Live sobre volta às aulas traz dicas e orientações para pais e responsáveis

No dia 26 de março, a United Way Brasil deu início à série de lives de 2021 do programa Crescer Aprendendo, trazendo à discussão o tema retorno à escola, quando as restrições da pandemia forem abrandadas. Confira.

O tema é polêmico e divide opiniões. No debate organizado pela United Way Brasil, em parceria com a FEMSA e apoio do Instituto Alana, o pediatra Daniel Becker, a educadora Raquel Franzim e a gestora de escola e pedagoga Joice Araújo debateram o tema junto a uma plateia formada por famílias do programa Crescer Aprendendo, parceiros e interessados na temática.

Fundador do movimento Lugar de Criança é na Escola, doutor Daniel alertou que a maioria dos países elaborou um plano para a retomada das aulas, com base no que a ciência trazia sobre o pouco contágio entre crianças: “Quando chegou em outubro, novembro, eu me dei conta de que muitas escolas particulares estavam abertas, com as crianças já frequentando, todas felizes, as famílias aliviadíssimas porque podiam trabalhar. As crianças efetivamente melhoravam de todos os sintomas psíquicos que estavam apresentando, porque esse é um lugar muito importante para elas. Mas, ninguém estava falando da escola pública. Me dei conta de que 40 milhões de crianças estavam fora da escola e ninguém falava sobre isso”. E complementou: “Ao longo do ano foram feitos inúmeros estudos e a ciência demonstra que a criança transmite pouco e os surtos domiciliares e escolares quase nunca são iniciados pela criança – menos de 8%. Estar com crianças é fator de proteção e não algo mais arriscado. Escola aberta não aumenta transmissão, escola fechada também não diminui a transmissão, então a pandemia não vai piorar se a gente abrir as escolas e não vai melhorar se a gente as fechar. Esse é o mote fundamental que a gente está propondo agora: a escola é a primeira a reabrir e a última a fechar.”

Raquel Franzim, coordenadora da educação do Instituto Alana, concordou com o alerta de Daniel e pontuou a negligência dessa não priorização, prevista na constituição brasileira: “No Instituto Alana a gente faz uma defesa muito explícita do artigo 227 da Constituição Federal que coloca crianças e adolescentes como prioridade absoluta do planejamento, do orçamento de todas as ações do Estado, da sociedade e da família. Isso, como o Dr. Daniel mesmo disse, infelizmente não partiu de uma coordenação nacional política como se deu em outros países. O trabalho dos estados e dos municípios ficou sobrecarregado, muitas vezes sem as condições necessárias, cada um indo para um canto para cumprir com uma crise multidimensional. A crise na educação não é só de origem e de atenção sanitária, ela também é de proteção social, de desenvolvimento integral das crianças, de pobreza de aprendizagem e que a gente precisa falar sobre isso. Muito tempo com escolas fechadas deixam crianças que já vinham enfrentando desigualdades educativas muito severas com ainda maior risco de evasão, abandono escolar e pobreza”, alertou.

O retorno na prática

No dia a dia da sala de aula, Joice Araújo, gestora de escola de educação infantil, contou como foi a experiência da reabertura, em fevereiro de 2021: “A gente começou um pouco com receio, com medo, mas a gente foi amparado pelo protocolo. A gente entende que a educação infantil é o contato, é o experimentar e, apesar do protocolo, ficamos preocupados com isso. Como seria esse desenvolver da criança no contato, no interagir com o colega, se neste momento não ia poder acontecer isso? Se cada criança tinha de ficar no seu quadradinho, não poderia ter contato com o brinquedo do colega, não ia poder dividir, as áreas do brincar e do desenvolver seriam restritas? Então, para nós, o primeiro ponto preocupante na educação, além de toda essa questão pandêmica era isso: a gente vai receber as crianças, mas de que maneira isso afetará o cognitivo delas, de que maneira vamos conseguir atender a necessidade desse desenvolvimento amplo de que elas precisam?”

O importante para os debatedores é que as famílias tenham consciência de todo o contexto e tomem decisões mais embasadas. Por isso, Joice recomenda que, na hora da retomada, os pais e responsáveis conheçam as condições da escola: “Vá na escola do seu filho e identifique se têm profissionais para garantir toda essa segurança diante dos protocolos, verifica se têm profissionais experientes, bem direcionados e treinados para que atendam esses protocolos. Numa breve olhada, o pai, a mãe, a avó, o cuidador conseguem identificar, não precisa de muito”.

Raquel concorda e faz um alerta: “Se vocês, pai e mãe, vivem em uma comunidade escolar onde participam das decisões, onde recebem não só informes, mas a escola vem conversando com vocês ao longo desse período todo, talvez isso os deixe mais seguros por saber qual é a realidade da escola dos seus filhos. Agora, o que não dá é: ‘eu não participo da realidade do meu filho e eu exijo’. Lembrando que educação é uma atividade essencial, mas ela é um direito social partilhado entre estado, família e sociedade, então a nossa cobrança por condições precisa vir acompanhada por uma intensa participação social: a minha comunidade está participando dos protocolos de segurança? Todo mundo está usando máscara, todo mundo está tendo acesso a água?”

Sobre questões práticas, do cotidiano da escola, que precisam ser observadas quando a rotina retornar, Daniel Becker aponta a importância da ventilação das salas de aulas (“janelas sempre abertas!”), uso das áreas externas (“o ser humano precisa de ar livre, do convívio com a natureza, céu aberto”) e salas com turmas menores (“dividir as crianças em pequenos grupos e esses grupos serem fixos para diminuir o risco da transmissão”).

Para saber mais e ter acesso a outras orientações e dicas, assista à live na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=ai5WR8PAFZ4&t=8s 

Apoio de empresas ampliou os bons resultados do Crescer Aprendendo

Com o objetivo de ajudar mais famílias em situação vulnerável a enfrentarem os desafios da pandemia, em 2020 o programa migrou a formação de pais e responsáveis para o formato digital, ganhando escala. Os resultados surpreenderam e reforçaram a importância da parceria com empresas socialmente responsáveis.

Em 2019, o programa de primeira infância Crescer Aprendendo acontecia em 12 Centros de Educação Infantil (CEI) e em uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) no extremo sul da cidade de São Paulo, com reuniões presenciais para famílias de crianças de 0 a 6 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além do acesso a informações sobre desenvolvimento infantil por meio de uma plataforma digital.

Com a chegada da pandemia, a equipe do programa rapidamente reestruturou toda a capacitação para o formato digital, com base em uma pesquisa sobre a melhor forma de compartilhar conteúdos e favorecer a interação das famílias. O resultado da análise trouxe o WhatsApp e a realização de lives como estratégias eficazes, por estarem ao alcance de grande parte desse público. Também detectou a importância de oferecer segurança alimentar e, por isso, o programa incluiu a distribuição de cartões-alimentação, com recargas mensais que geraram o aporte total de R$ 634,9 mil.

O investimento na primeira infância

Todas as mudanças e logísticas do programa se concretizaram porque empresas que já eram associadas à United Way Brasil (Ecolab, Lear, O-I, P&G e Phoenix Tower) e duas novas corporações (3M e FEMSA) abraçaram esse compromisso, aportando recursos e cooperação para o êxito do Crescer Aprendendo digital. 

As parcerias possibilitaram que o programa atendesse quase três vezes mais famílias. Eram 853 em 2019 e passaram a 2.500 famílias em 2020, beneficiando 2.900 crianças em 12 cidades de 4 estados. Para fazer a interface com pais e responsáveis em cada território e apoiar a logística, o programa selecionou 14 CEI e EMEI e 23 ONGs. Toda uma rede foi estruturada para garantir o sucesso do programa, por meio de um trabalho coletivo e colaborativo, que envolveu diferentes atores, sempre com foco nos lares com crianças pequenas.

Em 2021, o objetivo é ampliar a iniciativa para outros territórios. Isto porque o momento exige intervenções transformadoras, inclusive aquelas que possam, de alguma forma, mitigar a falta de recursos dessas populações vulneráveis que, sem o auxílio emergencial, emprego e outros benefícios, não têm como sustentar seus filhos e garantir o bem-estar básico.  As estatísticas indicam que, em 2021, 63 milhões de indivíduos vivem abaixo da linha da pobreza e 20 milhões estão abaixo da linha da pobreza extrema. Por isso, o Crescer Aprendendo tem trabalhado na prospecção de novas empresas para que possam conhecer a proposta e o quanto ela favorece o enfrentamento das desigualdades sociais.

No Ceará, por exemplo, onde o programa atuará em diferentes municípios, a United Way Brasil convidou a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e a Great Place to Work (GPTW) para unir esforços e apoiar a primeira infância no Estado.

Poucos investimentos são tão lucrativos quanto os realizados nos seis primeiros anos de vida. Segundo James Heckman, prêmio Nobel de Economia de 2000, aportar recursos em programas voltados às crianças garante, anualmente, 13% de retorno às diferentes populações, porque diminuem gastos com saúde, educação e assistência social.

Avaliação mostra avanços em escala

Os resultados da pesquisa realizada pela organização FICAS com os participantes do Crescer Aprendendo digital, ao ingressarem no programa e no final do ano, mostraram que a iniciativa alcançou seus objetivos e hoje se configura como uma tecnologia social a ser implementada em quaisquer municípios e estados que queiram fortalecer o desenvolvimento integral de crianças até 6 anos.

A porcentagem de pessoas que afirmavam, inicialmente, não saber nada sobre desenvolvimento infantil caiu de 4% para 0,4% após a formação oferecida pelo programa. Ao mesmo tempo, 23% de pessoas se reconheciam como conhecedores do tema. No final do ano, esse número pulou para 71,8%.

Na implementação do programa, quando perguntadas se conversavam com as crianças para entender seus sentimentos e comportamentos, 77% das famílias disseram que sim. Na pesquisa realizada em dezembro de 2020, essa porcentagem subiu para 93%.

A avaliação final também detectou que 99% das famílias afirmaram ter melhorado nos cuidados com as crianças; 60% disseram que as crianças estão menos irritadas e agressivas e 95% declararam que hoje conseguem entender melhor o seu papel na família e, portanto, mudaram atitudes e comportamentos.

Para 92% dos participantes, o programa ofereceu apoio emocional nos grupos de WhatsApp e nas conversas individuais com a psicóloga. Sobre os conteúdos compartilhados, 88% informaram que acessaram todos ou quase todos.

A sua empresa pode fazer parte dessa rede de apoio às famílias, especialmente nestes tempos em que os efeitos da pandemia nas populações mais vulneráveis são nefastos, prejudicando o bem-estar das crianças, de seus pais e responsáveis e comprometendo os rumos do desenvolvimento social e econômico do país.Vamos juntos fazer a diferença! Entre em contato conosco: paula@unitedwaybrasil.org.br

Live desconstrói mitos sobre alimentação na primeira infância

A última live de 2020, no dia 11 de dezembro, encerrou a série realizada pelo programa Crescer Aprendendo, trazendo à discussão a importância da alimentação saudável nos primeiros anos de vida, com o objetivo de desmistificar mitos e compartilhar informações práticas sobre o tema às famílias do programa.

Alimentação é um tema que preocupa pais e cuidadores, já que nutrir as crianças corretamente tem fundamental importância para o bom desenvolvimento infantil. Na fase do “não quero”, “não gosto”, as famílias, muitas vezes, não sabem como agir nem o que priorizar no cardápio das crianças. Também não faltam apelos publicitários das marcas de produtos ultraprocessados para atrair os pequenos a tudo o que não devem consumir nessa etapa da vida.

Desmame e introdução de alimentos é outra temática que traz muitas dúvidas, especialmente às mães: qual é o momento certo? O que fazer quando a criança não quer largar o peito? Qual é a quantidade certa?

Para debater estas e outras questões, o programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, convidou Rachel Francischi, nutricionista formada pela USP e mestre pela Unicamp, Clariana Oliveira, doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo, pós-doutora em primeira infância e desenvolvimento infantil, na Universidade de Harvard, Leticia Silva, enfermeira mestre em Ciências da Saúde, especialista em saúde mental e desenvolvimento infantil, e Cecília Cury, advogada, mestre e doutora em Direito Constitucional pela PUC-SP, cofundadora do Alergia Alimentar Brasil e coordenadora do movimento Põe no Rótulo, que apoiou a realização da live.

O ponto de partida dessa conversa foi a definição do que é, afinal, uma alimentação saudável: “A comida que uma criança precisa é a comida de verdade, que vem da nossa panela, que vem da natureza. Tudo o que a terra nos dá, como as frutas, as verduras, o arroz com feijão, o milho, o repolho, as carnes, o frango, o peixe, e do jeito que a natureza nos dá, sem passar pelo processamento alimentar”, explica Rachel. 

Porém, não basta querer que os filhos comam bem se o exemplo não vem dos adultos, como reforça Leticia: “O pai e a mãe são espelhos para a criança, então se ela vê os pais comendo, ela tende a comer também aquele alimento. A criança imita o comportamento que vê diversas vezes. Se os pais tiverem uma dieta saudável, balanceada, cheia de alimentos naturais, a tendência de a criança querer comer esse tipo de alimento é muito maior.”  

Outro fator importante para os pais e cuidadores se sentirem mais seguros sobre aquilo que oferecem aos filhos é conhecer o que contém cada alimento. Portanto, ater-se à leitura do rótulo é uma prática que todos devem adotar. “Uma lista de ingredientes muito longa, geralmente indica um alimento ultraprocessado, porque tem uma série de elementos químicos, acidulante, espessante e um monte de ‘ante’ que não vão fazer bem para a nossa saúde no longo prazo e que a gente tem que evitar. Então, é importante buscar alimentos que contenham ingredientes que a gente consegue reproduzir em casa. Por exemplo, não dá tempo de eu fazer pão em casa.  Vou comprar pão, mas, antes, quero saber o que ele contém. Farinha, água, fermento e sal? Certo, é o que eu faria em casa também.  Mas se a gente pega um saco de pão e lê que tem ‘fosfato de cálcio de não sei o que, conservador de tal, pirofosfato do monossódico…’  O que é isso? Se o rótulo não fala a minha língua, eu não entendo o que ele quer dizer, então, prefiro não comprar.”

E o que fazer quando a criança não gosta de frutas, verduras e não quer se aventurar a experimentar alimentos novos?

Clariana sugeriu algumas estratégias, dentre elas “usar o lúdico em benefício da alimentação da criança, propondo jogos, apresentando aquele prato de forma diferente, usando carinhas feitas com legumes e verduras. Várias pessoas falam que a gente come pelos olhos e isso é uma verdade, muitas vezes o que atrai é a forma como o prato é apresentado para a gente. Outra dica: não castigue a criança se ela rejeitar o alimento, não faça barganhas como, ‘se você comer seus legumes e frutas, vai ter seu docinho no final’. Isso pode criar uma relação ruim com os alimentos, levando a a pensar que ‘primeiro tenho que comer ‘essa coisa ruim’ pra depois comer a ‘coisa boa.’ E quando a criança é um pouco maiorzinha, participar na preparação das refeições, manipulando os alimentos, sentindo a textura, se acostumando com a forma daquele alimento com certeza é muito importante para que ela se sinta atraída em experimentar cada vez mais coisas novas”. 

Pensar em quantas vezes oferecer refeições às crianças em cada fase da primeira infância e qual a porção certa de alimento são outras dúvidas de muitas famílias. “Para um bebê entre seis meses e um ano de idade nós devemos oferecer alimentos quatro vezes ao dia – uma fruta no meio da manhã, o almoço no finalzinho da manhã, uma fruta no meio da tarde e o jantar no final da tarde -, juntamente com o leite materno no esquema que a gente chama de livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser. Caso o bebê entre 6 meses e 1 ano de idade não se alimente com o leite materno, o número de mamadas deve variar em torno de três ao dia, no máximo”, explica Rachel. E complementa: “Em relação à quantidade, o ideal é oferecer o quanto a criança quiser, nem mais, nem menos. A criança tem o que a gente chama de autorregulação da fome, do apetite e da saciedade. A criança sabe o quanto ela precisa comer de alimentos naturais.”

Ao final da live, as especialistas responderam com ‘verdade’ ou ‘mentira’ às questões levantadas pela mediadora com base em crenças populares, por exemplo, que a salsicha é um ótimo alimento para as crianças. Cecilia respondeu:Mentira! Se a gente olhar a lista de ingredientes de uma salsicha, definitivamente ali tem de tudo, menos comida, aquela que, como bem disse a Rachel, é comida de verdade, comida da panela, que a gente sabe exatamente como foi feita. Não tem como fazer uma salsicha em casa, então, ela não é um alimento que a gente possa colocar na nossa alimentação e ela não é um tipo de carne”, concluiu.

Confira, no link, a íntegra da live “Verdades e mitos sobre alimentação na primeira infância”, realizada em parceira com as empresas Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower do Brasil e 3M e apoio do movimento Põe no Rótulo. A live encerra o ano de 2020 do programa Crescer Aprendendo, que retorna em 2021 com novas iniciativas: https://www.youtube.com/watch?v=xwfw1anEab0

Live discute a saúde física e mental da criança para além da pandemia

O quarto encontro virtual com especialistas em primeira infância, realizado pelo programa Crescer Aprendendo da United Way Brasil, trouxe à pauta orientações de como fortalecer a saúde integral dos pequenos, especialmente com o aumento dos casos de Covid-19 no País.

Com o apoio institucional da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a live “Saúde da criança em tempos de pandemia: o que é preciso saber?” teve a audiência de famílias atendidas pelo programa de primeira infância Crescer Aprendendo e do público em geral. 

Para formar a roda de conversa foram convidadas Dra. Ana Escobar, professora Livre-Docente da Faculdade de Medicina da USP e consultora do programa Bem Estar, da TV Globo, Clariana Oliveira, enfermeira, doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo e pós-doutora em primeira infância e desenvolvimento infantil, na Universidade de Harvard, e Lucila Faleiros Neves, fisioterapeuta, especialista em desenvolvimento infantil e coautora do projeto “Nossas Crianças: Janelas de Oportunidades”.  

Na primeira parte da conversa, doutora Ana ressaltou os principais aspectos que as famílias precisam reforçar para que as crianças fiquem saudáveis: “O primeiro ponto é cuidar da alimentação, lembrando da importância do leite materno nos primeiros seis meses de vida. Também garantir, dentro do possível, um tempo de sono legal. E uma das coisas mais importantes é manter as vacinas da turminha em dia. Não é porque estamos na pandemia que vocês vão deixar de ir ao posto de saúde para atualizar a carteirinha de vacinação dos seus filhos”. 

Como a saúde está diretamente ligada à segurança, Clariana deu dicas aos pais e cuidadores sobre como evitar acidentes domésticos. “Se a gente tirar nossos óculos e colocar os óculos da criança pra olhar para dentro das nossas casas, a gente vai achar um ambiente repleto de coisas para brincar, de coisas para colocar na boca, de líquidos coloridos que a gente quer mexer, porque estamos curiosos para saber o que é. Se a gente acha pecinhas no chão, feijão, moedas, a gente vai levar à boca porque é diferente, tem uma textura diferente, uma cor diferente. Então, olhar esses pequenos detalhes, olhar para o chão, para as coisas ao seu redor e que estão ao alcance da criança é importante para prevenir e não ter que remediar lá na frente”, explica.  

Mas a saúde emocional da criança também pode estar em risco, já que a convivência diária e com restrições tende a criar tensões na família. Antes de se aprofundar no tema, doutora Ana definiu o que é saúde emocional: “É a saúde dos nossos sentimentos. Como estão os nossos sentimentos? Estão legais ou a gente está mais entristecido? A gente está mais para baixo, assim, constantemente? Isso vale para todo o mundo. Os adultos, às vezes, conseguem entender que não estão bem, mas as crianças não conseguem. Elas simplesmente sentem um desconforto e esse desconforto não é uma dor, não é nada.  É uma sensação ruim. Como é que elas expressam isso? Elas ficam mais irritadas. Elas ficam acordando à noite toda. Algumas não querem comer. Algumas, por exemplo, têm dificuldade de falar, algumas brigam por qualquer coisa. Outras fazem crise de birra. Então, a dica que eu dou para vocês é: prestem atenção porque pode ser que a cabecinha delas esteja com alguma situação que a gente precisa cuidar, da mesma forma que a gente cuida de uma dor física”.  

A saúde emocional dos adultos que cuidam das crianças

A qualidade do ambiente também influencia a saúde emocional das crianças. Então, como criar um espaço mais aconchegante e tranquilo, mesmo em isolamento social? “Tenho certeza de que para as crianças está mais difícil, mas restritivo, com limitação de movimentos, numa fase que movimentar, experimentar, pôr a mão é tudo na vida.  Temos de promover um ambiente com alegria, leveza e respeito nas relações. Vamos dar oportunidades para as crianças explorarem e fazerem coisas diferentes para o seu desenvolvimento. E, principalmente, mostrar às crianças que elas são amadas. Apesar da situação difícil, esse é um sentimento que precisa estar presente o tempo todo. Um momento de aproveitar para conversar mais, brincar mais, contar histórias, criar novas formas de interação e de afeto. Essa será a lembrança que a criança levará para o futuro. Não é uma lembrança qualquer, mas de uma criança amada, que teve alguém do seu lado, disposto e aberto para estar com ela”, reforça Lucila.

E quando a saúde emocional dos adultos não está bem, o que se deve fazer? Lucila acredita que casos assim precisam de apoio. “Tem que levar essa situação para o serviço de saúde e buscar ajuda. Eu acho importante, também, as famílias se aproximarem de pessoas que passam por situações parecidas. De repente, no próprio serviço de saúde, criar um grupo delas. Eu acho que seria o mais bacana. Se não tem profissional que possa atender todas as necessidades de vocês, então organizem um grupo de pessoas na mesma condição para que vocês se fortaleçam”.     

Para Clariane, os adultos precisam ter mais compaixão por si mesmos, entendendo que essa fase é bem difícil e não se pode exigir demais. Por isso, “nos momentos difíceis, respirem fundo, tirem um tempo para vocês. Não é a hora de colocar mais peso nas nossas costas. Respirem fundo. Errou? Gritou com a criança? Peça desculpas. Você vai ensinar que se deve pedir desculpas porque ela também vai errar um dia. Então, tenha calma e vamos pensar que logo, logo as coisas estarão resolvidas, a vacina vai chegar e nossas vidas voltarão ao normal novamente”.  

Confira a live na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=dZC-JodcAJE&list=PL678y5q5ihccRfO0mM-XEXcDVMzXesofF&index=20

Acompanhe as nossas páginas nas redes sociais para saber quando será a próxima live e quais convidados traremos para essa nova conversa!

Documentário traz à discussão a relevância da natureza no desenvolvimento infantil

“O Começo da Vida 2- Lá Fora”, lançado dia 12 de novembro, mostra como a relação com a natureza influencia a saúde física e emocional das crianças e pode ser decisiva para o bem-estar coletivo. A United Way é uma das organizações que apoiam a realização do documentário.

O Começo da Vida 2 – Lá fora” é mais que um filme, porque lança um movimento para promover uma vida saudável às pessoas e ao planeta. O documentário traz uma reflexão urgente, especialmente em tempos de pandemia, sobre como vivenciamos nossa conexão com a natureza e de que forma trabalhamos essa relação com nossas crianças.

Sempre pautada em evidências, a narrativa do documentário indica que doenças como obesidade, hiperatividade, transtorno de sono, baixa motricidade e miopia podem ser prevenidas se a natureza for encarada como necessidade e não como algo secundário, acessado vez ou outra pelas pessoas. Também deixa claro que quando existe essa conexão muitos desafios contemporâneos tendem a ser superados e os indivíduos passam a ter mais chances de construir uma vida bem-sucedida, em diferentes aspectos. Outro ganho social da interação com a natureza, especialmente durante a infância, é a formação de adultos comprometidos com a preservação do meio ambiente. 

Muitas cidades, nas diferentes partes do mundo, já implementam estratégias que promovem essa conexão mais cotidiana e, portanto, estão colhendo frutos para o presente e, consequentemente, o futuro de suas populações. O documentário mostra essas experiências em centros urbanos do Brasil, México, Chile, Peru e Estados Unidos. 

Um movimento coletivo e urgente

Produzido pela Maria Farinha Filmes e realizado pelo Instituto Alana,O Começo da Vida 2 – Lá fora” tem como um de seus apoiadores a United Way. “O documentário mostra claramente a efetiva importância da natureza no desenvolvimento infantil, fato que ainda não está na pauta das questões prioritárias voltadas à primeira infância. Nossas crianças precisam de espaços seguros junto à natureza para que possam fazer suas descobertas a partir do contato com suas raízes, entendendo que elas são parte desse ecossistema. O filme é uma ótima estratégia de mobilização capaz de envolver diferentes atores e incidir em políticas públicas que atuem por essa interação. Também é uma ferramenta para trabalhar o tema com as famílias, que são foco de nosso programa de primeira infância. Essas são algumas das motivações que levaram a United Way a apoiar esse projeto incrível”, explica Gabriella Bighetti, diretora-executiva da United Way Brasil.

Laís Fleury, coordenadora do programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, reforça o papel pedagógico e de conscientização do filme, que “aponta caminhos possíveis para inserir pequenas doses de natureza no dia a dia das crianças, como um potente investimento no bem-estar e no vínculo com o outro, seja dentro da família ou entre amigos.”

Para Luana Lobo, sócia-diretora da Flow (distribuidora de projetos culturais de impacto) e da Maria Farinha Filmes, “este novo documentário é uma importante janela para a sociedade repensar seu contato e vínculo com o meio ambiente. E para que essa mensagem urgente alcance mais pessoas, construímos alianças com os principais interlocutores da sociedade civil, instituições e organizações do mundo que têm legitimidade dentro do assunto. É uma honra termos a United Way com a gente, desde o início desse projeto.”

Você pode assistir ao documentário, disponível no Netflix, ou por meio da plataforma Videocamp, e, também, apoiar esse movimento, ampliando seu impacto na sociedade. Para saber mais, acesse:

Para assistir ao trailer, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=9yNv6U02W1M&feature=emb_logo

FICHA TÉCNICAArgumento: Ana Lúcia Villela, Laís Fleury e Renata Terra Direção de Fotografia: Janice D’Avila, David Reeks e Tomaz Viola Montagem: ​Renata Terra e Victor Miaciro Trilha Sonora Original: Arthur Decloedt Roteiro e Direção: ​Renata Terra Produção Executiva: Flavia Dória, Juliana Borges, Mariana Mecchi, Mariana Oliva e Taís Caetano Supervisão de Pós Produção: Geisa França Produzido por: Ana Lúcia Villela, Estela Renner, Marcos Nisti e Luana Lobo.

Ação de voluntariado reúne empresas e colaboradores em favor da primeira infância

O Dia Viva Unido Primeira Infância, realizado pela United Way Brasil, ganhou novo formato para atender às restrições impostas pela pandemia, sem perder o objetivo de apoiar famílias vulneráveis com crianças de 0 a 6 anos.

Um dos pilares do trabalho da United Way Brasil, responsável por articular diferentes atores para que atuem em favor de causas sociais, é o voluntariado corporativo.

Todos os anos, para colaborar com o desenvolvimento infantil e a parentalidade positiva de famílias em situação de vulnerabilidade, a organização promove o Dia Viva Unido Primeira Infância, quando reúne os colaboradores das empresas associadas e parceiras para realizar iniciativas de integração e de melhorias nos espaços frequentados por crianças de 0 a 6 anos (creches, CEIs, praças etc.), atendidas pelo Programa Crescer Aprendendo.

A ação envolve uma ampla mobilização tanto da United Way Brasil como das empresas, que abrem espaço às suas equipes para que integrem a proposta, dando suporte à participação ativa do Dia Viva Unido.

Com a pandemia causada pelo coronavírus, que exigiu o isolamento social, a equipe da United Way Brasil repensou o formato do Dia Viva Unido, imprescindível em um momento tão complexo.

Por isso, a edição do Dia Viva Unido Primeira Infância de 2020 foi totalmente digital para os voluntários, que se inscreveram em no hot site do evento e escolherem uma dentre as atividades propostas: contação de histórias, show de talentos e doação de kit lúdico.

Live promove interação de crianças e suas famílias

No dia 6 de novembro, nas páginas do Facebook e do YouTube da United Way Brasil, as famílias atendidas pelo Programa Crescer Aprendendo e os voluntários se encontraram virtualmente na live Dia Viva Unido Primeira Infância.

Conduzida pela atriz Carol Loback, e com a abertura realizada por Gabriela Bighetti, diretora-executiva da United Way Brasil, e Orson Rhazes Ledezma Castro, Presidente do Conselho da organização, a live mostrou os talentos de diferentes voluntários, em um show com música e malabarismo. Também compartilhou cenas do drive-thru, realizado no Centro de Educação Infantil Albertina, em São Paulo, para as crianças que, devidamente protegidas, foram receber os kits lúdicos, doados pelos voluntários, das mãos de professores e funcionários.

Outro ponto forte da live foi o bate-papo com a mãe, blogueira e uma das idealizadoras do site Tempo Junto, Patrícia Camargo. Por quase uma hora, Pat falou sobre a importância do brincar no desenvolvimento infantil e deu dicas de brincadeiras, “agitando” o chat, com muita conversa e trocas sobre as experiências de brincar que pais, responsáveis e crianças estavam vivenciando ao vivo.

O Dia Viva Unido Primeira Infância no formato digital foi um marco no voluntariado corporativo da United Way Brasil, porque, apesar de todos os desafios, conseguiu atingir a marca histórica de mais de 2 mil famílias de 12 cidades e 4 estados beneficiadas pelas ações desenvolvidas.

Essa edição contou com a parceria de 14 empresas e a participação de 160 voluntários que dedicaram tempo, recursos e habilidades para fomentar o desenvolvimento saudável de crianças na primeira infância. 

Clique no link para ver ou rever os melhores momentos do Dia Viva Unido: https://www.youtube.com/watch?v=m96-Zi3ZSa0&list=PL678y5q5ihcdGQ4lRU77VhxBmYX-omblc&index=13

Para mais informações sobre como fazer parte do voluntariado corporativo da United Way Brasil, acesse: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/voluntariado/

Voluntariado: estratégia para enfrentar as desigualdades sociais

“Como cidadãos organizados, temos de olhar para a nossa consciência e dizer: esta maneira de ser – e digo a maneira de ser indiferente –, de estar indiferente ao sofrimento do outro (…) é contra o reconhecimento de que todas as pessoas nascem iguais e têm os mesmos direitos, nem mais e nem menos direitos.”

Graça Machel, moçambicana, ativista negra e protagonista da independência de Moçambique e do Apartheid, em live realizada pela parceria United Way Brasil, P&G e Lear Corporation

O atípico momento, revelado pela pandemia e suas consequências, tem exigido mudanças estruturais na nossa forma de ver e estar no mundo, se quisermos sair disso tudo melhores, como uma sociedade mais saudável e humana.

Interessante pensar no caráter “democrático” da Covid-19: atinge todos e todas. Por outro lado, o mais inquietante é perceber que, por conta da desigualdade absurda em que estamos inseridos, os efeitos do vírus não seguem essa equidade. Os mais pobres e vulneráveis economicamente são os que têm suas chances de sobrevivência reduzidas quando são confrontados pelos efeitos do coronavírus e do isolamento social. Ou seja, além da maior probabilidade de se contaminarem, ainda sofrem com a falta de recursos para manter suas necessidades básicas. Porém, os impasses não param por aí. Temos que nos perguntar: o que fazer para apoiar quem está na base da pirâmide social e minimizar os efeitos nefastos da pandemia em suas vidas?

Voluntariado em tempos de isolamento 

Uma das vertentes do trabalho mundial da United Way é o voluntariado, especialmente com as empresas que nos apoiam e que direcionam recursos aos nossos programas sociais de primeira infância e juventude.

A pandemia nos colocou diante de um desafio: migrar as ações presenciais para o formato on-line. Fizemos essa mudança estratégica com os programas e, também, com o voluntariado. A situação acabou se transformando em oportunidade para ampliar o alcance de nossas iniciativas, via meios digitais. 

No que diz respeito ao voluntariado, criamos uma ampla estratégia para envolver os colaboradores das empresas nos nossos programas. 

As crianças do Crescer Aprendendo (voltado à primeira infância) serão impactadas por diferentes ações que começaram a ser planejadas em setembro. Desenhamos atividades que vão proporcionar aos pequenos momentos lúdicos, de brincadeiras, convívio familiar, criatividade e faz-de-conta, temas essenciais ao desenvolvimento saudável de toda criança, prejudicados pelos desafios que as famílias enfrentam atualmente.

Nossa equipe está capacitando os voluntários para contarem histórias, elaborar vídeos e participar de um dia especial, em rede, com centenas de crianças e suas famílias. 

Para a juventude, por meio do programa Competências para a Vida, o voluntariado acontece no formato de mentorias, que têm alcançado bons resultados tanto para os mentorados como para os mentores. O objetivo é dar aos jovens oportunidades de repensarem suas vidas pessoais e profissionais para além da pandemia, com suporte de quem já viveu essa fase da vida e, também, teve de vencer tantos desafios. Boa parte dos jovens desanimou e não vê como tocar seus projetos de vida e as mentorias apoiam nesta importante retomada.

Toda essa experiência e a nossa capacidade de articulação vêm mostrando que o voluntariado digital se configura não só como uma medida de urgência, mas como uma estratégia que veio para ficar, por ser segura, eficaz e escalável. As possibilidades de as pessoas colaborarem virtualmente junto às organizações sociais são amplas e incontáveis e abarcam qualquer cidadão que queira colaborar.

Voltando à indignação de Graça Machel, expressa no texto que abre este artigo, é muito importante não naturalizar ou se conformar com desigualdades sociais, porque são elas que agravam – e muito – os efeitos da pandemia.

Por isso, estamos abertos para discutir formatos e maneiras de atuar, especialmente na área de voluntariado digital. Vamos juntos? 

Famílias interagem com especialistas em live sobre pandemia e comportamento da criança

No dia 24 de setembro, a convite do programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, Alexandre Coimbra, Daniel Becker e Maria Beatriz Linhares dialogaram sobre como os pais podem apoiar seus filhos neste momento da pandemia, sem perder de vista os limites, o uso moderado das telas e a calma com os comportamentos adversos das crianças.  

“Cuidar das crianças em tempo de pandemia: o papel da família” foi a primeira de uma série de lives que serão realizadas pelo programa Crescer Aprendendo, de primeira infância, da United Way Brasil.

A inciativa faz parte da estratégia de formação de quase 3 mil famílias em situação vulnerável de 12 cidades, em 4 estados, que recebem conteúdos diários sobre desenvolvimento infantil, por meio de grupos no WhatsApp.

Durante o evento, temas como a flexibilização com relação a limites e rotinas no isolamento social, eventos de birra e irritabilidade, briga entre irmãos, a forma como regular as emoções das crianças e dos adultos permearam a discussão. 

O estresse e cansaço dos pais e cuidadores também foram abordados com dicas de como não perder a paciência quando a criança tem um comportamento inadequado: sair de cena, respirar fundo, pensar um pouco e voltar mais calmo, chamando ao diálogo.

“As crianças podem não ter sido impactadas pela doença do vírus, mas foram impactadas em cheio no lado emocional. Elas estão sofrendo. Elas precisam brincar ao ar livre, perderam o contato com os amigos, com a escola. A gente pode falar com outro adulto para compartilhar nossas angústias. As crianças, não. Elas não conseguem se expressar. E aí regridem, voltam a fazer xixi na cuequinha ou calcinha, comem demais, ou não querem comer, sentem cansaço, fazem birra… Comportamentos que expressam o medo que está dentro delas. Primeira coisa é acolher essa criança. Ela pode e tem direito de sentir raiva, porque, no fundo, essa raiva é a angústia que ela sente. Brigar com ela não adianta. Nós somos os adultos. Nós podemos nos controlar, mesmo com raiva também. A melhor maneira de curar tudo isso é brincar e, se possível, ao ar livre”, explica o pediatra Daniel Becker.

Sobre a agressividade, especialmente entre irmãos, Beatriz Linhares explica: “Se a criança tem dois anos e está ali disputando um brinquedo, isso se chama agressividade instrumental. Os adultos têm um papel importante para ensinar a criança a compartilhar, a ser cooperativo. Mas a criança maior pode ter uma agressividade mais hostil, de querer agredir para machucar. De novo, os pais também têm um papel importante nesse momento, porque é hora de ensinar a se relacionar, mediando esse processo que a criança está exercitando. Aprender a se colocar no lugar do outro”.

Não rotule a criança

Uma das questões trazidas pelo público foi sobre a inquietação das crianças, que nesta fase estão mais agitadas e não param nunca, deixando os pais sem saber o que fazer. A agitação pode estar ligada à angústia que a criança sente com toda a situação atual. Alexandre Coimbra reforça que “muitas vezes queremos entender as angústias da criança e dar conta delas. É muito difícil que a gente entenda, o que gera angústia na gente. Por isso, não devemos guardar as nossas angústias. É importante buscar pessoas perto de você que você acha que podem te ajudar a entender seu filho, a não julgar seu filho, a não colocar um rótulo no seu filho, porque, na hora que a gente resolve uma angústia  com um rótulo – ‘ele é danado’, ‘ele é preguiçoso’ –, quando a gente coloca esses rótulos, a gente deixa de escutar a criança, a gente perde a curiosidade de entender que pessoa é aquela e o que está acontecendo com ela”. 

Durante uma hora, os especialistas puderam levar às famílias do programa e demais internautas informações importantes para qualificar a relação familiar, dentro de um contexto tão complexo imposto pela pandemia.

A interação do público com perguntas e comentários, tanto na página da United Way Brasil no Facebook como na do YouTube, mostrou não só o interesse pelo tema, mas como essas famílias precisam e querem apoio para zelar pelo desenvolvimento de seus filhos. Também denotou que elas se sentiram contempladas pelo evento, foram escutadas e puderam falar de suas dores, justamente porque os especialistas esmiuçaram questões cruciais de suas relações com seus filhos e filhas.

Durante a transmissão, 550 pessoas assistiram a live, sendo que, no Facebook, mais de 3.700 pessoas foram alcançadas, com 941 visualizações e 426 comentários. No YouTube, a live teve 2.500 visualizações.

O evento contou com o apoio das empresas parceiras do programa Crescer Aprendendo, Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower e 3M.

Para assistir ou rever a live, é só clicar em um dos links:

Facebook: https://www.facebook.com/unitedway.brasil/videos/2387819868180610

YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=yXt8Jtd8QO0&t=28s

Webinar discute práticas para fortalecer a primeira infância na pandemia

Realizado pela GPTW em parceria com a United Way Brasil e a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o evento contou com a IBM e a Special Dog Company para compartilhar suas políticas de RH focadas na promoção da primeira infância.

No último dia 22, André Bersano (GPTW) abriu a webinar com um provérbio africano que pautou todo o diálogo desse encontro: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, referindo-se ao papel que as empresas também exercem para a garantia do pleno desenvolvimento de filhos, netos e crianças de seus colaboradores e das comunidades.

Diante do cenário da pandemia, as empresas reviram o seu modus operandi, adotando iniciativas que mantivessem o fornecimento de produtos e serviços e preservassem a saúde das equipes.

Ao mesmo tempo, com a permanência em casa, uma boa parte dos funcionários passou a conviver com suas crianças em tempo integral, o que exigiu de todos (famílias e empresas) uma flexibilização de posturas e rotinas. Exigiu, também, um olhar apurado para garantir a saúde mental e física de pais e crianças na primeira infância.

Pesquisa realizada pela GPTW, em 2019, indicou que 31% das corporações tidas como melhores para se trabalhar possuíam salas exclusivas para lactação; 11% ofereciam creches ou berçários no local ou próximas a ele; 69% concediam licenças para cuidar de crianças ou familiares doentes. Ou seja, cuidar do outro, e da criança, está cada vez mais na pauta das políticas de RH.

Paula Creen, da United Way Brasil, referiu-se ao mapeamento realizado em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal que reuniu cerca de 600 iniciativas focadas na primeira infância, de empresas de diferentes áreas e portes, que irão compor uma plataforma a ser disponibilizada às corporações que queiram adotar iniciativas ou ampliar as que já realizam em favor dos primeiros anos de vida. A IBM e a Special Dog Company, com a assessoria da United Way Brasil, revisitaram suas políticas e, com base no mapeamento, ampliaram as ações de suas políticas.

A experiência da IBM

Ana Paula Mendes, da IBM, uma das corporações que figuram seguidamente no ranking do prêmio da GPTW, reforçou que 60% dos funcionários engajados estão em empresas que oferecem diferentes benefícios para promover o bem-estar (Gallup).  Quando se fala em primeira infância, a sensação de fazer parte de uma instituição que preza e apoia a família só tende a favorecer o envolvimento, a produtividade, a permanência, a saúde mental e física dos colaboradores. 

Por isso, a IBM investe em ações como o dia da família na empresa e programas que atuam nas escolas para falar de diversidade, gênero e combate ao bullying, por exemplo. Também estimula a formação de “tribos” com funcionários voluntários que se unem por temas de interesse. Um deles dedica-se a pensar em estratégias para fomentar entre os colaboradores a importância da primeira infância, como a criação de uma página no site da empresa para compartilhar informações e conteúdos sobre desenvolvimento infantil e os benefícios oferecidos pela IBM para pais e familiares de crianças pequenas.

Durante a pandemia, cuidar do bem-estar mental e emocional das famílias, isoladas em casa, foi foco das ações. Aulas de ioga, cafés da manhã, contação de histórias, construção de brinquedos com sucata reuniram adultos e crianças. A empresa reforçou canais que já existiam, voltados à assessoria jurídica, contábil, coach, sessões com psicólogo, nutricionista, dentre outros. Deram suporte aos gerentes e lideranças das equipes para que mantivessem contato com seus subordinados e suas famílias, apoiando-os da melhor maneira.

“Convidamos homens ‘improváveis’, da alta liderança da companhia, para falar de suas rotinas aos colaboradores homens, mostrando que o papel do pai não é ajudar, mas dividir e assumir a responsabilidade do cuidado com os filhos. Pessoas que todos imaginavam que não tinham tempo para se dedicar à família. Eles reforçaram que é possível ser profissional, pai e ainda cuidar de si”, revela Ana.

A política da Special Dog Company

Outra empresa que sempre está no ranking da GPTW, a Special Dog Company em 2015, reviu sua atuação social, dedicando-se ao desenvolvimento sustentável para cocriar projetos de diferentes atores dos setores público e privado, com foco na primeira infância. Ações pensados para dentro da empresa e além dela, desde a formação de pais sobre os temas relacionados ao desenvolvimento infantil até o apoio à criação do Plano Municipal de Primeira Infância da cidade onde a fábrica tem sede. 

Durante a pandemia, realizou iniciativas para garantir saúde e prevenção aos colaboradores e seus familiares com distribuição de máscaras, álcool em gel, aplicação de vacinas, disponibilização de um psicólogo etc. Para a sociedade, doou testes Covid-19 e respiradores para hospitais.

“O contato com a United Way Brasil foi fundamental para revisitar e avaliar nossas práticas focadas na primeira infância. Nos engajamos e criamos um comitê interno com diferentes áreas para intensificar esse cuidado que a nossa política quer expressar concretamente. Elaboramos um programa que vai apoiar os pais desde a gestação até os seis anos de vida da criança”, conta João Paulo Figueira, da Special Dog. 

Para Paula, “embora a IBM e Special Dog sejam grandes empresas, é possível realizar ações de primeira infância em corporações menores, sem grandes custos, como o day off para o funcionário passar o dia do aniversário com os filhos, por exemplo. O importante é começar com uma ação e ampliar conforme a adesão e o engajamento”, explica

Quando as empresas estimulam a parentalidade positiva, elas ajudam a promover o desenvolvimento pessoal e profissional de seus colaboradores. Porque, ao cuidar da criança, o adulto “qualifica a comunicação e a leitura de ambientes e situações, descobre e fortalece habilidades, aprende a gerir conflitos, adquiri uma postura mais empática, sabe ser flexível diante de situações de impasse e consegue ser criativo na hora de resolver problemas”, conclui André.

Os participantes reforçaram um aspecto importante quando se fala em criar ações para promover a primeira infância no ambiente de trabalho e fora dela: é essencial ouvir os colaboradores, convidá-los a pensar em iniciativas, saber de suas demandas e expectativas para a tomada de decisões. Dessa forma, qualquer política que tenha o aval das equipes será bem-sucedida e alcançará seus objetivos, ou seja, favorecer o pleno desenvolvimento infantil.

Para assistir ao webinar na íntegra, acesse: encurtador.com.br/nrBN0

As violências contra a criança: precisamos falar sobre isto!

O confinamento causado pela pandemia tende a aumentar os índices de violência contra os pequenos. É preciso enfrentar o problema – e agora!

Segundo os resultados de uma pesquisa realizada na China, que avaliou cerca de 300 crianças e adolescentes, o distanciamento social pode causar ou ampliar aspectos funcionais e comportamentais nesse público, como dependência excessiva dos pais, preocupação, ansiedade e desatenção.  

Já o estudo Repercussões da Pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil, elaborado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), mostrou que o bem-estar integral da criança está diretamente relacionado à qualidade de interação e vínculos que os adultos, especialmente pais e cuidadores, estabelecem com ela.

Ou seja, é preciso que os pequenos vivam em ambientes saudáveis, o que requer diálogo, paciência, brincadeiras, leitura, certa rotina e a presença afetiva desses cuidadores para amenizar momentos de tensão, causados pelo isolamento.  

Mas, infelizmente, muitas crianças estão expostas a problemas que já vivenciavam antes mesmo da chegada da Covid-19, como a pobreza e a violência, ambas ampliadas nestes tempos.

A violência e suas marcas para toda a vida

Quando falamos em violência contra a criança, estamos abordando um amplo espectro que envolve a violência física, sexual, negligências e outras violações de direitos, como o direito ao brincar no lugar de trabalhar.

Segundo o Unicef, escolas fechadas e pobreza acentuada estão levando crianças ao trabalho para que ajudem suas famílias, o que é um equívoco, já que sacrificá-las não vai resolver o problema e, ao contrário, ajudará a acentuar questões como doenças, analfabetismo e demais indicadores que só tendem a ampliar as desigualdades que impedem o País de se desenvolver em todos os níveis.  

A Constituição Federal proíbe o trabalho de menores de 16 anos (exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos), mas em 2018 apenas 435.956 jovens estavam registrados como aprendizes no País e mais de 1,7 milhão de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos permanecia fora da escola.

O trabalho infantil também é porta de entrada para outra violação: a exploração sexual, entendida como a prática do sexo entre crianças ou adolescentes com adultos, em troca de benefícios, presentes ou dinheiro. Com o isolamento social, o abuso sexual também tende a aumentar. Ou seja, crianças têm sido sistematicamente violadas por um adulto que mora com ela ou frequenta a casa da família.

O relatório da organização World Vision (maio de 2020) estima que até 85 milhões de crianças e adolescentes (2 a 17 anos) no mundo poderão ser vítimas de violência física, emocional e sexual nos meses da pandemia, o que significa um aumento de até 32% da média anual das estatísticas oficiais.

No Brasil, os dados vão na contramão dessa lógica. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (agosto de 2020), as notificações do Disque Denúncia caíram na fase da pandemia. Eram 29.965 entre março e junho de 2019. Até agosto de 2020 foram 26.416 casos identificados. As razões dessa queda são claras: quem denuncia não está mais em contato com a criança, como professores e funcionários de escolas, profissionais da saúde, amigos e parentes mais distantes, além de outros agentes de proteção. A subnotificação era uma realidade antes da Covid-19, já que, segundo o próprio Ministério, só 10% das violências chegavam às autoridades públicas. Essa porcentagem tende a ser bem maior com o isolamento

O foco na família

O que podemos fazer para amenizar os efeitos negativos da pandemia e mitigar os desafios que as crianças já enfrentavam antes mesmo do isolamento social?

É essencial que o poder público se mobilize não só no cumprimento de leis para punir quem causa a violência, mas, também, estruturar e fazer chegar às famílias meios para que se percebam como essenciais à manutenção do bem-estar integral de seus filhos. 

Como organizações sociais, coletivos e demais instituições temos de defender a causa (advocacy), convocar e mobilizar parceiros e implementar programas e ações sociais para que a formação de pais e cuidadores seja uma prioridade. 

A United Way Brasil acredita nesse caminho e por isso, em 2020, diante do cenário da pandemia, adotou medidas para expandir o programa Crescer Aprendendo e atender o maior número possível de crianças na fase da primeira infância (0 a 6 anos). Atualmente, o programa tem beneficiado 1.600 famílias das cidades de São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Campinas (SP), Sumaré (SP), Louveira (SP), Suzano (SP), Goiana (PE), Betim (MG), Joinville e Navegantes (SC). 

As famílias são divididas em grupos no WhatsApp, recebendo conteúdos diários por meio de textos, links, vídeos, “tarefas”, interagindo com perguntas e opiniões, mediados por profissionais nos temas relacionados aos primeiros anos de vida: comportamento da criança, papel da família, direitos da criança, importância do brincar, saúde física e mental, higiene, nutrição, cultura da paz etc., com orientações para o enfrentamento da Covid-19.

A manutenção e expansão do programa só foi possível porque contamos com a parceria das empresas Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower e 3M que investiram na causa e acreditam que apoiar as famílias pode mudar realidades.

Que tal também fazer parte dessa e de outras iniciativas? Siga-nos nas redes e acompanhe nossas ações: