De formações a oportunidades: uma feira para promover a inclusão produtiva de jovens

A “Feira de Carreiras – Trilha de Oportunidades”, evento realizado pelo GOYN SP, em parceria com o Cieds, foi um marco para a inclusão produtiva de jovens-potência. Realizada no dia 19 de outubro, na plataforma YouTube, trouxe diferentes atores e temas relacionados à empregabilidade, oferecendo às juventudes periféricas subsídios para que possam traçar seus objetivos e planos de formação e de carreira.

Tuty, jovem de 22 anos, monitora cultural e ilustradora, moradora da Zona Norte, conduziu o evento ao lado de Victor, 20 anos, ator e monitor cultural, também da Zona Norte.

A diversidade foi pano de fundo de toda a programação, que garantiu a participação de todos, todas e todes, a começar pela tradução em Libras e a autodescrição feita pelos jovens apresentadores e pelos especialistas convidados, permitindo que pessoas com deficiência visual e auditiva também se sentissem parte desse momento único, com o objetivo de fortalecer uma rede de network e um espaço de debates sobre questões relacionadas ao primeiro emprego e ao mundo do trabalho.

O evento, inédito, com 6 horas de duração, reuniu, ao vivo, 15 parceiros, de áreas distintas, mobilizados para trazer conteúdos de qualidade e vagas, comunicadas durante a feira, aos mais de 600 participantes que, superanimados, interagiram no chat e nos workshops.

Assista ao evento na íntegra:

Juventude e trabalho

O primeiro painel da Feira, mediado por Taís Lopes, moradora do Capão Redondo, jovem embaixadora do GOYN SP e colaboradora do Vocação, discutiu as possibilidades de inclusão produtiva das juventudes, por meio de parcerias entre poder público, sociedade civil organizada e os jovens. 

Ramirez Lopes, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, de São Paulo, enfatizou o trabalho que tem sido realizado pela administração pública para fazer a ponte entre as demandas das juventudes e as organizações sociais que atuam com os jovens, apoiando-os na busca por emprego. Além disso, Ramirez contou que, junto ao escritório da Organização das Nações Unidas (ONU), “estamos construindo o Plano Municipal de Juventude, um processo que será colaborativo e vai mobilizar toda a rede com o propósito de definir uma lei que determine o que deve conter na política pública, que irá estruturar o Plano Municipal de Juventude.”

“A participação ativa das juventudes nessas construções é essencial. E são juventudes no plural mesmo, porque não é uma só, os jovens são diversos”, reforçou Pâmela, que atua no GOYN SP, reforçando a importância de colocar os jovens no centro das decisões sobre aquilo que irá afetá-los direta e indiretamente, para que as ações pensadas dialoguem, de fato, com as necessidades e expectativas dos jovens-potência.

Rafael Biazão, do Cieds, concorda e reforça: “É importante que as juventudes em situação de vulnerabilidade social conheçam os seus direitos. Fazer a escuta dos jovens sobre o que eles querem do futuro, o que faz sentido para eles, é essencial para gerar oportunidades que tragam resultados efetivos para essa população.”


Workshops mobilizaram a galera com temas conduzidos por diferentes organizações 

Os jovens que participaram da Feira puderam ter acesso a 10 workshops, todos com temas de total relevância – que estarão, em breve, disponíveis no YouTube do GOYN SP para você acessar a qualquer hora.

Na parte da manhã, Talita Botelho conduziu a conversa sobre “Como administrar seu dinheiro”; o Cmov-Construindo Carreiras assumiu o diálogo sobre “Processos seletivos, entrevistas de emprego e como se preparar”; a Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura trouxe para o workshop o tema “Como fazer um bom marketing pessoal e construir conexões profissionais”; o Youth Voices Brasil deu uma aula de “Como usar o LinkedIn a seu favor na busca por emprego”; por fim, ficou por conta do Ifood falar sobre “Diversidade na Área de Tecnologia: Você também pode!”.

À tarde, as conversas continuaram, desta vez com os temas “Empreendedorismo: como construir seu próprio negócio”, liderado pela Aliança Empreendedora; “Como se comportar em uma entrevista de emprego e manter uma boa postura profissional”, bate-papo com o representante da Worc – Empregabilidade; “Como fazer um bom marketing pessoal e construir conexões profissionais” foi a discussão conduzida pela Fundação Iochpe; e “Autoconhecimento: como se conhecer te ajuda a ingressar no mercado”, um debate encaminhado pela Oré Consultoria.


Mesas temáticas

As juventudes participaram das discussões trazidas por duas mesas. A primeira delas, que contou com jovens colaboradores em grandes empresas, debateu “Diversidade no mercado de trabalho”. Daniel Silva, de 22 anos, profissional da área de Controles Internos, e Amanda, do grupo de diversidade racial, ambos do banco JP Morgan, Vitor Eleotério, do Ifood, Mariana Costa, jornalista, da PwC Brasil, e Taina Santos, coordenadora de projetos da organização social Em Movimento, trouxeram suas contribuições. A conversa foi mediada pela jovem-potência do Núcleo Jovem do GOYN SP, Julia dos Santos Pereira, 25 anos. Ela é formada em TI e atualmente trabalha na área de RH. 

Sobre a promoção da diversidade nessas empresas, os jovens afirmaram que existem políticas sólidas que atuam tanto dentro como fora das corporações.

“O banco faz doações e linhas de crédito diferenciadas para comunidades negras”, exemplificou Daniel, da JP Morgan.

“Os profissionais podem ser o que são na empresa, sem medo. Temos uma semana toda dedicada para esse tema. Somos engajados com todas as causas ligadas à diversidade”, afirmou Mariana, da PwC

“Apenas 20% das mulheres ocupam algum cargo em TI. Na empresa, temos muitas campanhas para mudar isso. Eu mesmo estou na empresa por conta de uma campanha de inclusão”, relatou Vitor, do IFood.

“Fomentamos a causa da diversidade por meio de coleta de evidências, que é um dos pilares do Em Movimento”, comentou Taina.

A conversa prosseguiu, ressaltando dados colhidos pelo Atlas das Juventudes sobre diversidade e como empresas e organizações sociais podem se aliar para que o ecossistema produtivo seja mais diverso e inclusivo, a partir de práticas que já implementam.

Na segunda mesa da tarde, “Formação e Profissionalização”, Bárbara Rodrigues, do Cieds, Claudio Anjos, da Fundação Iochpe, Julio Cesar, da Secretaria dos Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Fábio Zatz , do Worc – Empregabilidade e Juliana Gregory Cavalcante, do Arco Instituto discutiram as diferentes oportunidades de formação voltadas aos jovens periféricos, por meio de parcerias com empresas, escolas e outras instituições que podem alavancar o desenvolvimento cognitivo e profissional das juventudes. Também deram dicas de como os jovens podem se preparar para as entrevistas e seleção de empregos, por exemplo. A conversa foi mediada pela Suzana Leite, do Núcleo Jovem do GOYN SP, que trabalha na Agência Mural, ligada à promoção das ações da quebrada.

Diante da pergunta da mediadora, sobre o que as empresas procuram nos jovens, o pessoal da mesa trouxe várias contribuições para munir as juventudes de ferramentas para a conquista do primeiro emprego. “Quanto mais o jovem mostrar interesse e que tem garra, disposição, melhor. O restante, a gente aprende e caminha junto”, citou Claudio.

Juliana ressaltou a vontade de aprender e o protagonismo como características importantes que os jovens precisam fortalecer para conquistar seus espaços no mercado de trabalho. “Às vezes você não precisa ter tido experiência prévia, mas pode contar, na hora da contratação, os cursos que você fez, conversar com pessoas que já conseguiram o primeiro emprego pra trocar ideias, testar formatos de currículo com quem já passou por essa fase”, sugeriu.


Momento cultura da periferia: tudo de bom!

Colocar o jovem no centro significa, também, dar espaço para suas manifestações, em todos os níveis. O que não falta na quebrada é arte e cultura de qualidade. Na Feira, um pouco desse mundo de criatividade foi representado por talentos incríveis.

Latina Plural, 21 anos, da zona sul periférica de São Paulo, rapper e poetisa, traduz, em forma de texto, a sua caminhada no mercado de trabalho. No seu texto, ela contou como começou a sua jornada profissional, no call center, para, então, depois de muita batalha e resiliência, se tornar quem é hoje, uma artista independente. Um retrato da realidade das juventudes periféricas, que você pode conferir, na íntegra, abaixo:


Durante todo o evento, a artista Taoly Dandara, jovem-potência das quebradas, fez a facilitação gráfica de tudo o que foi discutido, gerando um painel incrível, recheado de mensagens-chave.

Artista: Taoly Dandara

Para encerrar o evento, La Aura, da Zona Leste, jovem cantora de voz belíssima, apresentou-se com seu filho Jorginho, emocionando todo mundo com o cover “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Em seguida, Ravih, cantor e compositor, de Parelheiros, que já é conhecido e reconhecido no Brasil e em países da América Latina, interpretou suas composições, de tirar o fôlego! Confira as apresentações abaixo:

Para saber tudo o que aconteceu na “Feira de Carreiras – Trilhas de Oportunidades”, assista o evento na íntegra.

Essa iniciativa contou com muitas organizações e empresas que se juntaram ao GOYN SP e ao Cieds para levar à prática a missão de criar oportunidades de inclusão produtiva de jovens-potência de São Paulo. Você também pode fazer parte dessa rede. Então, vamos juntos?

O GOYN SP é articulado, em São Paulo, pela United Way Brasil e conta com o apoio institucional das seguintes organizações:

Uma trilha de oportunidades para jovens-potência

Se você tem de 15 a 29 anos, está à procura de emprego e/ou de formação para ingressar e permanecer no mundo do trabalho, então não pode perder esse grande evento realizado pelo GOYN SP, programa articulado pela United Way Brasil, em parceria técnica com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds).

Durante o dia 19 de outubro, das 10 às 17h, você acompanha, no YouTube, mesas de discussão sobre temas relacionados à empregabilidade e workshops “mão na massa” para ficar por dentro das novidades e de possibilidades de conquistar o seu espaço no mundo do trabalho, seja em empresas, seja investindo no seu negócio.

Como organizar sua vida financeira? De que maneira você pode conseguir sucesso nas entrevistas de emprego e, por exemplo, entrar na área de tecnologia? Que tal usar o LinkedIn e o marketing pessoal para chegar mais longe, profissionalmente? E de que forma o autoconhecimento te ajuda a ter sucesso na sua carreira?

Estes e outros assuntos serão tratados entre jovens como você e especialistas de diferentes áreas do ecossistema produtivo. Também será a sua chance de saber mais sobre o desafio da diversidade nos espaços corporativos.

Tudo isso você assiste e interage gratuitamente, adquirindo novos conhecimentos sobre si e sobre maneiras de investir na sua carreira profissional.

O GOYN SP E SUA MISSÃO JUNTO ÀS JUVENTUDES

A “Feira de Carreiras – Trilha de Oportunidades” é uma iniciativa protagonizada pelo GOYN SP, um movimento que tem como objetivo promover a inclusão produtiva das juventudes periféricas da maior metrópole do País. 

No GOYN, tudo acontece a partir da união de diferentes atores que atuam para criar oportunidades como esta. Ou seja, jovens, empresas, organizações públicas e da sociedade civil se reúnem para pensar, juntos, como enfrentar os obstáculos que impedem jovens-potência de ocuparem postos dignos de trabalho.

O GOYN é um movimento global, que está em outras seis cidades do mundo. Chegou a São Paulo, em 2020, articulado pela United Way Brasil. Na cidade, atualmente, conta com mais de 80 instituições, mas é aberto a quem tiver como contribuir, concretamente, ao cumprimento do objetivo de, até 2030, apoiar, com trabalho e formação, 100 mil jovens-potência.

Se você é um deles ou uma delas, então, não perca essa agenda super bacana, no dia 19. Vamos, juntos, virar o jogo e fortalecer as juventudes periféricas para que possam contribuir ao desenvolvimento social e econômico da cidade de São Paulo e, por que não, do Brasil.

Confira a programação e se inscreva!

Saiba mais sobre o GOYN SP

Oportunidades de capacitação e inclusão produtiva? A gente tem no GOYN SP

Apoiar jovens-potência para que conquistem seus espaços no mercado de trabalho é o objetivo do GOYN, um programa global que chegou a São Paulo, articulado pela United Way Brasil. Mas sobre isso, vamos falar depois.

O lance agora é contar para você as duas oportunidades que o GOYN SP está oferecendo às juventudes periféricas da maior metrópole do País.

DIGITALIS, PARA OS AFICIONADOS EM TECNOLOGIA

Se você tem de 18 a 29 anos, mora na periferia da cidade, possui renda familiar média por pessoa de até dois salários-mínimos e curte tecnologia, a plataforma Digitalis está com inscrições abertas para cursos de desenvolvedor front end, analista de operações em negócio e marketing digital. 

Terminado o curso, com duração de três meses, você recebe o certificado e pode encontrar, na própria plataforma, vagas de emprego nas respectivas áreas. Os cursos oferecem opção de bolsa até 100% gratuitas e ainda um auxílio mensal de 150 reais durante todo o período de formação.

As turmas irão começar dia 4 de outubro, por isso, você precisa correr, porque as inscrições se encerram dia 29 de setembro de 2021 e podem ser feitas, clicando aqui. Uma dica: depois de preencher o formulário, você terá acesso a um link com testes iniciais. Para concorrer a uma vaga é necessário que você faça todos os testes, até o final.

Mas se não conseguir participar desta vez, não se preocupe. Outras oportunidades serão abertas. O importante é ficar ligado nas redes do GOYN SP para não perder nada (a gente dá nossos endereços no final da matéria).

O Digitalis é uma ação realizada coletivamente por empresas e organizações sociais que acreditam nas juventudes e na sua importância para o fortalecimento do ecossistema produtivo da cidade. Por isso, se juntaram ao GOYN SP para idealizar essa iniciativa e colocá-la em prática. 

O bacana é que, além de você ter acesso ao conhecimento técnico, também recebe apoio e mentoria para desenvolver suas competências socioemocionais, aquelas que têm sido vistas como essenciais para o bom desempenho nos postos de trabalho – e na vida. Além disso, você terá suporte para achar uma vaga compatível com seus sonhos e que, ao mesmo tempo, atenda as necessidades das empresas. Outro benefício é fazer parte de uma rede de trocas para ajudar você a entrar e permanecer no mercado de trabalho.

Os jovens que saem do curso e conseguem emprego podem ajudar outros jovens a também participarem do Digitalis. Isso mesmo! Ao conseguir a sua colocação no mercado de trabalho, você contribui com uma parte de seu primeiro salário para o fundo que o Digitalis criou, justamente com o objetivo de ampliar esse benefício a mais pessoas. Ou seja, é uma ação colaborativa para fortalecer, conjuntamente, as juventudes das periferias. E seu papel nisso tudo é fundamental!

PERIFA DIGITAL PARA AMPLIAR MENTES E OPORTUNIDADES DE TRABALHO

Outra oportunidade que o GOYN SP oferece é o programa Perifa Digital, curso que tem o objetivo de desenvolver a cultura digital dos jovens da quebrada para que possam atuar no mercado de trabalho.

O curso está na segunda edição, é 100% gratuito e focado nos jovens de 15 a 21 anos, que morem, de preferência, próximo aos bairros Jardim Peri, na Zona Norte; Jardim Lapena, na Zona Leste; Capão Redondo, Parelheiros e Campo limpo, na zona Sul. Isto porque você pode escolher se quer participar do Perifa online ou presencial, nesses territórios. 

Você vai vivenciar 12 horas de imersão, durante três semanas, para aprender a trabalhar com diferentes ferramentas (Trello, Pacote Office básico e Ikigai), elaborar currículo e portfólio e desenvolver habilidades para uso lógico da tecnologia, adquirindo conhecimentos que garantam um melhor posicionamento da sua imagem nas redes sociais – um meio super importante para você circular no mercado de trabalho.

O legal é que no curso você já começa colocando a mão na massa, ou seja, aprende fazendo. E quem vai te apoiar nisso tudo são jovens periféricos também, que sabem muito sobre tecnologia e vivem nos territórios, ou seja, é uma ação para as juventudes realizada pelos jovens-potência.

As vagas nesta segunda edição do Perifa Digital são limitadas e as inscrições se encerram dia 1º de outubro, por isso, é preciso correr para garantir a sua. Então, clique aqui.

AFINAL, O QUE É O GOYN SP?

O GOYN SP faz parte da rede global Global Opportunity Youth Network (GOYN), criada nos EUA, pelo Aspen Institute. Chegou a São Paulo em 2020, articulado pela United Way Brasil, que reuniu várias empresas, instituições e jovens para elaborarem, juntos, ações (protótipos) que pudessem atender às expectativas pessoais e profissionais dos jovens-potência de São Paulo, pessoas como você, que vivem nas periferias e têm muito potencial (daí o termo “jovem-potência). Muitos estão sem trabalho e sem estudos, por conta dessa crise imensa que vivemos. O Digitalis e o Perifa Digital são duas ações com o objetivo de oferecer formação e ampliar as chances de empregabilidade das juventudes. Se você não tem interesse, já está empregado, compartilhe esta matéria com seus amigos e suas amigas. O GOYN SP atua pela diversidade, por isso, suas ações priorizam jovens negros e negras, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência.

Para saber mais sobe o GOYN SP, acesse: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/goyn/

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Conheça as organizações sociais e empresas, da rede GOYN SP, que fazem o Digitalis e o Perifa Digital acontecerem:

DIGITALIS                                                                           PERIFA DIGITAL

Interface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamenteInterface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamente

Quer alavancar a agenda ESG na sua empresa? Escute e contrate jovens

ESG e Juventudes

Até 2019, as juventudes eram o maior grupo da população brasileira. O “bônus” demográfico histórico será desperdiçado se não nos ocuparmos agora com a pauta da inclusão produtiva de jovens. Não olhar para esse tema significa comprometer o desenvolvimento social e econômico do País nos próximos 30 anos, quando os idosos é que serão maioria.

As empresas têm papel fundamental nesse contexto. Elas podem – e devem – pensar em políticas de recrutamento, contratação e permanência que incluam, especialmente, as juventudes periféricas. Por quê? Porque são elas que estão, neste momento complexo de pós-pandemia, mais desorientadas e desalentadas com relação ao presente e futuro: 1 em cada 4 jovens gostaria de trabalhar, mas deixou de procurar emprego. Quase metade das 50 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos deseja deixar o país por não ver perspectivas (Mapa das Juventudes, 2021).

Faltam educação de qualidade e experiência profissional a grande parte desses jovens, é fato. Mas não faltam a motivação, o desejo de aprender, de se desenvolver e contribuir para o fortalecimento de marcas e negócios. “Quando uma empresa contrata jovens, ela não está só dando um salário e benefícios, mas oferecendo uma oportunidade de transformação, especialmente quando essa contratação está atrelada a uma jornada de formação”, comentou Lucas Gregório, jovem de 20 anos. Ele é contratado pelo GOYN SP para atuar coletivamente na formatação de ações e iniciativas que o programa vem realizando para incluir produtivamente, até 2030, 100 mil jovens-potência da cidade de São Paulo. Sua fala compôs a mesa de diálogo sobre “ESG e Juventudes” promovida pela Fiesp, em agosto.

Mas o que juventudes têm a ver com ESG?

Embora à primeira vista essa conexão não seja tão clara, ao aprofundar a pauta percebemos que a causa dos jovens é uma alavanca potente para a promoção da agenda ESG (Environmental, Social and Governance). Empregar e manter as juventudes em postos dignos de trabalho significa fortalecer a inclusão e a diversidade, o respeito aos direitos humanos, promover o engajamento dos funcionários, o relacionamento com a comunidade, aspectos prioritários do S (Social). Além disso, os jovens estão entre os mais informados sobre os padrões ambientais, sociais e de governança dentro e fora das empresas, tendo consciência dos impactos desses padrões nas gerações futuras (aspectos relacionados ao E e G). Contratá-los – e ouvi-los – significa meio caminho andado para fomentar os assuntos relacionados à agenda nas diferentes equipes. Os jovens podem se tornar, também, porta-vozes do tema. Bom para os jovens, ótimo para a sociedade e excelente para as empresas, afinal, segundo a última pesquisa de Sustentabilidade da Anbima, 85,4% dos gestores de investimentos do País usam os critérios ESG para tomar decisões sobre onde aplicar seus recursos.

Uma jornada com começo, meio e sem fim

Como disse Daniela Saraiva, líder do GOYN SP, também no evento da Fiesp, “jovens não vão chegar automaticamente às empresas. Eles e elas enfrentam obstáculos gigantes como o racismo estrutural e a falta de uma educação de qualidade. É por isso que as corporações precisam desenhar uma jornada para essas juventudes.” A jornada deve começar com novos processos de seleção e contratação que valorizem e priorizem as competências socioemocionais no lugar da formação acadêmica e experiência profissional.

Programas como Jovem Aprendiz são oportunidades de dar início à construção dessa jornada que envolve, também, a permanência e o desenvolvimento de carreira. Ou seja, eles e elas vão precisar do acolhimento das equipes (e estas terão de ser preparadas para isso), de mentorias realizadas por gestores e colegas mais velhos da empresa (programas de voluntariado podem dar conta dessa demanda essencial), formação dentro e fora da empresa para superar gaps do ensino formal e do conhecimento técnico, acesso a feedbacks constantes e avaliações 360 para definir o que está bom e o que precisa melhorar e um plano de carreira, desenhado a quatro mãos, que sirva não só como estímulo aos jovens, mas responda às necessidades da empresa. 

“Quando o jovem tem acesso a essa jornada, não é só ele que se transforma. Sua comunidade e a sociedade ganham com isso”, lembra o jovem Lucas. E é verdade. As desigualdades sociais e os ciclos de pobreza podem diminuir com jovens-potência empregados. O desenvolvimento local também, já que a empregabilidade das juventudes tende a evitar prejuízos de até 1,5% do PIB dos países.

“Somos foguetes e foguetes não dão ré. Só vão para frente e para as estrelas, conquistar sonhos.”
Lucas Gregório, 20 anos, jovem-potência do GOYN SP

Por que é importante ouvir os jovens?

Dar voz aos jovens é planejar com mais assertividade as ações de uma política que, de fato, inclua todos e todas no ecossistema produtivo. Mas esse lugar de fala não deve se limitar ao mundo do trabalho. A escuta precisa ser de toda a sociedade. Excluir as juventudes e negar seu protagonismo nos diferentes escopos sociais acaba por nos impedir de ter acesso ao novo, ao diverso e às soluções que, de fato, podem resolver problemas simples e complexos.

“Juventudes são múltiplas, diferentes e as divergências constroem a síntese”, pontuou Tony Marlon, educador e comunicador popular, membro do Conselho Deliberativo da United Way Brasil. Sua fala se somou a muitas outras durante a edição do Café GOYN SP, em agosto, cujo tema era justamente a importância de ouvir o jovem e ampliar a sua participação social, o que inclui, também, a atuação nas organizações que trabalham pela causa das juventudes.

“O protagonismo da juventude é transversal. Como se fosse um Ministério que tem de estar em todos os setores. Precisamos fazer check points para ver se o que está sendo feito responde às necessidades e escutas dos e das jovens”, complementou Tony.

Durante a plenária do Café, alguns aspectos trazidos pelos participantes reforçaram a importância dessa escuta qualificada para que possamos, como sociedade, acolher as juventudes, especialmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade, para que deem a sua contribuição ao desenvolvimento sustentável do País.

Levar jovens para o centro das organizações sociais foi um dos temas do diálogo. Muitas vezes eles não participam das decisões que irão afetá-los. Além de se chegar a ações pouco eficientes, essa postura acaba por enfraquecer o exercício da cidadania e a participação social das juventudes. Também é essencial que se abram espaços para uma escuta ativa tanto do setor privado como do público com o objetivo de direcionar ações e políticas públicas para atenderem as necessidades jovens. 

A plateia que participou do Café também reconheceu que essa causa é uma pauta que precisa envolver todos e todas, inclusive juventudes privilegiadas, de estratos sociais com maior renda, para que também possam trazer ideias e soluções que compactuem com os desafios estruturais enfrentados pelos jovens periféricos, na educação, no trabalho e na participação política e social.

Para saber mais e se engajar
Junte-se a nós e abrace a causa das juventudes: ofuturoejovem@unitedwaybrasil.org.br 
Navegue no estudo “Empresas potentes: boas práticas na inclusão de jovens-potência”, realizado pela United Way Brasil e Accenture, para se inspirar em jornadas implementadas por empresas e conferir os resultados dessa iniciativa: https://unitedwaybrasil.org.br/wp-content/uploads/2021/08/goyn-boas-praticas-na-inclusao-de-jovens-potencia.pdf
Conheça o GOYN SP: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/goyn/

Histórias de vida inspiram jovens na construção de seus projetos pessoais

Exemplos e referências também fazem parte da estratégia do programa Competências para a Vida que apoia jovens em situação de vulnerabilidade social a fim de que possam conquistar seus sonhos, apesar das dificuldades.  

O segundo módulo do novo ciclo de jovens participantes do programa Competências para a Vida reforça a importância de exemplos e referências na formação das juventudes.

No encontro de uma das turmas desse módulo, na sala virtual, além do educador que faz a mediação da sessão de formação, estavam os jovens de Uarini, no Amazonas, juntos e com máscaras. Na cidadezinha onde vivem, a 565 quilômetros de Manaus, não tem sinal de internet. Por isso, foi preciso reuni-los em um único lugar, nas dependências da Fundação Amazonas Sustentável, parceira do programa. Mas as dificuldades não param por aí: muitos jovens da região levam horas para chegar à ONG, porque precisam usar barcos, fazer longas caminhadas até o ponto de encontro. Porém, é perceptível o interesse que demonstram nas reuniões e o entendimento claro de que essa oportunidade de formação não pode ser desperdiçada. Por isso, não medem esforços para participar das formações.

Duas convidadas do programa também estavam presentes: Hellen Moura e Patricia Lima. Hellen é educadora social em Cabo de Santo Agostinho, PE. Ela começou a conversa dizendo que sempre teve muito medo de falar em público, mas contou isso com tanta fluidez que era difícil imaginar. A jovem de 25 anos compartilhou sua trajetória de vida: para conseguir estudar e realizar seus sonhos, trabalhou em uma padaria, mesmo não gostando. Hoje ela sabe que precisou fazer o que não queria para conquistar, mais à frente, o que realmente importava. E toda vez que se deparava com o desafio de falar em público, ela recuava. 

Entrou, com muito esforço e dedicação, na faculdade. Quando teve de fazer o primeiro seminário, deu pânico. Ela “fugiu” das aulas e trancou a matrícula. Foi quando Hellen ingressou em um projeto social e recebeu mentoria de uma pessoa que mostrou para ela a importância de encarar esse medo, afinal, saber se comunicar é uma habilidade essencial. Hellen seguiu os conselhos do mentor, cursou a faculdade de Oratória e acabou apaixonada pelo curso, especializando-se em Comunicação. Hoje ela é professora e ajuda os jovens a vencerem suas dificuldades, especialmente a de falar publicamente e se colocar nas situações. Hellen transformou um obstáculo em potencial. “Vocês precisam se conhecer, saber quais são suas habilidades e seus desafios para entender como trabalhar tudo isso. Pode ser que alguma coisa que vocês achem que não sabem fazer se torne, na verdade, uma habilidade a ser desenvolvida”, reforçou Hellen para os jovens do Amazonas.

Nada é definitivo e tudo pode mudar o tempo todo

Patricia tem 31 anos, é engenheira e mora em São Paulo. Atualmente, trabalha na empresa O-I, parceira do programa Competências para a Vida. Sua participação na conversa foi voluntária, como também é a atuação dos mentores dos jovens no programa. Todos são colaboradores das empresas que apoiam a iniciativa.

“Quando alguém pergunta ‘quem é você? O que você faz’, tendemos a responder a profissão da gente. Mas somos muito mais do que isso. Somos as habilidades e as vivências que acumulamos”. Essa foi a fala inicial de Patricia, que contou sobre como chegou aonde está hoje. Desde pequena, queria ser veterinária e teve todos os bichos possíveis em casa. Mas saber que precisaria lidar com o sofrimento dos animais a afastou da profissão e, por eliminação, acabou fazendo Engenharia Química. Só que não se encontrou no curso, transferindo-se para a Engenharia de Produção. Ela contou que sofreu muita discriminação, porque, no ambiente de trabalho, predominantemente masculino, as mulheres eram vistas como incapazes e intrusas. 

Hoje ela atua na área de Recursos Humanos da O-I, depois de ter ficado um tempo na produção. Seus superiores perceberam o interesse de Patricia em ajudar as pessoas, identificando-se com ações que garantem a equidade de gênero e a diversidade na empresa. A habilidade de organizar projetos, adquirida na engenharia, uniu-se ao aprendizado que vivenciou quando era rejeitada pelos colegas por ser mulher. Ela usou a resiliência para construir sua carreira e aceitou o convite para ingressar na equipe de RH. Mas… e o amor pelos animais? Patricia não o abandonou e atualmente ajuda a gerir uma ONG que cuida de gatos abandonados. “Nada do que decidimos precisa ser definitivo, as escolhas têm rotas. Você pode começar por um lugar e descobrir que não é o que você quer. Tudo bem, porque essa bagagem vai te ajudar a seguir em frente na sua busca. E se você não tem certeza de nada, fazer um trabalho voluntário pode te ajudar a experimentar e sentir o que te faz feliz”, ressaltou a engenheira.

Do outro lado, lá em Uarini, logo após a fala de Patricia, uma jovem levantou a mão. Era Adrielen: “Nada é fácil. Nada vem de bandeja, principalmente para nós mulheres. Me tocou muito a história da Patricia, porque é dolorido sentir esse preconceito. Mas eu não vou desistir do que eu quero. Meus pais sempre trabalharam fazendo farinha e me deixavam na escola. Eu me inspiro nas pessoas como vocês e me inspirava nas minhas professoras. Eu quero ser professora. Ainda não tive a oportunidade de fazer uma faculdade, mas vou fazer e, também, quero compartilhar minha história com meus alunos.”

O depoimento da jovem amazonense encerra esta matéria e reforça a importância indiscutível de exemplos e referências para apoiar as juventudes nas suas escolhas, especialmente em um cenário tão difícil como o que vivemos hoje: atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 gostaria de trabalhar, mas não consegue, por isso, desistiu de procurar por uma colocação. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas (Atlas das Juventudes).  É preciso garantir o acesso das juventudes às oportunidades para que não percamos o boom demográfico histórico que vivenciamos. O programa Competências para a Vida, da United Way Brasil, tem esse papel e o seu apoio e o da sua empresa são essenciais para que as oportunidades se multipliquem e possamos atender mais jovens como Adrielen, ajudando-os a se realizarem plenamente, como a Hellen e a Patricia. Pense nisto!

Coalizão de movimentos sociais, liderados por empresários, lança estudo de boas práticas para a inclusão produtiva das juventudes

Evento realizado no último dia 20 de julho reuniu CEOs e executivos de grandes corporações engajados na promoção da empregabilidade e formação de jovens-potência, o grupo de brasileiros que mais perdeu emprego e renda durante a pandemia. 

A live “Inclusão produtiva jovem: o papel das empresas para transformar uma geração” marcou a história do ecossistema corporativo brasileiro. Realizado pela coalizão GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil, o evento reuniu em um só dia as lideranças das maiores corporações do País com o objetivo de lançar o estudo “Empresas potentes: boas práticas na inclusão de jovens-potência”, que analisa os processos de recrutamento, seleção e manutenção de jovens nos quadros de colaboradores de empresas-potência, compartilhando orientações, recomendações e pontos de atenção para qualquer corporação que queira implementar ou revistar suas políticas de inclusão de jovens nas suas equipes.

O estudo, que tem sido pauta dos grandes veículos de comunicação, é um guia de boas práticas produzido pela parceria GOYN SP e Accenture Brasil, que recebeu o apoio e as contribuições das instituições representadas no lançamento.

Apresentado no evento por Fagner Lima, Designer de Serviços da Fjord/Accenture Brasil, o estudo ouviu, de um lado, as “dores” dos Recursos Humanos (RHs) na hora de contratar jovens-potência para os postos de entrada nas corporações. Do outro lado, escutou as expectativas e necessidades das juventudes antes e depois da contratação.

O estudo se aprofundou na literatura sobre o tema, especialmente no conhecimento já construído pelo GOYN SP, utilizou entrevistas e grupos focais com equipes de RHs, com gestores que atuam com os jovens nas empresas e com os próprios jovens. O conteúdo foi analisado e validado pelas organizações que compõem a rede GOYN SP.

“Vimos que o melhor jeito de compartilhar as boas práticas e os aprendizados é por meio de uma jornada, que apresente o percurso, sem ser uma receita pronta. Ela é orientadora e inspiradora, trazendo ações e indicações quem pode ajudar na sua implementação”, explicou Fagner.

O estudo reúne, também, cases de corporações que assumiram o compromisso de incluir, formar e promover a ascensão dos jovens, com exemplos concretos para cada etapa da jornada das juventudes nas empresas: PwC, Coca Cola Brasil, Funcional Health Tech, Itaú e Magalu.

Além disso, para as companhias que não se veem em condições de fazer um processo mais amplo para a inclusão produtiva jovem, o estudo propõe ações mínimas e viáveis que podem ser adotadas por quaisquer empresas.

“O maior aprendizado trazido pelo estudo é que a inclusão dos jovens é uma atividade coletiva e não individual da companhia. Uma ação que deve se somar às ações que já existem no terceiro setor, no poder público, potencializando o alcance e a efetividade da corporação. Compartilhar essas práticas é uma maneira de inspirar novas ações, efetivar parcerias e fomentar esse ecossistema”, concluiu Fagner.

Muito além de marcas e negócios

A coalizão de diferentes movimentos voltados à inclusão produtiva das juventudes, que contam com a participação ativa dos C-levels das corporações, é um exemplo claro de como a urgência dessa pauta precisa de ações coletivas e colaborativas para avançar na velocidade necessária. 

Como bem pontuou a mediadora da live, Isabelle Christina, jovem negra da periferia, que superou diferentes desafios para conquistar seu espaço na Oracle, o papel das empresas é crucial para reverter o atual e desolador cenário: “Atualmente temos 27,1% dos jovens brasileiros desempregados e 1 em cada 4 jovens gostaria de trabalhar, mas não consegue, deixando de procurar uma colocação, segundo o Atlas das Juventudes. Quase metade dos 50 milhões de jovens de 15 a 29 anos quer deixar o País por falta de perspectivas”, pontuou a jovem-potência. Isabelle também ressaltou: “Ao mesmo tempo em que vivemos essa realidade, temos agora a maior chance de revertê-la. Se a gente olhar para nações como Japão e Coreia do Sul, que também viveram o boom demográfico… Nessa fase eles incentivaram os jovens a produzir tecnologia, inovação e assim chegaram aonde estão hoje. O Brasil está perdendo a oportunidade de ser uma grande potência.”

Para Juliana Azevedo, Presidente da P&G Brasil e do Conselho Deliberativo da United Way Brasil, “quando falamos da inclusão produtiva dos jovens, estamos falando de formação, de uma agenda digital de educação e profissional, que precisa ser reciclada, de condições de emprego e de empreendedorismo. E a gente pode atuar mais rápido se alavancar o que já está sendo feito pela empresa A ou B. O desafio é grande, a urgência é enorme, mas juntos podemos mudar essa realidade. Podemos fortalecer a potência desses jovens maravilhosos que estão aí para ajudar a construir o nosso país.”

“Nós não precisamos dar o valor, porque o jovem já tem o seu valor. Nós temos de gerar e fomentar oportunidades. E é através da oportunidade gerada pelo gestor, pelo líder que vamos inspirar nossos times. Se não diversificarmos o pensamento, nós não inovamos, não transformamos. Precisamos ter essa consciência de que juntos vamos mais longe”, reforçou Rachel Maia, Founder e Ceo @RM Consulting e Presidente do Conselho Consultivo do Unicef.

Julio Campos, Presidente da Unilever Marketplace América Latina e fundador do Movimento Jovens do Brasil, lembrou que as lideranças precisam usar suas influências para fazer a diferença. “As pessoas que estão aqui transcendem suas posições nos negócios. São brasileiros que querem transformar a realidade. Somos como plantadores de tâmara, que precisa de 80 anos para dar frutos. Talvez a gente não veja tudo realizado, mas, definitivamente, estamos atuando para que nossos filhos e netos possam ter um mundo melhor para viver.”

O papel das corporações vai muito além de contratar os jovens, segundo Pedro Massa, VP, General Manager Coca Cola Brasil e Conselheiro do Instituto Coca Cola Brasil: “Precisamos vencer barreiras de entrada, muitas oportunidades não chegam à população com menor renda e há ainda muita discriminação de grupos sociais em processos de seleção. O papel da liderança é crucial nesse sentido. Além de abrir portas, são necessárias ações de engajamento da força de trabalho atual, para que o ambiente profissional e de educação não seja hostil e possa acolher, de fato, o jovem.”

No evento, a coalização também lançou a Comunidade de Práticas, apresentada por Thiago Reis, diretor de criação no Zuma. A comunidade é um espaço aberto no Linkedin para trocas, reflexões e experiências bem-sucedidas sobre a inclusão produtiva das juventudes para que jovens, empresas, organizações e pessoas interessadas no tema possam ter acesso, também, a estudos, pesquisas e documentos inspiradores. Clique aqui, navegue e faça parte dessa comunidade, que já conta com 90 corporações participantes. 

Confira, na íntegra, o evento de lançamento do estudo e da comunidade de práticas: https://www.youtube.com/watch?v=oyEEGQ9PqVg 

O GOYN SP é uma coalizão que tem o propósito de incluir produtivamente 100 mil jovens de São Paulo até 2030 e impactar a vida dos mais de 700 mil jovens-potência da cidade. Conta com as seguintes organizações parceiras: Accenture, The Aspen Institute, Catholic Relief Services, GDI – Global Development Incubator, Prudential, United Way Brasil​, Youth Build, Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Em Movimento, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Coca-Cola Brasil, Itaú Educação e Trabalho, FIESP, Vocação.

United Way Brasil e Goyn promovem ações para a inclusão produtiva jovem

As coalizões GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), 1MiO (Um Milhão de Oportunidades), Pacto Coletivo pelos Jovens e Jovens do Brasil se uniram com o mesmo objetivo para lançar duas iniciativas em prol das juventudes.

Em 20 de julho realizam o evento conjunto “Inclusão produtiva dos jovens: o papel das empresas para transformar uma geração”, que lança o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” e uma comunidade no LinkedIn para troca de experiências entre empresas sobre o tema. As duas iniciativas protagonizadas pelas organizações parceiras pretendem oferecer insumos para que empresas possam compartilhar suas experiências e aprendizados na inclusão produtiva de jovens, estimulando novas empresas a aderirem à prática.

Acompanhe o evento a partir das 9h30
LinkedIn – https://www.linkedin.com/events/liveinclus-oprodutivajovem6820381232300404739/
Facebook – https://www.facebook.com/events/178927277549501/
YouTube – https://youtu.be/oyEEGQ9PqVg

Lançamento do estudo

Com o objetivo de sensibilizar e apoiar as empresas na inclusão produtiva de jovens, o estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” sistematiza e apresenta os principais aprendizados e recomendações para empresas que queiram investir nos jovens. A iniciativa acontece em um momento onde 27,1% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão desempregados, de acordo com dados divulgados pelo Atlas das Juventudes e Instituto Veredas.

Essa é a maior geração de jovens da história brasileira e a tendência é que nos próximos 40 anos ela se reduza à metade, portanto, promover oportunidades de educação de qualidade, formação profissional, inclusão digital e acesso ao mundo do trabalho é urgente para essa geração e não é um ato altruísta, é um investimento de médio e longo prazo no desenvolvimento do país. O Atlas das Juventudes também confirma que a inclusão dos jovens na educação ou no mercado de trabalho pode evitar prejuízos de até 1,5% do PIB dos países.

A organização do estudo é da Accenture e do GOYN SP (Global Opportunity Youth Network São Paulo), programa global articulado pela United Way Brasil com foco na geração de oportunidades de trabalhos decentes para as juventudes, e que tem em sua rede mais de 80 organizações. O programa GOYN teve início em São Paulo em 2020 e tem o objetivo de melhorar o patamar de renda de 100 mil jovens até 2030.

O estudo “Boas práticas na inclusão de jovens” se apresenta como um guia prático no desenho da Jornada da Inclusão Produtiva em uma empresa, por meio de 4 fases: formação (capacitação do jovem), planejamento (definição de estratégia e fomento), recrutamento (ações de recrutamento) e trabalho (vivência profissional). Cada momento é dividido em 3 etapas descritas em: o que pode ser feito, quem pode ajudar, recomendações e pontos de atenção.

“Esse documento é apenas o começo. Uma empresa que deseja empregar jovens deve, como primeiro passo, entender esse ecossistema e formar parcerias que fortaleçam sua iniciativa. Talvez o maior aprendizado deste estudo esteja em pensar a inclusão produtiva não como uma atividade isolada do empregador e sim como uma ação conjunta que se fortalece com as atividades existentes do terceiro setor e poder público e a partir disso gera as oportunidades de trabalho”, diz Gabriella Bighetti, diretora executiva da United Way Brasil, entidade articuladora do GOYN SP.

Cases de sucesso podem ser replicados em empresas

O documento apresenta também 5 práticas de destaques de programas realizados nas empresas Itaú, Coca-Cola Brasil, Funcional Health Tech, PwC e Magazine Luiza. As práticas selecionadas são exemplos de como executar algumas das recomendações presentes na Jornada.

O Banco Itaú vai além das cotas obrigatórias e promove inclusão de jovens através de programas de jovens aprendizes, estágio, trainee e vagas de perfil júnior. O programa de jovens aprendizes tem registro desde 2012 e alcançou a marca de 17 mil jovens impactados, com um média de 1.500 jovens ao ano. O número de aprendizes efetivados é de 4.490 jovens encarreirados. O programa de estágio começou em 2000 e já impactou 45.618 jovens, dos quais foram efetivados 24.824. Nos últimos 3 anos a média de estagiário por ano é de 4.738 jovens. A taxa de efetivação é de 40% para o programa de jovem aprendiz e 65% para o programa de estágio.

A PwC faz inclusão de jovens por meio do programa de jovens aprendizes desde 2006. Em 2016 o programa passou por uma reestruturação que teve como objetivo final o impacto social e inclusão de jovens em contexto de vulnerabilidade, totalizando 570 jovens no período de 2016 a 2021. Em 2020, 81% dos aprendizes foram efetivados.

A Coca-Cola Brasil possui um programa de jovens aprendizes e estágios, criados em 2016, com 60 jovens impactados em 2021. Todos estes jovens provêm do programa Coletivo Jovem, iniciativa de empregabilidade do Instituto Coca-Cola Brasil que oferece formação, apoia na candidatura às vagas e, durante o recrutamento, oferece a infraestrutura para quem precisa.

Para a empresa de tecnologia Funcional Health Tech, investir na parceria com instituições de ensino do terceiro setor foi a oportunidade de reforçar os valores e a cultura organizacional e, consequentemente, contratar profissionais que estão ingressando no mercado de trabalho. Este é o primeiro ano do programa, que conta com a contratação de 10 jovens para os cargos de entrada e previsão de mais 7 vagas até o final de 2021.

O Magazine Luiza conta com uma cultura empresarial inclusiva que estimula os estudos com bolsa auxílio e um programa de aprendizagem com taxa de efetivação de 72% nas áreas corporativas. A empresa faz inclusão de jovens através do programa de jovens aprendizes, estágio e trainee. O programa de Jovem Aprendiz atualmente conta com aproximadamente 1670 jovens. No último ano, 450 jovens que tiveram seus contratos encerrados no período foram efetivados e mais 370 foram admitidos no programa.

Outro programa do Magalu com foco em jovens talentos é o Programa Trainee, que gera oportunidade para jovens recém formados em universidades ou às vésperas da formatura. Em 2021, o programa teve 100% de suas vagas dedicadas a contratação de jovens negros. Ao término do programa todos têm oportunidade de assumirem posições em áreas estratégicas da companhia com cargo inicial de Analista Sênior e com forte projeção de carreira para posições de liderança.
União de movimentos pela inclusão

“Os jovens, hoje, mais do que nunca, são o ponto focal da nossa atuação. É buscando criar oportunidades e reduzir barreiras de acesso ao mercado de trabalho que criamos o movimento Pacto Coletivo Pelos Jovens, com o objetivo de convocar empresas e organizações para atuar em conjunto com foco na expansão de vagas de emprego para jovens, em oferecer mais oportunidades de desenvolvimento profissional e em estabelecer processos seletivos mais inclusivos”, conta Daniela Redondo, diretora executiva do Instituto Coca-Cola Brasil. “A trajetória rumo à inclusão produtiva de jovens-potências deve ser um esforço coletivo e intencional, em que todos nós precisamos refletir e estar atentos a vieses e estereótipos a fim de facilitar a criação de espaços para essas pessoas possam prosperar e que ciclos de pobreza sejam interrompidos”.

Além do estudo, será lançado no mesmo dia a Comunidade de Práticas, um espaço na rede social LinkedIn aberto para todas as empresas e profissionais interessados em trocar experiências, boas práticas e desafios sobre a inclusão produtiva jovem. “As empresas estão em níveis diferentes de maturidade na inclusão dos jovens e a troca entre elas é fundamental para potencializar essa agenda, visando não apenas a importância de ampliar o número de vagas para as juventudes, sobretudo os mais afetados pela falta de oportunidades, mas o olhar para a retirada de vieses nos processos seletivos, para o acolhimento, mentoria e desenvolvimento de carreira e o apoio nos casos de violências e violação de direitos”, destaca Gustavo Heidrich, oficial do UNICEF no Brasil para iniciativa Um Milhão de Oportunidades.

A Comunidade já nasce com a força de mais de 90 empresas que fazem parte da rede das iniciativas GOYN, 1MiO, Pacto Coletivos pelos Jovens e Jovens do Brasil e contará com fóruns, conteúdos formativos, apresentação de cases, artigos e histórias de vida.

“A chave para mudar a realidade das juventudes brasileiras e destravar o potencial dessa geração é a oportunidade. E isso não se resume a criação de vagas, vai muito além. Começa na criação de um programa que seja genuinamente inclusivo desde a seleção até a capacitação e progressão de carreira. Precisa ter uma preocupação real em valorizar o que novo esses jovens podem trazer para as organizações e não em enquadrá-los no perfil padrão das atuais referências pouco diversas que povoam grande parte das empresas. Esse é o favor que vemos na troca e evolução contínua de uma comunidade de boas práticas”, finaliza Fernanda Liveri, Coordenadora Geral do Movimento Jovens do Brasil.

Programa Competências para a Vida promove letramento racial para jovens e mentores

Iniciativa da United Way Brasil, em parceria com empresas associadas e parceiras, o programa tem como objetivo promover o desenvolvimento de jovens negros e negras em situação de vulnerabilidade para que construam seus projetos de vida e possam ocupar espaços na sociedade e no mundo do trabalho.

O racismo estrutural é um desafio que precisa ser enfrentado para que possamos avançar como sociedade e combater as desigualdades. No mundo do trabalho, o problema tem se tornado pauta das políticas das corporações, para incluir negros e negras nas equipes, mas ainda é preciso fazer muito mais.

Diante do boom demográfico, em que os jovens ainda são maioria – e a pirâmide etária começa a se inverter, com progressivo envelhecimento da população brasileira –, outro desafio se une ao primeiro e vencê-los é prioridade se quisermos construir uma nova história, que passa pela inclusão da juventude negra no ecossistema produtivo.

No entanto, um cenário, que já era crítico, foi agravado a partir de 2020, com a pandemia gerada pela Covi-19, afetando a oferta de trabalho. Os índices de desemprego entre os grupos de 14 a 17 anos e de 18 a 24 anos, de 42,8% e 29,7%, respectivamente, foram os maiores dentre as demais faixas da população (IBGE, 2020). No contexto geral, a taxa de desemprego entre os brancos ficou em 9,8%, bem abaixo das pessoas pardas (14%) e pretas (15,2%). Os motivos que levam a esse desnível, além da crise, são a baixa escolaridade, a falta de conectividade e o preconceito, obstáculos enfrentados pelas camadas mais pobres que, por sua vez, são formadas por uma maioria negra.

Portanto, para que jovens negros e negras possam ocupar seus espaços, são necessárias políticas públicas que garantam educação e trabalho de qualidade. Também é essencial que o setor privado assuma o seu compromisso com essa causa e, por meio de seus Recurso Humanos (RHs) e comitês de diversidade, promova a entrada e permanência das juventudes negras em suas corporações. O papel do programa Competências para a Vida é justamente apoiar essa inclusão, preparando, de um lado, os jovens para as demandas das empresas aliadas aos seus sonhos e propósitos. Do outro, estimulando os colaboradores das companhias para que sejam mentores voluntários desses novos talentos, apoiando-os na sua caminhada pessoal e profissional, um passo importante na busca pela diversidade nas corporações. 

Letramento racial, a formação necessária

Com os crescentes movimentos sociais para combater o racismo estrutural, a United Way Brasil assumiu o compromisso de realizar ações intencionais com o objetivo de debater, enfrentar e desenhar soluções para a inclusão de jovens negros e negras no mercado de trabalho. O Competências para a Vida é uma delas. Por isso, em 2021, tem realizado parcerias com organizações, consultores e especialistas que são referência no tema. Uma delas é a jornalista e consultora em gênero e raça, Kelly Quirino, que atualmente é professora da disciplina Comunicação e Diversidade e Epistemologias Negras, na Universidade de Brasília, que está apoiando nas formações dos atores envolvidos no Competências para a Vida.

O programa conta com uma coordenação, um grupo de facilitadores e os mentores que se encontram virtualmente com os jovens durante o período de capacitação. “Começamos pelos colaboradores das empresas, que se voluntariaram para serem mentores dos jovens, e os formadores do programa. Falamos sobre uma questão que, às vezes, é confusa para os brancos. Muitos não querem opinar sobre racismo porque acham que esse lugar de fala não lhes pertence. Mas não é assim. Todos e todas precisam debater o tema. Ficar em silêncio, porque é branco, mantém a estrutura do jeito que está, ou seja, excludente. É importante falar e, também, ouvir, considerar e privilegiar a voz dos negros e negras nesse diálogo, porque eles sentem na pele o preconceito”, explica Kelly. Ela gostou da conversa que teve com os mentores porque pode conhecer as diferentes ações das corporações onde trabalham, relacionadas ao enfrentamento do racismo estrutural. “O que percebemos é a importância de oferecer aos funcionários oportunidades de letramento sobre racismo para que entendam o que é, já que muitas coisas estão enraizadas e naturalizadas”, reforçou.

Mulher com vestido colorido

Descrição gerada automaticamenteKelly Quirino é doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Comunicação Midiática e Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Fez doutorado-sanduíche na Tulane University (EUA) como pesquisadora visitante financiada pela Capes. Na área de Educação, atuou como tutora do Curso de Especialização em Políticas Públicas de Gênero e Raça na Faculdade de Educação da UnB.

O Competências para a Vida, com o apoio da consultora, criou um acervo virtual com indicações de leitura e de filmes sobre a temática para orientar mentores e formadores no entendimento de como o preconceito afeta a vida pessoal e produtiva das juventudes negras. “Na conversa com os mentores, ressaltei que eles têm total condição de dar aos jovens negros e negras exemplos pessoais de como vencer obstáculos, no entanto, é importante que ampliem seus olhares, considerando realidades como pobreza, racismo e violência”, ressaltou Kelly. Ela lembra que essa juventude já passou por muita coisa e se chegou até o Competências para a Vida é porque venceu inúmeras dificuldades. Por isso, é essencial mostrar a esse jovem que seu sonho é possível e que ele possui meios para conquistar seus objetivos. “Não existe meritocracia para essas juventudes. A lógica aqui é outra”, defendeu Kelly. Para ela também cabe aos mentores ajudarem os jovens a acessar informações e oportunidades, afinal, a grande maioria vive em condições de vulnerabilidade. A conectividade e o uso qualificado da tecnologia são realidades distantes. 

A consciência de ser negro e negra nesse contexto 

A formação com a temática começou este ano, no segundo semestre, para um grupo de 320 jovens. “Temos trabalhado o que é o racismo, porque, muitos deles, não têm essa consciência. Então, partimos das suas experiências e aí as situações vão aparecendo. O objetivo é instrumentalizá-los para que possam entender e enfrentar o preconceito que sofrem”, explicou Kelly. “Daí vale usar a charge, o texto, um podcast ou um filme para a partir do exemplo, ajudar o jovem a entender o conceito e a teoria”, complementa. 

Parte da capacitação realizada com mentores.

Vários estudos indicam o impacto negativo do preconceito racial na identidade e na autoestima dos jovens. O Competências para a Vida tem a proposta de fortalecer esses dois aspectos, apoiando os participantes do programa no desenvolvimento de competências socioemocionais e no acesso a ferramentas que os ajudem a ocupar espaços dos quais, historicamente, os negros foram sempre excluídos. “Os jovens do programa precisam entender que a questão do racismo é coletiva e que precisa ser enfrentada como tal. Que construir uma carreira, conquistar um bom emprego é um direito”, reforçou a consultora.

Com a proposta de trazer o racismo estrutural como tema de formação dos colaboradores e dos jovens, o programa Competências para a Vida pretende intervir positivamente na vida desses atores e, também, fomentar a diversidade nas empresas, a partir de um processo colaborativo que une diferentes pontas para promover a inclusão produtiva das juventudes. Por isso, se sua empresa ainda não vestiu a camisa da diversidade e do combate ao preconceito racial, a hora é agora! Começar pelos jovens é uma maneira de plantar mudanças estruturais no presente e futuro de nossa sociedade. 

Clique no link e saiba mais sobre o programa Competências para a Vida: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/ 

GOYN SP debate inclusão produtiva no Festival Atlas das Juventudes

O Atlas das Juventudes sistematiza e dissemina diferentes dados para pautar ações e políticas públicas que otimizem e promovam o potencial dos jovens na construção de um futuro mais inclusivo e próspero para a sociedade. O GOYN SP é parceiro da iniciativa, contribuiu com dados sobre juventudes na cidade de São Paulo e marcou presença no festival de lançamento.

De 9 a 12 de junho aconteceu o Festival Atlas das Juventudes, uma realização das organizações Em Movimento e Pacto das Juventudes pelos ODS, com o apoio do GOYN SP, movimento articulado pela United Way Brasil em São Paulo, e diferentes organizações sociais voltadas à causa.

O evento contou com debates, oficinas e atrações culturais e artísticas protagonizados por jovens de gêneros, raças e territórios distintos, ressaltando a diversidade das juventudes brasileiras.

A iniciativa marcou o lançamento do Atlas, disponibilizado para todos e todas que trabalham questões relacionadas às juventudes no Brasil.

No dia 11, o Núcleo Jovem do GOYN SP coordenou a oficina “Trabalho e habilidades socioemocionais” para apresentar aos participantes uma ferramenta de apoio aos jovens nos processos de recrutamento profissional.

Na introdução da oficina, Jonathan Carvalho, Carla Francischette e Gabriel Gonçalves, do Núcleo Jovem, apontaram as principais dificuldades enfrentadas pelos mais de 700 jovens-potência das periferias de São Paulo, na busca por postos dignos de trabalho. Os desafios estão relacionados a questões ligadas ao racismo estrutural, à evasão escolar, à crise laboral e à lacuna digital (saiba mais, acessando o painel “Desafios e oportunidades para a inclusão produtiva dos jovens-potência da cidade de São Paulo”).

Também destacaram como um grande obstáculo os processos de recrutamento das corporações: “Dentre as 500 maiores empresas do Brasil, apenas 35% diversificam a forma de contratação”, ressaltou Gabriel.

Para ele, e demais participantes da oficina, os tradicionais métodos usados pelas áreas de Recursos Humanos (RHs) não contemplam a realidade dos jovens periféricos, suas habilidades e seus potenciais. “Os currículos não dizem quem somos e acabamos em desvantagem quando comparados com jovens que fizeram faculdade X, curso Y, intercâmbio…”. Pâmela Regina, recém-chegada ao GOYN SP, concorda: “Os currículos tradicionais muitas vezes nos colocam como se não fôssemos capazes de nada!”

Na segunda parte da oficina, os jovens apresentaram o Card Jovem, elaborado pelo Núcleo Jovem, com base em um ou mais indicadores, disponíveis on-line, como o MBTI, um teste baseado nas competências socioemocionais do indivíduo. A partir de um questionário, o programa define com qual perfil a pessoa se identifica. “É um método que não leva em consideração as competências técnicas, mas, sim, quem você é de verdade”, reforça Gabriel.

A ideia é que os jovens utilizem os cards para se apresentarem às empresas, evidenciando seus valores, propósitos, motivações e vivências.  Os participantes da oficina tiveram acesso ao link para montá-los e aprovaram a ideia como uma nova maneira de as empresas ampliarem o foco sobre as contribuições das juventudes para o desenvolvimento de suas equipes.

Inclusão produtiva em debate

Na noite do dia 11, o Global Opportunity Youth Network de São Paulo (GOYN SP) participou da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes”, ao lado de representantes da Fundação Arymax, do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds) e do Corporativos para Pretos, mediados pela jovem Yasmim Vieira.

A conversa trouxe importantes reflexões sobre o que significa promover a inclusão produtiva das juventudes, especialmente no atual contexto da realidade brasileira, fortemente marcada pelos impactos da pandemia.

Matheus Magalhães (Fundação Arymax), definiu a inclusão produtiva como “a inserção da população pobre ou em situação de vulnerabilidade para a geração de trabalho e renda de maneira mais estável e relativamente duradoura, a fim de superar as situações crônicas de exclusão social de determinada época”. Ou seja, a inclusão produtiva responde a um contexto social e vai se modificando a partir da realidade.

No entanto, para que os jovens sejam inseridos no ecossistema produtivo outros fatores merecem atenção, porque são determinantes para que a inclusão aconteça com qualidade. “Não adianta falar: ‘empresa, crie vagas e empregue os jovens que estão fora do mercado’. A gente precisa pensar em políticas públicas de outras áreas como educação, mobilidade, garantia de acesso ao primeiro emprego, apoio aos jovens que querem empreender e maneiras de ajudá-los a desenvolver suas competências e habilidades. A questão é como a gente aproxima poder público, setor privado, organizações da sociedade civil e, principalmente, as juventudes para buscar soluções a essas situações”, pondera Rafael Biazão (do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável – Cieds).

A educação é, com certeza, uma questão crítica que precisa ser resolvida no contexto da inclusão produtiva. Para Wel Alves (GOYN SP), os dados traduzem o problema: “Cada jovem evadido da escola, no Brasil, custa 372 mil de reais por ano à sociedade. Só em São Paulo, onde o GOYN atua, temos mais de 700 mil jovens em situação vulnerável. Se incluirmos produtivamente essa população, podemos somar até 0,3% do PIB da cidade. Temos de pensar qual é de fato o desperdício financeiro se não trabalharmos políticas intersetoriais e sistêmicas.”

Nathália Arruda (Corporativo para Pretos) ressalta a importância das empresas nesse contexto: “Jovens estão sendo excluídos por conta de requisitos e vagas irreais. A gente está excluindo pensares plurais, de realidades diferentes. É importante que o setor privado entenda que não é apenas uma questão de políticas públicas, mas de analisar como está excluindo os jovens e o que pode fazer, junto aos agentes locais, com soluções. Pensar que os jovens não vêm de um mesmo lugar, por isso, não podem ser avaliados da mesma forma.”

O olhar focado nas periferias foi outro ponto importante, levantado pelo Wel (GOYN SP): “A maior parte das juventudes é formada por negros, negras e mulheres, que vivem nas bordas das cidades e dos centros urbanos. Então, já que a gente sabe que inclusão produtiva não ocorre somente por meio do emprego, e estamos num país que vive em crise, a questão é como potencializar iniciativas empreendedoras da periferia para a periferia. Tem todo um ecossistema de sustentação da periferia que precisa ser estimulado. Políticas que vão nesse sentido são super importantes, inclusive ações de investimento na infraestrutura e na conectividade. Além disso, também é importante impulsionar o acesso digital e utilizar dados para pensar em como pautar soluções que sejam mais sistêmicas e mais certeiras na inclusão dos jovens desses territórios.”

Confira o debate da mesa “Inclusão Produtiva das Juventudes” na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=Rqc-sBL9ze8

Um ciclo se fecha e muitas portas se abrem

As primeiras turmas de 2021 do programa Competências para a Vida encerraram o ciclo do programa com evento on-line para os jovens participantes traçarem os próximos passos rumo ao futuro. Criar uma rede de apoio é um deles.

Entre reuniões formativas e mentorias com os colaboradores voluntários das empresas parceiras do programa, foram 12 encontros no total, todos virtuais. Os 60 jovens, de São Paulo (Francisco Morato) e Pernambuco (Jaboatão dos Guararapes), trilharam uma jornada de autoconhecimento e desenvolvimento de competências socioemocionais para elaborar um projeto de vida em sintonia com seus sonhos, preparando-os para um futuro promissor a partir de ações e decisões intencionais que favoreçam o seu sucesso como cidadãos e profissionais. 

Os desafios que já enfrentam, e que se ampliaram no contexto da pandemia, não são mais obstáculos para perseguir seus propósitos. Os jovens sabem que não estão sozinhos e essa certeza os fortalece. O entusiasmo e a determinação parecem ser as características comuns que carregam consigo na bagagem que construíram durante o programa. 

Na reunião que encerrou o ciclo do Competências para a Vida, o clima de mútua ajuda e cooperação esteve presente nas falas e dinâmicas que realizaram durante o encontro, norteado por três temas-chave: os hábitos do dia a dia como aliados para conquistar objetivos; a rede de apoio que criaram durante essa jornada e que continuará depois dela; e a celebração do processo de aprendizagem que empreenderam juntos e que abrirá portas para novas oportunidades.

Os mini-hábitos e a rede de apoio para alcançar objetivos

O programa Competências para a Vida oferece aos jovens uma formação pautada na prática cotidiana, que faça sentido às suas realidades. Um dos temas desse processo é a questão dos hábitos e de como usá-los para vencer barreiras e alcançar objetivos. Nada de traçar metas que não serão cumpridas, gerando frustração. O lema é começar com um pouco e avançar a cada dia. “Utilizei os mini-hábitos para construir o hábito da leitura. A maior dificuldade é começar, mas depois que você dá o primeiro passo, é fácil continuar”, revela Gabriel Pereira Mendonça, de Jaboatão dos Guararapes (PE).

Depois que os bons hábitos estão incorporados à rotina, é importante mantê-los e, para isso, nada melhor do que uma rede de apoio. Com o objetivo de mostrar a potência dessa rede, no evento de encerramento os jovens foram convidados a compartilhar o que estão dispostos a oferecer como colaboração para fortalecer as relações que estabeleceram nos três meses de programa. Não faltaram habilidades: “posso dar aulas de inglês”; “eu dou aulas de música”, “ensino a fazer atividades físicas”, “eu sou muito motivada e possa ajudar quem está desanimado”, “eu gosto de ouvir, então, podem contar comigo”, “posso ajudar a manter a saúde boa”, “ajudo na preparação para o Enem”, “vamos praticar empatia”… Com base nessa corrente de boas práticas coletivas, os jovens vão concretizar a rede em uma página no Linkedin para, também, ter contato com o mundo do trabalho, transitando em espaços profissionais que sejam portas de oportunidades para suas vidas.

Diagrama

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

Celebração dos melhores momentos

Na última parte do encontro virtual, os jovens contaram sobre o que mais gostaram das vivências que tiveram do programa.

“As mentorias são excelentes e mostraram que todos agora estão bem resolvidos. As nossas conversas eram incríveis e parecia que já nos conhecíamos muito bem”, comentou Matheus Henrique, jovem de Jaboatão dos Guararapes.

Acqueline Barbosa, da mesma cidade, declarou: “O plano de ação foi o que mais me tocou. Eu já tinha algumas metas, mas não sabia qual delas era a principal. Quando a defini, as outras ficaram mais claras e possíveis”.

Muitos jovens se disseram impressionados com o DISC, teste que avalia o comportamento das pessoas, criado pelo psicólogo William Moulton Marston, tema de alguns encontros formativos. “O DISC me ‘assustou’ (risos)! Cada coisa que eu via ali, me ‘assustava’. Porque tudo era eu mesmo. Eu sou assim. Vi pontos que posso melhorar e as mentorias ajudaram nisso”, conta Matheus Henrique.

Para Sabrina Custódio, de Francisco Morato, “tudo que a gente vivenciou a gente aplicou em cada momento, aprendendo a nos conhecer para passar por novas experiências”. Emilly, de Jaboatão do Guararapes, passou por um recente processo seletivo e foi aprovada: “Na seleção, lembrava o tempo todo das mentorias. Parecia que eu ouvia os mentores falando no meu ouvido. O programa vale muito a pena. Tem de continuar, porque é um programa que acredita nos jovens”.

Uma pesquisa feita com os facilitadores do Competências para a Vida confirmou os depoimentos dos jovens e suas descobertas. Segundo os respondentes, os participantes estavam 100% engajados na proposta. Para os mentores, o envolvimento dos jovens foi bom e excelente, assim como sua motivação ao final do processo.

O programa Competências para a Vida é uma realização da United Way Brasil e das empresas associadas e parceiras. Saiba mais: https://unitedwaybrasil.org.br/o-que-fazemos/nossos-programas/competencias-para-a-vida/