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Live aborda como trabalhar inseguranças de pais e mães nestes tempos difíceis

No último dia 28 de abril, pais, mães e responsáveis por crianças pequenas, beneficiários do Programa Crescer Aprendendo Digital, participaram da live “Desafios familiares em tempo de crise”, realizada pela United Way Brasil em parceria com a FEMSA e apoio institucional da Plan International.

Mediados por Sofia Rebehy, coordenadora do programa de primeira infância, Crescer Aprendendo, os especialistas convidados dialogaram sobre os sentimentos de pais e cuidadores diante das incertezas de uma fase híbrida que começa a se configurar na vida das pessoas, intercalando situações de restrição com o retorno a algumas atividades presenciais.

Flávio Debique, Gerente Nacional de Programas da Plan Iternational; Vera Iaconelli, psicanalista e escritora; Ana Paula Ferreira, pedagoga e moderadora no grupo de Mães Pretas Presentes; e Luciano Ramos, consultor sênior e gestor do Coletivo Pais Pretos Presentes trouxeram diferentes visões sobre os desafios enfrentados pelas famílias em situação de vulnerabilidade, nestes tempos complexos.

“A pandemia trouxe muitas questões para a nós, principalmente para as mulheres pretas, da periferia, que chefiam suas casas. Para os pais também. Muitos perderam o trabalho. Muitas mulheres do nosso coletivo são mães solo e às vezes não têm uma rede de apoio”, ressalta Ana Paula, evidenciando a importância de coletivos e de ações que promovam o apoio às famílias: “Nosso coletivo oferece acolhimento, escuta ativa, para que essas mulheres tenham uma saúde mental, para que se sintam apoiadas para continuar o trabalho. Com o fechamento das escolas, muitas mulheres perderam a maior rede de apoio que tinham. E o que a gente traz de positivo do coletivo? Esse aquilombamento entre as mulheres, que faz com que as situações difíceis fiquem mais fáceis”.

Para os homens e pais, as questões também são complexas e exigem mudanças. “Quando a gente fala das masculinidades e paternidades a gente está falando de um modelo rígido, construído através do machismo que diz que o homem precisa prover. Muitos desses homens perderam seus postos de trabalho. Muitos trabalhavam informalmente e perderam também seus lugares de atuação, ficando mais tempo em casa. A gente ouve muitos homens trazendo situações complexas, entrando em depressão, dizendo não saber se encontrar dentro do ambiente familiar. Não é à toa que durante a pandemia cresceu o número de violência doméstica. O Coletivo Pais Pretos Presentes tem tentado atuar com ajuda financeira e com apoio psicológico”, comentou Luciano, reforçando a importância da rede para fortalecer as famílias e as relações que estabelecem nos seus lares.

Para Flávio, é preciso garantir esse apoio e usar também os equipamentos públicos. “Não temos soluções fáceis, mas acho que quando a gente se junta, seja virtualmente, seja na vizinhança, nos instrumentos e equipamentos comunitários, pode ser que algumas coisas fiquem menos pesadas. Procurem na sua vizinhança, nos grupos de WhatsApp. Pode ser que igrejas e organizações estejam realizando ações, os próprios CRAS e CREAS. Então, verifique no seu entorno aonde você pode buscar ajuda”.

A importância do autocuidado

Manter a saúde mental diante de tudo que se apresenta nesta fase é outro desafio para adultos que cuidam das crianças. Para Flávio, o autocuidado é essencial na manutenção do equilíbrio saudável das relações familiares: “Tudo isso vai passar, é um período difícil, mas a gente aponta para o futuro com esperança. Parece uma bobagem, mas tirar um momento do dia para tomar sol, tomar muita água, respirar muito bem faz a diferença. Eu sempre digo que a melhor solução para os nossos problemas é a respiração. Em um momento de muita tensão, quando todo mundo já foi dormir, sentar um pouquinho, respirar tranquilamente. Quando você está fazendo isso, pensar no quanto você é importante, o quanto você tem de poder e o quanto você está conseguindo enfrentar tudo isso”, reforçou. 

“Nenhum de nós está muito bem nesse momento. Quem está bem não sabe o que está acontecendo. Então é necessário a gente acolher as nossas tristezas e angústias, pois tentar lidar com isso sozinhos, a gente não consegue. Pedir ajuda é necessário”, ponderou Luciano.

Para Vera Iaconelli, manter a sanidade e o equilíbrio também passa pelo reconhecimento do sofrimento que estamos vivenciando: “É importante você poder falar sobre o seu sofrimento de uma forma que você também se escute. Que você reconheça o seu lugar porque muitas vezes a gente sofre e acha que a vida é assim mesmo. Então faz parte desse processo a gente olhar para os nossos filhos e tentar mostrar para eles que a nossa condição nem sempre revela quem nós somos e que, mais do que nunca, nessas redes comunitárias é que a gente vai mostrando e reconhecendo o valor das pessoas”.

O papel de cada um é de todos

Com a pandemia, os papeis da maternidade e paternidade foram colocados em xeque. As mulheres se viram mais sobrecarregadas e os homens, como já dito, sem saber bem como integrar uma dinâmica familiar diferente. Para Vera, “os pais têm sido vistos como provedores materiais historicamente. Mas as mães são provedoras de trabalhos domésticos, são provedoras de trabalho também. Hoje a gente já sabe que isso está invertido. Tem mais mulheres administrando as famílias do que os homens. Está na hora de mudar o rumo dessa conversa e as pessoas pensarem que em uma família tem vários provedores de várias coisas e às vezes a coisa se alterna. As vezes um está trabalhando fora e outro não. As vezes os dois estão trabalhando ‘dentro’. E a gente mostra isso para as crianças. Isso pode ser um valor: bem-vindo ao século 21, isso é um valor para meninos e meninas. Os nossos filhos precisam ser criados para uma outra geração em que homens e mulheres possam fazer de tudo”.

Clique aqui e assista a live na íntegra para conferir outras dicas e reflexões trazidas pelos especialistas: https://www.youtube.com/watch?v=4liw8ccWwIg 

Live aborda como trabalhar inseguranças de pais e mães nestes tempos difíceis

No último dia 28 de abril, pais, mães e responsáveis por crianças pequenas, beneficiários do Programa Crescer Aprendendo Digital, participaram da live “Desafios familiares em tempo de crise”, realizada pela United Way Brasil em parceria com a FEMSA e apoio institucional da Plan International.

Mediados por Sofia Rebehy, coordenadora do programa de primeira infância, Crescer Aprendendo, os especialistas convidados dialogaram sobre os sentimentos de pais e cuidadores diante das incertezas de uma fase híbrida que começa a se configurar na vida das pessoas, intercalando situações de restrição com o retorno a algumas atividades presenciais.

Flávio Debique, Gerente Nacional de Programas da Plan Iternational; Vera Iaconelli, psicanalista e escritora; Ana Paula Ferreira, pedagoga e moderadora no grupo de Mães Pretas Presentes; e Luciano Ramos, consultor sênior e gestor do Coletivo Pais Pretos Presentes trouxeram diferentes visões sobre os desafios enfrentados pelas famílias em situação de vulnerabilidade, nestes tempos complexos.

“A pandemia trouxe muitas questões para a nós, principalmente para as mulheres pretas, da periferia, que chefiam suas casas. Para os pais também. Muitos perderam o trabalho. Muitas mulheres do nosso coletivo são mães solo e às vezes não têm uma rede de apoio”, ressalta Ana Paula, evidenciando a importância de coletivos e de ações que promovam o apoio às famílias: “Nosso coletivo oferece acolhimento, escuta ativa, para que essas mulheres tenham uma saúde mental, para que se sintam apoiadas para continuar o trabalho. Com o fechamento das escolas, muitas mulheres perderam a maior rede de apoio que tinham. E o que a gente traz de positivo do coletivo? Esse aquilombamento entre as mulheres, que faz com que as situações difíceis fiquem mais fáceis”.

Para os homens e pais, as questões também são complexas e exigem mudanças. “Quando a gente fala das masculinidades e paternidades a gente está falando de um modelo rígido, construído através do machismo que diz que o homem precisa prover. Muitos desses homens perderam seus postos de trabalho. Muitos trabalhavam informalmente e perderam também seus lugares de atuação, ficando mais tempo em casa. A gente ouve muitos homens trazendo situações complexas, entrando em depressão, dizendo não saber se encontrar dentro do ambiente familiar. Não é à toa que durante a pandemia cresceu o número de violência doméstica. O Coletivo Pais Pretos Presentes tem tentado atuar com ajuda financeira e com apoio psicológico”, comentou Luciano, reforçando a importância da rede para fortalecer as famílias e as relações que estabelecem nos seus lares.

Para Flávio, é preciso garantir esse apoio e usar também os equipamentos públicos. “Não temos soluções fáceis, mas acho que quando a gente se junta, seja virtualmente, seja na vizinhança, nos instrumentos e equipamentos comunitários, pode ser que algumas coisas fiquem menos pesadas. Procurem na sua vizinhança, nos grupos de WhatsApp. Pode ser que igrejas e organizações estejam realizando ações, os próprios CRAS e CREAS. Então, verifique no seu entorno aonde você pode buscar ajuda”.

A importância do autocuidado

Manter a saúde mental diante de tudo que se apresenta nesta fase é outro desafio para adultos que cuidam das crianças. Para Flávio, o autocuidado é essencial na manutenção do equilíbrio saudável das relações familiares: “Tudo isso vai passar, é um período difícil, mas a gente aponta para o futuro com esperança. Parece uma bobagem, mas tirar um momento do dia para tomar sol, tomar muita água, respirar muito bem faz a diferença. Eu sempre digo que a melhor solução para os nossos problemas é a respiração. Em um momento de muita tensão, quando todo mundo já foi dormir, sentar um pouquinho, respirar tranquilamente. Quando você está fazendo isso, pensar no quanto você é importante, o quanto você tem de poder e o quanto você está conseguindo enfrentar tudo isso”, reforçou. 

“Nenhum de nós está muito bem nesse momento. Quem está bem não sabe o que está acontecendo. Então é necessário a gente acolher as nossas tristezas e angústias, pois tentar lidar com isso sozinhos, a gente não consegue. Pedir ajuda é necessário”, ponderou Luciano.

Para Vera Iaconelli, manter a sanidade e o equilíbrio também passa pelo reconhecimento do sofrimento que estamos vivenciando: “É importante você poder falar sobre o seu sofrimento de uma forma que você também se escute. Que você reconheça o seu lugar porque muitas vezes a gente sofre e acha que a vida é assim mesmo. Então faz parte desse processo a gente olhar para os nossos filhos e tentar mostrar para eles que a nossa condição nem sempre revela quem nós somos e que, mais do que nunca, nessas redes comunitárias é que a gente vai mostrando e reconhecendo o valor das pessoas”.

O papel de cada um é de todos

Com a pandemia, os papeis da maternidade e paternidade foram colocados em xeque. As mulheres se viram mais sobrecarregadas e os homens, como já dito, sem saber bem como integrar uma dinâmica familiar diferente. Para Vera, “os pais têm sido vistos como provedores materiais historicamente. Mas as mães são provedoras de trabalhos domésticos, são provedoras de trabalho também. Hoje a gente já sabe que isso está invertido. Tem mais mulheres administrando as famílias do que os homens. Está na hora de mudar o rumo dessa conversa e as pessoas pensarem que em uma família tem vários provedores de várias coisas e às vezes a coisa se alterna. As vezes um está trabalhando fora e outro não. As vezes os dois estão trabalhando ‘dentro’. E a gente mostra isso para as crianças. Isso pode ser um valor: bem-vindo ao século 21, isso é um valor para meninos e meninas. Os nossos filhos precisam ser criados para uma outra geração em que homens e mulheres possam fazer de tudo”.

Clique aqui e assista a live na íntegra para conferir outras dicas e reflexões trazidas pelos especialistas: https://www.youtube.com/watch?v=4liw8ccWwIg 

GOYN SP participa de Fórum Internacional e reforça a importância de dados no enfrentamento das injustiças estruturais

Realizado anualmente, o Fórum do Impacto Coletivo é uma iniciativa do Aspen Institute e FSG, com o objetivo de fortalecer a atuação de diferentes organizações espalhadas pelo mundo. O GOYN SP participou do evento, dando a sua contribuição ao fortalecimento dessa grande rede mundial de transformações sociais.

Pessoas e instituições de diversos setores, mas com ideias semelhantes sobre as mudanças que precisamos empreender para construir um mundo mais justo, estiveram reunidas na edição de 2021 do Collective Impact Forum (Fórum do Impacto Coletivo), de 27 a 29 de abril.

O encontro é uma ampla oportunidade de troca de experiências e conhecimentos para acelerar a eficácia de estratégias das organizações para que promovam o impacto coletivo nas diferentes comunidades.

O GOYN SP, articulado em São Paulo pela United Way Brasil, foi representado por sua gerente, Daniela Saraiva, e por Juliana Silva de Oliveira, membro do Núcleo Jovem, para dialogar com outros participantes internacionais o tema “Compreendendo e enfrentando a injustiça estrutural em um ambiente global: uma conversa com jovens GOYN e líderes comunitários”.

No mesmo grupo de debate estavam presentes: Amina Mahmood, membro do Núcleo Jovem do GOYN de Mombasa, no Quênia; Mahmood Noor, Diretor Executivo da Swahilipot Hub Foundation e do GOYN de Mombasa; e Nokonwaba Nathi Fono, coordenadora de projeto na YouthBuild South Africa, apoiando os jovens do GOYN de eThekwini. 

Durante a conversa, mediada por Petula Nash, Diretora Técnica Global para a Programação Juvenil da Catholic Relief Services, parceira global da Global Opportunity Youth (GOYN), os painelistas enfatizaram a injustiça estrutural como cerne da visão e da teoria de mudança do GOYN, em todo o mundo. Para o GOYN, as injustiças estruturais são aquelas replicadas por um sistema de regras que enfraquece grupos sociais específicos e se manifestam de maneiras diferentes nas comunidades. Tais desafios se apresentam como oportunidades para os jovens desempenharem seu papel de líderes locais e enfrentar essas questões de forma coletiva e colaborativa.

O tema é mais do que oportuno, como apontou Petula: “Temos falado sobre injustiça estrutural por muitos anos, mas agora esta questão está na vanguarda. A Covid-19 ampliou essas injustiças – global e localmente -, bem como exacerbou muitas desigualdades. Por outro lado, existem movimentos globais e nacionais trabalhando ativamente para combatê-las. Vale ressaltar que não estamos apenas falando sobre injustiça racial, mas pensando mais amplamente nas que estão enraizadas no ecossistema e relacionadas a gênero, casta, tribo, orientação sexual, religião ou outros fatores que impedem os jovens-potência de acessarem e garantir oportunidades econômicas viáveis”.

Jovens com a palavra

Juliana, membro do Núcleo Jovem do GOYN SP, e uma das fundadoras do Comitê de Equidade do movimento, deu o seu depoimento sobre a importância do Comitê para o enfrentamento das injustiças estruturais. “Em São Paulo, a equidade caminha a passos de formiga, porque existe muito preconceito com a juventude das periferias, especialmente de gênero e raça. O comitê ajudou a quebrar bolhas. É um espaço onde nós, jovens periféricos, falamos de nossas dificuldades e expectativas para pessoas que estão nas instituições e que podem nos ajudar. Um lugar onde somos reconhecidos como atores ativos e com habilidades para enfrentar as desigualdades e as injustiças estruturais. Porque, o que mais mata, é o silêncio. Poucas vezes temos a oportunidade de falar o que sentimos. Não tem nada pior do que não ter a sua voz ouvida e o comitê é crucial nesse sentido. É uma forma de os jovens atuarem pelo impacto coletivo, colaborando no desenvolvimento de seus territórios”. Outro grande diferencial do Comitê de Equidade do GOYN SP, segundo Juliana, é a possibilidade de uma construção conjunta e democrática de regras, objetivos e ações a partir da perspectiva do jovem-potência. 

As injustiças estruturais em países da África, por exemplo, também englobam preconceitos tribais e religiosos, segundo Amina, a jovem-potência do Quênia. Para enfrentá-las, o Núcleo Jovem do GOYN de Mombasa realiza formações para discutir essas questões. “Apoiamos os jovens do território para que acessem as políticas públicas. Atualmente, temos discutido muito sobre as eleições em 2022, para que votem em candidatos que tenham a real intenção de mudar o sistema e combater essas injustiças”, explicou.

A importância dos dados para mapear vulnerabilidades

Daniela Saraiva apresentou a pesquisa “Desafios e Oportunidades para a Inclusão Produtiva de Jovens-Potência na cidade de São Paulo”, realizada pelo GOYN SP em parceria com a Accenture Brasil, para mostrar como os dados têm sido utilizados na construção de soluções aos problemas que geram as injustiças estruturais na maior cidade do País. “Um dos pilares do trabalho do GOYN é entender a realidade a partir de dados concretos que indiquem as oportunidades e como trabalhá-las em cooperação. Por isso, além de coletá-los, convidamos 18 jovens para atuarem diretamente nessa pesquisa. Eles foram buscar informações com outros jovens nas periferias. Isso nos deu um escopo maior do mapeamento”, explicou.

Depois dessa ampla coleta, mais de 60 organizações da rede analisaram os dados e identificaram desafios e oportunidades de inclusão produtiva. Toda a pesquisa está contida em uma publicação de cerca de 400 páginas, sistematizada em um documento acessível a todos e todas que têm interesse e trabalham com o tema (leia matéria sobre a pesquisa). O estudo indica quatro grandes áreas a serem trabalhados pela rede GOYN SP: racismo estrutural, evasão escolar, lacuna digital e crise laboral, também identificadas pelos demais participantes da conversa como oportunidades nos seus territórios.

Durante o diálogo, ficou evidente que o uso de dados é essencial para apontar caminhos. “Dados estão no cerne de tudo o que estamos discutindo aqui. Por meio deles também pudemos identificar territórios onde as populações vivem com menos de 1 dólar, não possuem escolas ou as escolas são ruins, as pessoas vivem em favelas sem qualquer estrutura. Os jovens desses lugares não recebem formação adequada e não têm acesso a oportunidades. Os dados mostram onde devemos atuar”, complementa Mahmood Noor, de Mombasa.

“A falta de dados atualizados, especialmente durante a pandemia, em que as injustiças se ampliaram, é um grande problema para nosso país. A suspensão do Censo, previsto para o ano que vem, vai nos impedir de acessar informações cruciais, o que pode impactar negativamente o futuro dos jovens”, alerta Daniela Saraiva na sua exposição.  Por isso, o trabalho em rede do GOYN SP será essencial nessa jornada de gerar oportunidades para garantir a inclusão produtiva aos mais de 700 mil jovens-potência da cidade de São Paulo.

Acesse aqui a pesquisa apresentada pelo GOYN SP no Fórum: https://www.goynsp.org/jovempotencia/ 

Conselho Deliberativo da United Way Brasil tem novos membros empossados hoje

Na Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária anual, a organização elegeu o novo conselho, garantindo mais diversidade e vozes para a tomada de decisões. Auditoria externa aprovou, sem ressalvas, números do balanço financeiro de 2020, reforçando a transparência da atuação da United Way Brasil.

Na manhã de 29 de abril, equipe gestora, empresas e instituições associadas à United Way Brasil se reuniram para realizar a Assembleia Ordinária e Extraordinária com o objetivo de eleger presidente, vice e novos membros do Conselho Deliberativo, aprovar as demonstrações financeiras do exercício de 2020 e conhecer o parecer da auditoria externa sobre o balanço financeiro.

Na primeira parte da reunião virtual, candidatos à eleição foram apresentados e aberta a votação. Para assumir a presidência do Conselho Deliberativo, nos próximos dois anos, elegeram Juliana de Azevedo (Presidente da P&G) e para a vice-presidência, Luciene Lopes Sanfilippo (vice-presidente de RH da Lear do Brasil). Passaram a também compor o conselho: Leonardo Framil (CEO Accenture), Marcelo Oromendia (presidente da 3M do Brasil), Nina Silva (fundadora do Movimento Black Money) e Tony Marlon (educador e comunicador social), garantindo mais diversidade à gestão, uma das premissas assumidas pela United Way Brasil para fortalecer a sua governança. 

Nos últimos dois anos, Orson Rhazes (vice-presidente da Ecolab) esteve à frente da presidência desse conselho e sua gestão impecável foi marcada pela equipe da organização por meio de uma homenagem durante o evento. O legado de Orson é essencial para a continuidade de um trabalho que, apesar das constantes crises locais e mundiais, tem avançado no objetivo de apoiar o desenvolvimento das novas gerações de brasileiros.

Clique aqui e conheça todos os membros de nosso Conselho Deliberativo. 

Excelência na prestação de contas 

Na segunda parte da reunião, foi compartilhado o relatório da TATTICA Auditores Independentes, com a análise das demonstrações contábeis da organização, denotando a transparência das informações que compõem todos os tópicos do balanço, aprovado pelos auditores na sua totalidade, sem qualquer ressalva. 

A prestação de contas da United Way Brasil, assim como a formação de um conselho diverso, reflete o trabalho totalmente focado na causa da infância e juventude para apoiar a construção de uma sociedade mais justa para todos. Trabalho este que, em 2021, completa 20 anos no País.

Neste link, acesse o Relatório de Atividades 2020, com descrição da atuação da organização, os resultados alcançados, as demonstrações contábeis e o parecer da auditoria: https://unitedwaybrasil.org.br/wp-content/uploads/2021/04/RA_ABRIL_2021-_.pdf 

Café Goyn lança publicação sobre desafios e oportunidades para a inclusão produtiva de jovens

Evento realizado em 23 de abril reuniu especialistas para comentar os achados da pesquisa “Desafios e Oportunidades para a Inclusão Produtiva de Jovens-Potência na cidade de São Paulo”, realizada pelo GOYN SP em parceria com a Accenture.

Racismo estrutural, evasão escolar, crise laboral e lacuna digital, os quatro temas que permearam o diálogo da segunda edição do Café GOYN SP, são os eixos-chave trazidos pela publicação, lançada no Café, para mapear os desafios enfrentados pelas juventudes das periferias, e, também, olhar para as oportunidades que eles geram a fim de superar o déficit da inclusão produtiva dos mais de 700 mil jovens-potência da maior cidade do País. Os dados e a apresentação da pesquisa, na abertura do evento, foram complementados pelas reflexões trazidas por especialistas.

Para dialogar sobre racismo estrutural, foram convidados Kelly Quirino, Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília, professora da disciplina Comunicação e Diversidade e Epistemologias Negras no bacharelado de Comunicação Organizacional da UNB e consultora em gênero e raça, e Hugo Sabino, membro do Centro de Promoção da Saúde (Cedaps) e líder do Programa Jovens Construtores pelo Brasil. 

Kelly apontou a importância de as instituições investirem no letramento racial porque “maximiza as potencialidades dos jovens e gera valor agregado junto ao mercado produtivo. O Brasil perde muitos talentos não olhando para isso”.  Segundo Hugo, é preciso focar “no que não é evidente, porque o racismo explícito a gente conhece. Por isso, é importante pautar esse olhar para enfrentar o racismo estrutural nas coisas que a gente já naturalizou”.

Monica Pinto, Gerente de Desenvolvimento Institucional da Fundação Roberto Marinho, Mestre em Educação pela PUC-RJ, com MBA pela COPPE/UFRJ, e membro do Conselho de Governança do GIFE, levantou importantes reflexões sobre o tema evasão escolar. Para ela, “antes de falar em evasão, precisamos olhar para a distorção entre idade e série. Se a gente abrir os microdados, os estudantes que abandonam a escola e ficam para trás são, em sua maioria, autodeclarados pardos e negros. A educação reproduz o racismo estrutural do País. É preciso criar políticas públicas intersetoriais, porque a educação é uma questão de toda a comunidade”.

Para falar sobre crise laboral, o terceiro eixo trazido pela pesquisa, o GOYN SP convidou Diogo Jamra Tsukumo, Gerente de Articulação do Itaú Educação e Trabalho, da superintendência da Fundação Itaú para Educação e Cultura, que atua há mais de 15 anos na articulação, concepção e implementação de políticas públicas de redução das desigualdades sociais. O diálogo contou com a participação de Henrique Medeiros, o Riqueza, jovem artista, da região do Grajaú, que integra o Núcleo Jovem do GOYN SP e o coletivo Vilani-se. Para Diogo, “é preciso pensar qual trabalho existirá no futuro. O que se sabe, é que os profissionais precisarão ser mais criativos, possuir habilidades de gestão e saber tomar decisões. O trabalho repetitivo está sendo automatizado e é o que hoje tem inserido mais jovens. Precisamos ter na pauta quatro tendências que vão impulsionar o mercado produtivo: inovação tecnológica, revisão das relações de trabalho, processo de globalização e mudanças demográficas”. Henrique usou o próprio exemplo para ilustrar a crise laboral na vida dos jovens: “Com toda essa situação, não consigo fazer a minha arte. Outro dia fui fazer um ‘bico’ que, segundo a pessoa que me chamou, era para terminar às 17h. Sai de lá às 22h depois de passar o dia descarregando caminhão. Sem benefícios, sem vínculo”, lamentou, explicitando o que o inquieta: “Me preocupa muito o futuro do trabalho para o jovem”.

Coube à Mariana Zuppolini, líder de Cidadania Corporativa para a América Latina na Accenture, cuja função é levar inovação ao setor social para transformar as comunidades, levantar reflexões sobre o último tema da pesquisa: lacuna digital. “O desafio-chave para inserir os jovens é garantir o mínimo de estrutura: internet e acesso às ferramentas tecnológicas que possam apoiá-los a também encontrar vagas de trabalho. Enquanto não se investir na tecnologia das periferias, a distância entre os jovens e o mercado de trabalho permanecerá muito grande”, afirmou.

Na plenária, insigths importantes

Depois das apresentações e falas dos especialistas, os participantes da segunda edição do Café GOYN SP foram convidados a escolher uma das quatro salas (uma para cada tema mapeado pelo estudo) para discutir ideias e soluções que contribuam à inclusão produtiva dos jovens-potência da cidade de São Paulo.

Na plenária, pontos trazidos pelos participantes resumiram as conversas. Na sala do tema racismo estrutural, o letramento racial foi evidenciado como um caminho necessário ao enfrentamento do preconceito e dos vieses inconscientes presentes das instituições. Com relação à evasão escolar, promover a educação integral e integrada e as políticas públicas intersetoriais é ponto de partida para gerar as mudanças necessárias. Sobre a crise laboral, os participantes trouxeram a importância de se investir em arranjos produtivos e na cadeia produtiva dos territórios para atender as necessidades das periferias. No que diz respeito à lacuna digital, a sala discutiu o quanto têm sido levadas para as experiências digitais as mesmas práticas excludentes da realidade offline.

Com o lançamento da pesquisa, o GOYN SP reforça a importância do trabalho colaborativo e coletivo para responder aos desafios que ainda excluem milhares de jovens-potência de postos dignos de trabalho. Por isso, conhecer esse mapeamento é essencial para que alcancemos o objetivo de, em 10 anos, incluir 100 mil jovens-potência no mercado produtivo da cidade e, consequentemente, diminuir a lacuna de desigualdades do país. 

Acesse a pesquisa, leia e compartilhe: https://www.goynsp.org/jovempotencia/

Saiba mais sobre o GOYN SP: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/goyn/ 

Quer fazer parte? Então, clique aqui.

O futuro do país passa pelos jovens inseridos no mercado de trabalho

O desemprego é um dos muitos desafios que a sociedade brasileira tem enfrentado nos últimos anos, agravado pela crise sem precedentes, gerada pela Covid-19. Entre os grupos mais afetados estão os jovens. No Brasil, eles são 33 milhões (15 a 24 anos), ou seja, mais de 17% da população. Mesmo antes da crise sanitária, 23% deles estavam sem trabalho e sem estudo, sendo a maioria das periferias (Pnad, IBGE, 2020).

A falta de experiência e de educação de qualidade, a desvalorização das empresas sobre o potencial jovem, o despreparo técnico, as dificuldades de ir e vir (das regiões periféricas para os grandes centros), a escassez de recursos e de acesso à tecnologia, a autoestima em baixa e a desesperança em alta são alguns dos fatores que dificultam a entrada no mercado de trabalho e a continuidade da trajetória acadêmica das juventudes mais vulneráveis. 

Por outro lado, nunca tivemos uma população tão jovem como a atual. Um momento único de nossa história que, em 20 anos, terá se perdido, com a inversão da pirâmide etária. Em 2040, o Brasil terá envelhecido e os jovens de hoje, sem carreiras profissionais consolidadas, tenderão a engrossar os índices de pobreza e informalidade.

Solução: parcerias, parcerias e parcerias

Os governos têm o dever de focar em políticas públicas que facilitem e promovam o acesso dos jovens aos postos dignos de emprego. Isso é fato. No entanto, também cabe à sociedade dar a sua parcela de contribuição para que o atual bônus etário de nossa população seja revertido em desenvolvimento humano para o país no médio e longo prazo.

A maneira mais eficaz de promover a inclusão produtiva dos jovens é por meio de parcerias entre os diferentes setores sociais, especialmente entre empresas e organizações que se dedicam à causa.

Todos ganham: os jovens se veem valorizados, inseridos no ecossistema produtivo e motivados para avançar no futuro e dar a sua contribuição ao desenvolvimento local. A empresa consegue vislumbrar e formar novos talentos, alocando-os em diferentes postos para construir equipes eficientes, inovadoras, criativas e compromissadas com bons resultados, além de fortalecer suas marcas com a adesão a uma causa relevante. Por fim, as organizações sociais cumprem o seu papel ao colocar a sua expertise a serviço de um bem-comum com forte influência na sustentabilidade social e econômica da nação.

Com essa perspectiva, a United Way Brasil, por meio do Programa Competências para a Vida, articula parcerias com empresas de diversos segmentos para atuar junto aos jovens na construção de seus projetos de vida, com base na formação para valores, desenvolvimento das competências socioemocionais e conhecimento das diferentes tecnologias. O objetivo é garantir postos de trabalho dignos, especialmente aos grupos mais excluídos – jovens negros e negras. 

Resultados imediatos e permanentes

As estratégias aplicadas com os jovens envolvem conversas formativas, apoio de especialistas e mentorias realizadas voluntariamente por colaboradores das empresas parceiras, tudo a distância.

Os encontros seguem temas pré-definidos, que dialogam com as expectativas e necessidades dos jovens e discutem os desafios que irão enfrentar, como as entrevistas de recrutamento e os caminhos que precisam perseguir para concretizar objetivos. Também focam no autoconhecimento e na construção de uma sólida autoestima, além de trabalhar as habilidades relacionadas ao domínio das tecnologias.

“Participei da primeira turma de jovens do programa no Nordeste, em 2020. A mentoria ajudou muito. Pouco antes do último encontro do programa, fui chamada para uma entrevista de emprego. Fui escolhida na área que eu queria. A mentoria trouxe a segurança de volta. Eu precisava confiar mais em mim para fazer uma boa entrevista. Eu precisava acreditar de novo diante do contexto da pandemia, que trouxe tantas dúvidas e incertezas pra gente”, revela Lais Grazielle, de Pernambuco.

Samira Cristina, jovem de 19 anos, do bairro Francisco Morato, em São Paulo, ingressou no Competências para a Vida em março de 2021: “A formação do programa coloca a gente em contato com outras pessoas. Podemos nos conhecer melhor e aprender mais com diferentes perfis. As conversas têm me ajudado a entender meus pontos fortes e meus limites para que, em uma entrevista de emprego, eu fale sobre quem sou com mais propriedade”. Samira está empregada como jovem aprendiz, na área de vendas, mas tem planos de fazer faculdade de Pedagogia. Na conversa com a mentora, ela entendeu que precisa estar atenta às oportunidades que surgem e quais podem, de fato, colaborar para a realização desse sonho. Pessoa posando para foto sorrindo

Descrição gerada automaticamente

Fabio Solar, 20 anos, de Pernambuco, também ingressou no programa em 2021. “Toda vez que eu entro na sala virtual, eu não sei o que esperar, não sei o que levarei dali. Quando a aula termina, paro e penso: ‘Poxa! É isto que tenho agora, é isto que eu agreguei para a minha vida’, porque sempre traz algo novo e importante. Não imaginava que podia aprender tanto sobre mim mesmo, sobre minha personalidade. Quanto mais sei quem eu sou, mais vou moldando o meu projeto de vida. O aprendizado é tão natural e espontâneo que a gente absorve as coisas, contribui com a aula e troca experiências com os profissionais mentores. Amigos meus já passaram pelo programa e hoje estão empregados”, conta.Menino pousando para foto

Descrição gerada automaticamente

Atualmente, o Competências para a Vida está apoiando o desenvolvimento integral de 60 jovens das cidades Francisco Morato (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE), em parceria com as empresas Eli Lilly, PwC e Morgan Stanley.

Para o segundo semestre, a iniciativa quer beneficiar mais 300 jovens e abrir caminhos à empregabilidade dessa geração de talentos únicos. Sua empresa pode ajudar nessa missão. É só entrar em contato conosco e fazer a diferença!

Live sobre volta às aulas traz dicas e orientações para pais e responsáveis

No dia 26 de março, a United Way Brasil deu início à série de lives de 2021 do programa Crescer Aprendendo, trazendo à discussão o tema retorno à escola, quando as restrições da pandemia forem abrandadas. Confira.

O tema é polêmico e divide opiniões. No debate organizado pela United Way Brasil, em parceria com a FEMSA e apoio do Instituto Alana, o pediatra Daniel Becker, a educadora Raquel Franzim e a gestora de escola e pedagoga Joice Araújo debateram o tema junto a uma plateia formada por famílias do programa Crescer Aprendendo, parceiros e interessados na temática.

Fundador do movimento Lugar de Criança é na Escola, doutor Daniel alertou que a maioria dos países elaborou um plano para a retomada das aulas, com base no que a ciência trazia sobre o pouco contágio entre crianças: “Quando chegou em outubro, novembro, eu me dei conta de que muitas escolas particulares estavam abertas, com as crianças já frequentando, todas felizes, as famílias aliviadíssimas porque podiam trabalhar. As crianças efetivamente melhoravam de todos os sintomas psíquicos que estavam apresentando, porque esse é um lugar muito importante para elas. Mas, ninguém estava falando da escola pública. Me dei conta de que 40 milhões de crianças estavam fora da escola e ninguém falava sobre isso”. E complementou: “Ao longo do ano foram feitos inúmeros estudos e a ciência demonstra que a criança transmite pouco e os surtos domiciliares e escolares quase nunca são iniciados pela criança – menos de 8%. Estar com crianças é fator de proteção e não algo mais arriscado. Escola aberta não aumenta transmissão, escola fechada também não diminui a transmissão, então a pandemia não vai piorar se a gente abrir as escolas e não vai melhorar se a gente as fechar. Esse é o mote fundamental que a gente está propondo agora: a escola é a primeira a reabrir e a última a fechar.”

Raquel Franzim, coordenadora da educação do Instituto Alana, concordou com o alerta de Daniel e pontuou a negligência dessa não priorização, prevista na constituição brasileira: “No Instituto Alana a gente faz uma defesa muito explícita do artigo 227 da Constituição Federal que coloca crianças e adolescentes como prioridade absoluta do planejamento, do orçamento de todas as ações do Estado, da sociedade e da família. Isso, como o Dr. Daniel mesmo disse, infelizmente não partiu de uma coordenação nacional política como se deu em outros países. O trabalho dos estados e dos municípios ficou sobrecarregado, muitas vezes sem as condições necessárias, cada um indo para um canto para cumprir com uma crise multidimensional. A crise na educação não é só de origem e de atenção sanitária, ela também é de proteção social, de desenvolvimento integral das crianças, de pobreza de aprendizagem e que a gente precisa falar sobre isso. Muito tempo com escolas fechadas deixam crianças que já vinham enfrentando desigualdades educativas muito severas com ainda maior risco de evasão, abandono escolar e pobreza”, alertou.

O retorno na prática

No dia a dia da sala de aula, Joice Araújo, gestora de escola de educação infantil, contou como foi a experiência da reabertura, em fevereiro de 2021: “A gente começou um pouco com receio, com medo, mas a gente foi amparado pelo protocolo. A gente entende que a educação infantil é o contato, é o experimentar e, apesar do protocolo, ficamos preocupados com isso. Como seria esse desenvolver da criança no contato, no interagir com o colega, se neste momento não ia poder acontecer isso? Se cada criança tinha de ficar no seu quadradinho, não poderia ter contato com o brinquedo do colega, não ia poder dividir, as áreas do brincar e do desenvolver seriam restritas? Então, para nós, o primeiro ponto preocupante na educação, além de toda essa questão pandêmica era isso: a gente vai receber as crianças, mas de que maneira isso afetará o cognitivo delas, de que maneira vamos conseguir atender a necessidade desse desenvolvimento amplo de que elas precisam?”

O importante para os debatedores é que as famílias tenham consciência de todo o contexto e tomem decisões mais embasadas. Por isso, Joice recomenda que, na hora da retomada, os pais e responsáveis conheçam as condições da escola: “Vá na escola do seu filho e identifique se têm profissionais para garantir toda essa segurança diante dos protocolos, verifica se têm profissionais experientes, bem direcionados e treinados para que atendam esses protocolos. Numa breve olhada, o pai, a mãe, a avó, o cuidador conseguem identificar, não precisa de muito”.

Raquel concorda e faz um alerta: “Se vocês, pai e mãe, vivem em uma comunidade escolar onde participam das decisões, onde recebem não só informes, mas a escola vem conversando com vocês ao longo desse período todo, talvez isso os deixe mais seguros por saber qual é a realidade da escola dos seus filhos. Agora, o que não dá é: ‘eu não participo da realidade do meu filho e eu exijo’. Lembrando que educação é uma atividade essencial, mas ela é um direito social partilhado entre estado, família e sociedade, então a nossa cobrança por condições precisa vir acompanhada por uma intensa participação social: a minha comunidade está participando dos protocolos de segurança? Todo mundo está usando máscara, todo mundo está tendo acesso a água?”

Sobre questões práticas, do cotidiano da escola, que precisam ser observadas quando a rotina retornar, Daniel Becker aponta a importância da ventilação das salas de aulas (“janelas sempre abertas!”), uso das áreas externas (“o ser humano precisa de ar livre, do convívio com a natureza, céu aberto”) e salas com turmas menores (“dividir as crianças em pequenos grupos e esses grupos serem fixos para diminuir o risco da transmissão”).

Para saber mais e ter acesso a outras orientações e dicas, assista à live na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=ai5WR8PAFZ4&t=8s 

Edital do GOYN vai apoiar ações e projetos de jovens para jovens das periferias de SP

Com o objetivo de alavancar iniciativas que promovam a inclusão produtiva das juventudes periféricas, o Global Opportunity Youth Network (GOYN) lançou edital para disponibilizar um micro fundo a projetos de coletivos e de jovens inovadores.  As inscrições terminam no dia 28 de março de 2021.

Você é jovem, tem entre 18 e 30 anos, mora na periferia de São Paulo, criou um projeto social ou faz parte de um coletivo que atua pelas juventudes?

Então temos uma ótima notícia! O Global Opportunity Youth Network (GOYN), movimento internacional com foco na inclusão produtiva das juventudes, acaba de lançar um edital de apoio a ações que promovam trabalho e renda para jovens. O GOYN SP te convida  a fazer parte dessa iniciativa. 

Confira as respostas para perguntas que, provavelmente, você está se fazendo agora.

O que o edital oferece? 

Jovens e coletivos selecionados, das periferias da cidade, irão receber apoio de formação, mentoria e um valor (micro fundo) para desenvolver ou ampliar projetos nos seus territórios.

Mas que tipo de projetos serão aceitos?

Vamos focar em projetos inovadores, feitos por jovens e para jovens e que abordem pelo menos um dos seguintes temas: 

  • Território – soluções para enfrentar as desigualdades socioespaciais nas periferias urbanas da cidade
  • Equidade – iniciativas que promovam direitos, com recorte nas questões de raça e gênero e especial foco nos grupos LGBTQIA+ 
  • Sustentabilidade – ações que criem ou discutam meios de subsistência para as juventudes periféricas

Mas será que eu posso mesmo participar?

Confira este checklist para saber se seu perfil é contemplado pelo edital:

Requisitos obrigatórios
Ter entre 18 e 30 anos 
Fazer parte de grupos e coletivos jovens das periferias que tenham pouco acesso a apoio e recursos financeiros
Projetos que contemplem pelo menos uma das três áreas: território, equidade e sustentabilidade
Requisitos que serão priorizados
Coletivos e grupos localizados na zona sul 2 ou leste 2
Possuir lideranças mulheres ou que atuem para garantir os direitos delas
Possuir lideranças negras ou indígenas
Fazer parte da comunidade LGBTQIA+
Ser refugiade ou de outros grupos marginalizados
Ser uma pessoa com deficiência

Vale tudo? Projetos de qualquer área?

Quase isso! Seu projeto tem de se encaixar e ser inscrito em uma ou mais destas áreas: direitos humanos, arte e cultura, educação, mercado de trabalho, geração de renda, direitos digitais, comunicação comunitária e enfrentamento da Covid-19. Sempre focado nas juventudes da periferia.

Mas tem de ser um projeto inédito ou posso inscrever o que já faço na comunidade?

Você pode criar um projeto ou usar o recurso para alavancar uma ação que já realiza. É importante que sua iniciativa responda não só aos temas do edital como, também, esteja alinhada a um ou mais destes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: 

Que tipo de ações meu projeto tem de ter para envolver o público-alvo?

Existem várias possibilidades: rodas de conversa, cursos, workshops e formações, podcasts, eventos de conscientização, iniciativas de impacto…

Qual será o valor do microfundo?

Depende de quantos jovens seu projeto pretende apoiar:

  • Até R$2.500,00 para ações que impactem até 100 jovens
  • R$5.500,00 para ações que impactem mais de 100 jovens

Será que vou dar conta de usar os recursos e encaminhar meu projeto?

Calma! Você não está sozinho! O GOYN SP vai realizar encontros mensais para acompanhar seu projeto e oferecer suporte às atividades. Vai, também, identificar se existem outras oportunidades de colaboração entre os outros grupos/coletivos selecionados.

O YouthBuild International (YBI), parceiro institucional da rede GOYN, vai dar formações on-line, com certificação, sobre planejamento e implementação de projetos, além de outros temas que você pode ajudar a selecionar.

Quem vai escolher os projetos? Quantos serão selecionados?

Um comitê de seleção fará uma triagem dos projetos inscritos, seguindo os critérios do edital. A gente montou uma comissão de avaliação composta por jovens representantes do Núcleo Jovem do GOYN SP e pessoas de organizações que fazem parte da nossa rede, cuja atuação será independente e voluntária. Essa comissão vai pré-selecionar até sete propostas, que serão encaminhadas para a Youthbuild International, que fará a escolha de até 6 projetos para serem contemplados.

Quando e onde eu tenho de fazer a inscrição do meu projeto?

Anote aí toda a agenda desse processo para você não perder nada!

15/03 – 28/03Inscrições29/03 – 30/04Seleção e convocação dos selecionados07/05 – 31/08Implementação dos projetos, formações e acompanhamentoSetembroEncontro global com jovens inovadores

Para saber mais sobre o edital, siga o nosso Instagram:  https://www.instagram.com/goyn_sp/?hl=pt-br

Estamos torcendo por você! Boa sorte!

Equidade foi o tema do primeiro Café GOYN SP

Realizado no dia 5 de março, o evento inaugurou um espaço virtual de conversa para convidados, convidadas e participantes da rede GOYN SP. O objetivo é compartilhar conhecimentos e experiências relacionados a temas essenciais à atuação da rede GOYN SP pela inclusão produtiva das juventudes. 

O primeiro Café GOYN SP abordou o fomento da equidade de gênero e raça, especialmente entre os diferentes grupos que atuam na rede colaborativa do GOYN SP. Ou seja, fortalecer a temática de dentro para fora, já que ela é transversal a todas as ações do GOYN SP e deve refletir nos resultados das iniciativas.

Para abrir o diálogo, foram convidadas duas mulheres-referência no assunto. Monique Miles é Vice-presidente do Aspen Institute, Diretora Administrativa do Opportunity Youth Forum do Aspen Institute nos EUA. Ela lidera um fundo nacional de apoio a comunidades, dentro e fora do país, para reunir lideranças de diferentes áreas no redesenho dos setores da educação e do emprego para que sejam mais equitativos e justos.

Viviane Soranso é psicóloga e ativista social. Ela atua na Fundação Tide Setubal como coordenadora do Programa de Raça e Gênero e na implementação do Comitê de Diversidade e Inclusão da FTAS. É coautora da obra “Mundo Jovem”.

Ambas compartilharam suas vivências com relação à equidade nas suas instituições, dando subsídios à implementação do Comitê de Equidade de Raça e Gênero do GOYN SP, liderada por jovens-potência do Núcleo Jovem.

Na primeira parte da conversa, as duas convidadas traçaram o cenário de suas realidades. Nos EUA, onde o racismo estrutural é uma realidade construída durante a história do país, “queremos garantir que os recursos sejam distribuídos de acordo com as necessidades dos diferentes grupos excluídos. Portanto, nossos parceiros são orientados a usá-los de forma equitativa nos seus programas, de acordo com o histórico das comunidades. Para isso, é preciso estabelecer objetivos e estratégias específicos para jovens negros, índios e latinos”, explicou Monique Miles.

Viviane Soranso contou como a questão da equidade tomou forma nas equipes da Fundação Tide Setubal, de forma gradual e com base na realidade que se apresentava a cada momento da história da instituição: “A coordenação começou a focar nas suas equipes para poder estruturar projetos que promovessem a equidade junto aos públicos-alvo. Negros e negras das equipes que atuavam diretamente com a população atendida foram remanejados e remanejadas para postos de gestão. Também foram garantidas a participação de pessoas negras nos conselhos da Fundação. O Comitê de Diversidade e Inclusão teve como missão aprofundar esse olhar para dentro. Definimos os princípios e compromissos de equidade e sensibilizamos os profissionais de todos os níveis hierárquicos.”

Na segunda parte do encontro, os participantes do Café GOYN SP foram divididos em grupos para dialogar sobre a questão da equidade, com base em duas perguntas: 1. Quais são os principais desafios para fomentar ambientes mais inclusivos, com foco na equidade?; 2. Como enfrentar esses desafios?

Nas plenárias, várias contribuições trazidas pelos participantes puderam aquecer a conversa e indicar alguns caminhos. Por exemplo, como envolver as lideranças das instituições no tema. Uma das alternativas é convidá-las a fazerem parte do Comitê de Equidade, dando-lhes a oportunidade de atuarem com temas com os quais se identificam. 

Outra ideia compartilhada foi a importância do letramento sobre equidade para toda equipe, partindo de uma sensibilização para depois seguir com uma formação que responsabilize a todos e todas que atuam pela causa das juventudes. A estruturação de uma política de equidade, com princípios e compromissos, é outra iniciativa importante que promove e fortalece a temática nas instituições.

No final do encontro, Monique Miles reforçou que uma nova postura sobre equidade é uma conquista pessoal, antes mesmo de se tonar uma causa assumida pelo grupo: “Por isso o avanço é lento e pode levar gerações. Mas não desanimem. Cuidem dos outros, de si, compartilhem ideias e coloquem os jovens no centro das soluções.”

Quer saber mais sobre as ações que o GOYN SP vem realizando? Acesse o relatório de atividades de 2020 aqui.

GOYN SP: OS RESULTADOS DE UM ANO DE ATUAÇÃO

O programa chegou à cidade de São Paulo em 2020, depois de ser implementado em outras cinco comunidades de seis países. Formou uma ampla coalisão com diferentes atores do ecossistema produtivo do município, desde empresas e instituições até os jovens-potência, foco central das iniciativas. Essa articulação, realizada pela United Way Brasil, marcou o início do trabalho do GOYN SP, apesar de todos os desafios impostos pela pandemia.

Em 2020, a coalisão criou uma agenda comum para o programa e um plano de trabalho colaborativo das áreas prioritárias. Foram mais de 200 horas para a elaboração coletiva das soluções que serão colocadas em prática, a partir de 2021, a fim de transformar a vida dos jovens-potência, garantindo-lhes oportunidades qualificadas de trabalho e de empreendedorismo. Aliás, a crescente relação com as juventudes levou o GOYN SP a se conectar com mais de 200 jovens da periferia da cidade e eleger 20 deles para compor o Núcleo Jovem.

Também consolidou um mapeamento do ecossistema de inclusão produtiva da cidade, realizou dois eventos online sobre o tema e estruturou uma rede colaborativa com mais de 80 organizações, empresas e pessoas que querem fazer a diferença no presente e futuro das juventudes.

O GOYN SP pretende construir ações sistêmicas e sustentáveis que, até 2030, possam integrar 100 mil jovens ao mercado de trabalho, em postos dignos e oportunidades qualificadas, apoiando o desenvolvimento dos diferentes territórios onde as juventudes periféricas vivem. 

Para concretizar esse propósito, o programa traçou indicadores, metas e objetivos que você confere no relatório, assim como todas as vivências, conquistas, soluções e estratégias pensadas nesse primeiro ano para transformar planos e ideias em realidade.

Clique aqui para ler o relatório. Conheça o GOYN SP e junte-se a nós! 

Programa Competências para Vida inova em 2021 com apoio de empresas parceiras

O sucesso do programa Competências para a Vida em 2020 (veja os resultados no Relatórios de Atividades) alavancou uma nova etapa, envolvendo as empresas parceiras para apoiar os jovens no enfrentamento das consequências negativas da pandemia na educação e nas perspectivas de trabalho.

Antes mesmo da chegada da Covid-19, a situação dos jovens brasileiros já se mostrava crítica: em 2017, a taxa de desemprego entre eles era de 35% versus os 16% da população em geral. Só na cidade de São Paulo, em 2019, viviam 812.916 jovens em situação vulnerável, sendo que 160 mil eram responsáveis pelos seus domicílios. Cerca de 484 mil estavam sem emprego e sem oportunidade de estudo.

O atual cenário exige ações articuladas e coletivas, com a participação ativa das empresas, para que o impacto do programa alcance abrangência e qualidade e possa ajudar as juventudes a traçarem um projeto de vida que esteja alinhado com seus sonhos pessoais e expectativas profissionais, apesar das dificuldades ampliadas pela crise sanitária.

Os objetivos do programa

Em 2021, o Competências para a Vida estruturou e sistematizou sua metodologia de forma a criar oportunidades de autoconhecimento para os jovens, proporcionar espaços de compartilhamento de histórias de vida e ampliação de repertório, promover práticas reflexivas sobre competências e habilidades, apoiar e mediar planos de ação e as escolhas dos participantes e favorecer o contato com ferramentas tecnológicas.

Para isso, no primeiro ciclo do programa, irá realizar oito encontros semanais com grupos formados por 20 a 30 jovens (16 a 25 anos de idade), na plataforma Google Meets. As atividades que farão parte da formação e os materiais necessários ficarão disponíveis no Google Classroom. Os participantes receberão orientações de um educador da United Way Brasil e de uma organização social parceira.

O trabalho com os jovens é dividido em três módulos, nos três meses de formação, somando um total de 24 horas: módulo descobertas (conscientização e aprendizado das competências e habilidades socioemocionais); módulo horizontes (conhecimento de diversos caminhos e possibilidades profissionais); e módulo navegação (aplicação de práticas e ações de encaminhamentos para a construção do plano de ação). 

A participação ativa das empresas parceiras

Além das interações com educadores e seus pares, os jovens terão acesso a quatro sessões de mentorias, em subgrupos com cinco a seis jovens, acompanhados por mentores voluntários, colaboradores das empresas PWC, Lilly e Morgan Stanley, parceiras do programa. 

Os mentores têm papel fundamental na formação dos jovens, que se referenciam nas experiências e vivências desses profissionais para refletir sobre o que querem conquistar nas suas trajetórias pessoal e de trabalho.

Em todas as avaliações aplicadas, ao término de cada ciclo, as sessões de mentoria são apontadas como o ápice do aprendizado, tanto para quem mentora como para quem é mentorado. 

Os colaboradores afirmam rever suas trajetórias, valorizar suas conquistas, ampliar perspectivas e fortalecer habilidades, além de se sentirem gratos pela oportunidade de apoiar os jovens. Do outro lado, estes se percebem com grande potencial, capazes de avançar com seus projetos de vida, porque têm exemplos de sucesso de pessoas que, muitas vezes, enfrentaram desafios semelhantes aos que eles enfrentam.

Vale ressaltar que a atuação das empresas vai muito além de aportar recursos na iniciativa. Além de estimularem a participação de seus colaboradores, elas garantem o sucesso do programa junto à equipe técnica, por meio de um grupo gestor, formado por seus representantes. A tomada de decisões é coletiva e com base em monitoramento e avaliação periódicos, promovendo ajustes e melhorias durante o processo de implementação do programa.

Em 2021, são estas corporações que, ao lado da United Way Brasil, viabilizam a realização do programa: DOW, Eastman, Ecolab, Lear, Lilly, Morgan Stanley, O-I, P&G e PWC.

A sua empresa também pode fazer parte do programa Competências para a Vida e promover o sucesso pessoal e profissional de jovens em situação vulnerável. Para saber mais, clique aqui.