vulneráveis, marcam o dia a dia das pessoas. Poder acolher as famílias com conversas, trocas, entretenimento e espaços de escuta e aprendizagem, além de ampliar sua segurança alimentar, são gestos que apoiam pais e responsáveis na criação de seus filhos.

Do outro lado, envolver as empresas para que possam exercer a sua responsabilidade social e abrir espaço de participação aos seus colaboradores, criando uma rede de solidariedade, faz bem para todos os envolvidos, afinal, quando nos dedicamos ao outro mostramos o que temos de melhor”

comemora Paula Crenn Pisaneschi, gerente de programas e de voluntariado da United Way Brasil.

Quer acessar conteúdos e informações sobre o desenvolvimento infantil?

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Processos colaborativos em temas estratégicos: um caso de inclusão produtiva de jovens

O primeiro painel do segundo dia do Fórum apresentou o movimento Global Opportunity Youth Network (GOYN), que atua pela inclusão produtiva das juventudes em territórios vulneráveis, usando o impacto coletivo como estratégia. Representantes de algumas cidades onde o programa acontece compartilharam aprendizados sobre as vivências e os avanços da atuação em rede, nas suas realidades. O evento foi realizado em setembro, pela United Way Brasil, em aliança estratégica com Collective Impact Fórum, Aspen Institute, Global Opportunity Youth Network (GOYN) e Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). Apoio de disseminação de conhecimento do Instituto Sabin e cooperação da FEMSA e OEI.

O painel, mediado por Jamie McAuliffe, diretor do Aspen Institute, reuniu Daniela Saraiva, líder do GOYN SP (Brasil), ao lado da jovem-potência Ana Inêz; Camilo Carreño, diretor do GOYN Bogotá (Colômbia), que estava com o jovem-potência Jorge; e Mahmoud Noor, liderança do GOYN Mombasa (Quênia), com a jovem-potência Amina.

Jamie iniciou o diálogo, apresentando o GOYN, uma iniciativa global do Aspen Institute, criado, inicialmente, para atender as necessidades de empregabilidade de jovens dos Estados Unidos. As experiências bem-sucedidas estão sendo compartilhadas com outras cidades de países diversos, com o propósito de apoiar, globalmente, as diferentes juventudes para que possam construir uma carreira profissional bem-sucedida, quebrando ciclos de pobreza.

O GOYN não inventou a roda, como bem lembrou Jamie: “Já existem grupos e instituições, promovendo apoio aos jovens. O que pretendemos é criar um ecossistema mais coeso, reunindo todos os atores em uma rede de colaboração: governo, empresas, organizações sociais, jovens… Assim, ampliamos as chances de sucesso e de avançar mais rapidamente nessa agenda, de uma forma coordenada.”

Outra característica do movimento internacional, que utiliza a metodologia do impacto coletivo, é a atuação local. “Acreditamos, por exemplo, que as empresas dos territórios podem gerar empregos para os jovens das comunidades onde estão inseridas, respeitando maneiras de ser e necessidades de cada região”, reforçou Jamie.

Jamie McAuliffe, do Aspen Institute, na imagem acima


GOYN São Paulo: jovens no centro das decisões 

Na imagem: Daniela Saraiva, Líder do GOYN SP, acima e Ana Inês, jovem-potência do GOYN SP, abaixo

Daniela Saraiva, liderança do GOYN SP, conta que a iniciativa deu seus primeiros passos no Brasil seguindo as premissas do movimento global. “Construímos uma coalizão de vontades e de pessoas próximas que têm interesse pela causa e pela estrutura do trabalho colaborativo”. Hoje, o GOYN SP reúne mais de 80 instituições que atuam, coletivamente, para gerar oportunidades que, até 2030, promovam a inclusão no mercado de trabalho de 100 mil jovens das periferias da maior cidade do País. 

A implementação em São Paulo, articulada pela United Way Brasil, demandou algumas ações prioritárias, como a mobilização e o fortalecimento das relações de confiança entre empresas e instituições de diferentes áreas e a realização de pesquisas e estudos sobre o cenário das juventudes, mapeando oportunidades e desafios, para se pensar em soluções baseadas em evidências. Outra questão essencial foi garantir que o jovem esteja, de fato, no centro das iniciativas, não só como sujeito delas, mas como coparticipante na tomada de decisões, exercendo a liderança ativa.

“A gente chegou nas reuniões on-line e ficou lado a lado com representantes do governo, das empresas, com pessoas com as quais a gente nunca teve contato. Nos debates e nas conversas, a gente colocava nossas dores. As empresas e instituições compartilhavam as delas. Essa troca teve um grande valor, porque tínhamos uma visão estratégica mais ampla, olhando para as diferentes pontas desse ecossistema. Existem muitas ações que atuam pela empregabilidade, empreendedorismo e renda dos jovens, mas a maioria não parte dessa escuta. Não ouve o que o jovem pensa sobre elas”, revelou Ana Inês, jovem-potência. 

GOYN Bogotá: a importância dos dados para traçar cenários e soluções

Camilo Carreño, diretor do GOYN Bogotá (Colômbia), contou que, a princípio, o estudo para mapear os territórios demonstrou, em uma mesma região, que os problemas eram heterogêneos, inspirando a estruturação de uma agenda e, mais tarde, a implementação de iniciativas setoriais para realizá-la. “Assim, conseguimos integrar diferentes leituras sobre o mercado de trabalho e compreender quais eram os setores que precisavam ser trabalhados para garantir a empregabilidade das juventudes.”, explicou.

Em Bogotá, os jovens foram ouvidos e, a partir dessa escuta, as ações foram desenhadas coletivamente. Com o advento da pandemia e suas consequências, com base em pesquisas, percebeu-se que era importante incentivar os jovens, especialmente as mulheres, a terem uma presença mais ativa na área da construção, pensando na retomada econômica pós crise sanitária. O próximo passo foi vencer estereótipos e preconceitos sobre mulheres nesse ramo de trabalho – tanto junto ao mercado como entre as próprias juventudes.

Na imagem: acima, Camilo Carreño, do GOYN Bogotá | à esquerda, Jorge, jovem-potência do GOYN Bogotá | à direita, Jamie McAuliffe, do Aspen Institute

Os dados têm servido, para o GOYN Bogotá, não só com o objetivo de traçar cenários, mas, sobretudo, para monitorar indicadores e avaliar resultados, de forma sistêmica. 

Para Jorge, jovem-potência que vive na capital do País, “o GOYN Bogotá levou para a agenda pública a discussão sobre preconceito e machismo que impedem as mulheres de exercerem profissões em espaço comumente ocupados pelos homens. O Projeto Mulheres na Construção é muito forte e inovador, porque tem trabalhado a inclusão das jovens nesse nicho da produtividade, envolvendo diferentes áreas.”

GOYN Mombasa: políticas para jovens e jovens na política

A realidade da violência armada e de crimes, que atinge a cidade, acaba sendo um limitador para que as juventudes se sintam aceitas no ecossistema produtivo, já que o preconceito sobre sua origem acaba por afastá-los das oportunidades de trabalho e estudo, nos territórios adjacentes. As políticas públicas, até então, pouco tratavam das necessidades dos jovens, no entanto, como contou Mahmoud, liderança do GOYN Mombasa, por influência do movimento e dos diálogos com o governo, a Constituição passou a garantir uma porcentagem do PIB para ações voltadas à formação e empregabilidade dos jovens.

“Para fortalecer a rede de organizações e empresas que atuam pela inclusão produtiva das juventudes, nós criamos o Conselho de Jovens, com cerca de 50 representantes dos condados de Mombasa. Trazemos pessoas do governo e das empresas para estar nesse conselho multissetorial e discutir com os jovens as ações necessárias”, contou Mohamoud.

A ideia é empoderar as juventudes para que se posicionem diante das questões que as afetam, apoiando-as com mentorias e diálogos para que se apropriem dos recursos que têm para avançar nos seus propósitos coletivos de inclusão.

Amina, jovem-potência de Mombasa, contou que o Conselho busca influenciar políticas públicas e garantir direitos dos jovens. “Nós chamamos os jovens para que façam parte a fim de que, juntos, a gente mude o sistema. Uma de nossas conquistas foi ajudar a definir a distribuição do orçamento público nos condados. A gente se senta com adultos e idosos e discute, juntos, o que fazer pelo território”.

Jamie McAuliffe, do Aspen Institute, acima

| Amina, do GOYN Mombasa, à esquerda | Mahmoud Noor, do GOYN Mombasa, à direita


DURANTE TODO O FÓRUM BRASILEIRO DE IMPACTO COLABORATIVO, OS PARTICIPANTES FORAM CONVIDADOS A COMPARTILHAR SUAS REFLEXÕES SOBRE OS TEMAS ABORDADOS NOS PAINÉIS. DURANTE A EXPLANAÇÃO DO GOYN, ESTAS FORAM AS PRINCIPAIS EXPRESSÕES REGISTRADAS NO JAMBOARD:

  • Jovem no centro como parte do processo
  • As juventudes devem participar desde o início da elaboração e execução de ações pela sua inclusão produtiva e social
  • A confiança e a transparência entre diferentes instituições nutrem o impacto coletivo
  • O impacto coletivo traz coesão ao ecossistema para soluções a partir da comunidade local
  • É importante trazer os aspectos positivos das juventudes, uma outra visão sobre os jovens

Na próxima matéria, confira os principais tópicos trazidos pelos especialistas sobre os desafios e as oportunidades de financiamento de iniciativas colaborativas no Brasil.

Quer assistir ao Fórum na íntegra?

Viva Unido Juventude: inclusão e diversidade como pontos de partida

Imagine-se jovem, no pós-pandemia, com 16, 18, 20 anos… Querendo definir caminhos pessoais e profissionais para ter um presente e um futuro de sucesso, apesar da crise. Imagine-se, ainda, como um participante do programa Competências para a Vida que, ao longo de três meses, vem recebendo formação a distância, por meio de conversas com educadores e com outros jovens, além de sessões de mentoria ministradas por profissionais de grandes empresas, que se voluntariam para apoiar as juventudes em situação de vulnerabilidade.

Esse é o universo de pessoas que, além de tudo isso, também participam do Viva Unido Juventude, uma ampla ação de voluntariado corporativo, realizada anualmente pela United Way Brasil. A iniciativa reúne públicos diferentes (empresas, colaboradores e jovens) para conversarem sobre temas como empregabilidade, oportunidades, diversidade e responsabilidade social, essenciais à promoção de um ecossistema produtivo mais equitativo e sustentável. A ideia é proporcionar para ambos os lados (juventudes e colaboradores voluntários das corporações) um espaço qualificado de mútua aprendizagem e trocas. Mas o objetivo central é oferecer aos jovens escuta e acolhimento a fim de inspirá-los na construção de seus projetos de vida.

“Antes eu tinha medo de entrar na faculdade. Pensava que não ia conseguir, porque ninguém da minha família tinha entrado antes. Batalhei muito para perder esse medo. Perguntei para o meu avô se ele achava que eu daria conta. Ele respondeu: ‘Se você não acha que é capaz, não posso ser capaz por você’. Hoje curso faculdade de arquitetura.”

Genifer, jovem do Competências para a Vida

O Viva Unido Juventude 2021 aconteceu em outubro, marcado por uma semana intensa de encontros virtuais animados, cheios de histórias de vida e de boas perspectivas de futuro e de sucesso para esses jovens cheios de garra e motivação.

Nesta edição, nas 20 horas de encontros virtuais, 208 jovens de 16 a 25 anos, de São Paulo, Francisco Morato, Campinas, Valinhos, Suzano, Jaboatão dos Guararapes/PE, Manaus e Rio de Janeiro, contaram com 76 colaboradores voluntários das empresas que aceitaram o convite para participar da iniciativa:

Johnson Controls, Lenovo, Lilly, P&G, O-I, 3M e Covestro (a ser realizado em novembro).


Todos juntos pela mesma causa: o futuro das juventudes

Na sala virtual, com mais de 35 pessoas, aconteceu uma das 10 sessões da semana Viva Unido Juventude. Câmeras abertas, gente diferente se olhando e, de repente, um senhor simpático e comunicativo faz a primeira intervenção e apresenta a empresa e alguns colaboradores voluntários, que também participaram da conversa. Ele nada mais é do que Waldemar Scudeller Jr, presidente, no Brasil, da Johnson Controls. Imagine a sensação dos jovens ao saberem que um representante do topo da hierarquia, da multinacional especializada em sistemas de segurança e inteligência artificial, decidiu ser voluntário e está ali, para conversar com eles e elas… 

Esse foi só o começo, porque, em seguida, gestores de outras áreas da empresa também se apresentaram. Depois de um bate-papo mais geral, em que os jovens fizeram perguntas sobre políticas de contratação e a área de atuação da Johnson Controls, voluntários e participantes do programa Competências para a Vida foram para diferentes salas virtuais, onde teve de tudo: dicas práticas (links para fazer cursos gratuitos, maneiras de manter o LinkedIn atualizado, opções de carreiras, o que é importante falar na entrevista, como pensar o currículo, quais apoios buscar etc.) e emocionais (de que forma enfrentar os medos, não desistir e não desanimar etc.). 

“Na entrevista, não tenham vergonha de falar se seus desafios, do que consideram que precisam melhorar. O que os recrutadores querem saber é o que vocês estão fazendo para superar suas dificuldades.”

Voluntária Juliana Tomassani, Lilly

Inclusão na prática

Thais Farias trabalha na Lilly, uma das empresas parceiras do Competências para a Vida no Viva Unido Juventude. Aos 16 anos, ela conseguiu seu primeiro emprego no telemarketing. O detalhe é que Thais possui deficiência auditiva e falar ao telefone, além de ser intimidador, era um desafio.

Mas a então jovem não desanimou e conseguiu cumprir o seu trabalho, passou por outras empresas, onde adquiriu mais experiência, e está há três anos na Lilly, como assistente de uma equipe ligada à área jurídica.

A diversidade, um dos temas da edição do Viva Unido Juventude, foi pano de fundo dessa conversa, que levou aos jovens participantes uma visão mais contemporânea das corporações que assumem sua responsabilidade social.

Para os diferentes colaboradores das empresas participantes do Viva Unido Juventude, as coisas estão mudando e a preocupação em promover a equidade, contratar jovens, mulheres, priorizar negros e negras, pessoas com deficiência, LGBTI+ têm sido uma realidade crescente no mundo corporativo, um alento para as juventudes que, embora tenham pouca experiência técnica, possuem uma bagagem de competências socioemocionais de dar “inveja” a muitos profissionais com anos de carreira.

“Não tenham medo de perguntar. Sejam curiosos. É sempre bom entender o que estão fazendo. Dúvidas vão surgir, medos também. Quando eu fui jovem aprendiz, também tive muito medo, mas fui aprendendo com o tempo. Perguntar ajudou muito a alavancar a minha carreira.”

Voluntário Gabriel, Johnson Controls

Nesse sentido, comitês de inclusão e diversidade nas corporações foram citados pelos voluntários como espaço para diálogos e construção de soluções que contemplem e valorizem as diversidades. Bom para as equipes, que ganham novos olhares, bom para as empresas, que fortalecem suas marcas e seus negócios. 

Um conselho que muitos deram aos jovens foi para que conheçam o posicionamento social das empresas onde pretendem trabalhar. Os propósitos das companhias precisam condizer com os valores e planos de vida e de carreira das juventudes para que façam sentido.

Depois das conversas em grupos, no retorno ao plenário, eram visíveis os sorrisos e a sensação de que o Viva Unido Juventude, mais uma vez, cumpriu seu papel, oferecendo novas possibilidades aos jovens para que reflitam sobre suas carreiras.

“O encontro de hoje me deu esperança. Parabéns por fazerem uma abordagem muito humanizada. Agradeço muito, porque eu estava bem triste e desanimado.”

Gabriel, jovem do competências para a vida

Para os voluntários, as conversas os levaram ao passado, quando estavam nessa mesma situação, em busca do primeiro emprego. Puderam sentir os desafios e as vitórias ao compartilharem suas trajetórias, sabendo que esses aprendizados são importantes legados. Uma contribuição incrível para o sucesso das novas gerações do País.

Em 2022, a próxima edição do Viva Unido Juventude quer contar com mais empresas parceiras e seus colaboradores para ampliar a abrangência e o impacto positivo na vida das juventudes. Afinal, no pós-pandemia, mais do que nunca as juventudes precisam de nosso apoio para avançar e contribuir à construção de uma sociedade mais digna e próspera para todas e todos. 

Impacto coletivo na prática e seus resultados

No último painel do primeiro dia do Fórum Brasileiro de Impacto Coletivo, que aconteceu em setembro, lideranças femininas de três organizações internacionais compartilharam suas experiências, dialogando sobre os desafios da metodologia em diferentes contextos. O evento foi realizado pela United Way Brasil em aliança estratégica com Collective Impact Fórum, Aspen Institute, Global Opportunity Youth Network (GOYN) e Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). Apoio de disseminação de conhecimento do Instituto Sabin e cooperação da FEMSA e OEI.

O painel “Impacto coletivo na prática e seus resultados” foi mediado por Jennifer Splanksy, diretora-executiva do Collective Impact Forum, e contou com as presenças de Liz Weaver, co-CEO do Tamarack Institut; Paulina Klein, do Impacto Coletivo para pesca e aquicultura do México; e Amy Ahrens, vice-presidente de Parcerias de Impacto Coletivo da United Way.

O objetivo dessa conversa era tangibilizar a teoria sobre impacto coletivo em ações concretas. Liz Weaver apresentou a experiência do Tamarack Institute, cujo objetivo é a redução da pobreza no Canadá. Uma ação que já completou 20 anos e que partiu de iniciativas que pudessem transformar a maneira como os canadenses olhavam para essa questão. Para dar conta de um longo e robusto processo, três organizações assumiram a coordenação das estratégias e, atualmente, 300 comunidades são beneficiadas pelos resultados do impacto coletivo.

Uma das partes fundamentais dessa equação complexa foi promover a colaboração transetorial para atuar em diferentes segmentos e garantir oportunidades às populações mais pobres. Foram mobilizados os diversos níveis de governo, empresas, instituições e organizações filantrópicas, em um trabalho coletivo.

“Quando começamos, em 2000, o índice de pobreza de nossa população era de 15%. Queríamos diminuí-lo. Hoje, essa curva está caindo e passamos para a etapa de erradicação da pobreza nos próximos 10 anos”, explicou Liz.

As ações para conter e acabar com a pobreza envolvem a área de transporte, habitação (com um investimento de 55 bilhões de dólares em políticas de moradia), educação, saúde etc. O “pulo do gato” foi identificar as prioridades dos territórios e pensar com eles soluções para contemplá-las. “Criamos uma rede formada pelas comunidades, que se mantêm conectadas. Aproveitamos o que já existia de bom nessas comunidades e trabalhamos a partir daí”, reforçou.

Atuar coletivamente, envolvendo todos os níveis 

Em Salt Lake City, no estado de Utah (EUA), a atuação da United Way foi essencial para entender o que, de fato, as comunidades estavam vivenciando e como as ações impactavam positivamente ou não. “A gente via uma desconexão. De um lado, a situação ruim das comunidades e de outro as pessoas dizendo que os resultados das ações do programa social eram maravilhosos”, comentou Amy Ahrens.

Então, foi necessário ir aos territórios para ouvir essas populações. Fazer parcerias com as instituições locais. Hoje, a United Way mantém uma rede de 40 escolas para discutir com os profissionais, as famílias e os alunos as questões que afetam o aprendizado e a permanência na sala de aula, por exemplo.

Também reuniram dados sobre o que desejavam mudar e como medir resultados qualitativos para avaliar se o que estava sendo feito realmente trazia benefícios e avanços aos públicos-alvo.

Outra ação realizada foi convidar nove líderes comunitários para desenhar estratégias que garantam a empregabilidade de jovens em situação de vulnerabilidades, assim como a formação de grupos formados por pessoas dos territórios em torno de um objetivo específico, por exemplo, o aumento da taxa de estudantes que concluem as etapas de ensino. Com esse ponto comum, todos passaram a se dedicar e a desenhar estratégias capazes de transformar as comunidades a partir de uma educação mais qualificada. “Para que as mudanças aconteçam, é preciso trabalhar com atores de todos os níveis relacionados a uma determinada questão a fim de que persigam, coletivamente, resultados equitativos, sempre com base em dados, indicadores e metas comuns”, reforçou Amy.

Atuação nacional para enfrentar um desafio de todos

Fortalecer o setor da pesca e aquicultura é um propósito do México, já que essas atividades têm importante papel na economia do País e afetam, também, questões relacionadas ao meio ambiente.

“Nesse setor existem muitos conflitos que envolvem diferentes atores, desde os que trabalham na governança nacional e local até pescadores, produtores e moradores das comunidades. Além disso, temos de cuidar dos impactos na natureza”, elucidou Paulina Klein. A preocupação em manter um equilíbrio levou algumas organizações sociais a se juntarem e convidarem outros setores para um amplo diálogo e um trabalho multissetorial.

Vários avanços têm sido celebrados, como a criação de recomendações e estratégias para as comunidades pesqueiras sobre a preservação do meio ambiente, assim como a elaboração de procedimentos de inspeção e vigilância para o combate da pesca ilegal.

Paulina acredita que um dos aspectos determinantes para o sucesso e a manutenção desse trabalho, a partir da metodologia de impacto coletivo, foi a construção de relações de confiança. “É isso que mantém as pessoas compromissadas e mobilizadas, querendo saber e fazer mais, mesmo após quatro anos de implementação da inciativa”, relatou.


Assista ao painel, na íntegra:

DURANTE TODO FÓRUM BRASILEIRO DE IMPACTO COLABORATIVO, OS PARTICIPANTES FORAM CONVIDADOS A COLABORAR E COMPARTILHAR SUAS REFLEXÕES SOBRE OS TEMAS ABORDADOS NOS PAINÉIS. DURANTE A EXPLANAÇÃO DAS TRÊS LIDERANÇAS FEMININAS, ESTAS FORAM AS PRINCIPAIS EXPRESSÕES REGISTRADAS NO JAMBOARD:

  • Criar soluções sem dialogar com quem será beneficiado por elas não gera impacto coletivo. Trazer essas pessoas para as ações para pensar e planejar juntos é essencial!
  • Sem uma colaboração intersetorial, as mudanças não avançam
  • Impacto não é uma listinha de itens a serem checados
  • Impacto Coletivo é um framework para diferentes abordagens
  • Paciência e olhar a longo prazo são vitais para viabilizar o impacto coletivo
  • Mobilizar e intermediar conhecimento, parcerias e investimento
  • Processos coletivos geram aprendizagens diárias e constantes
  • Dados são fundamentais para embasar as soluções

Na próxima matéria, confira as principais reflexões trazidas pelos representantes do The Global Opportunity Youth Network (GOYN) sobre o complexo tema da empregabilidade das juventudes e a metodologia do impacto coletivo como estratégia para superar desafios da inclusão produtiva de jovens.

Quer assistir ao Fórum na íntegra?

Mentoria de mulher para mulheres: no Competências para a Vida tem!

“O que estamos fazendo para que nossos sonhos pessoais e profissionais comecem a se realizar?”

Foi com esta pergunta que Carla Lima, secretária-executiva da presidência, na Morgan Stanley, e mentora voluntária do programa Competências para a Vida, abriu a sessão on-line. As quatro jovens presentes se intercalaram nas falas, compartilhando as reflexões feitas desde a última sessão. O grupo, só de garotas, mentorado por uma profissional, sente-se à vontade para apontar seus anseios e suas dúvidas. A identificação entre elas é perceptível, por exemplo, sobre a questão da jornada dupla ou tripla de trabalho. Uma das jovens é casada e acaba assumindo muitos afazeres. Carla se solidariza, afinal, também vive essa realidade.

É nessa troca que as competências socioemocionais ganham força: empatia para entender o outro, resiliência para transformar desafios em alavanca às conquistas, autoestima e autoconfiança – abaladas durante a pandemia… Habilidades essenciais para conquistar espaços profissionais e ter sucesso na vida.

Suzana Evelyn estava confusa sobre o que fazer profissionalmente. Ela tem 17 anos e vive em Francisco Morato (SP) com seu marido. Na sessão, contou que as coisas ficaram mais claras com as mentorias e agora ela decidiu que vai ter a própria empresa de roupas, que ela mesma irá desenhar. “Já arrumei minha máquina de costura, tenho assistido a vídeos na internet e vou começar a confeccionar máscaras”, compartilha animada. No médio prazo, ela pretende cursar faculdade de Administração, porque acredita que irá ajudá-la a prosperar no seu empreendimento.

Ana Silva foi buscar apoio de uma tia psicóloga e juntou o aprendizado nas sessões do programa com a experiência da sua parente. Ana tinha muitas dúvidas sobre sua carreira e queria entrar na faculdade, mas agora entende que o melhor é frequentar um curso técnico de Fisiologia, em 2022, para começar a traçar seu caminho à universidade, na área Biomédica. 

Danielly Santos gosta de muitas coisas e quando entrou no programa Competências para a Vida, as ideias eram ainda confusas. Não sabia se queria fazer Biologia, Matemática… Pelas trocas e encaminhamentos na mentoria, começou a pesquisar mais sobre as profissões e se identificou muito com Engenharia Ambiental, escolhendo esse foco para seus próximos passos.

“Tô bem confiante no que eu quero fazer, mas se eu mudar de ideia, tudo bem. O importante é seguir o que eu gosto”

Danielly santos, 17, francisco morato (SP)

Ela admite que não pensava assim. A pressão sobre as juventudes, para que se definam, é grande. As jovens do grupo sentiam as cobranças na pele, mas ao ouvirem Carla, que fez tanta coisa antes de se tornar uma secretária bem-sucedida, elas entenderam que podem mudar de opinião. O que não podem é desistir ou fazer o que os outros querem que façam. “Eu pensava em ser professora de inglês. Comecei a ir por aí e detestei! Já meus pais sonhavam que eu fosse advogada. Fiz dois anos de faculdade de Direito e não curti. Eu tinha 23, 24 anos e não estava me achando. Então, fui juntando o que gostava e acabei trabalhando como recepcionista. Recebi o estímulo de quem me contratou, que me disse que eu tinha potencial. A partir daí, construí a minha carreira e cheguei aonde estou”, revela Carla, para uma plateia atenta.

Cristiane Alves, a outra jovem do grupo, é cantora e quer ser atriz, biomédica, psicóloga… Ainda não se definiu, mas revela que, até entrar no Competências para a Vida, não acreditava que podia ser alguma coisa, que podia sonhar alto. Hoje ela sabe que as opções são muitas, basta escolher. “Saber que posso querer é muito importante para mim. Agora eu não vou desistir. Vou atrás do que eu gosto”, diz entusiasmada.


Nunca tive um mentor

Carla Lima é mentora voluntária do Competências para a Vida na fase da pandemia. Quando soube do programa, decidiu participar e se identificou de cara com a primeira turma, formada por rapazes e garotas, que viviam no mesmo território onde ela cresceu, em Francisco Morato. “Vi minha juventude ali, de novo. Eu também tinha de pegar trem, ônibus para estudar, trabalhar. Não havia faculdade, tudo era mais complicado… As mesmas dificuldades que essa turma vivenciava”, conta.

O segundo grupo foi de Jaboatão de Guararapes (PE), que lhe proporcionou o contato com outras realidades. E agora ela assumiu a mentoria do grupo de garotas, novamente voltando ao seu território (Francisco Morato). “Pesquisei muito sobre a realidade das mulheres negras e, também, sobre a Síndrome da Impostora, que fala da autossabotagem. Procurei apoiá-las nas suas decisões e aprendi bastante com essas jovens”. Para Carla, o grupo começou a mentoria com muitas dúvidas. “Mas agora elas estão bem centradas. Entenderam que podem ser o que quiserem. Que vão ter de batalhar muito para realizar sonhos, mas que têm o que precisam para isso e, o que não têm, vão conquistar”, ressalta.

Carla nunca viveu essa experiência, de receber orientações na juventude sobre suas escolhas. “Na verdade, convivi com muitas pessoas negativas. Precisei vencer essa barreira, me impor e perseguir meus sonhos”, conta. Agora ela apoia jovens para que façam o mesmo.


A dor e a delícia de ser jovem e mulher

Empoderar as jovens para que conquistem seus espaços, apesar de todas as pressões que enfrentam e que revelam a desigualdade de gênero e de raça no mundo do trabalho, é um dos papéis da mentoria do Competências para a Vida. Elas sabem que terão de lutar contra o preconceito.

“As pessoas subestimam muito as mulheres. Geralmente para nós sobram os cargos de entrada nas empresas, com salários inferiores aos dos homens. Mas a gente sabe que tem a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Tanto que nossas vidas são diferentes das dos homens. Ter uma mentora mulher me ajudou a acreditar que posso conseguir construir uma carreira profissional com sucesso”, conclui Suzana Evelyn.

Para Danielly, “ser mulher é ter de provar todo dia que se é capaz. Ter a mentoria da Carla reforça a representatividade de gênero no mercado de trabalho. Ela é uma referência de garra, de que vamos conseguir chegar aonde queremos, sim, e ser tão boas quanto os homens. O programa me ajudou a me priorizar, a investir em mim, a cuidar da minha saúde mental, a me conhecer melhor e aprender antes de sair correndo atrás de qualquer emprego. Sinto-me bem mais preparada para essa caminhada pessoal e profissional, como jovem e mulher”.

Metodologia do impacto coletivo: uma estratégia para a colaboração que gera resultados

Na terceira matéria sobre o Fórum Brasileiro de Impacto Coletivo vamos saber como surgiu esse conceito por meio da entrevista inédita com um dos “pais” da metodologia, John Kania. O Fórum foi realizado pela United Way Brasil em aliança estratégica com Collective Impact Fórum, Aspen Institute, Global Opportunity Youth Network (GOYN) e Gife (Grupo de Institutos Fundações e Empresas), com apoio de disseminação de conhecimento do Instituto Sabin e cooperação da FEMSA e OIE.

Na segunda parte do evento, no dia 29, o jornalista Fernando Rossetti entrevistou John Kania, fundador e diretor-executivo do Collective Change Lab. John é pesquisador, escritor e palestrante sobre temas que discutem como as organizações e as pessoas têm empreendido mudanças nas diferentes realidades, nos últimos 30 anos, sendo considerado um dos criadores do conceito de impacto coletivo. 

Tudo começou em 2011, quando ele atuava na FSG e estava trabalhando com diferentes organizações, individualmente. “Todas tinham missões incríveis e queriam mudar o mundo, o que é ótimo, mas ficava claro que nenhuma delas conseguiria atingir suas metas isoladamente. Então, demos alguns passos para trás e começamos uma pesquisa para obter insights e pensar em como reunir instituições de setores diferentes para obter avanços positivos em maior escala”, explicou John, em resposta à pergunta de Fernando, sobre como a metodologia foi desenvolvida.

O resultado dessa pesquisa trouxe a confirmação de que a colaboração entre as organizações era mínima. Com base no pouco que existia, fizeram uma análise mais aprofundada e chegaram a cinco condições básicas para que a atuação coletiva aconteça e gere impacto: ter uma agenda comum (definição do problema e o que se quer fazer para enfrentá-lo); indicadores compartilhados (organizações que atuam com a mesma causa deveriam usar o mesmo escopo de indicadores para entender avanços e desafios comuns); ações que se reforçam (integrar as atividades que as instituições realizam); comunicação contínua (um diálogo permanente entre as organizações que estão atuando juntas); ter uma organização de base (responsável em coordenar todo o processo e os envolvidos nessa operação coletiva).

Assista ao painel de John Kania e Fernando Rossetti abaixo:


Impacto coletivo é para problemas complexos e exige mudança de cultura

Para John, existem três tipos de desafios: simples, complicados e complexos. O impacto coletivo se aplica aos complexos que, na nossa realidade, estão relacionados a questões sobre as quais não sabemos tudo, que envolvem muitas pessoas, situações e instituições, como é o caso de vacinar toda a população contra a Covid-19, por exemplo. 

“Para mudar um sistema e torná-lo eficiente, é preciso trazê-lo para a sala”, explicou John. “É necessário envolver todos os players que fazem esse sistema acontecer, porque essas pessoas e instituições precisam trabalhar juntas e eu acredito que a essência do impacto coletivo está nos relacionamentos. Acredito que se quisermos mudar sistemas, precisamos mudar as pessoas, ou seja, os esforços de impacto coletivo estão relacionados à mudança de cultura, que é feita por pessoas. Estas vêm e vão, mas a cultura fica. E se ela for frágil, as transformações não se sustentam”, reforçou. Ou seja, mudar o sistema pressupõe mudar as condições que o criaram e que o mantêm dessa forma, ineficiente.

John acredita que as responsabilidades devem ser distribuídas quando se trata de atuar em colaboração para gerar impacto coletivo. Nunca se deve depender de um líder, mas a cooperação como base, porque não é um modo hierarquizado de se fazer as coisas. “Tem um papel, na metodologia, que é o líder do sistema, que coletiva a liderança sistêmica, cujo papel é nutrir e apoiar a mudança, ao invés de ‘puxá-la’”, definiu o especialista. “Diferentes especialistas se juntam para pensar em soluções para um problema específico”, reforçou.

Soluções de e para longo prazo

Dentre as perguntas trazidas pelo público do evento, uma mereceu destaque nessa conversa: “Qual o tempo necessário para uma ação de impacto coletivo acabar e se cumprir?”. John foi cirúrgico na sua resposta: “Problemas complexos são questões de gerações inteiras. A pobreza, por exemplo, é geracional e, provavelmente, vai existir por muito tempo, mas que, se percebida como essencial, tende a se enfraquecer com o tempo, diante das ações coletivas e coordenadas”. Mas ele também aconselha: “Se não se obtém progressos com determinada questão, em dois ou três anos, provavelmente é algo que não vale a pena continuar. Para se obter sucesso, é preciso que sejam percebidas mudanças sistêmicas.”

Com relação aos investimentos necessários para sustentar iniciativas de impacto coletivo, John acredita que organizações e empresas com fins filantrópicos podem manter a espinha dorsal da ação (uma organização que protagonize a articulação da colaboração, por exemplo), mas também podem ter um papel importante no corpo da liderança, “normalmente um comitê consultivo que seja multissetorial”, recomendou.


DURANTE TODO FÓRUM BRASILEIRO DE IMPACTO COLABORATIVO, OS PARTICIPANTES FORAM CONVIDADOS A COLABORAR E COMPARTILHAR SUAS REFLEXÕES SOBRE OS TEMAS ABORDADOS NOS PAINÉIS. DURANTE A EXPLANAÇÃO DE JOHN KANIA, EM ENTREVISTA AO FERNANDO ROSSETTI, ESTAS FORAM AS PRINCIPAIS EXPRESSÕES REGISTRADAS NO JAMBOARD
  • “As surpresas e os imprevistos fazem parte do processo”
  • “O impacto coletivo acontece a partir de soluções integradas, que precisam ser comunicadas e alinhadas entre as organizações envolvidas”
  • “Uma agenda comum exige um trabalho em conjunto se quer, de fato, gerar impacto sustentável”
  • “Se ocorrem mudanças, as soluções vão emergir”
  • “A essência do impacto coletivo tem a ver com os relacionamentos”
  • “A oportunidade de colaboração é uma forma estrutural e o caminho para o futuro”
  • “Para as empresas se engajarem, as causas têm de ser cruciais para os negócios”
  • “A gestão do conhecimento ajuda a construir o tecido e fortalecer o processo”
  • “Importante que os participantes entendam os progressos, vejam sentido e queiram continuar. São processos longos, mas com ganhos reais”

Na próxima matéria, confira o impacto coletivo na prática, por meio de experiências compartilhadas por Liz Weaver, co-CEO do Tamarack Institute, Paulina Klein, do Impacto Coletivo para Pesca e Aquicultura do México, Amy Ahrens Terpstra, vice-presidente de parcerias de impacto coletivo da United Way Salt Lake, mediadas por Jennifer Splansky Juster, diretora executiva do Collective Impact Forum da FSG.

Quer assistir ao Fórum na íntegra?