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GPTW se une à United Way Brasil para lançar Guia de Primeira Infância para Empresas

Considerada a “mãe” de todas as causas, a primeira infância tem sido foco de políticas públicas que promovam o direito ao pleno desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos. No entanto, um dos atores sociais mais importantes para a promoção desse tema, o segundo setor, ainda apresenta números tímidos de corporações que adotam políticas internas para fortalecer os primeiros anos de vida. Segundo o Great Place to Work (GPTW), em 2020, apenas 97 companhias inscreveram seus projetos na categoria de primeira infância do prêmio anual Melhores Empresas para Trabalhar, realizado pela instituição, sendo escolhidas cinco delas, que cumpriam todos os requisitos da certificação.

O GPTW, organização mundial que atua para fomentar e reconhecer práticas corporativas que fazem a diferença na vida dos colaboradores e da sociedade, está convencido que a causa da primeira infância é essencial para que as corporações avancem na missão de contribuir à sustentabilidade do planeta. Por isso, ao lado da United Way Brasil, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, da Fundação Bernard van Leer e da Fundación FEMSA, lançou o Guia de Primeira Infância para Empresas, uma plataforma interativa que compartilha mais de 600 práticas e políticas de RH e de responsabilidade social voltadas aos colaboradores pais, mães e responsáveis por crianças pequenas.

O Guia quer justamente acelerar a adesão de empresas, de todos os portes e áreas, à causa e servir como ferramenta para implementar estratégias e/ou aperfeiçoar as já existentes a fim de que sejam cada vez mais efetivas e transformadoras. “Na fase da primeira infância a criança está em pleno desenvolvimento. Seu cérebro faz um milhão de sinapses por segundo. Cada criança é uma potência e o melhor investimento que uma sociedade pode fazer”, lembrou Paula Crenn Pisanesch, gerente de programas de primeira infância da United Way Brasil, no evento de lançamento do Guia, realizado em agosto.

“Quando beneficiamos mães, pais, crianças, geramos um impacto social gigante. Adaptando o provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia inteira para cuidar de uma criança, digo que é necessária uma empresa inteira para cuidar dos filhos e filhas dos colaboradores”, reforçou Mariza Quinderé, Diretora Regional do GPTW, no mesmo evento.

Bom para os colaboradores, bom para os negócios
Vários estudos apontam que empresas que abraçam a causa da primeira infância mantêm as equipes mais motivadas. Germanuela de Abreu concorda. Ela é responsável pela área de Remuneração, Governança Corporativa, Orçamento e Gasto, Estrutura e Carreira, Benefícios e Gestão da Saúde no Banco Santander. Presente ao evento de lançamento do Guia para compartilhar as práticas da empresa, reconhecidas pelo prêmio 2020 do GPTW, Germanuela afirmou: “Há vários retornos para os negócios quando se investe na primeira infância, a maioria deles intangíveis, mas importantes. Quando uma mãe e um pai se sentem tranquilos, sabendo que têm plano de saúde diferenciado, que receberão qualquer tipo de apoio às suas necessidades, bastando ligar para o canal de atendimento aos funcionários, promove-se mais foco no trabalho e, consequentemente, maior produtividade. Oferecer aos colaboradores a oportunidade de terem seus filhos em maternidades de ponta, de receberem apoio psicológico, é diminuir gastos com saúde, promovendo uma assistência preventiva, desde a gestação, o que traz retorno para o negócio.”

Além desses aspectos, por ser uma causa transversal, investir na primeira infância significa fortalecer pautas mais amplas e necessárias que promovam o fortalecimento das marcas, impactando toda a cadeia produtiva das empresas, desde as equipes e comunidade do entorno até os consumidores e investidores. “Com as novas estruturas familiares, com parceiros e parceiras homoafetivos, decidimos rever a política de licença-maternidade e paternidade, de 6 meses e 30 dias, respectivamente. Para começar, adotamos a nomenclatura ‘licença parental’ e ampliamos o benefício para as diferentes configurações, promovendo a equidade e a inclusão de todos e todas”, contou Silvia Itokazu, Diretora Associada de RH da Takeda Pharmaceutical Company, no evento de lançamento do Guia. A empresa também recebeu, em 2020, o reconhecimento da GPTW.

Essas e outras políticas estão contempladas no Guia de Primeira Infância para as Empresas. As corporações podem escolher as ações de acordo com seu porte, tendo acesso, inclusive, a iniciativas que não geram qualquer custo. Cada prática traz informações sobre tempo necessário para implementação, resultados esperados etc. Ou seja, ninguém precisa começar do zero. Basta acessar a plataforma para conhecer as muitas experiências que estão garantindo mais qualidade de vida às famílias e suas crianças.

Clique aqui e assista a íntegra da live de lançamento do Guia com a GPTW para acessar outras iniciativas do Banco Santander e da Takeda Pharmaceutical, voltadas à primeira infância.

Guia de Primeira Infância para Empresas

Histórias de vida inspiram jovens na construção de seus projetos pessoais

Exemplos e referências também fazem parte da estratégia do programa Competências para a Vida que apoia jovens em situação de vulnerabilidade social a fim de que possam conquistar seus sonhos, apesar das dificuldades.  

O segundo módulo do novo ciclo de jovens participantes do programa Competências para a Vida reforça a importância de exemplos e referências na formação das juventudes.

No encontro de uma das turmas desse módulo, na sala virtual, além do educador que faz a mediação da sessão de formação, estavam os jovens de Uarini, no Amazonas, juntos e com máscaras. Na cidadezinha onde vivem, a 565 quilômetros de Manaus, não tem sinal de internet. Por isso, foi preciso reuni-los em um único lugar, nas dependências da Fundação Amazonas Sustentável, parceira do programa. Mas as dificuldades não param por aí: muitos jovens da região levam horas para chegar à ONG, porque precisam usar barcos, fazer longas caminhadas até o ponto de encontro. Porém, é perceptível o interesse que demonstram nas reuniões e o entendimento claro de que essa oportunidade de formação não pode ser desperdiçada. Por isso, não medem esforços para participar das formações.

Duas convidadas do programa também estavam presentes: Hellen Moura e Patricia Lima. Hellen é educadora social em Cabo de Santo Agostinho, PE. Ela começou a conversa dizendo que sempre teve muito medo de falar em público, mas contou isso com tanta fluidez que era difícil imaginar. A jovem de 25 anos compartilhou sua trajetória de vida: para conseguir estudar e realizar seus sonhos, trabalhou em uma padaria, mesmo não gostando. Hoje ela sabe que precisou fazer o que não queria para conquistar, mais à frente, o que realmente importava. E toda vez que se deparava com o desafio de falar em público, ela recuava. 

Entrou, com muito esforço e dedicação, na faculdade. Quando teve de fazer o primeiro seminário, deu pânico. Ela “fugiu” das aulas e trancou a matrícula. Foi quando Hellen ingressou em um projeto social e recebeu mentoria de uma pessoa que mostrou para ela a importância de encarar esse medo, afinal, saber se comunicar é uma habilidade essencial. Hellen seguiu os conselhos do mentor, cursou a faculdade de Oratória e acabou apaixonada pelo curso, especializando-se em Comunicação. Hoje ela é professora e ajuda os jovens a vencerem suas dificuldades, especialmente a de falar publicamente e se colocar nas situações. Hellen transformou um obstáculo em potencial. “Vocês precisam se conhecer, saber quais são suas habilidades e seus desafios para entender como trabalhar tudo isso. Pode ser que alguma coisa que vocês achem que não sabem fazer se torne, na verdade, uma habilidade a ser desenvolvida”, reforçou Hellen para os jovens do Amazonas.

Nada é definitivo e tudo pode mudar o tempo todo

Patricia tem 31 anos, é engenheira e mora em São Paulo. Atualmente, trabalha na empresa O-I, parceira do programa Competências para a Vida. Sua participação na conversa foi voluntária, como também é a atuação dos mentores dos jovens no programa. Todos são colaboradores das empresas que apoiam a iniciativa.

“Quando alguém pergunta ‘quem é você? O que você faz’, tendemos a responder a profissão da gente. Mas somos muito mais do que isso. Somos as habilidades e as vivências que acumulamos”. Essa foi a fala inicial de Patricia, que contou sobre como chegou aonde está hoje. Desde pequena, queria ser veterinária e teve todos os bichos possíveis em casa. Mas saber que precisaria lidar com o sofrimento dos animais a afastou da profissão e, por eliminação, acabou fazendo Engenharia Química. Só que não se encontrou no curso, transferindo-se para a Engenharia de Produção. Ela contou que sofreu muita discriminação, porque, no ambiente de trabalho, predominantemente masculino, as mulheres eram vistas como incapazes e intrusas. 

Hoje ela atua na área de Recursos Humanos da O-I, depois de ter ficado um tempo na produção. Seus superiores perceberam o interesse de Patricia em ajudar as pessoas, identificando-se com ações que garantem a equidade de gênero e a diversidade na empresa. A habilidade de organizar projetos, adquirida na engenharia, uniu-se ao aprendizado que vivenciou quando era rejeitada pelos colegas por ser mulher. Ela usou a resiliência para construir sua carreira e aceitou o convite para ingressar na equipe de RH. Mas… e o amor pelos animais? Patricia não o abandonou e atualmente ajuda a gerir uma ONG que cuida de gatos abandonados. “Nada do que decidimos precisa ser definitivo, as escolhas têm rotas. Você pode começar por um lugar e descobrir que não é o que você quer. Tudo bem, porque essa bagagem vai te ajudar a seguir em frente na sua busca. E se você não tem certeza de nada, fazer um trabalho voluntário pode te ajudar a experimentar e sentir o que te faz feliz”, ressaltou a engenheira.

Do outro lado, lá em Uarini, logo após a fala de Patricia, uma jovem levantou a mão. Era Adrielen: “Nada é fácil. Nada vem de bandeja, principalmente para nós mulheres. Me tocou muito a história da Patricia, porque é dolorido sentir esse preconceito. Mas eu não vou desistir do que eu quero. Meus pais sempre trabalharam fazendo farinha e me deixavam na escola. Eu me inspiro nas pessoas como vocês e me inspirava nas minhas professoras. Eu quero ser professora. Ainda não tive a oportunidade de fazer uma faculdade, mas vou fazer e, também, quero compartilhar minha história com meus alunos.”

O depoimento da jovem amazonense encerra esta matéria e reforça a importância indiscutível de exemplos e referências para apoiar as juventudes nas suas escolhas, especialmente em um cenário tão difícil como o que vivemos hoje: atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 gostaria de trabalhar, mas não consegue, por isso, desistiu de procurar por uma colocação. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas (Atlas das Juventudes).  É preciso garantir o acesso das juventudes às oportunidades para que não percamos o boom demográfico histórico que vivenciamos. O programa Competências para a Vida, da United Way Brasil, tem esse papel e o seu apoio e o da sua empresa são essenciais para que as oportunidades se multipliquem e possamos atender mais jovens como Adrielen, ajudando-os a se realizarem plenamente, como a Hellen e a Patricia. Pense nisto!

Do que as famílias precisam para cuidar das crianças nestes tempos?

É essencial criar ações intencionais para apoiar pais, mães e responsáveis a fim de que cumpram o seu papel no desenvolvimento integral dos pequenos, especialmente nesta fase complexa pela qual passamos. Confira que ações são estas, segundo Gilvani Pereira Grangeiro, especialista em primeira infância.

 “As famílias precisam de apoio e o tripé bem-estar físico, mental e social é essencial para que possam cuidar de forma plena da saúde das crianças”, explica Gilvani Pereira Grangeiro, Mestre em Saúde Materno Infantil pela Fiocruz, com formação em Liderança Executiva para o Desenvolvimento da Primeira Infância pelo Center on the Developing Child, da Havard University. Dentre outras atuações, Gilvani é consultora do programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil. 

Para ela, é fundamental criar espaços de escuta qualificada, compartilhar sentimentos e sensações, e refletir sobre temas que promovam a parentalidade positiva. 

O diálogo é o melhor caminho para se chegar até as famílias, para trocar experiências, para dividir preocupações e pensar soluções que superem os desafios decorrentes do distanciamento social gerado pela pandemia.

 “Ao conversarem com seus pares, mães, pais e responsáveis se sentem menos desconfortáveis com a situação complexa que vivenciam, porque percebem que não estão sozinhos e que outros passam pelos mesmos dilemas”, reforça.

Outro aspecto que Gilvani destaca como essencial é a possibilidade de encaminhar as demandas à rede de atendimento. “É importante que os profissionais mostrem às famílias os equipamentos públicos que podem ajudá-las a cuidar do seu bem-estar e de seus filhos e filhas. Além disso, esse movimento tende a demandar da rede de atenção ações que fortalecem os serviços para atender melhor a criança”, ressalta.

Gilvani também defende que este tempo de maior permanência em casa pode ser otimizado em favor do fortalecimento dos pais e cuidadores. Ao criar meios de levar informação e formação aos adultos, ampliam-se o olhar e o cenário da percepção das famílias sobre a importância dos seis primeiros anos para toda a vida da criança. 

Os efeitos da pandemia

Há mais de um ano e meio vivenciando o isolamento social, que retira as crianças do convívio saudável com seus pares e com outros adultos, são justificáveis as regressões no comportamento infantil que vêm ocorrendo com frequência, preocupando as famílias.

Um exemplo é o aumento da birra decorrente do pouco gasto de energia, pela falta da escola, muitas vezes, que gera diminuição da convivência social e comunitária. Retorno a estágios anteriores do desenvolvimento, como voltar a fazer xixi na cama depois de ter sido desfraldada, choros constantes, falta de sono e de apetite e apatia são alguns dos efeitos na criança de uma rotina de restrições. Ou seja, a saúde dos pequenos pode estar em risco.

Nesse momento, o papel da família faz toda a diferença. Acolher no lugar de isolar, envolver no lugar de confrontar, dialogar no lugar de castigar são alguns encaminhamentos que tendem a ajudar os dois lados dessa relação: a criança, porque se sentirá amada e respeitada, e o adulto, que terá meios positivos de lidar com questões difíceis trazidas pelo atual momento. Reforça-se assim a saúde emocional. 

Entender o cenário e ter estrutura para atuar positivamente no convívio com a criança são habilidades que nem todos os cuidadores possuem, por isso, eles precisam de estímulos para as desenvolverem, o que exige ações intencionais que promovam essa consciência e sensibilização.

Programa Crescer Aprendendo: estratégia para fortalecer a parentalidade positiva

“O Crescer Aprendendo oferece um espaço qualificado de escuta e diálogo com as famílias. Dá suporte psicológico e de segurança alimentar. Mesmo com ações virtuais, por conta da pandemia, consegue chegar aos pais e responsáveis por meio de informações lúdicas sobre temáticas fundamentais para a garantia da saúde plena de seus filhos e filhas”, opina Gilvani. 

Desde 2020, o programa migrou suas ações presenciais para o formato virtual e já atendeu a mais de 3 mil famílias, por meio de interações no WhatsApp, distribuição de cartões-alimentação e apoio de psicólogas. Também realiza lives com especialistas para promover interações e acesso a conhecimentos sobre questões primordiais ao desenvolvimento infantil.

“Neste momento ainda confuso, de retomadas e isolamento parciais, o programa apoia a família até na tomada de decisões conscientes, como a de mandar ou não suas crianças para a escola. O mais importante é dar informações de maneira didática que ajude os pais naquilo que irão realizar para garantir o melhor para seus filhos, especialmente as famílias mais vulneráveis, o público-alvo do programa”, reforça Sofia Rebehy, coordenadora do Crescer Aprendendo.

“Precisamos, cada vez mais, estruturar soluções que fortaleçam os cuidadores, ampliem seus conhecimentos e promovam a escuta. O Crescer Aprendendo tem essa missão, que vem cumprindo em 16 cidades de 5 estados, apoiando quase 2,5 mil famílias, em 2021”, ressalta Gilvani.

Clique aqui e conheça mais sobre o programa: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/crescer-aprendendo/

Navegue pelos temas sobre primeira infância e use esse conhecimento no seu trabalho pelo desenvolvimento infantil: https://unitedwaybrasil.org.br/crescer-aprendendo-digital/

E fique ligado: no dia 27 de agosto, das 17 às 18h, nas redes sociais da United Way Brasil, participe da live “A importância da parentalidade na promoção do desenvolvimento infantil”. Não perca!

Coalizão de movimentos sociais, liderados por empresários, lança estudo de boas práticas para a inclusão produtiva das juventudes

Evento realizado no último dia 20 de julho reuniu CEOs e executivos de grandes corporações engajados na promoção da empregabilidade e formação de jovens-potência, o grupo de brasileiros que mais perdeu emprego e renda durante a pandemia. 

A live “Inclusão produtiva jovem: o papel das empresas para transformar uma geração” marcou a história do ecossistema corporativo brasileiro. Realizado pela coalizão GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil, o evento reuniu em um só dia as lideranças das maiores corporações do País com o objetivo de lançar o estudo “Empresas potentes: boas práticas na inclusão de jovens-potência”, que analisa os processos de recrutamento, seleção e manutenção de jovens nos quadros de colaboradores de empresas-potência, compartilhando orientações, recomendações e pontos de atenção para qualquer corporação que queira implementar ou revistar suas políticas de inclusão de jovens nas suas equipes.

O estudo, que tem sido pauta dos grandes veículos de comunicação, é um guia de boas práticas produzido pela parceria GOYN SP e Accenture Brasil, que recebeu o apoio e as contribuições das instituições representadas no lançamento.

Apresentado no evento por Fagner Lima, Designer de Serviços da Fjord/Accenture Brasil, o estudo ouviu, de um lado, as “dores” dos Recursos Humanos (RHs) na hora de contratar jovens-potência para os postos de entrada nas corporações. Do outro lado, escutou as expectativas e necessidades das juventudes antes e depois da contratação.

O estudo se aprofundou na literatura sobre o tema, especialmente no conhecimento já construído pelo GOYN SP, utilizou entrevistas e grupos focais com equipes de RHs, com gestores que atuam com os jovens nas empresas e com os próprios jovens. O conteúdo foi analisado e validado pelas organizações que compõem a rede GOYN SP.

“Vimos que o melhor jeito de compartilhar as boas práticas e os aprendizados é por meio de uma jornada, que apresente o percurso, sem ser uma receita pronta. Ela é orientadora e inspiradora, trazendo ações e indicações quem pode ajudar na sua implementação”, explicou Fagner.

O estudo reúne, também, cases de corporações que assumiram o compromisso de incluir, formar e promover a ascensão dos jovens, com exemplos concretos para cada etapa da jornada das juventudes nas empresas: PwC, Coca Cola Brasil, Funcional Health Tech, Itaú e Magalu.

Além disso, para as companhias que não se veem em condições de fazer um processo mais amplo para a inclusão produtiva jovem, o estudo propõe ações mínimas e viáveis que podem ser adotadas por quaisquer empresas.

“O maior aprendizado trazido pelo estudo é que a inclusão dos jovens é uma atividade coletiva e não individual da companhia. Uma ação que deve se somar às ações que já existem no terceiro setor, no poder público, potencializando o alcance e a efetividade da corporação. Compartilhar essas práticas é uma maneira de inspirar novas ações, efetivar parcerias e fomentar esse ecossistema”, concluiu Fagner.

Muito além de marcas e negócios

A coalizão de diferentes movimentos voltados à inclusão produtiva das juventudes, que contam com a participação ativa dos C-levels das corporações, é um exemplo claro de como a urgência dessa pauta precisa de ações coletivas e colaborativas para avançar na velocidade necessária. 

Como bem pontuou a mediadora da live, Isabelle Christina, jovem negra da periferia, que superou diferentes desafios para conquistar seu espaço na Oracle, o papel das empresas é crucial para reverter o atual e desolador cenário: “Atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 jovens gostaria de trabalhar, mas não consegue, deixando de procurar uma colocação, segundo o Atlas das Juventudes. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas”, pontuou a jovem-potência. Isabelle também ressaltou: “Ao mesmo tempo em que vivemos essa realidade, temos agora a maior chance de revertê-la. Se a gente olhar para nações como Japão e Coreia do Sul, que também viveram o boom demográfico… Nessa fase eles incentivaram os jovens a produzir tecnologia, inovação e assim chegaram aonde estão hoje. O Brasil está perdendo a oportunidade de ser uma grande potência.”

Para Juliana Azevedo, Presidente da P&G Brasil e do Conselho Deliberativo da United Way Brasil, “quando falamos da inclusão produtiva dos jovens, estamos falando de formação, de uma agenda digital de educação e profissional, que precisa ser reciclada, de condições de emprego e de empreendedorismo. E a gente pode atuar mais rápido se alavancar o que já está sendo feito pela empresa A ou B. O desafio é grande, a urgência é enorme, mas juntos podemos mudar essa realidade. Podemos fortalecer a potência desses jovens maravilhosos que estão aí para ajudar a construir o nosso país.”

“Nós não precisamos dar o valor, porque o jovem já tem o seu valor. Nós temos de gerar e fomentar oportunidades. E é através da oportunidade gerada pelo gestor, pelo líder que vamos inspirar nossos times. Se não diversificarmos o pensamento, nós não inovamos, não transformamos. Precisamos ter essa consciência de que juntos vamos mais longe”, reforçou Rachel Maia, Founder e Ceo @RM Consulting e Presidente do Conselho Consultivo do Unicef.

Julio Campos, Presidente da Unilever Marketplace América Latina e fundador do Movimento Jovens do Brasil, lembrou que as lideranças precisam usar suas influências para fazer a diferença. “As pessoas que estão aqui transcendem suas posições nos negócios. São brasileiros que querem transformar a realidade. Somos como plantadores de tâmara, que precisa de 80 anos para dar frutos. Talvez a gente não veja tudo realizado, mas, definitivamente, estamos atuando para que nossos filhos e netos possam ter um mundo melhor para viver.”

O papel das corporações vai muito além de contratar os jovens, segundo Pedro Massa, VP, General Manager Coca Cola Brasil e Conselheiro do Instituto Coca Cola Brasil: “Precisamos vencer barreiras de entrada, muitas oportunidades não chegam à população com menor renda e há ainda muita discriminação de grupos sociais em processos de seleção. O papel da liderança é crucial nesse sentido. Além de abrir portas, são necessárias ações de engajamento da força de trabalho atual, para que o ambiente profissional e de educação não seja hostil e possa acolher, de fato, o jovem.”

No evento, a coalização também lançou a Comunidade de Práticas, apresentada por Thiago Reis, diretor de criação no Zuma. A comunidade é um espaço aberto no Linkedin para trocas, reflexões e experiências bem-sucedidas sobre a inclusão produtiva das juventudes para que jovens, empresas, organizações e pessoas interessadas no tema possam ter acesso, também, a estudos, pesquisas e documentos inspiradores. Clique aqui, navegue e faça parte dessa comunidade, que já conta com 90 corporações participantes. 

Confira, na íntegra, o evento de lançamento do estudo e da comunidade de práticas: https://www.youtube.com/watch?v=oyEEGQ9PqVg 

O GOYN SP é uma coalizão que tem o propósito de incluir produtivamente 100 mil jovens de São Paulo até 2030 e impactar a vida dos mais de 700 mil jovens-potência da cidade. Conta com as seguintes organizações parceiras: Accenture, The Aspen Institute, Catholic Relief Services, GDI – Global Development Incubator, Prudential, United Way Brasil​, Youth Build, Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Em Movimento, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Coca-Cola Brasil, Itaú Educação e Trabalho, FIESP, Vocação.

United Way Brasil e Goyn promovem ações para a inclusão produtiva jovem

As coalizões GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil se uniram com o mesmo objetivo para lançar duas iniciativas em prol das juventudes.

Em 20 de julho realizam o evento conjunto “Inclusão produtiva dos jovens: o papel das empresas para transformar uma geração”, que lança o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” e uma comunidade no LinkedIn para troca de experiências entre empresas sobre o tema. As duas iniciativas protagonizadas pelas organizações parceiras pretendem oferecer insumos para que empresas possam compartilhar suas experiências e aprendizados na inclusão produtiva de jovens, estimulando novas empresas a aderirem à prática.

Acompanhe o evento a partir das 9h30
LinkedIn – https://www.linkedin.com/events/liveinclus-oprodutivajovem6820381232300404739/
Facebook – https://www.facebook.com/events/178927277549501/
YouTube – https://youtu.be/oyEEGQ9PqVg

Lançamento do estudo

Com o objetivo de sensibilizar e apoiar as empresas na inclusão produtiva de jovens, o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” sistematiza e apresenta os principais aprendizados e recomendações para empresas que queiram investir nos jovens. A iniciativa acontece em um momento onde 27,1% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão desempregados, de acordo com dados divulgados pelo Atlas das Juventudes e Instituto Veredas.

Essa é a maior geração de jovens da história brasileira e a tendência é que nos próximos 40 anos ela se reduza à metade, portanto, promover oportunidades de educação de qualidade, formação profissional, inclusão digital e acesso ao mundo do trabalho é urgente para essa geração e não é um ato altruísta, é um investimento de médio e longo prazo no desenvolvimento do país. O Atlas das Juventudes também confirma que a inclusão dos jovens na educação ou no mercado de trabalho pode evitar prejuízos de até 1,5% do PIB dos países.

A organização do estudo é da Accenture e do GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), programa global articulado pela United Way Brasil com foco na geração de oportunidades de trabalhos decentes para as juventudes, e que tem em sua rede mais de 80 organizações. O programa GOYN teve início em São Paulo em 2020 e tem o objetivo de melhorar o patamar de renda de 100 mil jovens até 2030.

O estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” se apresenta como um guia prático no desenho da Jornada da Inclusão Produtiva em uma empresa, por meio de 4 fases: formação (capacitação do jovem), planejamento (definição de estratégia e fomento), recrutamento (ações de recrutamento) e trabalho (vivência profissional). Cada momento é dividido em 3 etapas descritas em: o que pode ser feito, quem pode ajudar, recomendações e pontos de atenção.

“Esse documento é apenas o começo. Uma empresa que deseja empregar jovens deve, como primeiro passo, entender esse ecossistema e formar parcerias que fortaleçam sua iniciativa. Talvez o maior aprendizado deste estudo esteja em pensar a inclusão produtiva não como uma atividade isolada do empregador e sim como uma ação conjunta que se fortalece com as atividades existentes do terceiro setor e poder público e a partir disso gera as oportunidades de trabalho”, diz Gabriella Bighetti, diretora executiva da United Way Brasil, entidade articuladora do GOYN SP.

Cases de sucesso podem ser replicados em empresas

O documento apresenta também 5 práticas de destaques de programas realizados nas empresas Itaú, Coca-Cola Brasil, Funcional Health Tech, PwC e Magazine Luiza. As práticas selecionadas são exemplos de como executar algumas das recomendações presentes na Jornada.

O Banco Itaú vai além das cotas obrigatórias e promove inclusão de jovens através de programas de jovens aprendizes, estágio, trainee e vagas de perfil júnior. O programa de jovens aprendizes tem registro desde 2012 e alcançou a marca de 17 mil jovens impactados, com um média de 1.500 jovens ao ano. O número de aprendizes efetivados é de 4.490 jovens encarreirados. O programa de estágio começou em 2000 e já impactou 45.618 jovens, dos quais foram efetivados 24.824. Nos últimos 3 anos a média de estagiário por ano é de 4.738 jovens. A taxa de efetivação é de 40% para o programa de jovem aprendiz e 65% para o programa de estágio.

A PwC faz inclusão de jovens por meio do programa de jovens aprendizes desde 2006. Em 2016 o programa passou por uma reestruturação que teve como objetivo final o impacto social e inclusão de jovens em contexto de vulnerabilidade, totalizando 570 jovens no período de 2016 a 2021. Em 2020, 81% dos aprendizes foram efetivados.

A Coca-Cola Brasil possui um programa de jovens aprendizes e estágios, criados em 2016, com 60 jovens impactados em 2021. Todos estes jovens provêm do programa Coletivo Jovem, iniciativa de empregabilidade do Instituto Coca-Cola Brasil que oferece formação, apoia na candidatura às vagas e, durante o recrutamento, oferece a infraestrutura para quem precisa.

Para a empresa de tecnologia Funcional Health Tech, investir na parceria com instituições de ensino do terceiro setor foi a oportunidade de reforçar os valores e a cultura organizacional e, consequentemente, contratar profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho. Este é o primeiro ano do programa, que conta com a contratação de 10 jovens para os cargos de entrada e previsão de mais 7 vagas até o final de 2021.

O Magazine Luiza conta com uma cultura empresarial inclusiva que estimula os estudos com bolsa auxílio e um programa de aprendizagem com taxa de efetivação de 72% nas áreas corporativas. A empresa faz inclusão de jovens através do programa de jovens aprendizes, estágio e trainee. O programa de Jovem Aprendiz atualmente conta com aproximadamente 1670 jovens. No último ano, 450 jovens que tiveram seus contratos encerrados no período foram efetivados e mais 370 foram admitidos no programa.

Outro programa do Magalu com foco em jovens talentos é o Programa Trainee, que gera oportunidade para jovens recém formados em universidades ou às vésperas da formatura. Em 2021, o programa teve 100% de suas vagas dedicadas a contratação de jovens negros. Ao término do programa todos têm oportunidade de assumirem posições em áreas estratégicas da companhia com cargo inicial de Analista Sênior e com forte projeção de carreira para posições de liderança.
União de movimentos pela inclusão

“Os jovens, hoje, mais do que nunca, são o ponto focal da nossa atuação. É buscando criar oportunidades e reduzir barreiras de acesso ao mercado de trabalho que criamos o movimento Pacto Coletivo Pelos Jovens, com o objetivo de convocar empresas e organizações para atuar em conjunto com foco na expansão de vagas de emprego para jovens, em oferecer mais oportunidades de desenvolvimento profissional e em estabelecer processos seletivos mais inclusivos”, conta Daniela Redondo, diretora executiva do Instituto Coca-Cola Brasil. “A trajetória rumo à inclusão produtiva de jovens-potências deve ser um esforço coletivo e intencional, em que todos nós precisamos refletir e estar atentos a vieses e estereótipos a fim de facilitar a criação de espaços para essas pessoas possam prosperar e que ciclos de pobreza sejam interrompidos”.

Além do estudo, será lançado no mesmo dia a Comunidade de Práticas, um espaço na rede social LinkedIn aberto para todas as empresas e profissionais interessados em trocar experiências, boas práticas e desafios sobre a inclusão produtiva jovem. “As empresas estão em níveis diferentes de maturidade na inclusão dos jovens e a troca entre elas é fundamental para potencializar essa agenda, visando não apenas a importância de ampliar o número de vagas para as juventudes, sobretudo os mais afetados pela falta de oportunidades, mas o olhar para a retirada de vieses nos processos seletivos, para o acolhimento, mentoria e desenvolvimento de carreira e o apoio nos casos de violências e violação de direitos”, destaca Gustavo Heidrich, oficial do UNICEF no Brasil para iniciativa Um Milhão de Oportunidades.

A Comunidade já nasce com a força de mais de 90 empresas que fazem parte da rede das iniciativas GOYN, 1MiO, Pacto Coletivos pelos Jovens e Jovens do Brasil e contará com fóruns, conteúdos formativos, apresentação de cases, artigos e histórias de vida.

“A chave para mudar a realidade das juventudes brasileiras e destravar o potencial dessa geração é a oportunidade. E isso não se resume a criação de vagas, vai muito além. Começa na criação de um programa que seja genuinamente inclusivo desde a seleção até a capacitação e progressão de carreira. Precisa ter uma preocupação real em valorizar o que novo esses jovens podem trazer para as organizações e não em enquadrá-los no perfil padrão das atuais referências pouco diversas que povoam grande parte das empresas. Esse é o favor que vemos na troca e evolução contínua de uma comunidade de boas práticas”, finaliza Fernanda Liveri, Coordenadora Geral do Movimento Jovens do Brasil.

Programa Competências para a Vida promove letramento racial para jovens e mentores

Iniciativa da United Way Brasil, em parceria com empresas associadas e parceiras, o programa tem como objetivo promover o desenvolvimento de jovens negros e negras em situação de vulnerabilidade para que construam seus projetos de vida e possam ocupar espaços na sociedade e no mundo do trabalho.

O racismo estrutural é um desafio que precisa ser enfrentado para que possamos avançar como sociedade e combater as desigualdades. No mundo do trabalho, o problema tem se tornado pauta das políticas das corporações, para incluir negros e negras nas equipes, mas ainda é preciso fazer muito mais.

Diante do boom demográfico, em que os jovens ainda são maioria – e a pirâmide etária começa a se inverter, com progressivo envelhecimento da população brasileira –, outro desafio se une ao primeiro e vencê-los é prioridade se quisermos construir uma nova história, que passa pela inclusão da juventude negra no ecossistema produtivo.

No entanto, um cenário, que já era crítico, foi agravado a partir de 2020, com a pandemia gerada pela Covi-19, afetando a oferta de trabalho. Os índices de desemprego entre os grupos de 14 a 17 anos e de 18 a 24 anos, de 42,8% e 29,7%, respectivamente, foram os maiores dentre as demais faixas da população (IBGE, 2020). No contexto geral, a taxa de desemprego entre os brancos ficou em 9,8%, bem abaixo das pessoas pardas (14%) e pretas (15,2%). Os motivos que levam a esse desnível, além da crise, são a baixa escolaridade, a falta de conectividade e o preconceito, obstáculos enfrentados pelas camadas mais pobres que, por sua vez, são formadas por uma maioria negra.

Portanto, para que jovens negros e negras possam ocupar seus espaços, são necessárias políticas públicas que garantam educação e trabalho de qualidade. Também é essencial que o setor privado assuma o seu compromisso com essa causa e, por meio de seus Recurso Humanos (RHs) e comitês de diversidade, promova a entrada e permanência das juventudes negras em suas corporações. O papel do programa Competências para a Vida é justamente apoiar essa inclusão, preparando, de um lado, os jovens para as demandas das empresas aliadas aos seus sonhos e propósitos. Do outro, estimulando os colaboradores das companhias para que sejam mentores voluntários desses novos talentos, apoiando-os na sua caminhada pessoal e profissional, um passo importante na busca pela diversidade nas corporações. 

Letramento racial, a formação necessária

Com os crescentes movimentos sociais para combater o racismo estrutural, a United Way Brasil assumiu o compromisso de realizar ações intencionais com o objetivo de debater, enfrentar e desenhar soluções para a inclusão de jovens negros e negras no mercado de trabalho. O Competências para a Vida é uma delas. Por isso, em 2021, tem realizado parcerias com organizações, consultores e especialistas que são referência no tema. Uma delas é a jornalista e consultora em gênero e raça, Kelly Quirino, que atualmente é professora da disciplina Comunicação e Diversidade e Epistemologias Negras, na Universidade de Brasília, que está apoiando nas formações dos atores envolvidos no Competências para a Vida.

O programa conta com uma coordenação, um grupo de facilitadores e os mentores que se encontram virtualmente com os jovens durante o período de capacitação. “Começamos pelos colaboradores das empresas, que se voluntariaram para serem mentores dos jovens, e os formadores do programa. Falamos sobre uma questão que, às vezes, é confusa para os brancos. Muitos não querem opinar sobre racismo porque acham que esse lugar de fala não lhes pertence. Mas não é assim. Todos e todas precisam debater o tema. Ficar em silêncio, porque é branco, mantém a estrutura do jeito que está, ou seja, excludente. É importante falar e, também, ouvir, considerar e privilegiar a voz dos negros e negras nesse diálogo, porque eles sentem na pele o preconceito”, explica Kelly. Ela gostou da conversa que teve com os mentores porque pode conhecer as diferentes ações das corporações onde trabalham, relacionadas ao enfrentamento do racismo estrutural. “O que percebemos é a importância de oferecer aos funcionários oportunidades de letramento sobre racismo para que entendam o que é, já que muitas coisas estão enraizadas e naturalizadas”, reforçou.

Mulher com vestido colorido

Descrição gerada automaticamenteKelly Quirino é doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Comunicação Midiática e Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Fez doutorado-sanduíche na Tulane University (EUA) como pesquisadora visitante financiada pela Capes. Na área de Educação, atuou como tutora do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Gênero e Raça na Faculdade de Educação da UnB.

O Competências para a Vida, com o apoio da consultora, criou um acervo virtual com indicações de leitura e de filmes sobre a temática para orientar mentores e formadores no entendimento de como o preconceito afeta a vida pessoal e produtiva das juventudes negras. “Na conversa com os mentores, ressaltei que eles têm total condição de dar aos jovens negros e negras exemplos pessoais de como vencer obstáculos, no entanto, é importante que ampliem seus olhares, considerando realidades como pobreza, racismo e violência”, ressaltou Kelly. Ela lembra que essa juventude já passou por muita coisa e se chegou até o Competências para a Vida é porque venceu inúmeras dificuldades. Por isso, é essencial mostrar a esse jovem que seu sonho é possível e que ele possui meios para conquistar seus objetivos. “Não existe meritocracia para essas juventudes. A lógica aqui é outra”, defendeu Kelly. Para ela também cabe aos mentores ajudarem os jovens a acessar informações e oportunidades, afinal, a grande maioria vive em condições de vulnerabilidade. A conectividade e o uso qualificado da tecnologia são realidades distantes. 

A consciência de ser negro e negra nesse contexto 

A formação com a temática começou este ano, no segundo semestre, para um grupo de 320 jovens. “Temos trabalhado o que é o racismo, porque, muitos deles, não têm essa consciência. Então, partimos das suas experiências e aí as situações vão aparecendo. O objetivo é instrumentalizá-los para que possam entender e enfrentar o preconceito que sofrem”, explicou Kelly. “Daí vale usar a charge, o texto, um podcast ou um filme para a partir do exemplo, ajudar o jovem a entender o conceito e a teoria”, complementa. 

Parte da capacitação realizada com mentores.

Vários estudos indicam o impacto negativo do preconceito racial na identidade e na autoestima dos jovens. O Competências para a Vida tem a proposta de fortalecer esses dois aspectos, apoiando os participantes do programa no desenvolvimento de competências socioemocionais e no acesso a ferramentas que os ajudem a ocupar espaços dos quais, historicamente, os negros foram sempre excluídos. “Os jovens do programa precisam entender que a questão do racismo é coletiva e que precisa ser enfrentada como tal. Que construir uma carreira, conquistar um bom emprego é um direito”, reforçou a consultora.

Com a proposta de trazer o racismo estrutural como tema de formação dos colaboradores e dos jovens, o programa Competências para a Vida pretende intervir positivamente na vida desses atores e, também, fomentar a diversidade nas empresas, a partir de um processo colaborativo que une diferentes pontas para promover a inclusão produtiva das juventudes. Por isso, se sua empresa ainda não vestiu a camisa da diversidade e do combate ao preconceito racial, a hora é agora! Começar pelos jovens é uma maneira de plantar mudanças estruturais no presente e futuro de nossa sociedade. 

Clique no link e saiba mais sobre o programa Competências para a Vida: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/ 

Live debate a importância da parceria família-escola para retorno seguro

Realizado no dia 25 de junho, o evento reuniu especialistas para discutir práticas que possam preparar crianças, suas famílias, professores e funcionários da escola para a retomada das atividades presenciais.

“Parceria família e escola: por uma volta mais segura às atividades presenciais” foi o tema da terceira live de 2021 realizada pelo programa de primeira infância Crescer Aprendendo Digital, da United Way Brasil.

Para debater e trazer informações aos pais, às mães e aos responsáveis participantes do programa, foram convidadas Ana Escobar, pediatra; Paula Mendonça, educadora e coordenadora das áreas de cidade e educação do Programa Criança e Natureza, do Instituto Alana; Joelma Xavier de Oliveira, gestora de escola; e Jamíria Cordeiro de Araújo Andrade, professora de educação infantil, ambas de Sobral (CE), município parceiro do Crescer Aprendendo.

Sobre os riscos de contaminação e transmissão do novo coronavírus, uma questão que continua preocupando muitas famílias, a pediatra Ana compartilhou informações importantes para tranquilizá-las, por exemplo, que, embora as crianças possam se contaminar, o que é mais raro, geralmente os sintomas são leves e não evoluem para quadros graves. Elas também podem transmitir a Covid-19, mas isso pouco acontece, segundo estudos recentes. 

De qualquer forma, é claro que um amplo sistema de prevenção precisa ser implementado nas escolas para a volta presencial. “Este ano, usamos a semana pedagógica para entender e estudar os protocolos de segurança sanitária, quais as adaptações que tínhamos de fazer. O manual foi repassado também para a área administrativa. Depois fomos à prática e hoje nós estamos preparados para o retorno. Vamos atender 35% das crianças matriculadas e toda a equipe vai trabalhar com equipamentos de segurança (EPI)”, revela Joelma, diretora do CEI Domingos Olímpio, em Sobral. 

Natureza e espaços abertos como aliados da educação infantil

Estudar em espaços abertos, especialmente na natureza, traz grandes benefícios para o aprendizado e desenvolvimento da criança, além de fortalecer o seu sistema imunológico. Diante do cenário da pandemia, e pensando na retomada, usar tais espaços se torna uma opção ainda mais valiosa para proteção de todos. “A gente vem sugerindo que as escolas, na volta das aulas presenciais, usem pátios, quadras, jardins para as atividades. As escolas que não possuem espaços assim, podem fazer parcerias dentro de seus territórios para ocupar praças e equipamentos públicos, sempre seguindo os protocolos. Nós acreditamos que o uso desses espaços diminui os riscos de contaminação e promovem o bem-estar das crianças e dos adultos”, explica Paula, do movimento Criança e Natureza.

Crianças, vacinas e retorno

Algumas famílias, temerosas com a situação, ainda crítica em muitas cidades, expressam que só se sentirão seguras quando seus filhos e suas filhas forem vacinados. No entanto, durante o debate, e sabendo-se do baixo nível de contaminação e transmissão entre as crianças, as especialistas chamaram a atenção para uma realidade complexa, relacionada à ausência de escola: as crianças estão no fim da fila da vacinação. Segundo alguns estudos, pelo menos 75% da população terá de tomar as duas doses para se chegar ao controle da pandemia. Depois, quem sabe, os pequenos também serão imunizados. Nesse período, o que pode acontecer com as crianças? Todo esse tempo de espera tende a afetar o desenvolvimento cognitivo e emocional dos pequenos, comprometendo seu aprendizado.

Por isso, é importante que famílias e escolas trabalhem juntas para garantir a segurança sanitária para que o retorno aconteça, minimizando os prejuízos que já são notórios no desenvolvimento infantil.

Construção de vínculos

A experiência do CEI Domingos Olímpio, em Sobral, na fase de isolamento social, acabou por construir fortes vínculos com as famílias, o que irá facilitar a adaptação ao retorno. “Desenvolvemos o projeto Curadoria Afetiva. Compartilhávamos as atividades para as crianças realizarem, nos grupos de WhatsApp e, às quintas-feiras, fazíamos um monitoramento da participação e retorno dessas interações. Quando percebíamos a ausência de alguma criança, contatávamos a família e fazíamos uma chamada de vídeo. Nesses momentos, os familiares contavam suas dificuldades, algumas em luto. Era um diálogo afetivo, de acolhimento”, contou a professora Jamíria. Para ela, o fortalecimento dos vínculos tende a favorecer todo o processo de retomada, com ampla colaboração da família.

“Eu gosto daquele ditado africano que diz que é preciso de toda uma aldeia para educar uma criança. Todos nós somos parte dessa aldeia, então, vamos em frente, avaliando sempre o que está dando certo e o que não está e, juntos, nessa empreitada, espero que muito em breve a gente se veja livre dessa situação”, completou Paula.

A live “Parceria família e escola: por uma volta mais segura às atividades presenciais” contou com o apoio do Instituto Alana e das empresas associadas do programa Crescer Aprendendo.

Clique aqui e acesse o evento na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=q7JxFJV55uk

Saiba mais sobre o programa Crescer Aprendendo: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/crescer-aprendendo/ 

Navegue na plataforma do Crescer Aprendendo Digital e confira conteúdos sobre desenvolvimento infantil para trabalhar com as famílias: https://unitedwaybrasil.org.br/crescer-aprendendo-digital/ 

Guia de Primeira Infância para Empresas: ferramenta inédita reúne ações corporativas com foco nos primeiros seis anos de vida

O Guia é uma plataforma interativa e dinâmica que reúne mais de 600 ações voltadas às crianças e suas famílias. A ferramenta quer mobilizar e sensibilizar empresas de diferentes áreas e portes para que invistam na primeira infância, a “mãe” de todas as causas sociais.

Lançado em junho, no evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), apoiadora da iniciativa, o Guia de Primeira Infância para Empresas reúne mais de 600 ações de empresas sediadas no Brasil, focadas nas gestantes e nas famílias com crianças até 6 anos. Além das práticas, a plataforma traz também conteúdos que sustentam a importância da causa não só para a sociedade, mas, também, para agregar valor às marcas e fortalecer os negócios em toda a cadeia produtiva. 

Por ser um tema transversal, a primeira infância não só amplia ações que impactam famílias inteiras, combatendo injustiças sociais, como alavanca as pautas da agenda ESG, afinal “garantir a preservação da humanidade significa dar condições para que as novas gerações se desenvolvam plenamente e possam vivenciar a fase adulta na sua plenitude, como cidadãos conscientes de seu papel na manutenção de um ecossistema integral de relações saudáveis e inclusivas” (“O ESG e sua empresa”, extraído do Guia de Primeira Infância para Empresas). 

Sua empresa precisa participar!

O Guia de Primeira Infância para Empresas é uma ferramenta dinâmica, porque novas iniciativas podem ser pensadas, a qualquer tempo, para atender demandas de famílias com crianças nos primeiros anos de vida. Por isso, existem duas maneiras de fazer parte dessa grande rede pela primeira infância: navegar na plataforma para conhecer as práticas captadas (e revisitar as da sua empresa para ampliá-las e fortalecê-las) e/ou compartilhar as ações e políticas que a sua corporação realiza para referenciar outras companhias. Ou seja, sempre é possível trazer novas experiências ao Guia. 

Para conhecer as diferentes ações e políticas internas em primeira infância, basta clicar no link “Como Participar”, cadastrar-se e definir os temas e as áreas de atuação em que a sua empresa quer focar. Desde licenças parentais diferenciadas e horários flexíveis de jornada até auxílios extras para pais e mães solos e cursos de capacitação sobre desenvolvimento infantil.

Além da descrição das ações, você confere quanto é preciso investir na implementação, por quanto tempo e o impacto esperado no público-alvo. Vale ressaltar que muitas iniciativas têm custo zero, ou seja, existem opções diferentes para atuar pela causa, independentemente do porte da empresa. Portanto, a primeira infância é uma causa inclusiva, porque qualquer corporação pode adotá-la.

Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo, Email, Site

Descrição gerada automaticamente

Na aba AÇÕES você seleciona as iniciativas por Categoria, Porte da Empresa e Público-Alvo para filtrar e chegar às práticas que deseja.

Como proteger a primeira infância na pandemia?

O Guia também traz experiências bem-sucedidas para ajudar as famílias no enfrentamento dos desafios impostos pelo novo coronavírus.

Entrevistamos representantes das empresas Cisco Brasil, IBM, Special Dog Company e Takeda Distribuidora para compartilharem suas experiências. Diante de uma situação tão complexa, as corporações adaptaram suas práticas para atender colaboradores com crianças pequenas a fim de que os impactos negativos do isolamento social pudessem ser amenizados. 

No tutorial, confira o passo a passo para navegar na plataforma, entender como a causa se posiciona como uma alavanca para a agenda ESG e conhecer diferentes práticas voltadas aos primeiros anos de vida. 

“Nosso compromisso com as gerações futuras tem um ponto inicial, que é na primeira infância. Encontramos na realização deste Guia uma forma de apoiar empresas e ver crescer as iniciativas que apoiem famílias com crianças na idade de 0 a 6 anos no seu ambiente de trabalho”, afirmou Paula Crenn, gerente de projetos e voluntariado da United Way Brasil, por ocasião do lançamento do Guia, em entrevista concedida à revista Exame.

O Guia de Primeira Infância para Empresas é uma realização da parceria entre United Way Brasil, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Fundação Bernard van Leer e Fundación Femsa.

Participe, compartilhe e seja um porta-voz da primeira infância na sua empresa!

GOYN SP debate inclusão produtiva no Festival Atlas das Juventudes

O Atlas das Juventudes sistematiza e dissemina diferentes dados para pautar ações e políticas públicas que otimizem e promovam o potencial dos jovens na construção de um futuro mais inclusivo e próspero para a sociedade. O GOYN SP é parceiro da iniciativa, contribuiu com dados sobre juventudes na cidade de São Paulo e marcou presença no festival de lançamento.

De 9 a 12 de junho aconteceu o Festival Atlas das Juventudes, uma realização das organizações Em Movimento e Pacto das Juventudes pelos ODS, com o apoio do GOYN SP, movimento articulado pela United Way Brasil em São Paulo, e diferentes organizações sociais voltadas à causa.

O evento contou com debates, oficinas e atrações culturais e artísticas protagonizados por jovens de gêneros, raças e territórios distintos, ressaltando a diversidade das juventudes brasileiras.

A iniciativa marcou o lançamento do Atlas, disponibilizado para todos e todas que trabalham questões relacionadas às juventudes no Brasil.

No dia 11, o Núcleo Jovem do GOYN SP coordenou a oficina “Trabalho e habilidades socioemocionais” para apresentar aos participantes uma ferramenta de apoio aos jovens nos processos de recrutamento profissional.

Na introdução da oficina, Jonathan Carvalho, Carla Francischette e Gabriel Gonçalves, do Núcleo Jovem, apontaram as principais dificuldades enfrentadas pelos mais de 700 jovens-potência das periferias de São Paulo, na busca por postos dignos de trabalho. Os desafios estão relacionados a questões ligadas ao racismo estrutural, à evasão escolar, à crise laboral e à lacuna digital (saiba mais, acessando o painel “Desafios e oportunidades para a inclusão produtiva dos jovens-potência da cidade de São Paulo”).

Também destacaram como um grande obstáculo os processos de recrutamento das corporações: “Dentre as 500 maiores empresas do Brasil, apenas 35% diversificam a forma de contratação”, ressaltou Gabriel.

Para ele, e demais participantes da oficina, os tradicionais métodos usados pelas áreas de Recursos Humanos (RHs) não contemplam a realidade dos jovens periféricos, suas habilidades e seus potenciais. “Os currículos não dizem quem somos e acabamos em desvantagem quando comparados com jovens que fizeram faculdade X, curso Y, intercâmbio…”. Pâmela Regina, recém-chegada ao GOYN SP, concorda: “Os currículos tradicionais muitas vezes nos colocam como se não fôssemos capazes de nada!”

Na segunda parte da oficina, os jovens apresentaram o Card Jovem, elaborado pelo Núcleo Jovem, com base em um ou mais indicadores, disponíveis on-line, como o MBTI, um teste baseado nas competências socioemocionais do indivíduo. A partir de um questionário, o programa define com qual perfil a pessoa se identifica. “É um método que não leva em consideração as competências técnicas, mas, sim, quem você é de verdade”, reforça Gabriel.

A ideia é que os jovens utilizem os cards para se apresentarem às empresas, evidenciando seus valores, propósitos, motivações e vivências.  Os participantes da oficina tiveram acesso ao link para montá-los e aprovaram a ideia como uma nova maneira de as empresas ampliarem o foco sobre as contribuições das juventudes para o desenvolvimento de suas equipes.

Inclusão produtiva em debate

Na noite do dia 11, o Global Opportunity Youth Network de São Paulo (GOYN SP) participou da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes”, ao lado de representantes da Fundação Arymax, do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds) e do Corporativos para Pretos, mediados pela jovem Yasmim Vieira.

A conversa trouxe importantes reflexões sobre o que significa promover a inclusão produtiva das juventudes, especialmente no atual contexto da realidade brasileira, fortemente marcada pelos impactos da pandemia.

Matheus Magalhães (Fundação Arymax), definiu a inclusão produtiva como “a inserção da população pobre ou em situação de vulnerabilidade para a geração de trabalho e renda de maneira mais estável e relativamente duradoura, a fim de superar as situações crônicas de exclusão social de determinada época”. Ou seja, a inclusão produtiva responde a um contexto social e vai se modificando a partir da realidade.

No entanto, para que os jovens sejam inseridos no ecossistema produtivo outros fatores merecem atenção, porque são determinantes para que a inclusão aconteça com qualidade. “Não adianta falar: ‘empresa, crie vagas e empregue os jovens que estão fora do mercado’. A gente precisa pensar em políticas públicas de outras áreas como educação, mobilidade, garantia de acesso ao primeiro emprego, apoio aos jovens que querem empreender e maneiras de ajudá-los a desenvolver suas competências e habilidades. A questão é como a gente aproxima poder público, setor privado, organizações da sociedade civil e, principalmente, as juventudes para buscar soluções a essas situações”, pondera Rafael Biazão (do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável – Cieds).

A educação é, com certeza, uma questão crítica que precisa ser resolvida no contexto da inclusão produtiva. Para Wel Alves (GOYN SP), os dados traduzem o problema: “Cada jovem evadido da escola, no Brasil, custa 372 mil de reais por ano à sociedade. Só em São Paulo, onde o GOYN atua, temos mais de 700 mil jovens em situação vulnerável. Se incluirmos produtivamente essa população, podemos somar até 0,3% do PIB da cidade. Temos de pensar qual é de fato o desperdício financeiro se não trabalharmos políticas intersetoriais e sistêmicas.”

Nathália Arruda (Corporativo para Pretos) ressalta a importância das empresas nesse contexto: “Jovens estão sendo excluídos por conta de requisitos e vagas irreais. A gente está excluindo pensares plurais, de realidades diferentes. É importante que o setor privado entenda que não é apenas uma questão de políticas públicas, mas de analisar como está excluindo os jovens e o que pode fazer, junto aos agentes locais, com soluções. Pensar que os jovens não vêm de um mesmo lugar, por isso, não podem ser avaliados da mesma forma.”

O olhar focado nas periferias foi outro ponto importante, levantado pelo Wel (GOYN SP): “A maior parte das juventudes é formada por negros, negras e mulheres, que vivem nas bordas das cidades e dos centros urbanos. Então, já que a gente sabe que inclusão produtiva não ocorre somente por meio do emprego, e estamos num país que vive em crise, a questão é como potencializar iniciativas empreendedoras da periferia para a periferia. Tem todo um ecossistema de sustentação da periferia que precisa ser estimulado. Políticas que vão nesse sentido são super importantes, inclusive ações de investimento na infraestrutura e na conectividade. Além disso, também é importante impulsionar o acesso digital e utilizar dados para pensar em como pautar soluções que sejam mais sistêmicas e mais certeiras na inclusão dos jovens desses territórios.”

Confira o debate da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes” na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=Rqc-sBL9ze8

Fundação FEMSA e United Way Brasil se unem pela primeira infância

Parceria viabilizou a formação e o apoio a 500 famílias em situação de vulnerabilidade social, a realização de lives sobre temas focados nos primeiros anos de vida, a disponibilização de podcasts de contação de histórias e um curso sobre educação financeira e geração de renda na plataforma Crescer Aprendendo Digital.

Em 2021, a parceria entre a Fundação FEMSA e a United Way Brasil se fortaleceu com mais uma ampla ação em favor da primeira infância: 500 famílias de 05 cidades, em 02 estados, puderam participar das ações do programa Crescer Aprendendo, cujo objetivo é apoiar pais e responsáveis na missão de educar e cuidar de suas crianças, especialmente no complexo cenário da crise sanitária e econômica desencadeada pela Covid-19.

Reunidas em grupos de WhatsApp, as famílias receberam, por seis meses, conteúdos diários sobre desenvolvimento infantil, apoio de psicólogo e cartão-alimentação, por três meses. Também puderam assistir e interagir em duas lives: a primeira, “Volta às aulas: o que precisamos saber pra quando esta fase passar?”, em março, contou com a participação do pediatra Daniel Becker, da educadora Raquel Franzim (Instituto Alana) e da pedagoga e gestora de escola, Joice Araújo. A segunda, em abril, debateu o tema “Desafios familiares em tempo de Crise”, com a presença de Vera Iaconelli, psicanalista, Flávio Debique, gerente nacional da Plan International, Ana Paula Ferreira, pedagoga, e Luciano Ramos, consultor e gestor voluntário do coletivo Pais Pretos Presentes. 

Contação de histórias para os pequenos

A parceria com a Fundação FEMSA também viabilizou a ampliação da plataforma Crescer Aprendendo Digital, repleta de conteúdos sobre primeira infância para orientar as famílias e servir como subsídio ao trabalho de profissionais da educação, saúde e assistência social. 

Uma série de seis podcasts foram gravados por três contadoras de histórias consagradas: Fafá Conta, Juçara Batichoti (Varal de Histórias) e Kiara Terra. O objetivo dos podcasts é promover nas famílias os hábitos de ler e contar histórias, essenciais para o fortalecimento de vínculos, desenvolvimento do vocabulário e da criatividade dos pequenos, além de incentivar a resolução de problemas, já que as narrativas são cheias de desafios e finais inesperados.

O acesso à contação de histórias pode ser feito via Spotify e YouTube. É só clicar, escutar e compartilhar. 

Educação financeira e geração de renda para as famílias

Outra ação promovida pela parceria foi a realização de um curso com 30 vídeos-aula sobre organização da vida financeira e orientações para famílias lidarem melhor com os desafios da crise econômica causada pela pandemia ou, até mesmo, começarem um negócio de maneira consciente e assertiva, para obter mais renda ao sustento das crianças.

Os vídeos-aula, realizados pela organização Aventura de Construir para o programa Crescer Aprendendo, foram compartilhados com as famílias, nos grupos de WhatsApp. A parceria também viabilizou consultorias personalizadas para 20 famílias que manifestaram interesse em fortalecer seus negócios. 

As aulas fazem parte do acervo da plataforma Crescer Aprendendo Digital para que qualquer pessoa possa assisti-las e ter acesso a dicas sobre educação financeira e geração de renda. É só clicar no link: https://www.youtube.com/playlist?list=PL678y5q5ihcdzrhq9pnVI6Rjrntx4fDxW 

Além disso, na plataforma, o internauta encontra conteúdos sobre os temas-chave do desenvolvimento infantil, resumidos neste vídeo sobre a ferramenta, para divulgar a importância da primeira infância na construção de uma sociedade melhor e menos desigual para todos e todas. Confira e compartilhe: https://www.youtube.com/watch?v=0MUOlbun0C0