O futuro do país passa pelos jovens inseridos no mercado de trabalho

O desemprego é um dos muitos desafios que a sociedade brasileira tem enfrentado nos últimos anos, agravado pela crise sem precedentes, gerada pela Covid-19. Entre os grupos mais afetados estão os jovens. No Brasil, eles são 33 milhões (15 a 24 anos), ou seja, mais de 17% da população. Mesmo antes da crise sanitária, 23% deles estavam sem trabalho e sem estudo, sendo a maioria das periferias (Pnad, IBGE, 2020).

A falta de experiência e de educação de qualidade, a desvalorização das empresas sobre o potencial jovem, o despreparo técnico, as dificuldades de ir e vir (das regiões periféricas para os grandes centros), a escassez de recursos e de acesso à tecnologia, a autoestima em baixa e a desesperança em alta são alguns dos fatores que dificultam a entrada no mercado de trabalho e a continuidade da trajetória acadêmica das juventudes mais vulneráveis. 

Por outro lado, nunca tivemos uma população tão jovem como a atual. Um momento único de nossa história que, em 20 anos, terá se perdido, com a inversão da pirâmide etária. Em 2040, o Brasil terá envelhecido e os jovens de hoje, sem carreiras profissionais consolidadas, tenderão a engrossar os índices de pobreza e informalidade.

Solução: parcerias, parcerias e parcerias

Os governos têm o dever de focar em políticas públicas que facilitem e promovam o acesso dos jovens aos postos dignos de emprego. Isso é fato. No entanto, também cabe à sociedade dar a sua parcela de contribuição para que o atual bônus etário de nossa população seja revertido em desenvolvimento humano para o país no médio e longo prazo.

A maneira mais eficaz de promover a inclusão produtiva dos jovens é por meio de parcerias entre os diferentes setores sociais, especialmente entre empresas e organizações que se dedicam à causa.

Todos ganham: os jovens se veem valorizados, inseridos no ecossistema produtivo e motivados para avançar no futuro e dar a sua contribuição ao desenvolvimento local. A empresa consegue vislumbrar e formar novos talentos, alocando-os em diferentes postos para construir equipes eficientes, inovadoras, criativas e compromissadas com bons resultados, além de fortalecer suas marcas com a adesão a uma causa relevante. Por fim, as organizações sociais cumprem o seu papel ao colocar a sua expertise a serviço de um bem-comum com forte influência na sustentabilidade social e econômica da nação.

Com essa perspectiva, a United Way Brasil, por meio do Programa Competências para a Vida, articula parcerias com empresas de diversos segmentos para atuar junto aos jovens na construção de seus projetos de vida, com base na formação para valores, desenvolvimento das competências socioemocionais e conhecimento das diferentes tecnologias. O objetivo é garantir postos de trabalho dignos, especialmente aos grupos mais excluídos – jovens negros e negras. 

Resultados imediatos e permanentes

As estratégias aplicadas com os jovens envolvem conversas formativas, apoio de especialistas e mentorias realizadas voluntariamente por colaboradores das empresas parceiras, tudo a distância.

Os encontros seguem temas pré-definidos, que dialogam com as expectativas e necessidades dos jovens e discutem os desafios que irão enfrentar, como as entrevistas de recrutamento e os caminhos que precisam perseguir para concretizar objetivos. Também focam no autoconhecimento e na construção de uma sólida autoestima, além de trabalhar as habilidades relacionadas ao domínio das tecnologias.

“Participei da primeira turma de jovens do programa no Nordeste, em 2020. A mentoria ajudou muito. Pouco antes do último encontro do programa, fui chamada para uma entrevista de emprego. Fui escolhida na área que eu queria. A mentoria trouxe a segurança de volta. Eu precisava confiar mais em mim para fazer uma boa entrevista. Eu precisava acreditar de novo diante do contexto da pandemia, que trouxe tantas dúvidas e incertezas pra gente”, revela Lais Grazielle, de Pernambuco.

Samira Cristina, jovem de 19 anos, do bairro Francisco Morato, em São Paulo, ingressou no Competências para a Vida em março de 2021: “A formação do programa coloca a gente em contato com outras pessoas. Podemos nos conhecer melhor e aprender mais com diferentes perfis. As conversas têm me ajudado a entender meus pontos fortes e meus limites para que, em uma entrevista de emprego, eu fale sobre quem sou com mais propriedade”. Samira está empregada como jovem aprendiz, na área de vendas, mas tem planos de fazer faculdade de Pedagogia. Na conversa com a mentora, ela entendeu que precisa estar atenta às oportunidades que surgem e quais podem, de fato, colaborar para a realização desse sonho. Pessoa posando para foto sorrindo

Descrição gerada automaticamente

Fabio Solar, 20 anos, de Pernambuco, também ingressou no programa em 2021. “Toda vez que eu entro na sala virtual, eu não sei o que esperar, não sei o que levarei dali. Quando a aula termina, paro e penso: ‘Poxa! É isto que tenho agora, é isto que eu agreguei para a minha vida’, porque sempre traz algo novo e importante. Não imaginava que podia aprender tanto sobre mim mesmo, sobre minha personalidade. Quanto mais sei quem eu sou, mais vou moldando o meu projeto de vida. O aprendizado é tão natural e espontâneo que a gente absorve as coisas, contribui com a aula e troca experiências com os profissionais mentores. Amigos meus já passaram pelo programa e hoje estão empregados”, conta.Menino pousando para foto

Descrição gerada automaticamente

Atualmente, o Competências para a Vida está apoiando o desenvolvimento integral de 60 jovens das cidades Francisco Morato (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE), em parceria com as empresas Eli Lilly, PwC e Morgan Stanley.

Para o segundo semestre, a iniciativa quer beneficiar mais 300 jovens e abrir caminhos à empregabilidade dessa geração de talentos únicos. Sua empresa pode ajudar nessa missão. É só entrar em contato conosco e fazer a diferença!

Live sobre volta às aulas traz dicas e orientações para pais e responsáveis

No dia 26 de março, a United Way Brasil deu início à série de lives de 2021 do programa Crescer Aprendendo, trazendo à discussão o tema retorno à escola, quando as restrições da pandemia forem abrandadas. Confira.

O tema é polêmico e divide opiniões. No debate organizado pela United Way Brasil, em parceria com a FEMSA e apoio do Instituto Alana, o pediatra Daniel Becker, a educadora Raquel Franzim e a gestora de escola e pedagoga Joice Araújo debateram o tema junto a uma plateia formada por famílias do programa Crescer Aprendendo, parceiros e interessados na temática.

Fundador do movimento Lugar de Criança é na Escola, doutor Daniel alertou que a maioria dos países elaborou um plano para a retomada das aulas, com base no que a ciência trazia sobre o pouco contágio entre crianças: “Quando chegou em outubro, novembro, eu me dei conta de que muitas escolas particulares estavam abertas, com as crianças já frequentando, todas felizes, as famílias aliviadíssimas porque podiam trabalhar. As crianças efetivamente melhoravam de todos os sintomas psíquicos que estavam apresentando, porque esse é um lugar muito importante para elas. Mas, ninguém estava falando da escola pública. Me dei conta de que 40 milhões de crianças estavam fora da escola e ninguém falava sobre isso”. E complementou: “Ao longo do ano foram feitos inúmeros estudos e a ciência demonstra que a criança transmite pouco e os surtos domiciliares e escolares quase nunca são iniciados pela criança – menos de 8%. Estar com crianças é fator de proteção e não algo mais arriscado. Escola aberta não aumenta transmissão, escola fechada também não diminui a transmissão, então a pandemia não vai piorar se a gente abrir as escolas e não vai melhorar se a gente as fechar. Esse é o mote fundamental que a gente está propondo agora: a escola é a primeira a reabrir e a última a fechar.”

Raquel Franzim, coordenadora da educação do Instituto Alana, concordou com o alerta de Daniel e pontuou a negligência dessa não priorização, prevista na constituição brasileira: “No Instituto Alana a gente faz uma defesa muito explícita do artigo 227 da Constituição Federal que coloca crianças e adolescentes como prioridade absoluta do planejamento, do orçamento de todas as ações do Estado, da sociedade e da família. Isso, como o Dr. Daniel mesmo disse, infelizmente não partiu de uma coordenação nacional política como se deu em outros países. O trabalho dos estados e dos municípios ficou sobrecarregado, muitas vezes sem as condições necessárias, cada um indo para um canto para cumprir com uma crise multidimensional. A crise na educação não é só de origem e de atenção sanitária, ela também é de proteção social, de desenvolvimento integral das crianças, de pobreza de aprendizagem e que a gente precisa falar sobre isso. Muito tempo com escolas fechadas deixam crianças que já vinham enfrentando desigualdades educativas muito severas com ainda maior risco de evasão, abandono escolar e pobreza”, alertou.

O retorno na prática

No dia a dia da sala de aula, Joice Araújo, gestora de escola de educação infantil, contou como foi a experiência da reabertura, em fevereiro de 2021: “A gente começou um pouco com receio, com medo, mas a gente foi amparado pelo protocolo. A gente entende que a educação infantil é o contato, é o experimentar e, apesar do protocolo, ficamos preocupados com isso. Como seria esse desenvolver da criança no contato, no interagir com o colega, se neste momento não ia poder acontecer isso? Se cada criança tinha de ficar no seu quadradinho, não poderia ter contato com o brinquedo do colega, não ia poder dividir, as áreas do brincar e do desenvolver seriam restritas? Então, para nós, o primeiro ponto preocupante na educação, além de toda essa questão pandêmica era isso: a gente vai receber as crianças, mas de que maneira isso afetará o cognitivo delas, de que maneira vamos conseguir atender a necessidade desse desenvolvimento amplo de que elas precisam?”

O importante para os debatedores é que as famílias tenham consciência de todo o contexto e tomem decisões mais embasadas. Por isso, Joice recomenda que, na hora da retomada, os pais e responsáveis conheçam as condições da escola: “Vá na escola do seu filho e identifique se têm profissionais para garantir toda essa segurança diante dos protocolos, verifica se têm profissionais experientes, bem direcionados e treinados para que atendam esses protocolos. Numa breve olhada, o pai, a mãe, a avó, o cuidador conseguem identificar, não precisa de muito”.

Raquel concorda e faz um alerta: “Se vocês, pai e mãe, vivem em uma comunidade escolar onde participam das decisões, onde recebem não só informes, mas a escola vem conversando com vocês ao longo desse período todo, talvez isso os deixe mais seguros por saber qual é a realidade da escola dos seus filhos. Agora, o que não dá é: ‘eu não participo da realidade do meu filho e eu exijo’. Lembrando que educação é uma atividade essencial, mas ela é um direito social partilhado entre estado, família e sociedade, então a nossa cobrança por condições precisa vir acompanhada por uma intensa participação social: a minha comunidade está participando dos protocolos de segurança? Todo mundo está usando máscara, todo mundo está tendo acesso a água?”

Sobre questões práticas, do cotidiano da escola, que precisam ser observadas quando a rotina retornar, Daniel Becker aponta a importância da ventilação das salas de aulas (“janelas sempre abertas!”), uso das áreas externas (“o ser humano precisa de ar livre, do convívio com a natureza, céu aberto”) e salas com turmas menores (“dividir as crianças em pequenos grupos e esses grupos serem fixos para diminuir o risco da transmissão”).

Para saber mais e ter acesso a outras orientações e dicas, assista à live na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=ai5WR8PAFZ4&t=8s 

Edital do GOYN vai apoiar ações e projetos de jovens para jovens das periferias de SP

Com o objetivo de alavancar iniciativas que promovam a inclusão produtiva das juventudes periféricas, o Global Opportunity Youth Network (GOYN) lançou edital para disponibilizar um micro fundo a projetos de coletivos e de jovens inovadores.  As inscrições terminam no dia 28 de março de 2021.

Você é jovem, tem entre 18 e 30 anos, mora na periferia de São Paulo, criou um projeto social ou faz parte de um coletivo que atua pelas juventudes?

Então temos uma ótima notícia! O Global Opportunity Youth Network (GOYN), movimento internacional com foco na inclusão produtiva das juventudes, acaba de lançar um edital de apoio a ações que promovam trabalho e renda para jovens. O GOYN SP te convida  a fazer parte dessa iniciativa. 

Confira as respostas para perguntas que, provavelmente, você está se fazendo agora.

O que o edital oferece? 

Jovens e coletivos selecionados, das periferias da cidade, irão receber apoio de formação, mentoria e um valor (micro fundo) para desenvolver ou ampliar projetos nos seus territórios.

Mas que tipo de projetos serão aceitos?

Vamos focar em projetos inovadores, feitos por jovens e para jovens e que abordem pelo menos um dos seguintes temas: 

  • Território – soluções para enfrentar as desigualdades socioespaciais nas periferias urbanas da cidade
  • Equidade – iniciativas que promovam direitos, com recorte nas questões de raça e gênero e especial foco nos grupos LGBTQIA+ 
  • Sustentabilidade – ações que criem ou discutam meios de subsistência para as juventudes periféricas

Mas será que eu posso mesmo participar?

Confira este checklist para saber se seu perfil é contemplado pelo edital:

Requisitos obrigatórios
Ter entre 18 e 30 anos 
Fazer parte de grupos e coletivos jovens das periferias que tenham pouco acesso a apoio e recursos financeiros
Projetos que contemplem pelo menos uma das três áreas: território, equidade e sustentabilidade
Requisitos que serão priorizados
Coletivos e grupos localizados na zona sul 2 ou leste 2
Possuir lideranças mulheres ou que atuem para garantir os direitos delas
Possuir lideranças negras ou indígenas
Fazer parte da comunidade LGBTQIA+
Ser refugiade ou de outros grupos marginalizados
Ser uma pessoa com deficiência

Vale tudo? Projetos de qualquer área?

Quase isso! Seu projeto tem de se encaixar e ser inscrito em uma ou mais destas áreas: direitos humanos, arte e cultura, educação, mercado de trabalho, geração de renda, direitos digitais, comunicação comunitária e enfrentamento da Covid-19. Sempre focado nas juventudes da periferia.

Mas tem de ser um projeto inédito ou posso inscrever o que já faço na comunidade?

Você pode criar um projeto ou usar o recurso para alavancar uma ação que já realiza. É importante que sua iniciativa responda não só aos temas do edital como, também, esteja alinhada a um ou mais destes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: 

Que tipo de ações meu projeto tem de ter para envolver o público-alvo?

Existem várias possibilidades: rodas de conversa, cursos, workshops e formações, podcasts, eventos de conscientização, iniciativas de impacto…

Qual será o valor do microfundo?

Depende de quantos jovens seu projeto pretende apoiar:

  • Até R$2.500,00 para ações que impactem até 100 jovens
  • R$5.500,00 para ações que impactem mais de 100 jovens

Será que vou dar conta de usar os recursos e encaminhar meu projeto?

Calma! Você não está sozinho! O GOYN SP vai realizar encontros mensais para acompanhar seu projeto e oferecer suporte às atividades. Vai, também, identificar se existem outras oportunidades de colaboração entre os outros grupos/coletivos selecionados.

O YouthBuild International (YBI), parceiro institucional da rede GOYN, vai dar formações on-line, com certificação, sobre planejamento e implementação de projetos, além de outros temas que você pode ajudar a selecionar.

Quem vai escolher os projetos? Quantos serão selecionados?

Um comitê de seleção fará uma triagem dos projetos inscritos, seguindo os critérios do edital. A gente montou uma comissão de avaliação composta por jovens representantes do Núcleo Jovem do GOYN SP e pessoas de organizações que fazem parte da nossa rede, cuja atuação será independente e voluntária. Essa comissão vai pré-selecionar até sete propostas, que serão encaminhadas para a Youthbuild International, que fará a escolha de até 6 projetos para serem contemplados.

Quando e onde eu tenho de fazer a inscrição do meu projeto?

Anote aí toda a agenda desse processo para você não perder nada!

15/03 – 28/03Inscrições29/03 – 30/04Seleção e convocação dos selecionados07/05 – 31/08Implementação dos projetos, formações e acompanhamentoSetembroEncontro global com jovens inovadores

Para saber mais sobre o edital, siga o nosso Instagram:  https://www.instagram.com/goyn_sp/?hl=pt-br

Estamos torcendo por você! Boa sorte!

Equidade foi o tema do primeiro Café GOYN SP

Realizado no dia 5 de março, o evento inaugurou um espaço virtual de conversa para convidados, convidadas e participantes da rede GOYN SP. O objetivo é compartilhar conhecimentos e experiências relacionados a temas essenciais à atuação da rede GOYN SP pela inclusão produtiva das juventudes. 

O primeiro Café GOYN SP abordou o fomento da equidade de gênero e raça, especialmente entre os diferentes grupos que atuam na rede colaborativa do GOYN SP. Ou seja, fortalecer a temática de dentro para fora, já que ela é transversal a todas as ações do GOYN SP e deve refletir nos resultados das iniciativas.

Para abrir o diálogo, foram convidadas duas mulheres-referência no assunto. Monique Miles é Vice-presidente do Aspen Institute, Diretora Administrativa do Opportunity Youth Forum do Aspen Institute nos EUA. Ela lidera um fundo nacional de apoio a comunidades, dentro e fora do país, para reunir lideranças de diferentes áreas no redesenho dos setores da educação e do emprego para que sejam mais equitativos e justos.

Viviane Soranso é psicóloga e ativista social. Ela atua na Fundação Tide Setubal como coordenadora do Programa de Raça e Gênero e na implementação do Comitê de Diversidade e Inclusão da FTAS. É coautora da obra “Mundo Jovem”.

Ambas compartilharam suas vivências com relação à equidade nas suas instituições, dando subsídios à implementação do Comitê de Equidade de Raça e Gênero do GOYN SP, liderada por jovens-potência do Núcleo Jovem.

Na primeira parte da conversa, as duas convidadas traçaram o cenário de suas realidades. Nos EUA, onde o racismo estrutural é uma realidade construída durante a história do país, “queremos garantir que os recursos sejam distribuídos de acordo com as necessidades dos diferentes grupos excluídos. Portanto, nossos parceiros são orientados a usá-los de forma equitativa nos seus programas, de acordo com o histórico das comunidades. Para isso, é preciso estabelecer objetivos e estratégias específicos para jovens negros, índios e latinos”, explicou Monique Miles.

Viviane Soranso contou como a questão da equidade tomou forma nas equipes da Fundação Tide Setubal, de forma gradual e com base na realidade que se apresentava a cada momento da história da instituição: “A coordenação começou a focar nas suas equipes para poder estruturar projetos que promovessem a equidade junto aos públicos-alvo. Negros e negras das equipes que atuavam diretamente com a população atendida foram remanejados e remanejadas para postos de gestão. Também foram garantidas a participação de pessoas negras nos conselhos da Fundação. O Comitê de Diversidade e Inclusão teve como missão aprofundar esse olhar para dentro. Definimos os princípios e compromissos de equidade e sensibilizamos os profissionais de todos os níveis hierárquicos.”

Na segunda parte do encontro, os participantes do Café GOYN SP foram divididos em grupos para dialogar sobre a questão da equidade, com base em duas perguntas: 1. Quais são os principais desafios para fomentar ambientes mais inclusivos, com foco na equidade?; 2. Como enfrentar esses desafios?

Nas plenárias, várias contribuições trazidas pelos participantes puderam aquecer a conversa e indicar alguns caminhos. Por exemplo, como envolver as lideranças das instituições no tema. Uma das alternativas é convidá-las a fazerem parte do Comitê de Equidade, dando-lhes a oportunidade de atuarem com temas com os quais se identificam. 

Outra ideia compartilhada foi a importância do letramento sobre equidade para toda equipe, partindo de uma sensibilização para depois seguir com uma formação que responsabilize a todos e todas que atuam pela causa das juventudes. A estruturação de uma política de equidade, com princípios e compromissos, é outra iniciativa importante que promove e fortalece a temática nas instituições.

No final do encontro, Monique Miles reforçou que uma nova postura sobre equidade é uma conquista pessoal, antes mesmo de se tonar uma causa assumida pelo grupo: “Por isso o avanço é lento e pode levar gerações. Mas não desanimem. Cuidem dos outros, de si, compartilhem ideias e coloquem os jovens no centro das soluções.”

Quer saber mais sobre as ações que o GOYN SP vem realizando? Acesse o relatório de atividades de 2020 aqui.

GOYN SP: OS RESULTADOS DE UM ANO DE ATUAÇÃO

O programa chegou à cidade de São Paulo em 2020, depois de ser implementado em outras cinco comunidades de seis países. Formou uma ampla coalisão com diferentes atores do ecossistema produtivo do município, desde empresas e instituições até os jovens-potência, foco central das iniciativas. Essa articulação, realizada pela United Way Brasil, marcou o início do trabalho do GOYN SP, apesar de todos os desafios impostos pela pandemia.

Em 2020, a coalisão criou uma agenda comum para o programa e um plano de trabalho colaborativo das áreas prioritárias. Foram mais de 200 horas para a elaboração coletiva das soluções que serão colocadas em prática, a partir de 2021, a fim de transformar a vida dos jovens-potência, garantindo-lhes oportunidades qualificadas de trabalho e de empreendedorismo. Aliás, a crescente relação com as juventudes levou o GOYN SP a se conectar com mais de 200 jovens da periferia da cidade e eleger 20 deles para compor o Núcleo Jovem.

Também consolidou um mapeamento do ecossistema de inclusão produtiva da cidade, realizou dois eventos online sobre o tema e estruturou uma rede colaborativa com mais de 80 organizações, empresas e pessoas que querem fazer a diferença no presente e futuro das juventudes.

O GOYN SP pretende construir ações sistêmicas e sustentáveis que, até 2030, possam integrar 100 mil jovens ao mercado de trabalho, em postos dignos e oportunidades qualificadas, apoiando o desenvolvimento dos diferentes territórios onde as juventudes periféricas vivem. 

Para concretizar esse propósito, o programa traçou indicadores, metas e objetivos que você confere no relatório, assim como todas as vivências, conquistas, soluções e estratégias pensadas nesse primeiro ano para transformar planos e ideias em realidade.

Clique aqui para ler o relatório. Conheça o GOYN SP e junte-se a nós! 

Programa Competências para Vida inova em 2021 com apoio de empresas parceiras

O sucesso do programa Competências para a Vida em 2020 (veja os resultados no Relatórios de Atividades) alavancou uma nova etapa, envolvendo as empresas parceiras para apoiar os jovens no enfrentamento das consequências negativas da pandemia na educação e nas perspectivas de trabalho.

Antes mesmo da chegada da Covid-19, a situação dos jovens brasileiros já se mostrava crítica: em 2017, a taxa de desemprego entre eles era de 35% versus os 16% da população em geral. Só na cidade de São Paulo, em 2019, viviam 812.916 jovens em situação vulnerável, sendo que 160 mil eram responsáveis pelos seus domicílios. Cerca de 484 mil estavam sem emprego e sem oportunidade de estudo.

O atual cenário exige ações articuladas e coletivas, com a participação ativa das empresas, para que o impacto do programa alcance abrangência e qualidade e possa ajudar as juventudes a traçarem um projeto de vida que esteja alinhado com seus sonhos pessoais e expectativas profissionais, apesar das dificuldades ampliadas pela crise sanitária.

Os objetivos do programa

Em 2021, o Competências para a Vida estruturou e sistematizou sua metodologia de forma a criar oportunidades de autoconhecimento para os jovens, proporcionar espaços de compartilhamento de histórias de vida e ampliação de repertório, promover práticas reflexivas sobre competências e habilidades, apoiar e mediar planos de ação e as escolhas dos participantes e favorecer o contato com ferramentas tecnológicas.

Para isso, no primeiro ciclo do programa, irá realizar oito encontros semanais com grupos formados por 20 a 30 jovens (16 a 25 anos de idade), na plataforma Google Meets. As atividades que farão parte da formação e os materiais necessários ficarão disponíveis no Google Classroom. Os participantes receberão orientações de um educador da United Way Brasil e de uma organização social parceira.

O trabalho com os jovens é dividido em três módulos, nos três meses de formação, somando um total de 24 horas: módulo descobertas (conscientização e aprendizado das competências e habilidades socioemocionais); módulo horizontes (conhecimento de diversos caminhos e possibilidades profissionais); e módulo navegação (aplicação de práticas e ações de encaminhamentos para a construção do plano de ação). 

A participação ativa das empresas parceiras

Além das interações com educadores e seus pares, os jovens terão acesso a quatro sessões de mentorias, em subgrupos com cinco a seis jovens, acompanhados por mentores voluntários, colaboradores das empresas PWC, Lilly e Morgan Stanley, parceiras do programa. 

Os mentores têm papel fundamental na formação dos jovens, que se referenciam nas experiências e vivências desses profissionais para refletir sobre o que querem conquistar nas suas trajetórias pessoal e de trabalho.

Em todas as avaliações aplicadas, ao término de cada ciclo, as sessões de mentoria são apontadas como o ápice do aprendizado, tanto para quem mentora como para quem é mentorado. 

Os colaboradores afirmam rever suas trajetórias, valorizar suas conquistas, ampliar perspectivas e fortalecer habilidades, além de se sentirem gratos pela oportunidade de apoiar os jovens. Do outro lado, estes se percebem com grande potencial, capazes de avançar com seus projetos de vida, porque têm exemplos de sucesso de pessoas que, muitas vezes, enfrentaram desafios semelhantes aos que eles enfrentam.

Vale ressaltar que a atuação das empresas vai muito além de aportar recursos na iniciativa. Além de estimularem a participação de seus colaboradores, elas garantem o sucesso do programa junto à equipe técnica, por meio de um grupo gestor, formado por seus representantes. A tomada de decisões é coletiva e com base em monitoramento e avaliação periódicos, promovendo ajustes e melhorias durante o processo de implementação do programa.

Em 2021, são estas corporações que, ao lado da United Way Brasil, viabilizam a realização do programa: DOW, Eastman, Ecolab, Lear, Lilly, Morgan Stanley, O-I, P&G e PWC.

A sua empresa também pode fazer parte do programa Competências para a Vida e promover o sucesso pessoal e profissional de jovens em situação vulnerável. Para saber mais, clique aqui.

Os 20 anos da United Way Brasil e o futuro de um grande legado

A United Way Brasil completa, este ano, duas décadas de atividades no País. Todo a bagagem construída até aqui nos conduz a uma nova etapa com um novo posicionamento institucional: queremos ser reconhecidos como uma organização que investe no desenvolvimento das novas gerações de forma colaborativa junto às empresas associadas para gerar impacto coletivo e mudanças sociais sistêmicas. 

Para tanto, todo o nosso empenho em 2021 se dará para o fortalecimento de um ecossistema que atue conjuntamente, mobilizando empresas e negócios para que assumam o seu papel nas transformações que temos de empreender. 

É essencial ressaltar que a pandemia gerada pela Covid-19 exigiu novos olhares e ações que demandaram aprendizados em um curto espaço de tempo para garantir que as operações das iniciativas pudessem ser preservadas, apesar de toda a crise sanitária que enfrentamos e que ainda persiste, ampliando as desigualdades sociais, com graves consequências à primeira infância e juventudes, nossos públicos-alvo.

A expertise da United Way Brasil foi determinante para enfrentar os desafios de 2020 e indicar a trajetória que queremos empreender a partir de agora. Nosso DNA reúne características que não só ajudaram a fortalecer projetos e programas no auge da crise como os levaram muito além, ganhando escala.

Devemos esse avanço à capacidade de conectar empresas à sociedade, por meio de causas essenciais ao bem-estar coletivo.  Ou seja, não atuamos sozinhos e o trabalho em rede é o nosso principal pilar. Por isso, para 2021, vamos dedicar grande parte de nossos esforços para comunicar a importância do Segundo Setor na solução de questões que afetam o desenvolvimento social do País. Para tanto, estaremos ao lado das empresas, oferecendo apoio e consultoria, a fim de que possam definir os aspectos ambientais, sociais e de governança para favorece a sustentabilidade de suas marcas, seguindo a pauta ESG investing (Environmental, Social and Governance).

Objetivos para 2021

Certos de nossa missão, conhecedores de nossos limites e nossas capacidades, vamos aportar diferentes recursos para ampliar a abrangência dos nossos programas de primeira infância e juventude.

Essa ampliação não se limita aos públicos-alvo das iniciativas. Por meio de uma estratégia estruturada, queremos mobilizar mais empresas para que passem a também fazer parte dessa rede colaborativa. Também está em nosso escopo intensificar nossa influência, com base em conhecimentos e práticas bem-sucedidas, sobre políticas públicas voltadas às populações que atendemos.

Para a primeira infância, vamos nos dedicar a atender mais famílias e levar a experiência digital do programa Crescer Aprendendo a outras partes do País, inclusive com o objetivo de transferir essa solução social para municípios e estados interessados. Nas regiões em que o controle pandêmico seja seguro, a atuação do programa poderá se dar de forma híbrida, ou seja, com encontros presenciais e formações virtual das famílias.

Para as  juventudes, temos como meta atender mais jovens de São Paulo e Recife, fazendo o recorte de vulnerabilidade e raça. Por meio do programa Competências para a Vida, iremos apoiar a juventude negra e das periferias na construção de um projeto de vida que contemple seus sonhos e possibilite uma carreira profissional bem-sucedida. Esse trabalho terá suporte de uma rede de mentores voluntários, formada pelos colaboradores de nossas empresas parceiras.

A iniciativa pretende mitigar os problemas causados pela crise sanitária, como o aumento da evasão escolar e do desemprego entre os jovens, especialmente os mais vulneráveis. Daremos ênfase a oportunidades de formação e trabalho para negros e negras nas carreiras digitais, em que há vagas disponíveis, mas falta de mão de obra especializada para preenchê-las. 

Ainda com relação à juventude, somos o parceiro articulador do Aspen Institute, idealizador da iniciativa global GOYN. Em São Paulo, lançamos mão da nossa capacidade de reunir e organizar diferentes atores para construir coletivamente soluções voltadas à inclusão produtiva dos jovens das periferias. Contamos com a participação de mais de 80 empresas, instituições e pessoas e, em 2021, vamos, conjuntamente, implementar protótipos e prospectar parceiros e jovens para concretizá-los nos territórios. Nossa meta, até 2030, é apoiar 100 mil jovens da cidade para que ocupem postos de trabalho dignos ou empreendam o próprio negócio.

Um trabalho integrado e intersetorial

Outro “pulo do gato” de nosso planejamento em 2021 é atuar de forma interprogramática, ou seja, as iniciativas de um programa podem envolver os demais, por meio de ações, estratégias comuns, campanhas e diálogos para fortalecer objetivos e alcançar metas. Vamos sair das “caixinhas” e derrubar muros. Essa mesma lógica pretende envolver empresas parceiras e aquelas que passarão a nos apoiar este ano, seja por meio do programa de Voluntariado Corporativo, seja por meio de oportunidades intersetoriais para ampliar nosso impacto e abrangência. Dessa forma, também iremos ajudar as corporações a qualificar sua atuação social em favor das novas gerações. 

Só assim conseguiremos avançar no desejo de uma sociedade mais inclusiva, que semeie a justiça e a equidade desde as primeiras fases da existência humana. Mas, para isso, precisamos ampliar a rede, contar com mentes e corações que pensem como nós e acreditem na nossa capacidade de influenciar e transformar realidades coletivamente. É dessa maneira que queremos celebrar os 20 anos da United Way Brasil: com você e sua empresa ao nosso lado! Vamos juntos?

Apoio de empresas ampliou os bons resultados do Crescer Aprendendo

Com o objetivo de ajudar mais famílias em situação vulnerável a enfrentarem os desafios da pandemia, em 2020 o programa migrou a formação de pais e responsáveis para o formato digital, ganhando escala. Os resultados surpreenderam e reforçaram a importância da parceria com empresas socialmente responsáveis.

Em 2019, o programa de primeira infância Crescer Aprendendo acontecia em 12 Centros de Educação Infantil (CEI) e em uma Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) no extremo sul da cidade de São Paulo, com reuniões presenciais para famílias de crianças de 0 a 6 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além do acesso a informações sobre desenvolvimento infantil por meio de uma plataforma digital.

Com a chegada da pandemia, a equipe do programa rapidamente reestruturou toda a capacitação para o formato digital, com base em uma pesquisa sobre a melhor forma de compartilhar conteúdos e favorecer a interação das famílias. O resultado da análise trouxe o WhatsApp e a realização de lives como estratégias eficazes, por estarem ao alcance de grande parte desse público. Também detectou a importância de oferecer segurança alimentar e, por isso, o programa incluiu a distribuição de cartões-alimentação, com recargas mensais que geraram o aporte total de R$ 634,9 mil.

O investimento na primeira infância

Todas as mudanças e logísticas do programa se concretizaram porque empresas que já eram associadas à United Way Brasil (Ecolab, Lear, O-I, P&G e Phoenix Tower) e duas novas corporações (3M e FEMSA) abraçaram esse compromisso, aportando recursos e cooperação para o êxito do Crescer Aprendendo digital. 

As parcerias possibilitaram que o programa atendesse quase três vezes mais famílias. Eram 853 em 2019 e passaram a 2.500 famílias em 2020, beneficiando 2.900 crianças em 12 cidades de 4 estados. Para fazer a interface com pais e responsáveis em cada território e apoiar a logística, o programa selecionou 14 CEI e EMEI e 23 ONGs. Toda uma rede foi estruturada para garantir o sucesso do programa, por meio de um trabalho coletivo e colaborativo, que envolveu diferentes atores, sempre com foco nos lares com crianças pequenas.

Em 2021, o objetivo é ampliar a iniciativa para outros territórios. Isto porque o momento exige intervenções transformadoras, inclusive aquelas que possam, de alguma forma, mitigar a falta de recursos dessas populações vulneráveis que, sem o auxílio emergencial, emprego e outros benefícios, não têm como sustentar seus filhos e garantir o bem-estar básico.  As estatísticas indicam que, em 2021, 63 milhões de indivíduos vivem abaixo da linha da pobreza e 20 milhões estão abaixo da linha da pobreza extrema. Por isso, o Crescer Aprendendo tem trabalhado na prospecção de novas empresas para que possam conhecer a proposta e o quanto ela favorece o enfrentamento das desigualdades sociais.

No Ceará, por exemplo, onde o programa atuará em diferentes municípios, a United Way Brasil convidou a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e a Great Place to Work (GPTW) para unir esforços e apoiar a primeira infância no Estado.

Poucos investimentos são tão lucrativos quanto os realizados nos seis primeiros anos de vida. Segundo James Heckman, prêmio Nobel de Economia de 2000, aportar recursos em programas voltados às crianças garante, anualmente, 13% de retorno às diferentes populações, porque diminuem gastos com saúde, educação e assistência social.

Avaliação mostra avanços em escala

Os resultados da pesquisa realizada pela organização FICAS com os participantes do Crescer Aprendendo digital, ao ingressarem no programa e no final do ano, mostraram que a iniciativa alcançou seus objetivos e hoje se configura como uma tecnologia social a ser implementada em quaisquer municípios e estados que queiram fortalecer o desenvolvimento integral de crianças até 6 anos.

A porcentagem de pessoas que afirmavam, inicialmente, não saber nada sobre desenvolvimento infantil caiu de 4% para 0,4% após a formação oferecida pelo programa. Ao mesmo tempo, 23% de pessoas se reconheciam como conhecedores do tema. No final do ano, esse número pulou para 71,8%.

Na implementação do programa, quando perguntadas se conversavam com as crianças para entender seus sentimentos e comportamentos, 77% das famílias disseram que sim. Na pesquisa realizada em dezembro de 2020, essa porcentagem subiu para 93%.

A avaliação final também detectou que 99% das famílias afirmaram ter melhorado nos cuidados com as crianças; 60% disseram que as crianças estão menos irritadas e agressivas e 95% declararam que hoje conseguem entender melhor o seu papel na família e, portanto, mudaram atitudes e comportamentos.

Para 92% dos participantes, o programa ofereceu apoio emocional nos grupos de WhatsApp e nas conversas individuais com a psicóloga. Sobre os conteúdos compartilhados, 88% informaram que acessaram todos ou quase todos.

A sua empresa pode fazer parte dessa rede de apoio às famílias, especialmente nestes tempos em que os efeitos da pandemia nas populações mais vulneráveis são nefastos, prejudicando o bem-estar das crianças, de seus pais e responsáveis e comprometendo os rumos do desenvolvimento social e econômico do país.Vamos juntos fazer a diferença! Entre em contato conosco: paula@unitedwaybrasil.org.br

GOYN São Paulo implementa protótipos para a inclusão produtiva de jovens

Mapeamento, avaliação, mobilização, prospecção, diálogos, trocas, construção coletiva e colaborativa… Estas foram algumas das ações que marcaram o Goyn São Paulo, em 2020. Para 2021, a organização vai implementar soluções que incluam 100 mil jovens-potência no ecossistema produtivo da cidade, até 2030.

Lançado em 2020, o Global Opportunity Youth Network (GOYN) São Paulo entra em uma nova etapa para levar à prática os resultados das mesas de trabalho que envolveram mais de 80 empresas, organizações, jovens-potência e especialistas em juventudes. São quatro protótipos construídos para gerar oportunidades concretas de empregabilidade e empreendedorismo aos jovens das periferias da cidade. 

O primeiro deles, denominado Programa Trilhando, tem como objetivo apoiar os jovens na elaboração de um projeto de vida que una realização pessoal com sonhos e ambições profissionais. Na escola, nem sempre os jovens têm contato com temas de interesse, contextualizados à sua realidade, para ajudá-los a definir sua trajetória. Aliás, muitos abandonam os bancos escolares, seja por desestímulo, por necessidade de trabalhar ou por outros motivos que estão engrossando os números de evasão do Ensino Médio. Muitos deles também não contam com apoio familiar nem com referências para pensar no que querem para si. Por isso, o Programa Trilhando pretende ajudá-los a definir seu presente e futuro profissionais por meio de curadorias, mentorias e rodas de conversa, contando com a articulação de diferentes atores que atuem nos territórios. Em 2021, o GOYN vai mapear e prospectar parceiros para implementar a iniciativa e promover a formação de voluntários que assumam o papel de mentores desses jovens.

A tecnologia como ferramenta de inclusão profissional

O segundo protótipo, o Perifa Digital, pretende inserir um grande contingente de jovens-potência no mundo produtivo, por meio de oportunidades que a tecnologia tem a oferecer – e que a maioria ainda desconhece. Por isso, em 2021, o Perifa Digital vai atuar em parceria com associações e centros locais na formação de jovens a fim de que sejam multiplicadores de uma mentalidade digital em seus territórios, promovendo ações que gerem trabalho por meio da tecnologia.

Plataforma Digitalis é o nome do terceiro protótipo construído coletivamente pelos parceiros do GOYN São Paulo. A plataforma irá se configurar como um grande e qualificado espaço de capacitação, recrutamento e empregabilidade. Vai disponibilizar cursos para preparar melhor os jovens às diferentes oportunidades das áreas digitais, compartilhar vagas de empresas e os perfis dos que buscam o seu lugar no mercado de trabalho. Todos ganham com a plataforma: os jovens estarão mais preparados, as vagas serão preenchidas com maior assertividade e as empresas irão contar com profissionais qualificados e afinados com seus objetivos. Além de estruturar a plataforma, em 2021 o GOYN quer prospectar empresas para apoiar a iniciativa.

O papel das empresas nesse ecossistema

O quarto protótipo, denominado Rede Empresas-Potência, tem como objetivos vencer barreiras que excluem as juventudes de postos de trabalho de muitas corporações que ainda veem a contratação de jovens como um risco.

A ideia é reunir empresas que acreditam nas competências e habilidades das juventudes para que compartilhem seus modelos de seleção e recrutamento, benefícios diferenciados, ações de engajamento para sensibilizar outras instituições e gerar trocas de experiências bem-sucedidas.

Para 2021, o GOYN irá prospectar cerca de 700 empresas para compor a rede, a fim de consolidar e difundir um banco de boas práticas de inclusão de jovens nas diferentes áreas.

Também em 2021 duas novas mesas de trabalho começarão a construir soluções que atendam a outros dois temas-chave da inclusão produtiva dos jovens: empreendedorismo como oportunidade e participação cidadã. 

Este é o momento para você e sua empresa se engajarem nesse amplo movimento global e ajudar a transformar realidades inteiras. Apoiar e empregar os jovens é uma das estratégias para o enfrentamento das desigualdades sociais e para a sustentabilidade de todo o planeta. Saiba mais sobre o GOYN: https://unitedwaybrasil.org.br/noticias/2020/11/27/goyn-apresenta-solucoes-para-a-inclusao-produtiva-dos-jovens-das-periferias/

Faça parte: www.goynsp.org/

Live desconstrói mitos sobre alimentação na primeira infância

A última live de 2020, no dia 11 de dezembro, encerrou a série realizada pelo programa Crescer Aprendendo, trazendo à discussão a importância da alimentação saudável nos primeiros anos de vida, com o objetivo de desmistificar mitos e compartilhar informações práticas sobre o tema às famílias do programa.

Alimentação é um tema que preocupa pais e cuidadores, já que nutrir as crianças corretamente tem fundamental importância para o bom desenvolvimento infantil. Na fase do “não quero”, “não gosto”, as famílias, muitas vezes, não sabem como agir nem o que priorizar no cardápio das crianças. Também não faltam apelos publicitários das marcas de produtos ultraprocessados para atrair os pequenos a tudo o que não devem consumir nessa etapa da vida.

Desmame e introdução de alimentos é outra temática que traz muitas dúvidas, especialmente às mães: qual é o momento certo? O que fazer quando a criança não quer largar o peito? Qual é a quantidade certa?

Para debater estas e outras questões, o programa Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, convidou Rachel Francischi, nutricionista formada pela USP e mestre pela Unicamp, Clariana Oliveira, doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo, pós-doutora em primeira infância e desenvolvimento infantil, na Universidade de Harvard, Leticia Silva, enfermeira mestre em Ciências da Saúde, especialista em saúde mental e desenvolvimento infantil, e Cecília Cury, advogada, mestre e doutora em Direito Constitucional pela PUC-SP, cofundadora do Alergia Alimentar Brasil e coordenadora do movimento Põe no Rótulo, que apoiou a realização da live.

O ponto de partida dessa conversa foi a definição do que é, afinal, uma alimentação saudável: “A comida que uma criança precisa é a comida de verdade, que vem da nossa panela, que vem da natureza. Tudo o que a terra nos dá, como as frutas, as verduras, o arroz com feijão, o milho, o repolho, as carnes, o frango, o peixe, e do jeito que a natureza nos dá, sem passar pelo processamento alimentar”, explica Rachel. 

Porém, não basta querer que os filhos comam bem se o exemplo não vem dos adultos, como reforça Leticia: “O pai e a mãe são espelhos para a criança, então se ela vê os pais comendo, ela tende a comer também aquele alimento. A criança imita o comportamento que vê diversas vezes. Se os pais tiverem uma dieta saudável, balanceada, cheia de alimentos naturais, a tendência de a criança querer comer esse tipo de alimento é muito maior.”  

Outro fator importante para os pais e cuidadores se sentirem mais seguros sobre aquilo que oferecem aos filhos é conhecer o que contém cada alimento. Portanto, ater-se à leitura do rótulo é uma prática que todos devem adotar. “Uma lista de ingredientes muito longa, geralmente indica um alimento ultraprocessado, porque tem uma série de elementos químicos, acidulante, espessante e um monte de ‘ante’ que não vão fazer bem para a nossa saúde no longo prazo e que a gente tem que evitar. Então, é importante buscar alimentos que contenham ingredientes que a gente consegue reproduzir em casa. Por exemplo, não dá tempo de eu fazer pão em casa.  Vou comprar pão, mas, antes, quero saber o que ele contém. Farinha, água, fermento e sal? Certo, é o que eu faria em casa também.  Mas se a gente pega um saco de pão e lê que tem ‘fosfato de cálcio de não sei o que, conservador de tal, pirofosfato do monossódico…’  O que é isso? Se o rótulo não fala a minha língua, eu não entendo o que ele quer dizer, então, prefiro não comprar.”

E o que fazer quando a criança não gosta de frutas, verduras e não quer se aventurar a experimentar alimentos novos?

Clariana sugeriu algumas estratégias, dentre elas “usar o lúdico em benefício da alimentação da criança, propondo jogos, apresentando aquele prato de forma diferente, usando carinhas feitas com legumes e verduras. Várias pessoas falam que a gente come pelos olhos e isso é uma verdade, muitas vezes o que atrai é a forma como o prato é apresentado para a gente. Outra dica: não castigue a criança se ela rejeitar o alimento, não faça barganhas como, ‘se você comer seus legumes e frutas, vai ter seu docinho no final’. Isso pode criar uma relação ruim com os alimentos, levando a a pensar que ‘primeiro tenho que comer ‘essa coisa ruim’ pra depois comer a ‘coisa boa.’ E quando a criança é um pouco maiorzinha, participar na preparação das refeições, manipulando os alimentos, sentindo a textura, se acostumando com a forma daquele alimento com certeza é muito importante para que ela se sinta atraída em experimentar cada vez mais coisas novas”. 

Pensar em quantas vezes oferecer refeições às crianças em cada fase da primeira infância e qual a porção certa de alimento são outras dúvidas de muitas famílias. “Para um bebê entre seis meses e um ano de idade nós devemos oferecer alimentos quatro vezes ao dia – uma fruta no meio da manhã, o almoço no finalzinho da manhã, uma fruta no meio da tarde e o jantar no final da tarde -, juntamente com o leite materno no esquema que a gente chama de livre demanda, ou seja, sempre que o bebê quiser. Caso o bebê entre 6 meses e 1 ano de idade não se alimente com o leite materno, o número de mamadas deve variar em torno de três ao dia, no máximo”, explica Rachel. E complementa: “Em relação à quantidade, o ideal é oferecer o quanto a criança quiser, nem mais, nem menos. A criança tem o que a gente chama de autorregulação da fome, do apetite e da saciedade. A criança sabe o quanto ela precisa comer de alimentos naturais.”

Ao final da live, as especialistas responderam com ‘verdade’ ou ‘mentira’ às questões levantadas pela mediadora com base em crenças populares, por exemplo, que a salsicha é um ótimo alimento para as crianças. Cecilia respondeu:Mentira! Se a gente olhar a lista de ingredientes de uma salsicha, definitivamente ali tem de tudo, menos comida, aquela que, como bem disse a Rachel, é comida de verdade, comida da panela, que a gente sabe exatamente como foi feita. Não tem como fazer uma salsicha em casa, então, ela não é um alimento que a gente possa colocar na nossa alimentação e ela não é um tipo de carne”, concluiu.

Confira, no link, a íntegra da live “Verdades e mitos sobre alimentação na primeira infância”, realizada em parceira com as empresas Ecolab, Lear, O-I, P&G, Phoenix Tower do Brasil e 3M e apoio do movimento Põe no Rótulo. A live encerra o ano de 2020 do programa Crescer Aprendendo, que retorna em 2021 com novas iniciativas: https://www.youtube.com/watch?v=xwfw1anEab0