Evento do GOYN SP debate a inclusão produtiva de jovens como pauta da agenda ESG

Cerca de 40 lideranças do setor privado, de organizações sociais, parceiros, membros da equipe do GOYN SP e jovens-potência reuniram-se no dia 21 de junho para discutir caminhos que, de um lado, incluam produtivamente as juventudes periféricas e, de outro, fomentem a causa como alavanca para essa agenda.

O evento “Como fortalecer a agenda ESG através da empregabilidade dos jovens-potência” foi realizado na última terça-feira (21) pelo GOYN SP, movimento internacional liderado pelo Aspen Institute e que, no Brasil, é articulado pela UWB. “Temos de atuar coletivamente. Ninguém muda nada sozinho. Estamos aqui para unir o jovem que quer trabalhar, mas não consegue acessar as oportunidades produtivas, e as empresas, que têm demandas para formar suas equipes, mas não conseguem chegar a esses jovens”, ressaltou Gabriella Bighetti, diretora-executiva da UWB, na sua fala de abertura.

Na primeira parte do evento, Roberto Rossler, gerente de sustentabilidade da Accenture, trouxe o ponto de vista da empresa sobre a causa da inclusão produtiva de jovens-potência, após ouvir stakeholders do mercado de empregabilidade jovem. O objetivo do compilado de insights é apoiar o GOYN SP a fortalecer e acelerar sua estratégia de inclusão produtiva das juventudes junto às corporações, com foco na agenda ESG.

“No mundo e no Brasil, as agências reguladoras têm cobrado das empresas práticas de um capitalismo responsável, que gere valor agregado para todos e não só para os acionistas. As corporações têm sido obrigadas a reportar suas performances em ESG. ESG não é uma ameaça, é uma oportunidade”, explicou Roberto, na introdução de sua explanação.

Segundo ele, diversidade e inclusão são dois temas fortalecidos na pandemia e há evidências contundentes de que a diversidade da força de trabalho gera valores tangíveis para os negócios. Por exemplo, empresas que contratam talentos ocultos, incluindo jovens-potência, estão 36% menos propensas a enfrentar a escassez de profissionais com aptidões diferenciadas.

Políticas corporativas que promovam ações de diversidade e inclusão favorecem a taxa de retenção em contratações de impacto, que é de 87,5%, ou seja, 26% maior do que o padrão, gerando economias no recrutamento, integração e desenvolvimento. Outro dado é que uma cultura de equidade e inclusão impulsiona dez vezes mais a inovação do que o aumento salarial.

“Importante ressaltar que 1,5 trilhão de dólares é a quantidade de recursos deixada na mesa quando os funcionários não se sentem incluídos, o que leva, consequentemente, a uma menor produtividade”, reforçou Roberto.


Desafios e oportunidades sobre diversidade e inclusão

Com base nas escutas e conversas trazidas pela Accenture, foram percebidas como principais barreiras para a entrada dos jovens-potência no mercado, a dificuldade das empresas em controlar dados sobre diversidade e inclusão; metas de diversidade e inclusão pouco claras e não desdobradas nas diferentes áreas da corporação; metas de inclusão e de alta performance desconectadas, levando à escolha de profissionais mais experientes para os postos de trabalho; capacitações oferecidas que não atendem às expectativas e aos interesses dos jovens-potência; e formações e vagas pouco claras divulgadas em canais que não chegam nos jovens.

Para superar tais desafios, Renato propôs alguns caminhos que podem ser adotados pelas corporações, como garantir que os temas diversidade e inclusão estejam conectados ao core da estratégia corporativa; combinar os indicadores de performance com o phase-in de jovens-potência, que costuma ter em outro tempo; ter em mente que o perfil desses jovens varia de acordo com a localização geográfica, assim como as qualificações necessárias para ingressar nos mercados de trabalho locais. “E por fim, para que a transformação ocorra na escala e na velocidade necessárias, as empresas precisam cobrar de seus fornecedores um olhar mais atento em relação aos temas diversidade e inclusão”, finalizou Renato.


Mesa de diálogo sobre inclusão produtiva

Na segunda parte do evento, lideranças empresariais e de instituições voltadas à inclusão e aos jovens-potência se reuniram para falar como veem as questões trazidas pela Accenture sob a perspectiva de suas organizações.

Tatiane Shirazawa, vice-presidente do ecossistema Great Place to Work Brasil, contou que será criado um destaque nos rankings promovidos pela empresa para reconhecer corporações que implementem iniciativas para incluir e promover a permanência dos jovens-potência no mundo do trabalho. “Queremos apoiar o GOYN nesse estímulo ao mercado”, afirmou.

Para Luiz Eduardo Drouet, presidente da ABRH-SP, “a inclusão produtiva é uma oportunidade prática, o melhor tema da agenda ESG, porque percorre toda a organização”. Ele lembrou que muitas empresas têm vagas não preenchidas por falta de mão de obra qualificada, um contrassenso em um país onde milhões estão desempregados, dentre eles os jovens.

“A inclusão do jovem-potência tem de acontecer na prática. É como músculo. Praticamos esticando, elevando a barra, com ações que tenham sinergia com o negócio”, colocou Leonardo Framil, líder na América Latina da Accenture e membro do Conselho Deliberativo da UWB. 

Ana Luiza Jardim Andrade, ex-jovem-potência do Núcleo Jovem do GOYN SP, que também participou do diálogo, contou sua experiência: “O GOYN me mostrou que eu sou potente. Na minha volta ao mercado, a empresa que me contratou não me viu como uma jovem periférica, mas como uma jovem que precisa de formação para se desenvolver e que pode contribuir muito”.

“As empresas precisam se conectar com a formação dos jovens, corresponsabilizar-se por ela. Existem dificuldades nas contratações por conta de lacunas técnicas e de competências socioemocionais das juventudes. E o que escutamos na outra ponta, dos jovens, é que as escolas pouco os preparam para o mercado. As empresas precisam apoiar o processo de formação”, expôs Cacau Lopes da Silva, gerente de implementação e desenvolvimento do Itaú Educação e Trabalho.

Para encerrar o diálogo, o jovem-potência e embaixador do GOYN, Paulo Vinicius, ressaltou a importância do tratamento que é dado aos jovens na contratação e retenção. “Se a empresa responder à altura, lapidar o jovem, ele também vai responder à altura e atender às expectativas que se tem sobre ele”, concluiu.


O GOYN SP está aberto a qualquer empresa que queira integrar a coalizão para trabalhar ações e políticas que promovam a inclusão produtiva das juventudes periféricas de São Paulo.

“Criança tem de ser prioridade na sociedade. Na empresa não é diferente”, diz Mariza Quindere, da GPTW

Em entrevista para a United Way Brasil (UWB), Mariza Quindere, responsável pela regional do Nordeste da Great Place to Work Brasil, fala sobre a parceria entre as duas organizações; como as corporações podem concorrer à categoria Atenção à Primeira Infância, do prêmio Melhores Empresas para Trabalhar 2022; e as mudanças que políticas corporativas focadas nos primeiros anos de vida tendem a gerar nas equipes e na produtividade. 

UWB – Mariza, por que a parceria com a UWB tem relevância tanto para a GPTW como para o tema primeira infância, que é contemplado pelo prêmio Melhores Empresas para Trabalhar?

Mariza Quindere (MQ) – Essa parceria é relevante para todos. A UWB tem muita credibilidade dentro e fora do terceiro setor, pela forma como conduz suas ações e articula parcerias. Além disso, vocês detêm muito conhecimento sobre primeira infância. Sempre comentamos no GPTW que a UWB é uma de nossas melhores parceiras, especialmente porque nos ajuda a aprofundar o tema nas iniciativas que realizamos.

UWB – Como surgiu essa categoria e o que é preciso para as empresas concorrerem a ela, na edição do prêmio de 2022?

MQ – Nós construímos essa categoria com o apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, há três anos. No início, era um destaque no prêmio nacional das Melhores Empresas para Trabalhar. Depois, percebemos que a primeira infância podia ter luz própria, por isso, o GPTW incluiu o tema na categoria Diversidade. Tudo começa com uma pesquisa que empresas de qualquer segmento podem aplicar junto aos seus colaboradores. E para ser certificada, ela precisa ter a média mínima de 70% e atingir, também, a amostra mínima. Ouço de várias pessoas: “Não temos nada para primeira infância.” Sempre incentivo a responder à pesquisa, mesmo que pensem assim. Porque, quando começam a preencher, percebem que têm, sim. Além disso, é um estímulo para conhecerem o que fazem, ampliar e pensar mais sobre isso. Também percebo que muitas corporações nem sabem o que é primeira infância. Por isso, o ranking acaba se tornando, também, uma ferramenta para informar.

UWB – Quais requisitos as empresas precisam ter para concorrerem à categoria?

MQ – No nosso site está tudo bem explicado, mas já adianto aqui alguns deles: ter, no mínimo, 30 colaboradores; ser nossa certificada; conceder licença-maternidade acima de 4 meses e licença-paternidade de, pelo menos, 20 dias, ambas também para qualquer situação de adoção e para casais homoafetivos; ter auxílio-creche maior que o previsto em lei; possuir sala de lactação; conceder redução específica de jornada de trabalho para lactantes, para além do que está estabelecido pela CLT. 

UWB – E até quando a empresa pode responder a essa pesquisa para participar do ranking 2022? 

MQ – Este ano, a data final para finalizar a pesquisa é 31 de julho, na nossa plataforma. Depois, se atingir a amostra mínima, que garante a certificação da empresa como great place to work, ela escolhe participar do ranking Diversidade/Atenção à Primeira Infância, preenchendo o questionário específico. É autoexplicativo e fácil de seguir o passo a passo.

UWB – A participação das empresas nessa categoria tem sido expressiva? 

MQ – Não, infelizmente. Na edição de 2020, foram apenas 97 empresas inscritas. Em 2021, cinco receberam destaque:  Takeda Distribuidora, Cisco, Accenture do Brasil, Eurofarma Laboratório S/A e IBM Brasil.  Ainda é pouco perto da relevância do tema. Por isso, temos de falar mais a respeito e estimular que participem. Criança tem de ser prioridade na sociedade. Na empresa não é diferente.

UWB – Quais as evidências do impacto positivo de políticas corporativas para a primeira infância nas colaboradoras e nos colaboradores das empresas?

MQ – Quando há investimento na primeira infância, o retorno é garantido, não só na produtividade, mas também no engajamento e permanência dos funcionários. Na pesquisa entre as melhores empresas de 2021, a média de rotatividade do ano é de 5%, em um país que detém o maior índice de turnover nas organizações (índice que aumentou 82% nas companhias, desde 2010). Nessa pesquisa, colaboradores disseram ficar na empresa, porque ela oferece oportunidades de crescimento e qualidade de vida (65%). A falta de suporte, como ausência de auxílio creches, de sala de amamentação, ou mesmo licenças parentais não estendidas abalam a saúde física e emocional de mães e pais de bebês e crianças pequenas. Ainda existem empresas que selecionam mulheres que não têm filhos (e que não pretendem ter). Isso tem de mudar. Temos direito a ter filhos. Na GPTW, por exemplo, a licença parental, tanto para mães como para pais, é de seis meses. O que significam seis meses para uma empresa? E para os pais e o bebê? Essa reflexão tem de estar presente nas políticas internas. 

UWB – Como você sabe, a UWB lançou o Guia de Primeira Infância para Empresas, uma plataforma que reúne mais de 600 iniciativas já implementadas por corporações. Como você avalia essa ferramenta?

MQ – O Guia é ótimo e muito acessado pelas companhias ligadas à GPTW. Ali já existe uma gama de possibilidades sobre o que fazer. Precisamos ampliar o Guia com mais ações e divulgá-lo para que mais corporações o acessem. Recheá-lo de muitas informações para que as pessoas entendam o que é primeira infância e o impacto dos cuidados que temos de ter para refletir em toda a sociedade.

UWB – Na sua opinião, quais ações são imprescindíveis nas políticas corporativas de primeira infância?

MQ – Acredito que licenças parentais estendidas, suporte psicológico, especialmente no puerpério e no retorno das licenças, horários flexíveis e ambiente amigável para mãe ou pai se sentir à vontade, por exemplo, para sair mais cedo e pegar o bebê na creche ou levar ao médico, plano de saúde sem custos para as mães, durante a gestão, são algumas ações que fazem toda a diferença no bem-estar dos colaboradores. É fundamental que as lideranças corporativas pensem nos filhos de seus funcionários como sendo filhos da empresa. 

Programa Crescer Aprendendo apresenta resultados no Ceará e transfere a sua metodologia

Na manhã de 10 de maio, diferentes atores de uma grande rede colaborativa se reuniram no Auditório da Secretaria da Educação do Ceará para celebrar os avanços, no Estado, do programa de primeira infância Crescer Aprendendo, da United Way Brasil (UWB).

Tendo como um de seus pilares de atuação a parceria com governos, o programa foi implementado em 9 municípios, consolidando-se como uma das ações da Coalizão Ceará, uma união de esforços entre o Programa Mais Infância Ceará, as fundações Maria Cecília Souto Vidigal, Bernard van Leer, Porticus e a UWB, tendo o apoio da Secretaria da Educação do Estado, por meio da Coordenadoria de Educação e Promoção Social.

Quando a UWB chega ao Ceará com o Crescer Aprendendo, é para dar uma luz às famílias. Eu sempre sonhei em ter uma escola de pais para que eles levassem para casa aprendizados. É muito bom saber que a gente consegue plantar essa semente, esse conceito de escola, porque as famílias vão para suas comunidades, mudam o bairro, a cidade, transformam comportamentos, enfrentando e rompendo ciclos de violência.”

Dagmar Soares, coordenadora do Programa Mais Infância Ceará

O objetivo dessa força-tarefa é apoiar o desenvolvimento integral de crianças cearenses, de 0 a 6 anos (primeira infância), sendo o Crescer Aprendendo uma estratégia para fortalecer o pilar Parentalidade, ou seja, cuidar de quem cuida, dando às famílias condições e conhecimento para que exerçam seu papel por meio de vínculos positivos em ambientes saudáveis.

O Programa também aproxima e aprofunda a relação entre escola, pais e responsáveis ao intensificar a aliança pela educação e pelo desenvolvimento infantil. Em 2020 e 2021, a atuação do Crescer Aprendendo, durante a pandemia, aconteceu no modelo virtual, nos grupos de WhatsApp, lives e encontros online. Professores e gestores das 125 escolas parceiras receberam formação para aplicar a metodologia e contaram com o apoio da equipe da UWB para resolver questões específicas sobre as 3.798 famílias atendidas nos municípios de Crato, Juazeiro do Norte, Sobral, Chaval, Granja, Itatira, Paramoti, Salitre e Viçosa do Ceará.

Em 2022, o Crescer Aprendendo retomou sua versão original, com ações presenciais e a distância, no modelo híbrido.

Todo esse trabalho foi avaliado externamente, pela Rede Conhecimento Social, que apresentou, no evento, os principais resultados quantitativos e qualitativos, com base no mapeamento realizado juntos a famílias participantes do programa em cinco dos nove municípios onde está implementado (Chaval, Viçosa do Ceará, Sobral, Paramoti e Juazeiro do Norte):

Perfil das famílias

Resultados

  • 31% das famílias são de mães que criam seus filhos sozinhas
  • 90% das famílias têm mães e madrastas como principais responsáveis pelas crianças
  • 9 em cada 10 adultos responsáveis pelas famílias se declararam negros
  • Metade dos pais e das mães são jovens (18 a 29 anos)
  • Uma a cada 10 crianças sofreu insegurança alimentar na pandemia
  • Uma a cada 10 crianças tem algum tipo de deficiência
  • 70% das famílias participam de programas de transferência de renda
  • 91% das famílias reconheceram melhoras nas práticas de cuidado com as crianças (61% afirmam que isso se deve ao programa)
  • Os pais admitiram ter aprendido outras maneiras de educar seus filhos, sem uso de violência
  • 40% dos pais passaram a ter na escola uma referência para o aprendizado sobre primeira infância

Após a apresentação dos resultados e a celebração das conquistas, representadas nas homenagens e no reconhecimento às escolas e regionais de ensino parceiras, o Crescer Aprendendo fez a entrega simbólica da Linha-Guia do programa, material que sistematiza os processos para implementação da metodologia. A ideia é que mais cidades adotem a proposta para fortalecer o diálogo entre escolas, pais e responsáveis para potencializar os cuidados com a primeira infância.

“O Crescer Aprendendo tem esse olhar de fortalecimento de vínculo parental e das relações positivas, complementando e inspirando um trabalho importante para a educação infantil (…). Às vezes a gente tem uma forte tendência em trabalhar a alfabetização, deixando de lado pontos importantes para o desenvolvimento da criança, como o olhar para a sua família, para suas características próprias e seus valores. Quando temos esse nível de parceria, conseguimos entregar um trabalho mais completo, formar nossos gestores e professores com uma visão mais ampla. Tenho certeza de que esse trabalho vai inspirar todos os 184 municípios cearenses para que qualifiquem a educação infantil que oferecem as suas crianças.”

Marcio Brito, Secretário Executivo de Cooperação com os Municípios

O próximo passo, anunciado no evento, é a implementação das trilhas Crescer Aprendendo nas cidades parceiras, começando com Crato, ainda em maio. As trilhas são espaços públicos que acolhem as crianças e suas famílias com equipamentos para promover o brincar e o fortalecimento dos vínculos, além de propiciar o desenvolvimento de aspectos importantes aos seis primeiros anos de vida.

Todo o trabalho desenvolvido coletivamente para implementar e sustentar o programa segue a missão da UWB, que ESTUDA (pesquisa e sistematiza soluções sociais), FAZ (leva à prática essas soluções) e CONECTA (articula e reúne diferentes atores para ampliar o impacto e gerar transformações sistêmicas e sustentáveis).

Crédito da imagem: ASCOM/Seduc

Empresas: precisamos falar sobre formação de jovens-potência!

Muitas corporações não empregam jovens da periferia porque acreditam que a falta de experiência e de qualidade da educação formal recebida podem ser um fator negativo. Outras ainda esbarram em questões de CEP (distâncias geográficas), raciais e de gênero, aspectos excludentes, injustos e retrógrados, aliás.

A questão é que jovens-potência são quase a maioria em grande parte do país. Só em São Paulo, temos 700 mil que estão sem trabalho e sem oportunidades para estudar. Não é difícil deduzir qual será o futuro dessa população se nada for feito para prepará-los e incluí-los produtivamente – e o impacto dessa negligência no desenvolvimento socioeconômico.

Jovens-potência têm de 15 a 29 anos, possuem capacidade para se desenvolver, vontade de transformar suas vidas e seu entorno. Enfrentam um contexto de desigualdades e racismo sistêmico, que dificulta o acesso às oportunidades formais de trabalho e de estudo, colocando-os em situação de vulnerabilidade social.

Felizmente, uma parte das empresas resolveu assumir a causa da inclusão produtiva das juventudes periféricas. No lugar de não selecionar e não contratar jovens das quebradas, elas criaram estratégias para apoiar sua formação. Esse é o pulo do gato para quem tem visão de futuro e reconhece a potência daquelas e daqueles que vivem nos arredores dos grandes centros, com muita vontade de aprender e com habilidades essenciais para a vida profissional, como resiliência, criatividade, motivação, dentre tantas outras.


A sua empresa contrata jovens-potência?

A formação de jovens é o ponto de partida para garantir que se tornem profissionais competentes em todos os níveis (do técnico ao relacional). Logo, criar oportunidades para oferecer conhecimento e aprendizado às juventudes é meio caminho andado nesse sentido.

Mas não é preciso começar do zero. A empresa pode buscar o apoio de instituições de ensino e organizações sociais que atuam com juventudes em situação de vulnerabilidade. Mas é bom ficar atento para saber se os conteúdos dos cursos oferecidos por essas instituições respondem às demandas e à realidade do mercado. Lembre-se que cada território tem sua vocação econômica, por isto, a formação precisa ser contextualizada.

Outra dica é a corporação criar oportunidades de formação para jovens-potência do seu entorno, o que diminui barreiras de deslocamento e contribui ao desenvolvimento local. Escolas públicas são uma ótima opção para isso.

Aderir ao programa Jovem Aprendiz é outra possibilidade, assim como apoiar modelos acessíveis de ensino técnico e profissionalizante para aumentar a preparação das juventudes para o mercado de trabalho.

E quando os jovens estiverem em formação, garantir uma bolsa-auxílio é fundamental, evitando abandonos por conta da necessidade de trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias. Também é bom lembrar que jovens-potência muitas vezes não têm acesso à internet ou, se têm, ele é precário. Por isso, oferecer essa estrutura para frequentar cursos a distância se torna essencial aos avanços desses jovens.

Formar jovens-potência para o mundo do trabalho não só é possível como necessário. Na crise pós-pandemia, fica cada vez mais clara essa urgência. A taxa de desemprego entre jovens brasileiros é de quase 30%. Em São Paulo, ela chega a 35%.

O GOYN SP tem atuado para reverter esse quadro, por isso reúne mais de 70 jovens, organizações e empresas para criar e implementar soluções que promovam a inclusão produtiva das juventudes das periferias. Sua empresa pode fazer parte dessa rede. É só entrar em contato conosco: ofuturoejovem@unitedwaybrasil.org.br

Agora a United Way Brasil é UWB, que investe na potência das novas gerações para enfrentar as desigualdades sociais

No dia 28 de abril, diferentes atores, que fazem a UWB acontecer, reuniram-se para celebrar os 21 anos da instituição no Brasil e conhecer o reposicionamento da organização para os próximos anos.

“A UWB é essa união. É uma organização que acredita em impacto positivo por meio do trabalho coletivo”. Com esta frase, Juliana Azevedo, até então presidente do Conselho Deliberativo da United Way Brasil, e presidente da P&G no País, abriu o evento comemorativo. 

O primeiro encontro presencial entre equipe, empresas parceiras e associadas, voluntários e conselheiros, depois de dois anos marcados pelo distanciamento social, celebrou, também, uma nova etapa em que a United Way Brasil, com o objetivo de se aproximar ainda mais de diferentes públicos, passa a ser conhecida como UWB. “Vamos apostar com muita força na colaboração, na experimentação e em mudanças sistêmicas em rede para gerar impacto sustentável”, reforçou Juliana.  

A renovação desse compromisso tem razão de ser, afinal, o Brasil na pandemia tinha cerca de 17,7 milhões de cidadãos que voltaram à condição de pobreza, só entre agosto de 2020 e fevereiro de 2021. No total, são 27,2 milhões de pessoas nessa condição, o que corresponde a 12,8% da população.

Luciene Lopes Sanfilippo, Vice-presidente de RH e Comunicação da Lear América do Sul, que no evento foi empossada como a nova presidente do Conselho Deliberativo, no lugar de Juliana, compartilhou os caminhos para os próximos anos da instituição. “

“Falando um pouco mais sobre o novo posicionamento que assumimos, podemos resumir o que fazemos em três palavras: Estuda, Faz e Conecta. A UWB estuda e apoia pesquisas para entender a realidade que precisamos transformar, faz ações embasadas em evidências para enfrentar os desafios mapeados e conecta as pessoas e instituições para alcançar as ações que impactem amplamente nossos públicos-alvo, ou seja, crianças e jovens”.


Nossa missão: investir na potência das novas gerações para mitigar desigualdades

Para enfrentar problemas complexos, que afetam o desenvolvimento integral de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, são necessárias soluções inovadoras e inclusivas, a partir de novos arranjos coletivos que envolvam os diferentes setores sociais.

Na segunda parte do evento, conduzida por Fabio Oliveira, Gerente de Comunicação da Eli Lilly, Tony Marlon, comunicador social, Nina Silva, cofundadora do movimento Black Money, e Mariana Luz, presidente da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, também conselheiros da UWB, compartilharam suas visões sobre o que é preciso priorizar para que possamos, de fato, investir na potência das novas gerações nestes tempos difíceis.  

“As desigualdades não foram criadas pela pandemia. Elas são acumulativas e precisamos priorizar uma gestão de urgências, uma linha de apoio, porque o pior é sempre o que está por vir. Temos de pensar em um projeto de futuro, mas para isso é necessário ver o que já está acontecendo, as soluções pensadas pelos coletivos, que precisam de escala para trazerem resultados de médio e longo prazo”, afirmou Tony Marlon, mostrando às empresas e instituições que há muitas possibilidades em curso, mas que precisam de investimento para ampliar a abrangência e o impacto.

Nina Silva, ativista da causa antirracista, salientou que não só as desigualdades são acumulativas, mas seus efeitos também e recaem, sobretudo, na população negra.

“É importante lembrar que 75% dos 10% de pessoas mais pobres do País são negras. Temos o costume de falar dos efeitos e não das causas. O Brasil é estruturado sobre um sistema de privilégios que mantém a periferia onde ela está”.

“O assassinato de George Floyd, nos EUA, mobilizou as pessoas aqui, que estavam em casa, isoladas, sem ter muito o que fazer. Mas é importante ressaltar que, no Brasil, a cada 23 minutos, um jovem negro é morto. O maior índice de evasão escolar está entre homens negros, ou seja, a base socioeconômica do País tem cor. Precisamos falar de segurança pública, do direito de existir com segurança, para além da educação, do saneamento. Temos de falar de inclusão e desenvolvimento produtivo. Temos de construir um sistema básico de seguridade de vida, a partir de processos colaborativos e comunitários”, opinou Nina.

Mariana Luz reforçou que a primeira infância é a mãe de todas as causas, por isso, é essencial um olhar diferenciado para a fase da vida humana em que o cérebro faz um milhão de conexões por segundo.

“A primeira infância é uma janela de oportunidades e apoiar a criança para que possa se desenvolver integralmente não é papel só dos pais e responsáveis. Está na Constituição que todos, como sociedade, temos de zelar por nossas crianças. Se entramos nesse espírito coletivo, conseguimos mudar as coisas. Os bebês nascem iguais, mas se eles não têm as mesmas oportunidades, a largada já é desigual.”

“A primeira infância deve ser prioridade, especialmente nas populações mais vulneráveis. Como sociedade, temos de alavancar as ações do poder público. As empresas precisam dar aos seus colaboradores benefícios que os apoiem para que as transformações comecem nessas famílias e sejam sistêmicas”, continuou.

O evento dos 21 anos da UWB aconteceu na sede da empresa associada Eli Lilly, que cedeu seu espaço. Após a celebração, os Conselheiros se reuniram para a Assembleia Geral Ordinária para formalizar a mudança na presidência do Conselho Consultivo e eleger o novo Conselho Fiscal, cujo mandato será encerrado em maio.

Equipe da United Way Brasil vai ao Ceará lançar a Trilha Crescer Aprendendo

O programa de formação parental, Crescer Aprendendo, da United Way Brasil, é parceiro da política pública de primeira infância do Estado do Ceará, desde 2021.

Uma das ações que serão implementadas em 2022 é a Trilha Crescer Aprendendo, que tem como objetivo transformar praças e espaços públicos em ambientes que promovam o lazer e o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 6 anos, a partir da relação criança-família.

Este ano, em fevereiro, a equipe técnica realizou uma visita às redes de ensino de Crato (foto) e Sobral para apresentar os resultados conquistados em 2021 e compartilhar o projeto da Trilha também com representantes das secretarias do meio ambiente e urbanismo, infraestrutura, cultura, segurança pública e desenvolvimento social, já que a proposta envolve todo o território urbano para que seja mais acolhedor e amigável às crianças das cidades. O projeto será implementado em maio.

As duas cidades são apoiadas pela iniciativa Urban95, da Fundação Bernard van Leer, parceira da United Way Brasil. O projeto trabalha com líderes, urbanistas, designers e sociedade civil para focar em bebês e crianças pequenas no planejamento, projeto e na gestão intersetorial de municípios, para que sejam mais saudáveis, mais justos e cheios de vida e ludicidade.

“As cidades são onde as crianças estão, onde as políticas públicas se materializam, onde podemos realmente fazer a diferença na vida de cada família. Apoiar gestores públicos municipais para que vistam as lentes da primeira infância no planejamento de todas as suas ações é nossa meta comum. Buscamos promover interações positivas nas ruas, nos espaços públicos e nos programas e serviços das nossas cidades parceiras. O Crescer Aprendendo é um programa poderoso, convidando pais e educadores a atentarem para a importância de seus atos, nesse comecinho da vida”, explicou Claudia Freitas Vidigal, representante da Fundação Bernard van Leer, no Brasil.

Para encerrar a visita técnica no Estado, a equipe do Crescer Aprendendo se reuniu, em Fortaleza, com o gabinete da primeira-dama e com a Secretaria Estadual de Educação. O objetivo foi a discussão de outras oportunidades de atuação no Ceará com o objetivo de fortalecer a causa da primeira infância.


Avanços nas políticas públicas

Para garantir a perenidade das ações do Crescer Aprendendo, as cidades de Crato e Sobral incluíram o programa como estratégia de formação parental nas escolas, nos seus Planos Municipais de Primeira Infância (PMPI), em fase de conclusão.

Em março, a equipe técnica do programa vai retornar ao Ceará, desta vez para ouvir as crianças e as comunidades atendidas, de escolas predeterminadas, a fim de colher subsídios sólidos para implementar uma Trilha que responda às necessidades e expectativas das alunas e dos alunos.


“Estamos muito animados e envolvidos com a implementação da Trilha Crescer. Sabemos que cidades planejadas para acolher e cuidar das crianças pequenas são experiências que têm trazido amplos resultados ao desenvolvimento infantil, impactando positivamente toda a sociedade. Casar essa ideia com ações de formação parental nas escolas é potencializar transformações sociais, tornando-as sistêmicas e sustentáveis”, ressaltou Sofia Rebehy, coordenadora de programas de primeira infância da United Way Brasil.

Capacitar para fortalecer a causa

Para garantir a continuidade bem articulada do programa nas escolas dos municípios parceiros, e fortalecer o que já vem sendo feito no Ceará, desde 2021, a equipe técnica realizou uma oficina de planejamento com os times escolares de Crato e Sobral. Em seguida, o próximo passo é apoiá-los para que elaborem o plano do programa em 2022. Com o objetivo de reunir todos “na mesma página”, será criada uma área exclusiva na plataforma Crescer Aprendendo Digital, da United Way Brasil, onde os profissionais poderão acessar aos conteúdos e dar continuidade às rodadas de formação parental digital, independentemente da equipe do Crescer Aprendendo, garantindo autonomia nas ações junto às famílias.

No 1º Café GOYN SP de 2022, engajamento é a palavra-chave!

Cerca de 45 pessoas de 24 organizações marcaram presença no 1º Café GOYN SP de 2022, quando foi apresentado o plano estratégico para o ano. O objetivo, além de compartilhar as ações pensadas para promover a inclusão produtiva de 100 mil jovens-potência da cidade de São Paulo, até 2030, foi engajar novas instituições e ampliar o impacto das iniciativas.


Mas, antes de começar os diálogos, os participantes expressaram, por meio de uma palavra, o que esse momento, do Café GOYN, tem a celebrar:

Evolução, conexões, vida, felicidade, saúde, resiliência, trocas, esperança, presença, potência, consciência, colaboração, apoio, resistência, inspiração, recomeço, oportunidade, empatia, juventudes, aprendizado, mudança, educação, parceria, compartilhamento, fazer junto.

Diante de uma realidade complexa desenhada pela pandemia e pelo momento histórico do país, tais palavras refletem o propósito compartilhado de gerar mudanças sistêmicas e sustentáveis para que as juventudes periféricas conquistem seus espaços sociais e profissionais.


PLANO ESTRATÉGICO PARA 2022

A atuação do GOYN SP para gerar inclusão produtiva de 10 mil jovens, a cada ano (100 mil até 2030), está pautada nas oportunidades reais de profissões de futuro, ou seja, aquelas cuja demanda tende a crescer e que estão relacionadas à vocação e às aspirações das juventudes periféricas, nas áreas das economias digital, criativa e verde. As duas últimas terão especial atenção da rede colaborativa do GOYN SP, em 2022, com realização de estudos e pesquisas para entender essas frentes e criar soluções que possam contemplá-las.

Além disso, as iniciativas de inclusão em 2022 irão priorizar jovens mulheres e jovens negres, que representam 70% das (os) jovens-potência da maior metrópole do país.

As estratégias estão pautadas sob três escopos, considerando desafios a serem superados para garantir que as juventudes periféricas ocupem seus espaços no ecossistema produtivo: estratégia GOYN no território (por meio de edital, investir em soluções que aproximem os jovens de profissões de futuro; acompanhar e apoiar 18 coletivos de jovens por meio do Micro Fundo para Jovens Inovadores), estratégia GOYN no mercado (atuação junto às empresas para gerar 3 mil oportunidades de empregabilidade e desenhar práticas mais inclusivas ao perfil de jovens-potência; criação de uma agenda de influência por meio da mobilização de C-Levels e entidades de classe) e intervenções “meio” (Ampliar modelo de plataforma de empregabilidade do Digitalis, removendo barreiras na intermediação entre empresas e juventudes), além de atividades transversais para avançar com os pilares do impacto coletivo (formação de lideranças juvenis sobre a temática da inclusão produtiva; realização de estudos, pesquisas e evidências).


ENGAJAMENTO E AMPLIAÇÃO DA REDE

No terceiro momento do Café GOYN SP, os representantes das diferentes instituições participantes se dividiram em salas para dialogar sobre as ações de cada escopo (território, mercado e “meio”), levantando dúvidas, além de colocarem suas expectativas, suas “dores” e compartilhar o que suas organizações têm a oferecer para que as estratégias sejam implementadas de forma coletiva e colaborativa.

Para formalizar a cooperação mútua, todos preencheram um formulário especificando seus interesses e formas de participação na rede GOYN SP. Tal engajamento é um grande passo para a realização de objetivos comuns pela inclusão produtiva das juventudes em um contexto pós pandemia, repleto de obstáculos, mas, ao mesmo tempo, recheado de oportunidades e soluções concretas que se tornarão possíveis a partir de uma atuação embasada na metodologia do impacto coletivo.

O 1º Café GOYN SP foi o ponto de partida para avanços e ações que farão a diferença no ecossistema produtivo da cidade de São Paulo, tornando-o mais inclusivo e amigável às juventudes periféricas.


Sua organização também pode aderir a este movimento. Venha para o GOYN SP e faça a diferença!

Como incluir a criança na rotina da família

Uma das novas realidades é que as crianças estão passando mais tempo em casa. Enquanto as mães, pais e cuidadores estão ocupados com o trabalho doméstico, o trabalho remoto e os pais, as crianças podem se sentir tristes, estressadas, confusas, assustadas. 

Além disso, é uma valiosa lição de amor ensinar a seu filho que construir uma casa é um esforço conjunto, exigindo contribuições emocionais e ações de todos os membros da família. 

E ao contrário da crença popular, as tarefas domésticas são tediosas, os pequenos se sentem valorizados quando participam ativamente do dia a dia das famílias. Através de dinâmicas lúdicas em casa e do acompanhamento de seus cuidadores, as crianças podem aprender a apoiar as tarefas em casa. É fácil!

  1. O adulto pode selecionar atividades que a criança consegue realizar, de acordo com sua idade, como ajudar a fazer um suco, regar uma planta e alimentar os animais. 
  2. Ele deve convidar a criança para as tarefas de uma forma divertida e lúdica, sem imposições.
     
  3. Durante a execução das tarefas, é importante que o adulto valorize o trabalho da criança e não corrija toda hora o que ela faz.

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Ao mesmo tempo, você está ajudando seu filho a desenvolver habilidades para ser mais independente, resolver desafios e fortalecer os laços entre vocês.


De onde veio esta dica para os pais?

100 famílias com crianças dos 0 aos 6 anos em conjunto com a United Way e a Fundação FEMSA foram acompanhadas durante a pandemia através da plataforma Crescer Aprendendo, com conteúdo e apoio digital na Primeira Infância para contribuir na formação de ambientes saudáveis para o crescimento de meninas e meninos. 

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