Webinar discute práticas para fortalecer a primeira infância na pandemia

Realizado pela GPTW em parceria com a United Way Brasil e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o evento contou com a IBM e a Special Dog Brasil para compartilhar suas políticas de RH focadas na promoção da primeira infância.

No último dia 22, André Bersano (GPTW) abriu a webinar com um provérbio africano que pautou todo o diálogo desse encontro: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, referindo-se ao papel que as empresas também exercem para a garantia do pleno desenvolvimento de filhos, netos e crianças de seus colaboradores e das comunidades.

Diante do cenário da pandemia, as empresas reviram o seu modus operandi, adotando iniciativas que mantivessem o fornecimento de produtos e serviços e preservassem a saúde das equipes.

Ao mesmo tempo, com a permanência em casa, uma boa parte dos funcionários passou a conviver com suas crianças em tempo integral, o que exigiu de todos (famílias e empresas) uma flexibilização de posturas e rotinas. Exigiu, também, um olhar apurado para garantir a saúde mental e física de pais e crianças na primeira infância.

Pesquisa realizada pela GPTW, em 2019, indicou que 31% das corporações tidas como melhores para se trabalhar possuíam salas exclusivas para lactação; 11% ofereciam creches ou berçários no local ou próximas a ele; 69% concediam licenças para cuidar de crianças ou familiares doentes. Ou seja, cuidar do outro, e da criança, está cada vez mais na pauta das políticas de RH.

Paula Creen, da United Way Brasil, referiu-se ao mapeamento realizado em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal que reuniu cerca de 600 iniciativas focadas na primeira infância, de empresas de diferentes áreas e portes, que irão compor uma plataforma a ser disponibilizada  às corporações que queiram adotar iniciativas ou ampliar as que já realizam em favor dos primeiros anos de vida. A IBM e a Special Dog, com a assessoria da United Way Brasil, revisitaram suas políticas e, com base no mapeamento, ampliaram as ações de suas políticas.

A experiência da IBM

Ana Paula Mendes, da IBM, uma das corporações que figuram seguidamente no ranking do prêmio da GPTW, reforçou que 60% dos funcionários engajados estão em empresas que oferecem diferentes benefícios para promover o bem-estar (Gallup).  Quando se fala em primeira infância, a sensação de fazer parte de uma instituição que preza e apoia a família só tende a favorecer o envolvimento, a produtividade, a permanência, a saúde mental e física dos colaboradores. 

Por isso, a IBM investe em ações como o dia da família na empresa e programas que atuam nas escolas para falar de diversidade, gênero e combate ao bullying, por exemplo. Também estimula a formação de “tribos” com funcionários voluntários que se unem por temas de interesse. Um deles dedica-se a pensar em estratégias para fomentar entre os colaboradores a importância da primeira infância, como a criação de uma página no site da empresa para compartilhar informações e conteúdos sobre desenvolvimento infantil e os benefícios oferecidos pela IBM para pais e familiares de crianças pequenas.

Durante a pandemia, cuidar do bem-estar mental e emocional das famílias, isoladas em casa, foi foco das ações. Aulas de ioga, cafés da manhã, contação de histórias, construção de brinquedos com sucata reuniram adultos e crianças. A empresa reforçou canais que já existiam, voltados à assessoria jurídica, contábil, coach, sessões com psicólogo, nutricionista, dentre outros. Deram suporte aos gerentes e lideranças das equipes para que mantivessem contato com seus subordinados e suas famílias, apoiando-os da melhor maneira.

“Convidamos homens ‘improváveis’, da alta liderança da companhia, para falar de suas rotinas aos colaboradores homens, mostrando que o papel do pai não é ajudar, mas dividir e assumir a responsabilidade do cuidado com os filhos. Pessoas que todos imaginavam que não tinham tempo para se dedicar à família. Eles reforçaram que é possível ser profissional, pai e ainda cuidar de si”, revela Ana.

A política da Special Dog Brasil

Outra empresa que sempre está no ranking da GPTW, a Special Dog Brasil, em 2015, reviu sua atuação social, dedicando-se ao desenvolvimento sustentável para cocriar projetos de diferentes atores dos setores público e privado, com foco na primeira infância. Ações pensados para dentro da empresa e além dela, desde a formação de pais sobre os temas relacionados ao desenvolvimento infantil até o apoio à criação do Plano Municipal de Primeira Infância da cidade onde a fábrica tem sede. 

Durante a pandemia, realizou iniciativas para garantir saúde e prevenção aos colaboradores e seus familiares com distribuição de máscaras, álcool em gel, aplicação de vacinas, disponibilização de um psicólogo etc. Para a sociedade, doou testes Covid-19 e respiradores para hospitais.

“O contato com a United Way Brasil foi fundamental para revisitar e avaliar nossas práticas focadas na primeira infância. Nos engajamos e criamos um comitê interno com diferentes áreas para intensificar esse cuidado que a nossa política quer expressar concretamente. Elaboramos um programa que vai apoiar os pais desde a gestação até os seis anos de vida da criança”, conta João Paulo Figueira, da Special Dog. 

Para Paula, “embora a IBM e Special Dog sejam grandes empresas, é possível realizar ações de primeira infância em corporações menores, sem grandes custos, como o day off para o funcionário passar o dia do aniversário com os filhos, por exemplo. O importante é começar com uma ação e ampliar conforme a adesão e o engajamento”, explica

Quando as empresas estimulam a parentalidade positiva, elas ajudam a promover o desenvolvimento pessoal e profissional de seus colaboradores. Porque, ao cuidar da criança, o adulto “qualifica a comunicação e a leitura de ambientes e situações, descobre e fortalece habilidades, aprende a gerir conflitos, adquiri uma postura mais empática, sabe ser flexível diante de situações de impasse e consegue ser criativo na hora de resolver problemas”, conclui André.

Os participantes reforçaram um aspecto importante quando se fala em criar ações para promover a primeira infância no ambiente de trabalho e fora dela: é essencial ouvir os colaboradores, convidá-los a pensar em iniciativas, saber de suas demandas e expectativas para a tomada de decisões. Dessa forma, qualquer política que tenha o aval das equipes será bem-sucedida e alcançará seus objetivos, ou seja, favorecer o pleno desenvolvimento infantil.

Para assistir ao webinar na íntegra, acesse: encurtador.com.br/nrBN0

As violências contra a criança: precisamos falar sobre isto!

O confinamento causado pela pandemia tende a aumentar os índices de violência contra os pequenos. É preciso enfrentar o problema – e agora!

Segundo os resultados de uma pesquisa realizada na China, que avaliou cerca de 300 crianças e adolescentes, o distanciamento social pode causar ou ampliar aspectos funcionais e comportamentais nesse público, como dependência excessiva dos pais, preocupação, ansiedade e desatenção.  

Já o estudo Repercussões da Pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil, elaborado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), mostrou que o bem-estar integral da criança está diretamente relacionado à qualidade de interação e vínculos que os adultos, especialmente pais e cuidadores, estabelecem com ela.

Ou seja, é preciso que os pequenos vivam em ambientes saudáveis, o que requer diálogo, paciência, brincadeiras, leitura, certa rotina e a presença afetiva desses cuidadores para amenizar momentos de tensão, causados pelo isolamento.  

Mas, infelizmente, muitas crianças estão expostas a problemas que já vivenciavam antes mesmo da chegada da Covid-19, como a pobreza e a violência, ambas ampliadas nestes tempos.

A violência e suas marcas para toda a vida

Quando falamos em violência contra a criança, estamos abordando um amplo espectro que envolve a violência física, sexual, negligências e outras violações de direitos, como o direito ao brincar no lugar de trabalhar.

Segundo o Unicef, escolas fechadas e pobreza acentuada estão levando crianças ao trabalho para que ajudem suas famílias, o que é um equívoco, já que sacrificá-las não vai resolver o problema e, ao contrário, ajudará a acentuar questões como doenças, analfabetismo e demais indicadores que só tendem a ampliar as desigualdades que impedem o País de se desenvolver em todos os níveis.  

A Constituição Federal proíbe o trabalho de menores de 16 anos (exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos), mas em 2018 apenas 435.956 jovens estavam registrados como aprendizes no País e mais de 1,7 milhão de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos permanecia fora da escola.

O trabalho infantil também é porta de entrada para outra violação: a exploração sexual, entendida como a prática do sexo entre crianças ou adolescentes com adultos, em troca de benefícios, presentes ou dinheiro. Com o isolamento social, o abuso sexual também tende a aumentar. Ou seja, crianças têm sido sistematicamente violadas por um adulto que mora com ela ou frequenta a casa da família.

O relatório da organização World Vision (maio de 2020) estima que até 85 milhões de crianças e adolescentes (2 a 17 anos) no mundo poderão ser vítimas de violência física, emocional e sexual nos meses da pandemia, o que significa um aumento de até 32% da média anual das estatísticas oficiais.

No Brasil, os dados vão na contramão dessa lógica. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (agosto de 2020), as notificações do Disque Denúncia caíram na fase da pandemia. Eram 29.965 entre março e junho de 2019. Até agosto de 2020 foram 26.416 casos identificados. As razões dessa queda são claras: quem denuncia não está mais em contato com a criança, como professores e funcionários de escolas, profissionais da saúde, amigos e parentes mais distantes, além de outros agentes de proteção. A subnotificação era uma realidade antes da Covid-19, já que, segundo o próprio Ministério, só 10% das violências chegavam às autoridades públicas. Essa porcentagem tende a ser bem maior com o isolamento

O foco na família

O que podemos fazer para amenizar os efeitos negativos da pandemia e mitigar os desafios que as crianças já enfrentavam antes mesmo do isolamento social?

É essencial que o poder público se mobilize não só no cumprimento de leis para punir quem causa a violência, mas, também, estruturar e fazer chegar às famílias meios para que se percebam como essenciais à manutenção do bem-estar integral de seus filhos. 

Como organizações sociais, coletivos e demais instituições temos de defender a causa (advocacy), convocar e mobilizar parceiros e implementar programas e ações sociais para que a formação de pais e cuidadores seja uma prioridade. 

A United Way Brasil acredita nesse caminho e por isso, em 2020, diante do cenário da pandemia, adotou medidas para expandir o programa Crescer Aprendendo e atender o maior número possível de crianças na fase da primeira infância (0 a 6 anos). Atualmente, o programa tem beneficiado 1.600 famílias das cidades de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP), Sumaré (SP), Louveira (SP), Suzano (SP), Goiana (PE), Betim (MG), Joinville e Navegantes (SC). 

As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos diários por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais nos temas relacionados aos primeiros anos de vida: comportamento da criança, papel da família, direitos da criança, importância do brincar, saúde física e mental, higiene, nutrição, cultura da paz etc., com orientações para o enfrentamento da Covid-19.

A manutenção e expansão do programa só foi possível porque contamos com a parceria das empresas Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower e 3M que investiram na causa e acreditam que apoiar as famílias pode mudar realidades.

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United Way Brasil e 3M se unem para ampliar programa de primeira infância

No total, 12 municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Pernambuco serão beneficiados, por meio da articulação entre a multinacional e a United Way.

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo original a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, o programa levou todas as suas ações, que antes eram presenciais e digitais, totalmente para o formato on-line, o que viabilizou sua ampliação. As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos diários por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais nos temas relacionados aos primeiros anos de vida: comportamento da criança, papel da família, direitos da criança, importância do brincar, saúde física e mental, higiene, nutrição etc, com orientações para o enfrentamento da Covid-19.

O sucesso da metodologia do programa foi reconhecido pela 3M que, por meio de edital próprio, selecionou o Crescer Aprendendo como estratégia para apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A multinacional, que possui cinco fábricas instaladas no Estado de São Paulo, compondo a 3M do Brasil, além da empresa 3M Manaus (AM), doou o valor de R$ 1,21 milhão à United Way Brasil, tornando-se a maior parceria do programa em 2020. 

Os recursos também irão amenizar o impacto da pandemia no desenvolvimento de crianças de 0 a 6 anos por meio da segurança alimentar, com a distribuição  de cartões-alimentação a cada uma das 1.600 famílias das cidades de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP), Sumaré (SP), Louveira (SP), Suzano (SP), Goiana (PE), Betim (MG), Joinville e Navegantes (SC). 

“A responsabilidade social é um dos nossos pilares estratégicos e faz parte de nossas prioridades apoiar as famílias que neste momento estão passando por grandes dificuldades. Também estamos apoiando o hospital público de Sumaré, onde fica nossa matriz no País. Essas doações estão alinhadas aos valores da 3M e ao nosso compromisso social neste cenário crítico em função da Covid-19”, comenta Marcelo Oromendia, presidente da 3M Brasil. 

“Atuar coletivamente por uma causa é a principal premissa da United Way em todo o mundo. Com o advento da Covid-19, a união de esforços nunca foi tão imprescindível, especialmente para apoiar as populações que, até mesmo antes dessa crise sem precedentes, viviam realidades vulneráveis. A participação da 3M neste contexto, com a doação ao programa Crescer Aprendendo, tem sido valiosa não só para a manutenção da iniciativa como para a sua ampliação, porque podemos apoiar mais famílias com recursos materiais e emocionais a fim de que se fortaleçam e enfrentem os desafios imposto pela pandemia”, ressalta Gabriella Bighetti, Diretora Executiva da United Way Brasil.

As empresas Lear e Ecolab, que já são parceiras da United Way Brasil, também estão apoiando a expansão do programa para os 12 municípios, direcionando recursos para suas ações. 

Para as famílias, a ação tem trazido o apoio de que precisam, como relata uma das mães que integram o programa: “Eu brinco mais com meu pequeno, a convivência ficou diferente. A gente passa a conhecer mais o próprio filho de uma forma especial e muito importante. É uma oportunidade única.”

Formato digital do Crescer Aprendendo é bem avaliado pelas famílias

No fechamento do primeiro semestre, as famílias participantes do Crescer Aprendendo responderam a uma pesquisa cujos resultados fortalecem o novo formato do programa. O sucesso levou à ampliação da iniciativa para outros territórios.

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo original a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, que limitou eventos presenciais, o programa acontece por meio de plataforma digital. As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais.

Os temas são discutidos com base no que é essencial ao bem-estar pleno da criança, mostrando aos pais o que podem fazer para exercer essa parentalidade positiva, a partir de seus contextos e, especialmente, na crise gerada pela Covid-19.

Resultados da pesquisa

Para avaliar os avanços e os desafios do programa, a equipe do Crescer Aprendendo aplicou uma pesquisa junto às famílias participantes da nova versão, no formato digital.

Das 264 famílias que responderam ao questionário on-line, 93,3% se dizem satisfeitas com o programa. Sobre os conteúdos compartilhados nos grupos, 92,5% dos respondentes afirmaram que trouxeram conhecimentos novos, especialmente relacionados à alimentação saudável, higienização dos alimentos, às orientações de como elaborar um prato colorido e saudável para as crianças, como interagir melhor com os filhos, a importância da brincadeira, dentre outros.

Já 82,2% revelaram que o grupo no WhatsApp ajudou a qualificar a relação com as crianças, especialmente a convivência, a interação, em como lidar com comportamentos mais rebeldes, a aceitação da criança a alimentos novos, a ler e brincar mais com os filhos e a incentivar a autonomia dos pequenos.

Alguns depoimentos de respondentes da pesquisa
“Estou entrando no momento de introdução alimentar e tudo que mandam sobre o assunto eu simplesmente amo. O que mais me marcou foi a forma de lidar com uma criança que não come. Estou afiadíssima sobre o assunto aqui. Minhas filhas vão comer de tudo.”
“Eu brinco mais com meu pequeno, a convivência ficou diferente. A gente passa a conhecer mais o seu próprio filho de uma forma especial e muito importante. É uma oportunidade única.”
“É muito importante esse grupo porque sabemos que não estamos passando por esse momento sozinhos. O grupo tem me ajudado muito.”

Ampliação da atuação do programa

O sucesso da metodologia para atender as necessidades das famílias com crianças de 0 a 6 anos, especialmente na pandemia, foi reconhecido por  empresas parceiras e associadas da United Way Brasil, que apoiam o programa.  

Por isso, a partir de agosto, o Programa Crescer Aprendendo  será ampliado para cerca de 2.000 famílias de 12 cidades de quatro estados: São Paulo, São Bernardo do Campo, Caçapava, Suzano, Louveira, Sumaré, Campinas (SP); Betim e Camanducaia (MG); Joinville e Navegantes (SC); e Goiana (PE). 

Além do trabalho de formação de pais e cuidadores, a United Way Brasil garantiu mais cuidados às crianças, promovendo segurança alimentar. As parcerias com as empresas vão oportunizar, também, a distribuição de cartões-alimentação para as famílias.

Para operacionalizar a implementação e monitoramento do programa nas diferentes cidades, a United Way Brasil lançou, em julho, um edital a fim de selecionar organizações não governamentais, que tenham um trabalho voltado a crianças na primeira infância e/ou suas famílias, para serem parceiras nessa expansão. O resultado do edital, com as organizações escolhidas, foi publicado no início de agosto e as instituições selecionadas estão passando por capacitações sobre o programa e seu papel nessa expansão, , que contará contando com o acompanhamento permanente da equipe técnica da United Way. 

Até o final de 2020, o programa Crescer Aprendendo quer atender 5 mil famílias de regiões onde as adversidades não são exceção, mas regras. 

Parentalidade: é preciso formar os pais para que apoiem seus filhos

A família, por natureza, compõe o primeiro espaço de socialização da criança. Logo, sua importância é indiscutível. Por isso, investir na formação de pais ou cuidadores é garantir uma parentalidade positiva capaz de apoiar e estimular o desenvolvimento infantil integral.

O termo parentalidade ainda é pouco conhecido, mas vem ganhando força, especialmente para pontuar o conjunto de ações que objetivam assegurar o cuidado e o desenvolvimento da criança. Não é só a família que exerce esse papel: professores, educadores, profissionais da saúde e da assistência social, dentre outros, são agentes importantes no ecossistema de proteção e cuidado. No entanto, a família, nas suas diferentes configurações, permanece como o núcleo fundamental desse processo.

No contexto da parentalidade positiva de pais ou cuidadores, estão a prática do apego e das relações saudáveis entre eles e as crianças, provisão de recursos materiais de proteção e segurança dos filhos, acesso ao atendimento à saúde, valores e regras para a convivência em sociedade, educação intelectual e preparação para crescente autonomia dos pequenos.

Quando olhamos para o cenário de vulnerabilidade social em que muitas famílias estão inseridas, com escassez de recursos, falta de acesso a serviços públicos e presença dos diferentes tipos de violência, a parentalidade positiva é um desafio. Portanto, para fortalecer essas famílias, são necessárias políticas públicas que as apoiem material e emocionalmente.

Programas sociais e a parentalidade positiva

Para que deem certos, programas focados na formação de pais e responsáveis precisam ter como premissa que a parentalidade é uma habilidade que se aprende e pode ser fortalecida. Ninguém nasce sabendo. Ao mesmo tempo, devem reforçar que as famílias possuem recursos para cuidar de seus filhos, dentro de suas realidades. Quando os pais ou responsáveis são empoderados para mobilizar tais recursos, e entendem o seu papel no desenvolvimento infantil, tendem a participar ativamente das iniciativas, e os resultados aparecem. Trabalhar a autoconfiança dos adultos, os vínculos afetivos como aliados desse cuidar são pontos-chave de qualquer ação nesse sentido.

Da mesma forma, a parentalidade se torna positiva para crianças sem lares, que vivem em abrigos, quando os cuidadores têm clareza de sua importância no desenvolvimento delas, dando-lhes a segurança de que necessitam para se sentirem confiantes, mesmo desprovidas de um núcleo familiar estruturado, porque contam com adultos de referência que têm um olhar dedicado às suas necessidades físicas e emocionais.

Ao mesmo tempo, impor regras ou procedimentos, sem ouvir os pais, não respeitando suas raízes e características, tende a levar qualquer iniciativa bem intencionada ao fracasso. A diversidade dos adultos que cuidam da criança é outro aspecto que agrega aprendizado ao programa ou ação. Portanto, necessidades, expectativas e demandas mais urgentes de pais e cuidadores devem estar no centro da elaboração de um programa que procure estimular a parentalidade positiva.

No caso de famílias em situação de vulnerabilidade social, um dos pontos a se trabalhar é a resiliência que elas possuem para que acreditem na sua capacidade de, mesmo diante das adversidades, oferecer aos filhos aquilo de que precisam para se desenvolverem. 

O que se busca com programas voltados a esse tema é prevenir e combater negligências, maus tratos, abusos e violências distintas que, muitas vezes, são parte do cotidiano de famílias por gerações. É, também, sensibilizá-las sobre o quão importantes são para o desenvolvimento infantil e como o tempo que dedicam aos seus filhos faz diferença na saúde física e mental dos pequenos e nas suas vidas, já que é uma fase única e a essencial à formação do ser humano. Quanto mais essa interação for de qualidade, melhor para todos, especialmente, para a criança.

Crescer Aprendendo e a formação de famílias

O programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, realizado com empresas e organizações parceiras, traz no seu escopo a estratégia de formação das famílias em reuniões presenciais e a distância, com participação de consultores para mediar conversas e compartilhar conteúdos.

No atual cenário de pandemia, que limitou eventos presenciais, o programa acontece por meio do WhatsApp. As famílias, divididas em grupos, recebem conteúdos por meio de textos, links, vídeos e interagem com perguntas e opiniões, tendo uma mediadora para respondê-las ou comentá-las.

Os temas são discutidos com base no que é essencial ao bem-estar pleno da criança, mostrando aos pais o que podem fazer para exercer essa parentalidade positiva, a partir de seus contextos e, especialmente na crise gerada pela Covid-19, orientações e práticas de como lidar com o isolamento social.

Os conteúdos estão distribuídos em temas-chave: alimentação saudável, saúde física e mental da criança, comportamento da criança, direitos da criança, papel da família e importância do brincar. Os conteúdos ampliam as reflexões e dão aos pais suporte para que avaliem o que podem realizar, sem impor-lhes regras ou dar “lições” do que é certo ou errado. 

As famílias são estimuladas a elaborar atividades com seus filhos e a compartilhar fotos e vídeos desses momentos. A troca entre famílias cria uma rede de práticas que fortalece a parentalidade positiva, constituindo uma comunidade digital que pretende cuidar das crianças, mas, também, das famílias.  

Até o final de 2020, o programa Crescer Aprendendo quer atender 5 mil famílias em territórios onde as adversidades não são exceção, mas regras. E se a gente se unir para isso? Sua empresa também pode fazer parte dessa rede de cuidado e proteção de crianças. Entre em contato conosco e saiba como.

A atuação nos territórios vulneráveis e seus resultados sociais

Um dos pilares do trabalho da United Way Brasil (UWB) é a intervenção territorial para oferecer melhores oportunidades de desenvolvimento e bem-estar ao público alvo.

As intervenções nos territórios, propostas pela UWB, acontecem presencialmente, em realidades previamente mapeadas, onde crianças e jovens não têm as oportunidades de que precisam para se desenvolver integralmente.

Em 2019, na área da primeira infância, por meio do programa Crescer Aprendendo, a organização atuou em 12 creches e 1 escola de educação infantil, na região de Campo Limpo, SP. Ofereceu oficinas aos pais, cuidadores e professores, trabalhando temas relacionados aos primeiros anos de vida: a importância do brincar, os direitos da criança, o papel da família, a alimentação saudável, o comportamento e saúde das crianças.

No final do ano, o programa realizou uma pesquisa para saber quais mudanças o Crescer Aprendendo gerou na visão e no comportamento das famílias com relação às crianças, naquele território.

Os resultados apurados nas famílias foram bastante animadores. Um deles mostrou o aumento significativo do acesso a informações qualificadas sobre primeira infância, como contou o membro de uma família do CEI São Luiz II: “Antes eu achava que do meu jeito estava bom. Daí comecei a acessar os conhecimentos e melhorei.”

Outro avanço perceptível, segundo a avaliação, foi a melhora do diálogo dos cuidadores com as crianças e da qualidade do tempo que passam com elas. A família da CEI Cid Franco confirma essa mudança: “A gente se reúne pelo menos uma vez na semana para brincar: eu, minhas filhas e meu marido. Antes a gente não fazia isso.”

Os itens sobre mais qualidade na alimentação que oferecem e mais paciência para se dedicar às crianças também obtiveram várias respostas positivas, denotando como as famílias estão atentas às necessidades e à escuta dos pequenos.

A parceria com a escola, promovida pelo programa, foi outro aspecto analisado pelas famílias, que a considerou essencial para o desenvolvimento da criança acontecer plenamente, sendo as oficinas reconhecidas como um importante apoio para propiciar o fortalecimento dessa relação, como conta a gestão do CEI Cid Franco: “Os pais mudam, eles se tornam mais próximos, eles passam a nos buscar mais quando surgem dúvidas em relação à criança. Porque quando você aproxima os pais, quando você esclarece, eles se tornam mais próximos, como se fossem um parceiro.”

Educadores e professores também aprovaram as capacitações que receberam, por meio de oficinas. “Foram muito boas as atividades que eu participei. Forneceram um outro olhar sobre a nossa prática, porque muitas vezes vamos fazendo as coisas e esquecemos de refletir. Quando tem essas reflexões, de que a gente precisa do outro, fica melhor o trabalho, mais prazeroso”, reforça a educadora do CEI Umarizal.

A avaliação confirmou que atuar em territórios vulneráveis, respeitando características e necessidades próprias, é uma estratégia eficaz de transformação, porque qualifica relações, visões e comportamentos dos que estão envolvidos com o público alvo das intervenções.

Campanha quer engajar pessoas e empresas nas causas da primeira infância e juventude

A United Way Brasil lança o Relatório de Atividades do primeiro semestre com campanha para ampliar a abrangência de sua atuação junto a crianças e jovens.

O Relatório 2020 – Jan-Jun traz as realizações coletivas empreendidas pela United Way Brasil e seus parceiros, no primeiro semestre.

O destaque são as ações emergenciais de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica para o enfrentamento da Covid-19 e a realização da primeira live internacional “Desigualdades e pandemia”, com a participação de Graça Machel, uma das maiores ativistas negras do mundo, e o apresentador, empreendedor e filantropo Luciano Huck.

O documento traz, também, os primeiros resultados do ano dos programas Crescer Aprendendo (focado na primeira infância) e Competências para a Vida (voltado aos jovens), que migraram para o formato digital, respondendo às demandas do distanciamento social, causado pela pandemia. Participantes das iniciativas compartilham, nas páginas do relatório, depoimentos sobre essa nova experiência e os impactos em suas vidas.

Juntos podemos mais

A publicação marca o início de uma campanha de captação de recursos para ampliar o atendimento às famílias e aos jovens nesta fase de ampla crise. Até o final do ano, a expectativa é atender 5 mil famílias com crianças de 0 a 6 anos, por meio do Crescer Aprendendo, e mil jovens que necessitam de apoio para construir seus projetos de vida (Programa Competências para a Vida). 

A campanha, que conta com a parceria de empresas, envolve todo o ecossistema das corporações, com diferentes etapas de sensibilização e conscientização sobre a importância das causas para o enfrentamento das desigualdades sociais.

Peças de comunicação especialmente pensadas para a ação convidam desde os executivos e os colaboradores até a população em geral a participarem da campanha. As peças são disseminadas pelas ferramentas de comunicação interna e externa das corporações e pelas páginas da United Way Brasil nas redes sociais.

Esse amplo movimento tem como objetivo mitigar os efeitos da pandemia nas populações mais suscetíveis. Além da solidariedade, a campanha quer apontar saídas eficazes e competentes para quebrar ciclos de pobreza e formar gerações mais preparadas aos desafios do século 21.

Conheça os avanços alcançados pelas parcerias da United Way Brasil no primeiro semestre, clicando no link do Relatório de Atividades: link

Participe e compartilhe a campanha. Acompanhe nossas redes sociais. Clique e contribua com a nossa meta! Juntos podemos fazer muito mais.

O combate à violência sexual contra crianças e jovens passa pelas empresas

Para muitos, o tema é indigesto. No entanto, é extremamente importante, porque atinge a base de nossa sociedade, comprometendo – e muito – o presente e o futuro de todos nós.

A United Way Brasil tem como foco de suas ações duas fases primordiais da existência humana: primeira infância e juventude. Uma das questões a qual se dedica para apoiar o desenvolvimento integral de crianças e jovens é a garantia de direitos, o que engloba o urgente combate à violência, seja ela física, psicológica ou sexual.

Com relação a esta última, que envolve o abuso e a exploração, ainda existe uma grande resistência da sociedade em olhar para o problema e encará-lo de frente. Precisamos mudar isto. Não podemos aceitar o fato de o Brasil ocupar o segundo lugar no ranking de países com maiores números de exploração sexual infantil (sexo em troca de dinheiro ou de algum benefício).

Dados recentes, pré-pandemia, apontavam que, a cada hora, três crianças ou adolescentes são vítimas de abuso sexual (estupro e comportamentos abusivos dos adultos) no país, no entanto, acredita-se que só um em cada dez casos é reportado, ou seja, os índices são bem maiores.

Com o evento da Covid-19, esses números tendem a crescer. Sem ter a quem recorrer, muitas crianças e muitos jovens acabam convivendo todos os dias, por 24 horas, com os abusadores. Outro aspecto é o maior tempo plugado na internet, que oportuniza a pornografia infantil e a exposição às ameaças de quem está do outro lado da tela.

A falta de empregos e o agravamento da crise econômica impacta em cheio famílias que já sofriam com a escassez de recursos, antes da pandemia. Provavelmente, os casos de exploração sexual vão aumentar – 320 crianças e jovens já eram explorados sexualmente a cada 24 horas, antes do isolamento social. 

A preocupação tem razão de ser. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Serra Leoa, na África, a epidemia do Ebola, entre 2014 e 2106, elevou sensivelmente os índices de diferentes violações, como o trabalho infantil, o abuso sexual e casamento infantil. 

O papel do empresariado 

Não olhar para o tema elevará o custo social que todos já pagamos por conta da omissão. Os problemas de saúde física e mental causados pela violência, tratados pelo sistema público, inflam os gastos públicos; a violência em todos os níveis só tende a aumentar, já que os abusados, muitas vezes, buscam no álcool e nas drogas algum “conforto” ou são levados a consumi-los pelos abusadores. Outro problema é que meninas e meninos nessa situação acabam por abandonar a escola. Garotas ficam grávidas e muitas vivem sozinhas e precisam sustentar seus filhos. Outra parte delas se junta a um parceiro violento e outra, ainda, entrega a criança para o sistema, que nem sempre consegue cuidar da criança da maneira que ela precisa para se desenvolver plenamente, mesmo investindo uma quantia razoável de recursos públicos para sustentá-la. 

“Costumo dizer que a violência sexual contra a criança e o adolescente é uma ‘epidemia’.  Acabar com ela ainda não é uma demanda social, infelizmente. Sem essa demanda, sem a pressão que a sociedade exerce, as políticas públicas não acontecem. A sociedade precisa entender que abuso e exploração sexual de crianças e jovens perpetua o ciclo da pobreza, afetando a todos, direta ou indiretamente. Acredito que o empresariado é um pilar da sociedade essencial no combate à violência. Existem 2 mil pontos mapeados, nas estradas federais brasileiras, em que a prática da exploração sexual acontece. Quantas empresas têm suas plantas à margem dessas rodovias?”, ressalta Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta

Os focos de exploração sexual são vários, como hotéis, resorts, empreendimentos de construtoras, portos e empresas de transportes. Por isso, a importância de as empresas investirem em recursos e ações para mitigar a violência no entorno de suas sedes e nas comunidades onde atua. “O empresário tem de entender que ele precisa estar lá, porque ele e toda a sociedade pagam essa conta”, reforça Luciana.

Mas como fazer isso? “Por meio da educação, da conscientização. Temos de mudar a cultura permissiva que vê nesse tipo de exploração algo natural, que faz parte. Não é à toa que somos a quarta nação com maiores números de casamento infantil, em pleno século 21”, completa Luciana. 

Para ela, programas e campanhas que apostam na formação das famílias, na educação sexual nas escolas, que empoderam meninas, as principais vítimas, que tratam o tema com a população em geral tendem a ser eficientes. “Precisamos vencer preconceitos e acabar com o silêncio da sociedade diante de tamanho absurdo. As empresas podem investir na formação de seus colaboradores, da comunidade do entorno onde crianças e jovens vivem”, finaliza Luciana.

A United Way Brasil acredita no impacto coletivo, ou seja, que várias mentes e mãos se unam para combater um problema social com soluções inovadoras e eficientes a cada público a que se destinam. Por meio dos programas Crescer Aprendendo (primeira infância) e Competências para a Vida (juventude) essa atuação conjunta tem acontecido, mas o desafio de vencer a violência sexual é enorme e precisamos de mais aliados. E se a gente se unir?

Novas ações unem organizações e empresas para enfrentar a Covid-19

Iniciativas emergenciais ao enfrentamento do coronavírus, especialmente focadas em famílias em situação de vulnerabilidade social, ganharam fôlego com a adesão de novas empresas, mas é preciso fazer mais.

Desde março, a United Way Brasil (UWB) tem articulado a sua rede de apoiadores para arrecadar recursos destinados a cestas básicas e de produtos de higiene, essenciais à saúde das populações vulneráveis que vivenciam a falta de trabalho (muitas até mesmo antes da pandemia) e o isolamento social. 

Essa mobilização possibilitou a ampliação de beneficiados, atendendo cerca de 10 mil pessoas de 8 estados (SP, RJ, MG, SC, PE, BA, PA, PR). Até junho, 15 empresas, entre associadas e não associadas da UWB, aderiram à campanha: BIC, Dow Brasil, Ecolab, Edwards Lifesciences, Everis, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, General Mills, Lear Corporation, Lilly, Morgan Stanley, O-I, Phoenix Tower, PwC, P&G, Shure Brasil.

Até final 8 de junho, foram confirmados mais de R$ 975 mil arrecadados em recursos. Uma parte desse valor (R$ R$ 301.948 ) vai compor o Fundo Emergencial de Saúde Coronavírus Brasil, organizado pelo Idis, Movimento Bem Maior e BSocial, com o objetivo de fortalecer o sistema público de saúde e as pesquisas para deter o vírus.

O recurso restante está sendo repassado a 22 organizações e movimentos, responsáveis por fazer chegar às famílias as cestas e kits. Existem diferentes formas de participar dessa onda de compromisso social. Cabem às empresas e à United Way Brasil pensarem juntas o formato do apoio emergencial: doação de produtos, de recursos, de serviços, editais etc. As possibilidades são muitas e a UWB se propõe a customizá-las de acordo com o perfil e as demandas de cada corporação.

Com relação aos editais, um exemplo recente foi a iniciativa regional da 3M, no qual a United Way Brasil se inscreveu, com apoio do escritório regional da United Way, sendo contemplada. Por meio dele, até novembro de 2020, 1.600 famílias brasileiras, com crianças de 0 a 6 anos, de 12 municípios de São Paulo, serão beneficiadas com cestas básicas e formação oferecida pelo programa Crescer Aprendendo.

A partir dessa parceria, pais e responsáveis por crianças pequenas receberão, através do WhatsApp, conteúdos diários sobre a importância dos cuidados nos primeiros anos de vida para contribuir ao desenvolvimento integral de seus filhos e filhas, especialmente em tempos de pandemia. 

Sobre a contribuição por meio de produtos, dois exemplos são as doações da P&G e BIC, que somam 261 mil itens. 

A parceria com movimentos, como a @UniãoBrasil (Instagram: @uniaobrorg), que envolve @UniãoSP e @UniãoRJ, e a plataforma aberta Família Apoia Família, iniciada em março, continua e é, também, uma oportunidade de participação da população em geral.

Até o momento, as iniciativas de todas as parcerias formalizadas beneficiaram aproximadamente 10 mil pessoas, considerando cinco pessoas por família apoiada, ao longo de três meses. Mas é preciso avançar.

Mesmo com mudanças previstas nas regras do isolamento social, em muitas cidades, a crise gerada pelo Covid-19 não será vencida no curto prazo, infelizmente, o que exige novas mobilizações. Por isso, empresas que queiram colaborar, podem fazê-lo a qualquer momento. Basta entrar em contato com a equipe da United Way Brasil para que, a quatro mãos, elaborem uma estratégia emergencial para minimizar os impactos históricos que este ano causará, especialmente, às famílias em situação de vulnerabilidade social. Vamos juntos?  Escreva para: anaflavia@unitedwaybrasil.org.br

No Dia Mundial da Saúde, vamos falar de primeira infância

Celebrado em 7 de abril, essa data coincide com a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948. Tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância de manter corpo e mente saudáveis, além de focar em problemas que afetam o bem-estar da população mundial, discutindo prevenções e soluções.

Em tempos tão difíceis como o que a humanidade está vivendo agora, falar da saúde na primeira infância é essencial, já que os pequenos, embora menos afetados pela pandemia causada pelo Covid-19, normalmente são as principais vítimas de doenças que, por conta da falta de prevenção, acabam por impactar negativamente o seu desenvolvimento. Mas, afinal, o que significa ter saúde nos primeiros anos de vida? É cuidar da alimentação? Do crescimento? Do desenvolvimento motor? Das relações e vínculos?

Para conversar conosco sobre este importante tema, convidamos a especialista em saúde na primeira infância, Anna Maria Chiesa, Enfermeira, Professora Associada Sênior da Escola de Enfermagem da USP, Membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância e Consultora Técnica da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

United Way Brasil – Anna, por que ter uma data que ressalte a importância da saúde da população do mundo?

Anna Chiesa – Celebrar o Dia Mundial da Saúde é sempre muito importante, especialmente no atual momento em que estamos atravessando a pandemia da COVID-19. Primeiramente é preciso pensar que a saúde vai muito além da ausência de doenças, configurando-se em um resultado das formas de exposição aos riscos e processos de proteção, tanto na vida privada como nos ambientes sociais. Inclui o acesso a bens, serviços, informações e, fundamentalmente, aos processos cotidianos de cuidado.

UWB – Mas nos primeiros anos de vida, as crianças estão sempre muito expostas, não é? Dependem de outros para que tenham garantia à saúde. O que tem sido feito por elas?

Anna Chiesa – A primeira infância, período que vai até os seis anos de idade, se caracteriza pela grande dependência de cuidados (alimentação, higiene, interação, proteção, prevenção), que diminui progressivamente à medida que a criança fica mais independente e autônoma. Historicamente, as ações de saúde para a população infantil sempre estiveram mais voltadas para a redução da mortalidade. No Brasil, alcançamos muitos avanços na melhoria do saneamento básico, no acesso às vacinas e programas de prevenção e promoção da saúde (pré-natal e parto seguros, puericultura – as consultas de rotina das crianças menores de dois anos com o pediatra –, incentivo à amamentação, diagnóstico e tratamento das doenças típicas da infância, distribuição de medicamentos, distribuição da caderneta de saúde da criança).

Desde o final dos anos 1990, no entanto, o desafio de garantir a sobrevivência infantil envolveu também a importância de se promover o cuidado amoroso e responsivo para assegurar o pleno desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças.

UWB – Por que essa mudança se deu nos anos 1990?

Anna Chiesa – Porque tivemos várias descobertas das pesquisas e dos estudos da neurociência (que estuda o cérebro, o sistema nervoso e suas funcionalidades) e epigenética (que analisa o que impacta o desenvolvimento das pessoas, como o meio em que vive, a cultura etc.). Eles apontam que, nesse período, também chamado de “janelas de oportunidades”, o bebê até três anos tem potência para realizar um milhão de sinapses neuronais (que ligam os neurônios no cérebro para que ele funcione plenamente) por segundo e até os seis anos a criança já tem 90% do seu potencial cerebral desenvolvido.

UWB – Ou seja, é uma fase única que, se perdida, não volta mais na mesma potência, não é?

Anna Chiesa – Exatamente. Portanto, no Dia Mundial da Saúde, vale lembrar que investir na promoção do desenvolvimento infantil é construir uma sociedade mais justa, com maior igualdade de oportunidades.

A United Way Brasil tem como um de seus campos de atuação a primeira infância, justamente por entender que essa faz é essencial à vida presente e futura de todos os indivíduos. Por isso, implementa o programa Crescer Aprendendo em territórios mais vulneráveis, apoiando as famílias com conhecimento e práticas sobre os primeiros anos de vida para que possam contribuir ativamente ao pleno desenvolvimento de suas crianças.

Desde 2017, o programa benficiou mais de 2 mil famílas de cerca de 15 CEIs/EMEIs.